Show de Guaidó: fratura da oposição na Venezuela

A grande mídia mostrou Guaidó pulando a cerca da Assembleia Nacional (AN) no domingo 5 de janeiro e depois, no dia 7, liderando a tomada do seu recinto junto com outros deputados e apoiadores.

Abaixo artigo enviado da Venezuela por Alberto Salcedo sobre a verdade dos fatos.

“No domingo, 5 de janeiro, Guaidó negou-se a entrar na AN porque não tinha votos suficientes para ser reconduzido à sua presidência.

De acordo com a Constituição, a direção da AN, com 167 deputados com mandato de 5 anos (a atual foi eleita em 2015 NdT), é eleita por maioria simples, e no plenário estavam 151 parlamentares que, na ausência de Guaidó, elegeram para presidir a sessão o mais velho dentre eles. Assim, com os votos de um setor da oposição, rompida com Guaidó por disputas sobre recursos milionários vindos dos EUA e por denúncias de corrupção do ‘presidente encarregado’, foi eleita uma nova mesa diretora e seu presidente, Luís Parra (expulso do partido Primero Justicia), composta apenas por opositores (com o voto dos 81 chavistas presentes).

Depois do ‘pula cerca’ de Guaidó, ainda no domingo, ele presidiu, na sede do jornal opositor ‘El Nacional’, uma reunião de parlamentares (votaram até suplentes de titulares que haviam votado por Parra) que o ‘reconduziu’ a chefe do Legislativo.

EUA anuncia mais sanções
Imediatamente o governo dos EUA qualificou de “farsa” a sessão ocorrida na AN e afirmou que Guaidó seguia ‘presidente interino da Venezuela’. Posição à qual se somaram o Grupo de Lima (sem o aval de México e Argentina) e a União Europeia. Ao mesmo tempo, o porta voz dos EUA, Elliott Abrams, disse que seu país considera adotar mais sanções contra a Venezuela.

No dia 7, depois de encerrada a sessão presidida por Luís Parra, novo show para a mídia: a ‘reconquista do espaço perdido’, derrotando o ‘golpe parlamentar feito pela ditadura’, com a invasão do recinto por Guaidó e apoiadores.

Apesar da intoxicação da grande mídia, o fato é que a oposição está fraturada. A AN, que já não tinha poder de fato (considerada ‘em desacato’ pela Justiça), agora com ‘dois presidentes’ se debilita. Os EUA, para impedir a normalização do país, insistem no ‘autoproclamado’ Guaidó.

Enquanto o bloqueio econômico, financeiro e comercial imposto pelos EUA continua, a dolarização e hiperinflação jogam por terra a política de bônus do governo Maduro e os salários. Os preços dos produtos e serviços sobem diante da constante alta do dólar paralelo (que já chega a 80 mil bolívares).”