Venezuela a menos de um mês das eleições

As eleições de 20 de maio na Ve­nezuela se dão numa situação de guerra de preços, escassez de alimentos e remédios, insegurança à qual se soma um caos do transporte, apagões de energia, manipulação do cambio do dólar paralelo. Tudo isso num país cada vez mais dependente de importações de bens de primeira necessidade e de matérias primas para a produção.

O Estado se encontra de mãos amarradas para intervir, com pouca capacidade para injetar mais recursos na economia com reservas interna­cionais abaixo de 10 bilhões de dóla­res. A produção petroleira atingiu seu mínimo histórico e os compromissos a pagar da dívida externa atingem 9 bilhões de dólares em 2018.

O pano de fundo é o bloqueio financeiro imposto pelo governo de Donald Trump que dificulta refinan­ciar a dívida e novos empréstimos.

A economista Pascualina Curcio indica que a Venezuela importa 64% dos remédios necessários. Desse to­tal, 34% é comprado dos EUA, 10% da Colômbia, 7% da Espanha, 5% da Itália, 5% do México e 3% do Brasil. Quanto aos alimentos importados, 33% vêm dos EUA, 16% da Argenti­na, 14% do Brasil, 12% do Canadá, 3% do México, 2% do Chile e 1% da Colômbia. Assim, grande parte dos remédios e alimentos vêm de países cujos governos acabam de reunir-se em Washington com o secretário do Tesouro dos EUA, quando foram chamados a reforçar o bloqueio econômico à Venezuela.

O plano do imperialismo de pro­vocar o colapso da economia para empurrar o país a uma situação que dê pretexto a uma intervenção ex­terna “humanitária”, entretanto, até agora não se completou.

Resistência vai se expressar no voto Maduro

A direita pró-imperialista chega às eleições dividida e acumulando se­guidas derrotas eleitorais e políticas. Poucos acreditam nos dirigentes da Frente Ampla Venezuela, que rea­grupa pedaços da Mesa de Unidade Democrática (MUD) como a Ação Democrática (AD), Primeiro Justiça (PJ) e Vontade Popular, incorporan­do partes do que foi chamado de “chavismo crítico” para demonstrar maior abertura. O candidato presi­dencial Henry Falcón decidiu apro­veitar o vazio deixado por aqueles que não apresentam candidatos, com sua proposta de dolarização da economia.

Nesse cenário, o chavismo está em vantagem. Maduro ampliou as políticas de bônus sociais, reajustes salariais, aprovação de convenções coletivas e revisão de suas cláusulas econômicas diante da brutal alta de preços, medidas que, ainda que paliativas, buscam defender o povo trabalhador. Além disso o chavismo – PSUV e aliados – chega às eleições de forma unida. Nos bairros populares, enquanto a direita está ausente, o chavismo está presente através das políticas sociais do governo, da organização popular nos conselhos comunais, conselhos locais de abastecimento e produção (CLAPS), comunas, coletivos sociais e “comandos da classe trabalhadora com Maduro”. Esse enraizamento é o que permitirá uma vitória eleitoral.

As eleições na Venezuela concen­tram a resistência ao cerco e à ofen­siva do imperialismo dos EUA, por isso vão ter impacto em todo o con­tinente. Votar por Maduro é defender a soberania nacional, os direitos sociais e trabalhistas conquistados. Sua vitória eleitoral, segundo o que ele próprio diz em seus comícios, transformou-se em condição para reverter a atual situação econômica e social desastrosa, atacando as raízes da especulação e da guerra econômi­ca externa e interna.

Alberto Salcedo, de Maracaibo