Trabalhadores Rodoviários de Juiz de Fora estão no quarto dia de greve

Trabalhadores rodoviários de Juiz de Fora, cidade do interior de Minas Gerais, estão chegando ao seu 4° dia de greve. Eles deflagraram o movimento em função da redução salarial imposta pelos patrões que chegou a 50% dos salários, atrasos e parcelamento nos salários, além do corte de cestas básicas e tickets alimentação. Essa é a terceira vez neste ano que os rodoviários entram em greve.

Em Juiz de Fora o sistema municipal de transporte é comandado por um consórcio de empresas que detém os direitos de concessão durante décadas, envolvidas inclusive em escândalos de corrupção, que levaram, por exemplo, à prisão e renúncia do ex prefeito Alberto Bejani.

Ao longo de anos cobrando preços de passagem considerados abusivos pela população, os donos das empresas acumularam fortunas, mas durante a pandemia alegam não ter dinheiro para pagar corretamente o salário dos trabalhadores.

Tentativas de repressão e desmobilização
Apesar do flagrante desrespeito aos direitos trabalhistas, a prefeitura autorizou que vans de transporte escolar passassem a fazer um transporte alternativo, sem qualquer preparo, enquanto a Justiça decretou através de liminar multa de mais de 50 mil por dia ao sindicato da categoria, e determinou que a categoria que tinha feito uma paralisação total, voltasse a rodar com 60% das frotas de ônibus.

Para C., trabalhador de uma das empresas “a liminar serviu apenas para ajudar o patrão. Estamos sofrendo não é de hoje, mas desde o inicio da pandemia com a empresa dividindo salário, ticket. Chegaram a dividir nosso pagamento em cinco vezes. Eu mesmo este mês recebi no quinto dia útil apenas R$12,00. Essa liminar não nos ajuda em nada. Nós estamos disposto a resistir, a não deixar rodar, a fazer operação tartaruga. Queremos o que é nosso”.

A greve também foi alvo da repressão pesada da Polícia Militar. Cenas de truculência policial foram filmadas pelos próprios trabalhadores. Alguns rodoviários chegaram a ser detidos pela polícia. Um deles, J.P. relata que cinco jovens trabalhadores foram presos preventivamente: “ao nos prender os policiais afirmavam que tinham certeza que íamos depredar ônibus e patrimônio público cometer atos de vandalismo, uma coisa inaceitável, da qual vamos recorrer”.

Solidariedade ativa da população
Apesar das dificuldades a greve tem recebido solidariedade ativa de amplos setores da população, além de sindicatos de outras categorias. Em nota o PT externou solidariedade à luta dos trabalhadores. Diversos militantes participaram ativamente das passeatas.A pré candidata a prefeita pelo partido na cidade, Margarida Salomão, também se manifestou solidária a luta dos trabalhadores e sugerindo a mediação da prefeitura para obrigar as empresas a pagarem corretamente.

Impasse
A luta deve continuar. Até a noite desta sexta a maior parte das empresas continuava a se recusar a garantir o pagamento de acordo com a demanda dos trabalhadores.