Volta às aulas sem condições apropriadas é greve!

Pressões para reabrir as escolas, apesar dos riscos de contágio pela Covid-19, existem em todo o país.

Ela é maior no setor privado do ensino, vinda dos donos de escola temerosos de perder a clientela e também de pais e mães de alunos. Nas redes públicas, onde não há condições mínimas sequer de um atendimento “à distância” para os alunos, a maioria sem acesso à internet, também surgem anúncios de volta às aulas.

Em Fortaleza (CE), é previsto o retorno às aulas em 31 de julho, dentro de um plano de flexibilização da quarentena no estado. O sindicato dos trabalhadores em Educação (Sindiute) prepara uma paralisação caso isso ocorra. A presidente do sindicato, Ana Cristina, declarou à Folha de São Paulo (10/6): “Com a reabertura de outros setores, a pressão em cima das escolas é grande. Entendemos a necessidade do retorno, mas é preciso que isso seja feito com segurança e planejamento. ”

Já o coordenador da APLB (sindicato dos professores da Bahia) afirma: “Muitas das nossas escolas não têm sabão para os alunos, têm um único banheiro. É preciso discutir essas questões básicas antes de pensarmos em qualquer retomada”. As aulas presenciais na Bahia estão suspensas até 21 de junho e não há previsão de retorno.

A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) defende diretrizes para a volta às aulas, tais como a garantia de segurança sanitária aos professores, funcionários e alunos, o que exigiria uma reorganização do espaço físico das escolas para que haja distanciamento e higienização dos profissionais e alunos, a redução do número de alunos por salas de aula e estruturas pedagógicas apropriadas.

Se essas condições necessárias para uma volta às aulas não forem garantidas, só restará aos professores, funcionários e estudantes recorrer à greve em defesa de condições de trabalho e ensino que os protejam do contágio, tal como ocorreu na França em dezenas de escolas reabertas no início de junho.

João B. Gomes