Vamos com Lula presidente e Haddad vice!

A Convenção Nacional do PT, dia 4, decidiu registrar a candida­tura presidencial de Lula no prazo limite, dia 15 de agosto, como se anunciou há vários meses, depois de rechaçar as pressões internas e externas por sua substituição (o “plano B”). A coligação PT-PCdoB­-PROS, com a fórmula Lula-Haddad, foi anunciada dia 5 depois da meia­-noite (ver abaixo).

É uma situação inédita e anormal: Lula é um preso político do golpe, candidato favorito nas pesquisas, e o programa de governo, adotado dia 3, inclui convocar uma Assembléia Constituinte Soberana (ver abaixo).

Quando a imprensa explicou tudo, o nervosismo tomou conta do “mer­cado”.

Afinal, o FMI tinha acabado de publicar a sua “revisão anual da economia brasileira”, recomendan­do “maior ênfase para acelerar o ajuste fiscal”, detalhando no pacote a reforma da Previdência, limites ao reajuste do salário mínimo, fim das vinculações orçamentárias para Saúde e Educação etc. Dia 7, o “ajuste de posição de um fundo estrangeiro no segmento de renda fixa, deflagrou uma onda de compra de dólares; a bolsa brasileira recuou”, o que se atribuiu a “incerteza eleitoral” (Va­lor, 08/08/18). É só o começo da chantagem eleitoral!

Auspicioso

O lançamento da candidatura de Lula, com um programa que para nada se parece ao do FMI, é um fato auspicioso para o povo brasileiro, na luta pela revogação das medidas golpistas e pelas reformas populares.

Um passo foi dado, mas haverá, contudo, obstáculos a vencer e pro­blemas a resolver.

Obstáculos, em primeiro lugar, na chantagem do mercado financeiro e no bloqueio das instituições golpis­tas que perseguem Lula. Eles devem ser enfrentados pelo debate e pela mobilização eleitoral popular.

Problemas

Mas há também problemas de orientação, como a busca de um dito “campo progressista”, condição da vitória. Há quem fale de pacto de não-agressão com Ciro Gomes (PDT), que não pára de atacar o PT (“viagem lisérgica” etc.) para se cre­denciar ao 2o turno.

O 6o Congresso do PT havia pre­conizado alianças com “setores antiimperialistas, antimonopolistas, antilatifundiários e radicalmente de­mocráticos”. De acordo com ele, nos opusemos na direção – junto com 1/3 dos seus membros – à resolução que sacrificou a candidatura de Marília Arraes em Pernambuco, e ainda trou­xe o PROS batizado “progressista” (!). Nós, do DAP, também questiona­mos a retirada da candidatura petista ao Senado no Ceará e o apoio a um senador do PR no Mato Grosso.

Alguns dirigentes do PT explica­ram um temor do “isolamento”, o que não corresponde às pesquisas eleitorais, pode corresponder aos escaninhos do Congresso Nacional para governar depois. Mas a expe­riência desde 2003 mostrou que é preciso sair desta armadilha, mudan­do a regra viciada do jogo através da Constituinte.

Outros dirigentes invocaram o “projeto nacional” para composi­ções. Mas mal escondem os cálculos parlamentares. O presidente do PT de Mato Grosso, deputado Valdir Barranco, por exemplo, explicou o apoio ao PR ao governo local porque “neste momento, a melhor tática é essa. Sem o ‘chapão’, não teríamos quociente eleitoral para eleger deputados” (OESP, 09/08). Ele não está focado na campanha Lula Presidente!

Agora, as inquietações são legíti­mas, mas não se deve dar corda à debates estéreis, nem vacilar com as pressões deletérias de candidatos concorrentes ou adversários.

Todos problemas legítimos de orientação tática nos Estados, serão melhor discutidos no Encontro Na­cional Extraordinário do Diálogo e Ação Petista, dia 1 de Setembro, em SP, assim como,e principalmente, os meios para levar Lula à vitória.

Campanha na rua

Com tudo e por tudo, temos certe­za que o que mais interessa à massa popular, jogada ao desemprego e submetida a uma onda de agressões materiais e morais pelos golpistas, é a decisão de lançar Lula-Haddad, do PT. Aos seus olhos, é o único meio se­guro de terminar o regime do golpe.

A campanha de rua vai começar. A hora é de cerrar fileiras na chapa Lula-Haddad para ajudar o povo a abrir caminho para reverter o golpe e abrir caminho para o novo governo. É nesse processo prático que também se poderá separar os verdadeiros alia­dos das transformações, esboçadas no programa de governo.

Markus Sokol

 


 “CONSTITUINTE SOBERANA EM GRAU MÁXIMO”

Ao lado da revogação de medidas do governo do golpe e outras medidas urgentes, o Programa de Governo de Lula prevê, em seu ponto 1.4, a refundação das instituições do Estado através de uma Constituinte Soberana.

A bandeira, que vem da resolução do 6o Congresso do PT (06/2017), foi rediscutida na Comissão de Programa e no Diretório Nacional, dia 3, e finalmente adotada nesta forma, por unanimidade. Com ela, o PT se alça nesta disputa eleitoral à altura da crise nacional fruto da decrepitude das instituições políticas, sociais e econômicas, expressa na absurda prisão de Lula, e oferece um ponto de apoio seguro para a soberania do povo na luta pela nação.

“Convocar um novo processo constituinte: a soberania popular em grau máximo para a refundação democrática do Brasil.

O golpe aprofundou a crise das instituições da República. A refundação democrática, liderada por Lula, implicará mudanças estruturais do Estado e da sociedade para assegurar políticas voltadas à garantia de direitos sociais, civis, políticos, econômicos, culturais e ambientais, e as transformações necessárias ao país.

Para assegurar as conquistas democráticas inscritas na Constituição de 1988, as reformas estruturais indicadas neste Plano e a reforma das Instituições, é necessária a deflagração de um novo Processo Constituinte.

Para tanto construiremos as condições de sustentação social para a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte, livre, democrática, soberana e unicameral, eleita para este fim nos moldes da reforma política apresentada neste Plano.

O governo do Presidente Lula participará, logo após a posse, da elaboração de um amplo roteiro de debates sobre os grandes temas nacionais e sobre o formato da Constituinte”.


O VICE NA COLIGAÇÃO PT-PCdoB

Faltavam poucos minutos para o prazo final, meia-noite do dia 5, quando o PCdoB veio à sede do PT aceitar os termos da proposta de coligação feita, com Haddad designado para vice, até a homologação do registro de Lula; ao final, em caso de impedimento pela Justiça, Haddad pode “subir”, mas o PCdoB terá a vaga de vice (Manuela d’Ávila).

Versões de chapa “triplex”, assim como de uma nova chapa Haddad- Manuela em campanha “desde já em todo o país”, como sugere a Nota da Executiva do PCdoB (06/08), não correspondem. Como se sabe, até a véspera ele negociava a vice com Ciro Gomes (PDT), depois que este perdeu os partidos do “centrão” para Alckmin. O PCdoB, no fim, lamentou ser esta a “aliança possível”.

Apesar da agonia de alguns ultra-aliancistas no PT, e do compreensível interesse do PCdoB na vaga, é o PT, amplamente majoritário, quem guarda o canal de Lula com o povo, que é o caminho certo da vitória.

O fato é que Lula segue candidato até o fim, “até as últimas consequências”, e Haddad, do PT, é seu porta-voz eleitoral nas próximas semanas.