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Venezuela: vitória do chavismo em 18 dos 23 estados do país

26 de outubro de 2017
VNZ voto

Oposição e seus aliados externos falam em “fraude” para esconder fracasso

Depois de quatro meses de violência e de seu boicote às eleições para a Constituinte em 30 de julho, a oposição agrupada na Mesa de Unidade Democrática (MUD) participou das eleições (marcadas pela Constituinte) de 15 de outubro para governadores dos 23 estados da Venezuela, ganhando em apenas cinco deles. A mídia internacional, que insiste que há uma “ditadura” no país, ficou mal situada.

O país foi às urnas num momento em que sofre sanções políticas e financeiras, bloqueio econômico patrocinado pelos EUA e em que a Organização dos Estados Americanos (OEA) acusa a ausência de garantias democráticas na Venezuela.

Após o anúncio dos resultados pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE) na noite do dia 15, ainda sem os resultados de Bolívar (que depois apontou vitória do chavismo com 52% dos votos), o governo francês “deplorou” a situação na Venezuela, chamando de “discutíveis” as condições das eleições e anunciando que examinará com seus sócios da União Europeia “as medidas apropriadas para contribuir para uma solução à grave crise que atravessa o país”.

Os resultados eleitorais
Com uma alta participação de 61,14% dos inscritos no registro eleitoral – superior à de eleições similares em países como Colômbia, Chile, Argentina, México, bem como nos EUA, França e Alemanha – o Grande Polo Patriótico (que inclui o PSUV e outras formações) alcançou 54% do total nacional de mais de 10 milhões de votos (a MUD obteve 45%).

O chavismo ganhou em 18 dos 23 estados do país, recuperando os de Lara, Amazonas e especialmente o principal bastião da oposição que era Miranda (2º e stado com maior votação), governado até então por Henrique Capriles (opositor de Maduro nas presidenciais de 2012).

A vitória eleitoral de 15 de outubro é resultado da resistência do povo trabalhador e se constitui num duro golpe para a direita em toda a América Latina, num revés para os planos golpistas em sua obsessão de derrubar Nicolás Maduro e assim entregar aos EUA a única cosia que lhes interessa, o petróleo venezuelano.

O chavismo triunfou na arena política e ganhou oxigênio. Hoje muitos se perguntam, “ganhou as eleições para quê?”. Maduro respondeu “para a recuperação económica”.

É o que todos esperam, a prioridade urgente deve ser a de recuperar a economia, atacando aqueles que boicotam a produção e a distribuição de bens, em prejuízo do povo trabalhador.

O que pode ocorrer?
As dificuldades são grandes: um dólar paralelo a 31 mil bolívares impacta a maior inflação do planeta; a OEA instalou uma espécie de “governo paralelo” na sua sede, com juízes nomeados pela Assembleia Nacional de maioria opositora em desacato ao poder Judiciário venezuelano; a saída da guerrilha de áreas fronteiriças da Colômbia abre a possibilidade de ações paramilitares vindas de lá contra a Venezuela; limitações à exportação de petróleo para mercados controlados pelos EUA.

A tudo isso se acrescenta que, mesmo derrotada nacionalmente, a MUD vai governar os ricos estados petroleiros de Zúlia e Anzoátegui, a ponte comercial com a Colômbia que é Táchira, além dos principais destinos turísticos do país, Mérida e Nova Esparta.

O que poderia abrir a possibilidade para um plano separatista, partindo de Zúlia, Mérida e Táchira (estados vizinhos fronteiriços com a Colômbia), que com a desculpa da “crise humanitária” poderiam pedir uma intervenção estrangeira, em combinação com um eventual “governo no exílio” legitimado pela OEA. O que daria sentido à gritaria de “fraude” feita pela mídia a serviço do imperialismo.

A situação atual da Venezuela confirma os termos da declaração que convoca a Conferência Mundial Aberta contra a Guerra e a Exploração, que se realizará em Argel no próximo mês de dezembro:

“Todos os povos de todos os continentes são golpeados pela ofensiva dos representantes do capital financeiro que, para salvar o sistema de exploração capitalista, estendem as guerras de destruição das nações e estados, questionam todas as conquistas dos trabalhadores e povos obtidas nas últimas décadas. O que está em jogo nessa barbárie é, em particular, o controle do petróleo e das matérias primas pelas grandes potencias. ”

O Coletivo Trabalho e Juventude, membro do Acordo Internacional dos Trabalhadores e Povos (AcIT), participará na Conferência de Argel na qual solicitará de todas as organizações do movimento operário e do movimento de emancipação nacional a solidariedade contra qualquer ingerência imperialista na Venezuela.

Alberto Salcedo, de Maracaibo (Venezuela)


No Brasil, a mídia golpista faz coro com “fraude”

“Concluímos que o sistema de votação — com identificação do eleitor 100% biométrica, com uso de urna eletrônica e voto impresso e com a aposição da digital do eleitor ao lado da assinatura no caderno de presença — revela solidez, organização, rapidez do ato, transparência e sofisticação, mostrando-se, assim, exemplarmente blindado a fraude”. Juiz André Luis de Moraes Pinto, que acompanhou o pleito na Venezuela, em entrevista à Folha de São Paulo (17/10).

Mas os jornalões brasileiros, que na véspera indicavam que “a oposição deve vencer”, no dia seguinte ao anúncio dos resultados das eleições deram títulos como: “Oposição denuncia o que considera uma fraude inadmissível” (O Globo); “Oposição contesta apuração” (Folha); “Oposição venezuelana descarta diálogo e pede nova votação” (Estadão). O mesmo Estadão que em editorial “Democracia à moda petista” (18/10) reage de maneira virulenta à nota do PT que corretamente saudou “o presidente Nicolás Maduro e seu partido o PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela), pela contundente vitória eleitoral”.

Clóvis Rossi, na sua coluna na Folha intitulada “Ditaduras não perdem eleições, fazem fraude como em Caracas”, argumentou que, diante da “situação catastrófica” do país, “contraria a lógica mais elementar” o chavismo ter ganho as eleições. Pobre “lógica” que não resiste aos fatos!

Enquanto isso, no dia 17, dois candidatos opositores na Venezuela, a ganhadora Laidy Gómez em Táchira e o derrotado Henri Falcón em Lara, reconheceram os resultados eleitorais.



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