Taxação do aço: “cadeia produtiva em jogo no país”, afirma metalúrgico de Minas

No último dia 8, Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, assinou a promulgação de sobreta­xas a serem aplicadas para a impor­tação do aço (25%) e do alumínio (10%).

Uma decisão que atinge em cheio o Brasil, segundo maior exportador de aço para os Estados Unidos. Canadá (primeiro exportador) e México ficaram fora da decisão em função das renegociações do Tratado de Livre Comércio da América do Norte (Nafta, na sigla em inglês).

A decisão de Trump, uma vez efeti­vada, colocará em risco milhares de empregos no Brasil. Uma discussão começa sobre como os trabalhado­res e seus sindicatos poderão fazer frente a esta ameaça. O Trabalho ouviu Carlos Magno, metalúrgico da região do Vale do Aço/MG e vice-presidente da CUT estadual. Entrevista feita por Sumara Ribeiro.

O Trabalho – Qual é a expectativa do impacto no Brasil, e particularmente no Vale do Aço, sua região, da taxação da importação do aço e alumínio por Trump?

Carlos Magno – No Brasil a taxação excessiva sobre o aço e o alumínio implicará em dificuldades de ex­portações, promoverá em grande escala o desemprego neste setor, com aprofundamento de problemas nas relações comerciais entre o Brasil e o Estados Unidos. Neste sentido, os mesmos diagnósticos indicados inicialmente afetam a região do Vale do Aço, notadamente em se tratando das principais empresas existentes na região, tais como Arcelor Mit­tal na cidade de João Monlevade, Usiminas na cidade de Ipatinga e Aperam (única produtora de aço inox na América do Sul) na cidade de Timóteo, totalizando cerca de 10 mil trabalhadores entre postos dire­tos e terceirizados. E cerca de 60% da produção é destinada à exportação! É bom registrar também que estas empresas já haviam recuado em seus investimentos, o que implicou na demissão de trabalhadores e retirada de direitos.

OT – A discussão a respeito já chegou no chão de fábrica? Nos sindicatos de base? O que dizem?

CM – Os sindicatos começam a se movimentar. Já há a preocupação com as demissões por conta da con­trarreforma Trabalhista e, agora, com essa medida protecionista dos EUA. Os metalúrgicos de todo o Brasil já estão se posicionando sobre a tarifa­ção do aço e de alumínio, inclusive existe um documento construído pelas Centrais Sindicais em defesa da produção e do emprego na indústria siderúrgica brasileira.

OT – No passado, outros setores tiveram medidas de proteção no Brasil. A classe trabalhadora foi beneficiada? Como assegurar proteção efetiva ao emprego?

CM – Não diria que a classe trabalha­dora se beneficiou, porém pautou o governo brasileiro na perspectiva de fomentar a geração de empregos na indústria, uma vez que enfren­távamos um processo de desindus­trialização. Mas, o que enfrentamos no passado, não está nem perto do que pode ocorrer atualmente com a taxação do aço, considerando o mo­mento da situação política no Brasil e no mundo.

OT – Com um governo Temer, ilegítimo e pró imperialista, que caminho imediato tomar?

CM – Se o governo não fosse ilegítimo e golpista eu diria que iríamos dia­logar, tendo em vista a busca de po­sições firmes em defesa da produção e do emprego no setor siderúrgico brasileiro, inclusive com medidas cabíveis nos fóruns comerciais inter­nacionais, OMC (Organização Mun­dial do Comércio) principalmente. Porém o governo brasileiro é usur­pador e sem credibilidade. Penso que os metalúrgicos brasileiros terão que articular uma resposta de enfrentamento. Temos uma reunião convocada pelas Centrais, com as entidades sindicais metalúrgicas no dia 20 de março, ocasião que as cons­truções coletivas serão apresentadas. Precisaremos de uma avaliação con­junta, mas se coloca a necessidade de organização de paralisações e ações articuladas com o conjunto da classe trabalhadora porque o que está em jogo é toda a cadeia produtiva em nosso país.