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VENEZUELA: após 30 dias da constituinte, Trump decreta sanções.

9 de setembro de 2017
apoiadores-maduro

O povo se mobilizou para participar nos exercícios cívico-militares “Soberania Bolivariana 2017”, nos dias 25 e 26 de agosto. O grito “Gringo go home, Venezuela no se interviene. Venezuela se respeta”, foi ouvido em todo país. Organizações populares e sindicais, a Milícia Nacional Bolivariana, a Força Armada Nacional Bolivariana e líderes políticos, juntos, percorreram as ruas.

Mais de 50 mil trabalhadores se inscreveram voluntariamente na Milícia. “Na sexta se deu a parte teórica e hoje (sábado) foi a prática”, informou o deputado constituinte e presidente da Central Bolivariana Socialista de Trabajadores (CBST), Wills Rangel, “mais de 860 corpos combatentes de trabalhadores estão prontos a participar nestes exercícios frente às ameaças militares estadunidenses”.

Embargo econômico encoberto

A mobilização respondeu à ordem do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que impôs novas sanções econômicas à Venezuela, ao proibir seus sócios comerciais, empresas estadunidenses ou com capital nos EUA, de transacionar com a petrolífera PDVSA, principal industria que sustenta o país. Proíbe transacionar novos títulos emitidos pelo governo venezuelano, a estatal PDVSA e os bônus do setor público, assim como pagar dividendos ao governo. Assim, avança para deixá-lo sem dólares para pagar a dívida externa.

Trump poderia ter sancionado a PDVSA, proibindo o uso do sistema financeiro dos EUA, de contratar empresas nos EUA e obstaculizar todas transações em dólares. Seria uma medida mais dura. Tudo caminha para essa fase aguda do iminente bloqueio financeiro do país.

O atual embargo econômico encoberto, deve ser a oportunidade para debater a questão da dívida na Assembleia Nacional Constituinte (ANC).

É o que propõem os documentos do Coletivo Trabalho e Juventude, que tem um membro na ANC: “Abrir na ANC a discussão do Não pagamento da dívida externa, ademais de reverter esses recursos em inversões. Tenhamos em conta que tanto a velha como a nova dívida externa se contraem para favorecer importadores, a quem se entregam as divisas (valores) para seu enriquecimento, assim como à burguesia parasitaria que sempre sangrou o país. E que se faça pública a lista das empresas que receberam dólares e seus donos”.

Após 30 dias

Há 30 dias da eleição da ANC se logrou garantir a paz e a estabilidade para reorganizar o Estado, ficando para trás o cenário de guerra nas ruas. Mas seguem pendentes questões fundamentais para a ANC. Há 4 semanas da sua posse, a ANC ainda não tomou medidas, enquanto o estrangulamento dos trabalhadores pela burguesia se agrava. As condições de vida se deterioram. A especulação ataca os preços da comida, roupas, calçados, outros bens e serviços, destruindo o último aumento de salários decretado por Maduro.

Há um ataque à moeda. Ademais do aumento exorbitante do dólar paralelo, após a eleição, ficou clara a pouca disponibilidade de dinheiro em circulação até nas agencias bancarias. É parte de um esquema de assédio financeiro de fora, apoiado pelo governo dos EUA.

Com a instalação da Comissão Econômica da ANC, um lobby de empresários ditos “patriotas” insiste que falta “estabelecer garantias de respeito à propriedade privada”. A posição dos “empresários bolivarianos” na ANC é flexibilizar os controles existentes atualmente, inclusive desmantelá-los progressivamente, para que os capitalistas “se animem a investir no país”. É grande a pressão nos debates no seio da ANC, para ela “elabore medidas que o governo, mesmo se sabia que eram as que devia tomar, não pode fazê-lo”, o que sinaliza, na verdade, o retrocesso.

É provável que estes dias algumas medidas sejam tomadas pela ANC para enfrentar a especulação, o açambarcamento e o desvio de alimentos com os dólares “preferenciais” (os vendidos mais barato no sistema de cambio triplo do país – NdT). Estes são desviados e vendidos no mercado negro, somando-se ao bloqueio financeiro.

Havendo navios na costa carregados com medicamentos e alimentos, como explicar que não se tenha como pagar esses bens essenciais para a povo, por que? Porque há um bloqueio financeiro contra o país.

Decisões são urgentes: o congelamento de preços a nível nacional, medida evidente na feroz luta de classes no país; outra questão é o monopólio estatal do comércio exterior; numa situação de embargo, o controle social das empresas de alimentos monopólicas e oligopólios é imprescindível. Pois enquanto se entregar dólares aos capitalistas, eles desviarão ao mercado negro onde tem lucros fabulosos com baixo investimento, e venderão suas mercadorias a preço de mercado negro ainda as comprem subsidiadas, ou simplesmente tirarão seus capitais do país.

Alberto Salcedo, de Maracaibo (Venezuela)



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