Trabalhadores de Floripa iniciam greve contra privatização da coleta de lixo e outros ataques

Trabalhadores votam pela greve em Assembleia da COMCAP

Num pacote enviado à câmara municipal da capital catarinense que engloba seis Projetos de lei em mais de 280 páginas, o prefeito quer, entre outras coisas, espalhar trabalhadores da Companhia de Melhoramentos da capital (COMCAP) por outros setores, retirar salários e limitar e proibir assembleias da categoria. Os PLs proíbem concursos públicos e autorizam a entrada de empresas privadas nas coletas de lixo, caminhando na via da privatização.

Os PLs ainda reduzem o valor do ticket alimentação, da hora extra e do auxílio creche, entre outros, mas aumentam as jornadas de trabalho de uma categoria que já é fisicamente castigada pelo trabalho pesado e insalubre. Em resumo, o acordo coletivo da categoria assinado pelo mesmo prefeito em 2019, é rasgado.

Enviado à câmara no apagar das luzes de sexta feira (15), o prefeito exigiu regime de urgência, aprovado pelos vereadores nesta segunda (18). No mesmo momento em que as atenções estão voltadas para o início da vacinação na cidade.

Trabalhadores vão à luta
Convocados pelo Sintrasem, sindicato da categoria, os trabalhadores da COMCAP e de todo o serviço público da cidade estão indo à luta. Eles exigem a retirada dos  PLs que também atacam direitos de outros servidores.

Depois de dois dias de paralisações e manifestações os trabalhadores da COMCAP decidiram entrar em greve por tempo indeterminado. Enquanto isso o sindicato convoca uma assembleia unificada de toda a categoria para a próxima quinta feira.

O enfrentamento esquenta
A mobilização tem crescido. Nesta terça (19) deu-se um fato inédito: por pressão da luta, pelo menos 47 diretores, gerentes e comissionados na COMCAP entregaram seus cargos em solidariedade à categoria e se somaram a mobilização, incluindo a terceira no comando de operações de limpeza da autarquia (Comcap).

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Comissionados fazem fila para entregar os cargos

O prefeito Gean Loureiro aumentou o tom, em declaração nas redes sociais. Em uma postagem no facebook ele anunciou a contratação de empresa terceirizada, a ilegalidade da greve e disse que não aceita ser “refém de sindicato”.

O Sintrasem denunciou que a empresa contratada – Amazon Fort Soluções – de Porto Velho (Rondônia) é acusada de adulteração na pesagem do Lixo, despejo de lixo hospitalar em aterro comum, despejo de combustível em rio e terrenos impróprios e superfaturamento.

O expediente da empresa incluiria, inclusive, encher sacos de lixo com água para faturar do poder público pelo qual foi contratada.

Não satisfeito em atacar os trabalhadores e contratar uma empresa falcatrua para terceirizar o serviço, Gean Loureiro foi a imprensa acusar mentirosamente o sindicato e os trabalhadores em greve de impedir o abastecimento de carros da saúde e da guarda municipal envolvidos no processo de imunização.

Em resposta o presidente do sindicato, Renê Munaro, mostrou em vídeo o carro com as vacinas entrando na COMCAP e sendo abastecido em plena assembleia.