Vamos vencer estas eleições! – Por Markus Sokol

Submeto às companheiras e companheiros do DAP que represento na Comissão Executiva Nacional e na Coordenação da campanha, esta avaliação preliminar, que ainda deverá integrar a discussão nas instancias do partido.

O PT vai a um embate eleitoral que será, de fato, a luta por Democracia e Direitos contra o Autoritarismo e o Ajuste Fiscal.

Saímos de uma dura batalha, numa eleição diferente, onde desmoronou o sistema partidário da classe dominante. Mas o PT se mantém como alternativa, após mais de uma década de perseguição, apoiado nas resoluções do seu 6o Congresso, na luta pelo fora Temer, pelos direitos e por Lula Livre.

Não hesito em dizer que, nessas condições, saímos vitoriosos, com a maior bancada na Câmara, para enfrentar, agora, o 2o turno presidencial que temos condições de vencer.

A mídia interessada distorce o quadro eleitoral, para fixar o recuo do PT numa maré da direita conservadora. Para isso, simplesmente salta qualquer menção às últimas eleições de 2016, após o golpe do impeachment que ela apoiou.

Ora, para o PT, 2016 foi o fundo do poço: simplificando, o partido teve 40% dos votos da eleição municipal anterior, e elegeu 40% dos vereadores e prefeitos de antes. Ganharam os golpistas, PSDB, DEM e outros. Já era a direita.

Agora, no 1o turno de 2018, o PT foi bem melhor e, simplificando novamente, fez 72% do total de votos do 1o turno de 2014, elegendo 56 deputados (80% da bancada anterior). Expressão, na verdade, de uma recuperação, enquanto o sistema político podre desmorona!

Enfrentar a extrema-direita

Não quero simplificar a situação complexa e difícil. O recuo relativo do PT foi mais acentuado no Senado e entre os governadores no 1o turno. E, sobretudo, a extrema-direita raivosa cresceu muito às custas da direita, o que é perigoso.

Mas nós podemos derrotá-la!

Na verdade, Bolsonaro foi a carta que sobrou à classe dominante. É um farsante que se pretende fora do sistema, do qual é uma peça parlamentar há décadas. Votou o golpe do impeachment e as medidas antipopulares e antinacionais, que ameaça aprofundar, cortando férias, 13o salário e outros direitos, além de tirar impostos dos ricos. Engana, tal como os parlamentares pescadores de águas turvas que agora declaram apoiá-lo. Todos devem ser confrontados aos fatos e desmascarados!

Para isso é preciso o angulo certo. Aí está o principal problema do balanço do 1o turno: a ingênua adesão, a uma semana do pleito, ao movimento sem-partido das “Mulheres unidas contra Bolsonaro” nos atos do dia 29. As pesquisas, nosso tracking (rastreamento), mostram que Haddad avançava para superar Bolsonaro até esse dia 29, quando se inverteu a tendência e configurou o resultado do 1o turno.

Foi um erro nossa coligação entrar naqueles atos genéricos quando não etéreos sem eixo. Escondiam o PT e facilitaram – como um trampolim – a ofensiva reacionária de milicos e certas igrejas que jogam na divisão do povo sobre “valores” e “moral”, quando nós devemos buscar sua união sobre uma pauta social. Nenhuma concessão nos direitos dos setores sociais oprimidos. Mas é nos temas do reajuste do salário mínimo, do corte dos gastos de educação, saúde e moradia, além dos direitos trabalhistas, que vamos desmascarar o farsante. Aprendamos com a experiência!

Rechaçar as pressões para vencer

Como nunca antes, se abatem gigantescas pressões sobre o PT e sua direção.

Os principais órgãos de imprensa, em editorial, acusam o programa de Lula de “Pior que a Venezuela”, intimidam com a “guerra civil” após as eleições e, hipócritas, pedem a “concórdia”.

Na verdade querem, como eles mesmo dizem, “descolar” Haddad  de Lula e do PT. Chamam a ceder na reforma da Previdência exigida pelo mercado e tirar a Constituinte do programa, para “se abrir para o centro”… e poder, então, explorar as fotos da junção do PT com os políticos do “sistema” odiado pelo povo!

Ao contrário, para ampliar e ganhar é preciso defender e estender os direitos sociais e o estabelecimento da soberania nacional. E porque se trata da mais ampla unidade em defesa da democracia, que é preciso uma Constituinte, o meio democrático de revogar as medidas golpistas e avançar as reformas populares – tributária, política, da mídia, agrária e outras – compromissos inegociáveis do programa do PT. É o meio democrático de mudar as instituições do sistema.

Apoios nesta disputa de 2o turno, crucial para o futuro da nação, são bem vindos, para além das forças que defendem Lula Livre, como o PDT e o PSOL. Negociações políticas com personalidades e setores partidários também, sem repetir barganhas de outrora.

Determinação e firmeza são necessárias, sem aceitar intimidação, mas também não cair em provocações, que só interessam aos “valentões” da hora.

Os sindicatos tem uma tarefa de proteção do direito democrático do trabalhador votar 13, denunciando e coibindo a coação patronal nas empresas.

Mas o principal, a maior aliança, o mais importante movimento a fazer, é terminar de mobilizar a força popular de mudança, de norte a sul, cobrir os locais de moradia ou trabalho, os bairros e as escolas de Comitês Haddad ou Lula-Haddad para lutar pelo voto 13!

08.10.2018

Markus Sokol