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	<title>Arquivo de Entrevista - O Trabalho</title>
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		<title>Morre Esteban Volkov, neto de Trotsky. Leia entrevista de 2019 para revista A Verdade</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 18 Jun 2023 21:30:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
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<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p class="wp-block-paragraph">Volkov faleceu nesta sexta-feira, 16, aos 97 anos de idade. Publicamos a seguir a nota da Casa-Museu Leon Trotsky, insitituição da qual foi fundador e diretor. <br>Abaixo, republicamos a entrevista que Esteban concedeu à revista A Verdade edição 103, no final de 2019.<br><br><strong><em>Nota da Casa-Museu Leon Trotsky</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>A sua morte deixará um profundo vazio que será muito difícil de preencher. O seu humor, sorriso e olhar eram parte desse semblante amável e firme com o qual se apresentava diante da gente no museu, nas centenas ou milhares de conferências que deu, nos documentários e na sua vida diária.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Desde o assassinato de seu avô, o dirigente revolucionário Leon Trotsky, assumiu a tarefa mais importante da sua vida, a defesa das ideias e da trajetória de seu avô.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Apesar de ser um pai e profissional bem sucedido, a sua maior atenção sempre foi manter essa memória vida, a bandeira limpa de Leon Trotsky.</em><br><em><br>Na sua luta, fundou a Casa Museu Leon Trotsky a qual dirigiu até há poucos anos atrás. Don Estevan, como lhe chamávamos no Museu, era a alma deste espaço, sem esse ímpeto e caráter, o museu teria fracassado na sua tarefa, devemos-lhe tudo que somos hoje como instituição.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Esta tristeza que nos embarga será convertida em energia, a qual nos servirá para manter o seu legado à tona.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>A sua família biológica, seus amigos e companheiros do Museu Casa León agradecem profundamente as manifestações de carinho recebidas até ao momento. Nas próximas horas anunciaremos os próximos eventos que organizaremos em homenagem a Don Estevan, para lembrá-lo sempre.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Agora o seu corpo descansa ao lado dos seus pais e avôs, todos eles grandes mártires da luta por um mundo melhor. Esse sonho continuará a guiar as tarefas deste espaço.</em></p>



<hr class="wp-block-separator has-alpha-channel-opacity"/>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Entrevista de Esteban Volkov para a revista A Verdade, concedida em 2019</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph">Na ocasião do aniversário do assassinato de Leon Trotsky pelo agente do stalinismo Ramón Mercader, publicamos a entrevista que nos concedeu Estéban Volkov, neto de Trotsky. Em 28 de março de 2019, nosso camarada <strong>Xabier Arrizabalo</strong> apresentou seu livro “Lições da Revolução Russa” na Casa-Museu Léon Trotsky, em Coyocan, no México. E, em nome de “A Verdade”, revista teórica da 4ª Internacional, entrevistou, em 30 de março, Estéban Volkov, neto de Trotsky. Participou também da entrevista a diretora do museu, Gabriela Perez Noriega.<br><br></p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="589" height="441" src="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2023/06/WhatsApp-Image-2023-06-18-at-11.25.19.jpeg" alt="" class="wp-image-17701" srcset="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2023/06/WhatsApp-Image-2023-06-18-at-11.25.19.jpeg 589w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2023/06/WhatsApp-Image-2023-06-18-at-11.25.19-300x225.jpeg 300w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2023/06/WhatsApp-Image-2023-06-18-at-11.25.19-150x112.jpeg 150w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2023/06/WhatsApp-Image-2023-06-18-at-11.25.19-561x420.jpeg 561w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2023/06/WhatsApp-Image-2023-06-18-at-11.25.19-80x60.jpeg 80w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2023/06/WhatsApp-Image-2023-06-18-at-11.25.19-265x198.jpeg 265w" sizes="(max-width: 589px) 100vw, 589px" /><figcaption class="wp-element-caption">Estéban Volkov (<em>à esq.</em>) com Xabier Arrizabalo, no momento da entrevista</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">O objetivo da entrevista: combater, por meio de seu testemunho direto, o caráter de provocação grosseira que é a série “Trotsky”, produzida pelo canal estatal russo RT, e transmitida internacionalmente pela Netflix. Sua manipulação dos fatos é comprovada particularmente pela maneira com que trata o assassinato de Leon Trotsky, como explica em detalhes Volkov em sua entrevista, revelando a base falaciosa sobre a qual toda a série se baseia: uma falsificação histórica que só pode obedecer ao medo de Trotsky, e, com ele, da revolução, que permanecem como uma referência na luta dos explorados por sua emancipação. Agradecemos ao camarada Álvaro Laine pela transcrição da entrevista, da qual publicamos extratos.</p>
</div></div>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A Verdade –</strong><strong> </strong><strong>Antes de tudo, agradecemos por nos conceder essa entrevista de forma tão acolhedora e hospitaleira. É uma honra estar aqui com você. Pensamos que fazer certo número de questões sobre o que eu não sei exatamente como chamar – “série”, “filme” ou se o melhor seria “provocação direta” –, em razão do que foi explicado na declaração que você divulgou e da qual eu também sou signatário. Uma provocação cuja origem tem de ser procurada no círculo próximo a Putin (</strong><em><strong>presidente da Rússia</strong></em><strong>, NdT), relacionada à tentativa histórica de querer silenciar Trotsky, depois de não tê-lo conseguido nem com seu assassinato. É por isso que, novamente, temos diante de nós manipulações e calúnias.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Minha primeira pergunta: como e quando vocês foram informados sobre o projeto? Porque, ao que eu sei, os responsáveis fizeram contato com vocês, mas negando o acesso ao cenário e depois recusando cada uma das considerações que vocês enviaram em nome da Casa-Museu Leon Trotsky, considerações que não se baseavam em opiniões, mas em fatos comprovados. Isso está correto?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Gabriela Pérez Noriega</strong><strong> – </strong>Sim. Sobre esta questão da edição da série da Netflix, a ideia deles era justamente fazer um filme aqui, dentro de um projeto sobre o centenário da Revolução Russa. De início, solicitamos que fosse um projeto complemente sem fins lucrativos, o que foi o primeiro obstáculo, porque esse não era o propósito deles. Facilitamos as coisas, não fazendo disso um problema, mas apontamos que o projeto não estava absolutamente de acordo com a verdade histórica. Foi então que se retiraram e entraram em contato com uma empresa mexicana de produção, que veio nos procurar com os mesmos argumentos, e mais uma vez insistimos que era necessário mudar o cenário. Não foi possível nenhum acordo, e o fato é que, logo em seguida, essa mesma empresa mexicana voltou a nos procurar para pedir apoio num processo que a empresa moveria contra a Netflix. Obviamente, não intervimos nesse processo. Nesse momento, temos boas relações com o embaixador russo, que fez para nós a tradução do guia oficial do museu que agora temos em russo. Não conhecemos os termos do contrato desse projeto, mas é um fato que o canal RT está por trás de tudo isso.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Na série, a questão do assassinato é uma monstruosa falsificaçãosomente da questão do conteúdo, mas podemos dizer que a forma de agir é, sem exagerar, mafiosa, porque vai contra as práticas mais honestas no terreno jornalístico, seja em documentários para TV ou cinematográficos. Quais seriam os aspectos mais relevantes nesta manipulação histórica que é feita do personagem de Trotsky na série?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Estéban Volkov</strong><strong> – </strong>Bem, mal vi o primeiro capítulo e percebi que o personagem inofensivo e vulgar que representa Trotsky na série está a milhões de anos-luz do meu avô, a quem conheci pessoalmente. Um dos fatos que é realmente uma falsificação monstruosa é o assassinato. Um famoso inspetor da polícia secreta do México, Jesús Vásquez, sentou-se em uma cadeira, fazendo o papel de Trotsky, e o próprio assassino, codinome Jackson (Ramón Mercader), segurando um jornal enrolado na mão, mostrou ao inspetor como golpeou Trotsky por trás da cabeça. Esta série, por outro lado, apresenta a versão que Stálin tanto desejou que o governo mexicano adotasse: que o assassinato decorre de um conflito face a face com um partidário de Trotsky decepcionado e desencorajado. Finalmente, esses dois russos (<em>Alexander Kotts e Konstantin Statsky, diretores da série</em>, NdE) conseguem satisfazer o que Stálin desejava. Além de tudo, adicionaram um emaranhado de monstruosidades e coisas absurdas. O que é difícil de conceber é como uma empresa como a Netflix possa difundir semelhantes falsificações e aberrações históricas, uma irresponsabilidade absoluta.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A Verdade – Tenho um caso pessoal que data de 1993, quando estava em Moscou e tive de ir ao consulado espanhol. Conheci uma “filha da guerra”, Josefina Iturrarán, daquelas que foram enviadas para a Rússia em 1937, antes do cerco franquista de Bilbao. Pude conversar por um longo período com ela, e me contou um episódio terrível: a dirigente histórica mais importante do Partido Comunista da Espanha, Dolores Ibárruri, “a Pasionaria”, ficou doente e foi conduzida a uma clínica em Moscou. A senhora Josefina estava na mesma clínica, e, um dia, ouviu uma batida na porta, e sua surpresa foi ver Ibárruri. A surpresa foi mútua, porque, na realidade, não era ela que Ibárruri queria visitar. O fato é Ibárruri havia perguntado na recepção onde estava “a espanhola”, e lhe indicaram o quarto de Josefina. Na realidade, ela queria visitar outra espanhola, Caridad Mercader, a mãe do assassino de Trotsky, que a nomenklatura continuava agradecendo pelo trabalho criminoso realizado. Na Espanha, habitualmente usamos a expressão:</strong><em><strong> “Ladran, luego cabalgamos” </strong></em><strong>(“Os cães ladram, e a caravana passa”).</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Estéban Volkov</strong><strong> – </strong>É o que disse Dom Quixote, um dito conhecido.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A Verdade – O que há por trás do fato de o aparelho de estado russo falsificar o personagem de Trotsky (e sabendo que Putin vem da KGB, o antigo serviço secreto soviético)? Incluindo o que você me explicou antes, que paradoxalmente a série pode ser um serviço prestado no sentido de que, nos apoiando na verdade histórica, ela nos leva a reforçar a reivindicação do personagem de Trotsky e toda a sua herança diante desta provocação. Qual pode ser a intenção desa provocação?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Estéban Volkov</strong><strong> –</strong> Bem, é que eles têm medo das ideias de Trotsky. No momento em que elas entrem em vigor, podem ser o farol que oriente um retorno ao socialismo. Então, como um país capitalista, querem evitá-las a todo custo, obviamente.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A Verdade – Quando se verifica ainda com mais intensidade o velho dilema socialismo ou barbárie&#8230;</strong></p>



<p class="has-regular-font-size wp-block-paragraph"><strong>Estéban Volkov – </strong>Sem dúvida, podemos inverter: barbárie ou socialismo. Quer dizer, para sairmos da barbárie na qual nos encontramos, devemos nos dirigir ao socialismo. Já estamos na barbárie.</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px"><br><strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-vivid-red-color">Trotsky estava sempre disposto a explicar o marxismo</mark></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A Verdade – Sou professor de economia e, para explicar a economia mundial atual, me apoio nas categorias teóricas formuladas por Trotsky, como a do desenvolvimento desigual e combinado, por exemplo. Não podemos compreender e caracterizar uma realidade mundial que se apresenta de maneira convulsiva e contraditória sem esse conceito. A mesma coisa sobre o imperialismo, de Lênin, etc. Mas há outra dimensão de Trotsky que me toca: sua sensibilidade para tudo que é humano. Ele era alguém que conhecia a psicanálise (que dava seus primeiros passos), que tinha um conhecimento enciclopédico da literatura universal – apenas para dar alguns exemplos. Outra coisa muito interessante para mim era sua elegância: em nenhuma foto ele aparece desarrumado ou mal vestido. Ele explicava bem as questões da vida cotidiana na experiência soviética (no texto “Problemas da Vida Cotidiana” e em outros), o que é muito importante para o que eu chamaria de civilização, mostrando a importância de não cuspir na rua, de que cidades e ferramentas sejam mantidas organizadas e limpas, contra o uso abusivo de palavras grosseiras etc. Então, finalmente sobre um terreno pessoal, você gostaria de abordar alguma questão de seus avós, particularmente de Trotsky?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Estéban Volkov</strong><strong> – </strong>Sim, claro. O Trotsky que eu conheci era um personagem de uma inteligência excepcional e uma pessoa de uma incrível simplicidade. Muito caloroso, muito próximo de seus camaradas, sempre bastante solidário com aqueles que estavam ao seu redor, sempre disposto a lhes mostrar, a explicar todos os aspectos políticos do marxismo. E, além disso, também tinha um grande senso de humor, que criava um ambiente sempre muito caloroso, muito agradável ao seu redor. Ele era um grande admirador do trabalho humano, sobre o qual não admitia nenhum tipo de distinção ou privilégios. Sobre essa questão, aqui mesmo em casa, sempre que havia algum trabalho desagradável a ser realizado, quando havia coisas desagradáveis a fazer, por exemplo, consertar um tubo de drenagem ou limpar a fossa séptica, ele, pessoalmente, realizava esses serviços.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A Verdade – Imagino que ele falava bem diversas línguas&#8230;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Estéban Volkov</strong><strong> – </strong>De fato. Ele dominou bem o alemão, o francês com perfeição, e mais ou menos bem o inglês. Também aprendeu muito rapidamente o espanhol. Gostava muito de conversar as pessoas do povo e com os camponeses: conhecer seus problemas e seu modo de vida, entrar nas questões de sua existência cotidiana.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A Verdade – Penso em outra coisa, que é conhecida, mas talvez menos&#8230; E que estilo! De fato, sua primeira vocação, como ele mesmo disse em “</strong><em><strong>Minha Vida”, </strong></em><strong>era a de ser escritor. A vida colocou diante dele a necessidade da revolução, mas ele escrevia muito bem. O prólogo de </strong><em><strong>“A História da Revolução Russa”</strong></em><strong>, comparado aos escritos de história, é, por assim dizer, tanto do ponto de vista literário quanto metodológico, uma verdadeira obra-prima. Não digo isso por uma paixão militante trotsquista, mas porque isto se confirma com fatos objetivos, não é verdade?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Estéban Volkov</strong><strong> – </strong>Sim, “<em>A História da Revolução Russa” </em>é uma obra-prima de reconhecimento internacional. Cheguei aqui em agosto de 1939, vindo da França com o casal Rosmer, grandes e velhos amigos intimamente ligados a meus avós, que me trouxeram. E é verdade, foi uma grande mudança. A vida em Paris não era agradável. Eu vivia com Jeanne, a viúva de Leon Sedov (seu tio, NdE): ele havia sido havia sido morto, provavelmente envenenado, em uma clínica infestada de agentes soviéticos, e sua viúva tornou-se uma mulher muito deprimida, devastada pela perda do companheiro, o que não facilitava a convivência. Jeanne me manteve escondido em Vosges, perto da fronteira alemã, com um amigo dela&#8230;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A Verdade – Você também deveria estar marcado&#8230;</strong></p>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color wp-block-paragraph" style="font-size:20px"><em><strong>“Eles vão trocar a caneta pela metralhadora”</strong></em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Estéban Volkov</strong><strong> – </strong>Não. O que ela queria evitar, acima de tudo, é que meu avô viesse me buscar e fizesse valer a autoridade parental. Mas finalmente eles conseguiram me localizar e, com um mandato judicial, me buscaram. É foi então que eu soube que iria para o México. De fato, a creche na qual fui encontrado, uma espécie de abrigo para crianças, chamava-se Raios de Sol&#8230; e de fato ali, naquele momento, eu vi um verdadeiro raio de sol, ao saber que iria partir de lá e que uma nova vida me esperava no México. Eu tive muita sorte, sim&#8230; muita sorte. Nós chegamos aqui em agosto de 1939, em uma grande família, com os meus avós. <em>The old man</em> <em>(“o velho” em inglês, NdT</em>), como os camaradas lhe chamavam, estava cercado de jovens, na sua maioria, estranhos. Ele não se importava com isso. Leon Trotsky e seus camaradas escolheram ter estranhos como seus secretários e auxiliares em razão de não serem acusados de influenciar na política mexicana, o que era um pré-requisito para o asilo político que lhe concedeu Lázaro Cárdenas: como todo estranho que entra no México, ele não tinha o direito de se meter na política mexicana, e Trotsky seguiu escrupulosamente esta norma.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 1940, toda a imprensa stalinista, que agredia continuamente, caluniando e difamando o meu avô, com Lombardo Toledano (líder stalinista sindical mexicano) à frente, decide intensificar esta campanha caluniadora o máximo possível. Logo que meu avô observa esse fato, seu comentário foi: “<em>Obviamente, os jornalistas estão prestes a trocar a caneta por metralhadoras</em>”. Foi o que aconteceu em 24 de maio, quando o pintor David Alfaros Siqueiros, com cerca de 20 stalinistas, invadiu a casa no início da manhã e metralhou profusamente o quarto no qual dormiam meus avós. É um milagre que não tenham sido assassinados, graças aos rápidos reflexos de Natália que, ao primeiro tiro, jogou meu avô no chão e o empurrou para o canto mais protegido do quarto. Eu estava naquele lado, e eu também me joguei no chão e fiquei abaixado em um canto. Também atiraram sobre a cama na qual eu dormia com uma pistola automática carregada, e recebi um impacto de bala no polegar do pé direito, que ficou aberto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É dificil de descrever o grau de alegria e euforia de meu avô, pouco tempo depois dos assassinos terem partido, por ter sobrevivido a este ataque de Stálin. Ao ponto que, logo que, no decorrer do dia, chegou um dos chefes da polícia de Leandro Salazar (<em>chefe dos serviços secretos mexicanos, NdE</em>), ele não pôde acreditar que Trotsky havia sofrido esse atentado. O que facilitou muito a vida dos stalinistas para em seguida lançar a versão de que tudo teria sido uma farsa, um “auto-atentado”, uma cena teatral organizada por Trotsky. Eles subornaram duas cozinheiras que trabalhavam na casa e o oficial responsável pela segurança externa: havia um pavilhão no exterior da casa com os policiais mexicanos, e o oficial Casas e as duas cozinheiras, comprados pelos stalinistas, declararam, contra a família, que estavam reunidos na noite anterior até tarde e que estavam todos muito nervosos&#8230; enfim, qualquer coisa para sustentar a versão do “auto-ataque”. Mas meu avô sabia que eles haviam nos concedido apenas uma trégua. A questão agora era: por onde viria o próximo ataque?</p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:20px"><em><strong><mark style="background-color:rgba(0, 0, 0, 0)" class="has-inline-color has-vivid-red-color">“Não o mate, ele deve falar (&#8230;) Mantenha a criança longe”</mark></strong></em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Isso é tão verdade que, quando finalmente sofreu o ataque do catalão, Mercader, ele parou na abertura da porta que vai do escritório à sala de jantar, Natalia rapidamente se aproximou dele, e ele apenas indicou com uma mão o assassino, imobilizado em um canto por certo número de guardas. Disse somente <em>“</em><em>Jackson</em><em>”</em>, como se dissesse: <em>“</em><em>É dele que veio o que nós esperávamos</em><em>”.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Há dois fatos interessantes: logo antes de eu chegar em casa, ele havia dito aos guardas que ouviam o assassino: <em>“</em><em>Não o matem, ele deve falar</em><em>”,</em> e, posteriormente, assim que entrei na biblioteca que se unia à sala de jantar, pela porta entreaberta, onde ele estava deitado no chão, igualmente disse aos guardas: <em>“</em><em>Mantenha a criança longe, Sieva, meu neto, não deve ver esta cena</em><em>”. </em>Esse detalhe retrata totalmente a humanidade desse personagem, que à beira da morte, ainda se preocupou de não causar um trauma no neto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em seguida, foi conduzido ao hospital da Cruz Verde, chamado Rubén Leñero, na rua Victória, onde foi operado na presença de Gustavo Braz, um dos médicos mais renomados que, em seguida, foi reitor da Universidade Nacional Autônoma do México (Unam), ministro da Saúde e governador do Estado. Mas, no dia seguinte, meu avô teve um ataque cardíaco e morreu ao meio-dia de 21 de agosto de 1940. Joe Hansen conta que, mesmo antes de morrer, ele lhe disse: <em>“</em><em>Eu tenho certeza da vitória da 4ª Internacional, em frente!</em><em>”. </em>E talvez esta seja uma tarefa a ser realizada por aqueles que defendem as suas idéias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“<em><strong>Nossa mais alta missão é reestabelecer a verdade histórica, tão falsificada”</strong></em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Estamos aqui em um lugar histórico e de grande valor. Por isso, precisamente, nossa mais alta missão é reestabelecer a verdade histórica, em um dos capítulos em que ela foi mais alterada e falsificada. Sim, vivemos no período em que as “<em>fake news” </em>e a “<em>fake history” </em>(as notícias fabricadas, a história falsificada) são a coisa mais comum, mais usual, mais continuamente empregada para ganhar eleições fraudulentamente (<em>provável alusão à eleição no Brasil? – NdE</em>), simulando a imagem da democracia, da democracia burguesa.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A Verdade – Realmente, vocês cumprem uma tarefa muito importante, pois Stálin queria apagar Trotsky, e acreditava que com uma espécie de antecessor dos atuais programas</strong><strong>de manipulação fotográfica e digital, como o famoso photoshop, quer dizer, retirando Trotsky das fotografias, isso seria suficiente.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Estéban Volkov</strong><strong> – </strong>Não apenas apagar Trotsky, mas destruir o seu lugar histórico. Foram inúmeras tentativas de destruir este local. Durante a presidência de Manuel Avila Camacho (<em>de 1940 a 1946, NdT</em>) e daqueles que o sucederam, houve numerosas tentativas por parte dos stalinistas infiltrados no governo de transformar esse espaço em uma biblioteca, em um jardim de infância, em um escritório do governo. Qualquer coisa, contanto que o museu fosse destruído. Mas, felizmente, não conseguiram fazer isso. Muito tempo depois, em 24 de setembro de 1982, o então presidente do México, Lopez Portillo, declara esse lugar monumento histórico e me nomina como seu guardião.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Aconteceu um fato curioso em 1965, quando eu estava aqui com a família: um belo dia, chegou um advogado do governo, do departamento central, com um mandato de expulsão da família, e com 15 caminhões aguardando do lado de fora. Ao que parece, o então presidente Díaz Ordaz, em um de seus ataques de fúria provocados pelo ativismo político de estudantes e professores universitários, quis dar um golpe às cegas e sua ideia foi a de fechar o museu. E sim, ele fez isso, mas, curiosamente, três meses depois, fomos convidados a retornar. Ele não sabia o que fazer com esse lugar. Destruí-lo, impossível! Era um lugar de reconhecimento internacional! Então o menor dano para o governo era que voltássemos e permanecéssemos na casa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A primeira ocasião em que recebemos uma visita de russos foi na Copa do Mundo de futebol, no México, em 1986: nesta ocasião, a seleção russa de futebol visitou o museu.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A Verdade – Era a época de Gorbachov. É interessante, porque Trotsky, ao contrário de Bukárin, jamais foi reabilitado.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size:16px"><strong>Estéban Volkov – </strong>Jamais! E nós não queremos que eles o reabilitem. A única coisa que sempre pedimos é que sejam anuladas as falsas acusações existentes nos processos. Isso é tudo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A Verdade – O próprio texto da comissão Dewey, disponível aqui, documenta isso de maneira indiscutível. Devo dizer que foi um verdadeiro prazer te ouvir, e poderia passar dias escutando você. Muito obrigado pela hospitalidade e por suas contribuições, que foram de grande valor. Nós nos correspondemos por e-mail em 8 de março. Por acaso, no dia anterior, eu tinha visto “</strong><em><strong>O Eleito”</strong></em><em><strong> </strong></em><em><strong>(“The Chosen”, filme centrado no personagem de Ramon Mercader, NdE</strong></em><em>), </em><strong>que aliás não é um grande filme. Eu te vi lá, e algumas horas depois, de maneira casual, graças ao historiador peruano Gabriel Garcia Higueras, correspondemos por correio eletrônico. Um muitíssimo obrigado</strong><strong>.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Estéban Volkov</strong><strong> – </strong>Nesse filme também há muitas alucinações. Silvia Ageloff jamais foi secretária do meu avô, jamais, jamais. Ela era uma jovem trotsquista, próxima dos guardas, dos secretários da casa, mas jamais foi secretária. A verdadeira secretária era Ruth, sua irmã, Ruth Ageloff. Ele tinha feito um ótimo trabalho nos contraprocessos da Comissão Dewey. E vovô tinha uma ótima impressão dela. Ter escolhido sua irmã para ser a parceira do agente GPU foi uma coisa muito inteligente, muito bem feita, pertinente, muito perversa é claro, mas&#8230; Vale ressaltar que, quando o vovô começou a trabalhar na biografia de Stálin, esse trabalho não lhe interessava muito. Ele tinha um grande interesse pela realização da biografia de Lênin, da qual já tinha feito a parte sobre a juventude. Mas, por razões financeiras, de precariedade e de falta de recursos da família, teve que aceitar essa oferta, esse pedido da editora Harper &amp; Brothers, que iria pagar uma quantia bastante razoável por este trabalho. Então, ele embarcou nessa tarefa. E, sem dúvida, a realização deste último trabalho apressou seu assassinato. Mais precisamente, três meses antes do atentado dirigido por Siqueiros, um jovem guarda entrou na casa, Sheldon Hart, e não era nada além de um infiltrado da GPU. E, segundo o que contou a secretária Fanny Yanovich, perguntou onde estava a biografia, se estava avançando bem.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A Verdade</strong><strong> </strong><strong>– Além disso, o momento era crucial, porque em 1938 foi criada a 4ª Internacional, e em 1943 Stálin dissolveu a 3ª Internacional, já completamente desencaminhada, degenerada, burocratizada, contrarrevolucionária. Esta dissolução corrobora a justeza do pensamento de Trotsky, a pertinência da criação da 4ª Internacional, porque, de fato, a 3ª já estava falida, para usar a expressão que usou tantas vezes Lênin, por exemplo, para se referir à traição da direção da 2ª Internacional, especialmente em 1914, com suas seções se reunindo em cada país à sua burguesia imperialista.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>É por isso que, para Stálin, era necessário que a pessoa de Trotsky desaparecesse do panorama, pelo fato de que havia uma continuidade do ano 1919</strong> (<em><strong>fundação da 3ª Internacional, NdT</strong></em><strong>) mais assegurada, obviamente não pela Internacional stalinizada, mas pela 4ª Internacional, que havia sido criada em setembro de 1938, na França.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Muito obrigado, Estéban. Estou muito honrado.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Estéban Volkov</strong><strong> – </strong>Aqui estou para ser útil, camaradas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>“Bolsonaro queria o estado de emergência”</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 10 Aug 2022 18:44:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A PEC do “desespero” ou da “compra de votos”, foi aprovada no Congresso Nacional, depois de votação no Senado e na Câmara. Promulgada, ela se tornou a Emenda Constitucional 123. A medida prevê a criação de um estado de emergência para justificar o aumento do Auxílio Brasil de R$400,00 para R$600,00, a expansão do Vale [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">A PEC do “desespero” ou da “compra de votos”, foi aprovada no Congresso Nacional, depois de votação no Senado e na Câmara. Promulgada, ela se tornou a Emenda Constitucional 123.<br><br>A medida prevê a criação de um estado de emergência para justificar o aumento do Auxílio Brasil de R$400,00 para R$600,00, a expansão do Vale Gás, um “voucher” de R$ 1000,00 reais para caminhoneiros autônomos e taxistas, recursos para estados financiarem a gratuidade de idosos no transporte público e crédito para produtores e distribuidores de Etanol. Além disso, prevê ridículos R$ 500 milhões para compra de alimentos, num país de 33 milhões de famintos. Tudo contornando expressamente a lei eleitoral que veda a “distribuição gratuita de bens, valores ou benefícios por parte da Administração Pública” em ano de eleição.<br><br>A bancada do PT, acuada, entrou no jogo. A grande maioria votou a favor. Sete se ausentaram da votação: Airton Faleiro (PA), José Ricardo (AM), Marcon (RS), Rubens Pereira Jr. (MA), Rui Falcão (SP), Zé Carlos (MA) e a presidente nacional, Gleisi Hoffmann (PR). O deputado Frei Anastácio, do PT da Paraíba, foi o único que votou, corretamente, contra a medida.<br><br>Em entrevista concedida a O Trabalho, Frei Anastácio explicou o seu voto: “Eu sei que esse dinheiro vai ajudar a quem precisa. Mas, também tenho a certeza que o que está por trás de toda essa falsa bondade de Bolsonaro é a tentativa de comprar o voto de quem passa fome, através desse benefício.”<br><br>De fato, Bolsonaro combateu a proposta da oposição de conceder um benefício mais amplo e com um valor de R$600,00 ao longo de todo o último período. “Ele passou três anos e meio de governo e nunca falou em aumentar o benefício. Agora, como está desesperado com avaliações negativas em todas as áreas do governo e, cada vez mais, perdendo espaço para Lula nas pesquisas de intenção de voto, adotou esse pacote de bondades”, detona o deputado.<br><br>“Além disso, o que ele queria era aprovar o estado de emergência e ficar livre para gastar durante as eleições. O aumento do auxílio foi apenas uma distração. Bolsonaro não está preocupado com pobre.” completou Anastácio, que faz uma ressalva: “mesmo diante de tudo isso, eu teria votado a favor se o benefício de R$ 600 reais fosse permanente”.<br><br>Previsto para encerrar em dezembro, a medida pode deixar a partir de 2023, milhões de brasileiros a ver navios ou, na melhor das hipóteses, com um benefício reduzido. “Bolsonaro está livre para continuar com as negociatas, usando o dinheiro público.<br><br>São mais de R$ 41 bi que ele tem para torrar, fora do teto de gastos. E como existe o estado de emergência, ele poderá fazer diversas outras despesas sem correr o risco de ser processado, ou ter a candidatura impugnada. Na verdade, Bolsonaro está do jeito que ele queria: livre para continuar torrando o dinheiro público.” define Frei Anástacio.<br><br>Mesmo tendo votado contra, como voz solitária na bancada federal, o deputado evita criticar ação dos seus companheiros no parlamento, que acabou deixando espaço para Bolsonaro avançar sem uma oposição a altura. “A bancada do PT agiu de forma heróica, até o último minuto, lutando pela aprovação do auxílio de R$ 600 permanente. Foram horas de debate, apresentação de destaques, pedidos de adiamento de votação. Mas, não teve jeito. Mesmo que a bancada, em peso, tivesse votado contra, a matéria teria passado. Bolsonaro tem uma maioria turbinada pelo orçamento secreto que ficou firme na defesa do mandatário e de olho em mais dinheiro”.</p>
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		<title>Renato Freitas: “Ao contrário dos que torciam pela vitória do fracasso, estamos de volta”</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 Jul 2022 17:59:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No fechamento desta edição, o vereador Renato Freitas, do PT, reassumia seu lugar na Câmara de Curitiba. No dia 5 de julho, ele conquistou uma liminar no Tribunal de Justiça do Paraná, a qual anulou a sessão de 22 de junho que havia cassado seu mandato. Renato, jovem negro e periférico, enfrenta uma perseguição política, [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">No fechamento desta edição, o vereador Renato Freitas, do PT, reassumia seu lugar na Câmara de Curitiba. No dia 5 de julho, ele conquistou uma liminar no Tribunal de Justiça do Paraná, a qual anulou a sessão de 22 de junho que havia cassado seu mandato.<br><br>Renato, jovem negro e periférico, enfrenta uma perseguição política, em um processo desproporcional e recheado de irregularidades. E a Câmara já anunciou: o julgamento será retomado em agosto. Apesar disso, Renato comemorou a vitória parcial em suas redes sociais, citando a banda de Reggae brasileira Natiruts: “ao contrário dos que torciam pela vitória do fracasso, estamos de volta, ao contrário dos julgamentos infelizes e hipócritas, estamos de volta!”.<br><br>O Trabalho conversou com ele em 2 de julho, antes da liminar, após sua participação no Ato Nacional “Constituinte com Lula”.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>OT – Quais são os elementos que nos permitem afirmar que essa cassação é, na verdade, uma perseguição política?</strong><br>Primeiro, a quebra do princípio da isonomia: tratamentos iguais a pessoas iguais. Eu sou vereador como qualquer outro vereador. E nós temos outros vereadores que responderam por corrupção ativa e passiva, por desvio de R$ 38 milhões, por assédio sexual… Por exemplo, o caso da vereadora Katia dos Animais, que foi condenada a 41 anos de prisão, saiu algemada da Câmara, mas o Comitê de Ética decidiu suspender suas prerrogativas, não achou que cassação seria a medida adequada. Nunca na história centenária da Câmara, houve uma cassação. Comigo teve, pela primeira vez.<br><br>Segundo, o áudio que vazou do vereador Marcio Barros, que fazia parte da Comissão de Ética, e estava conspirando com outros vereadores que também seriam julgadores do meu caso. Terceiro, a pressa, o açodamento. Não respeitaram nem o prazo de 24 horas entre a intimação e a sessão de julgamento, uma garantia mínima no direito brasileiro.<br><br>E há outros elementos. Por exemplo, quando a Guarda Civil me deu um tiro na mão e outro nas costas, antes de eu chegar ao hospital, o prefeito Rafael Greca (DEM) já havia declarado que confiava na Guarda, ou seja, declarou uma guerra contra mim. Ele controla 2/3 dos vereadores da Câmara.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Você falou da Guarda Civil de Curitiba, que já havia te detido duas vezes, e agora esse processo na Câmara. Qual o motivo que você enxerga para isso?</strong><br>Eu venho das ruazinhas de terra, das ocupações irregulares, minha mãe é uma empregada doméstica, eu não tive o convívio com o meu pai, o contato que eu tive com o Estado, não foi com o Estado romântico, ou com a projeção que ele faz de si mesmo em forma de propaganda. Quando eu tive contato com a polícia, foi a polícia matando no bairro onde eu morava, agredindo, humilhando, ameaçando. Da mesma forma eu conheço o transporte, a saúde por esse prisma. O Malcom X tem uma frase que diz: “a criação mais perigosa em qualquer sociedade é uma pessoa sem nada a perder”.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Houve, no PT, uma insuficiência no combate para defender o seu mandato. Como que você enxerga isso?</strong><br>As ovelhas egoístas, ignorantes, acreditam que quando o lobo vier, voraz, faminto, ele se contentará com apenas uma das ovelhas. E aquelas outras que assim pensam, que sacrificam a mais fraca (segundo a avaliação delas) estarão a salvo, que ele terá saciado sua fome. Mas o lobo voltará, sua voracidade é sem limites. É da natureza do lobo devorar as ovelhas uma por uma.<br><br>A atitude covarde, lamentável, da direção do PT Paraná, foi nessa crença. Que sacrificando a mim, jovem negro e periférico, para o capital, para a elite curitibana, trariam uma satisfação para eles a ponto de deixarem o PT funcionar normalmente nesse período eleitoral. Obviamente ocorre o oposto. Se eu cair, abre uma brecha para que outros como nós caiam.<br><br>Mas muitos e importantes companheiros como do Diálogo e Ação Petista, O Trabalho, Articulação de Esquerda e outros agrupamentos políticos dentro do PT compraram essa briga desde o primeiro momento, é importante que se diga. E, principalmente, quem me salvou de fato foi a base do Partido dos Trabalhadores, formada pelas “tiazinha”, pelos “tiozinho”. Essa galera, que conta só como garrafa na hora da eleição para essa direção, se mostrou mais do que número, se mostrou vida. E uma vida política potente, a ponto de consolidar e salvaguardar nosso mandato.</p>
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		<title>Um mês de guerra na Ucrânia: entrevista com Markus Sokol</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 28 Mar 2022 23:47:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Mundo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Mauro Lopes, do Brasil 247, entrevistou Markus Sokol, membro da executiva Nacional do PT e do Diálogo e Ação Petista, sobre 1 mês de guerra na Ucrânia. A entrevista foi concedida no programa &#8220;Giro das 11h&#8221; na TV 247, que pode ser conferido na íntegra no seguinte link: https://www.youtube.com/watch?v=HeOk2&#8230; A entrevista foi concedida no dia [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">Mauro Lopes, do Brasil 247, entrevistou Markus Sokol, membro da executiva Nacional do PT e do Diálogo e Ação Petista, sobre 1 mês de guerra na Ucrânia. </p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<div class="youtube-embed" data-video_id="OBTRV5LWj2Y"><iframe title="Um mês de guerra na Ucrânia: entrevista com Markus Sokol" width="696" height="392" src="https://www.youtube.com/embed/OBTRV5LWj2Y?start=224&#038;feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe></div>
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<p class="wp-block-paragraph">A entrevista foi concedida no programa &#8220;Giro das 11h&#8221; na TV 247, que pode ser conferido na íntegra no seguinte link: <a href="https://www.youtube.com/watch?v=HeOk2_Ykn6o&amp;t=683s">https://www.youtube.com/watch?v=HeOk2&#8230;</a> A entrevista foi concedida no dia 25 de março de 2022.</p>
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		<title>A palavra à militante palestina Khaleda Jarrar, libertada após três anos de prisão</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Dec 2021 14:42:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Reportagem e entrevista realizadas pelos correspondentes do Comitê Internacional de Ligação e Intercambio (Cili) na Palestina. Publicado em Paris, França, por Informações Operárias de 23 de dezembro de 2021.Após três anos de detenção arbitrária, a militante palestina Khaleda Jarrar saiu da prisão israelense de Damon, perto de Haifa, em 26 de setembro de 2021. Ela [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Reportagem e entrevista realizadas pelos correspondentes do Comitê Internacional de Ligação e Intercambio (Cili) na Palestina. Publicado em Paris, França, por Informações Operárias de 23 de dezembro de 2021.<br></em><br>Após três anos de detenção arbitrária, a militante palestina Khaleda Jarrar saiu da prisão israelense de Damon, perto de Haifa, em 26 de setembro de 2021. Ela foi acusada de pertencer à Frente Popular de Libertação da Palestina, FPLP (<strong>¹</strong>), fato que sempre negou. Ela está em liberdade entre lágrimas e tristeza. Durante sua prisão, sua filha, Suha, morreu com problemas no coração em 11 de julho último. As forças de ocupação israelenses impediram que a mãe participasse do funeral. Ao sair da prisão, Khaleda foi ao cemitério e disse em frente ao túmulo da filha: <em>“Sobre a tumba, repousa a bandeira palestina; eles me impediram de vir ao funeral e dizer adeus. Mas agora te envio beijos e rosas”.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Determinada a seguir na luta contra a ocupação, Khaleda Jarrar nos recebeu calorosamente em sua casa em Ramala, na Cisjordânia, para uma entrevista. <em>“Eu faço parte do movimento nacional palestino, faço parte do povo palestino. Não tenho nenhum papel nem posição dirigente na FPLP”, insistiu. “Em 1998, eu decidi estudar na universidade de Birzeit, perto de Ramala. Foi quando me juntei à luta nacional contra a ocupação, às ideias progressistas de esquerda, e aderi às lutas dos povos contra o colonialismo. Participei das manifestações estudantis contra a ocupação e somos perseguidos por defender os direitos dos trabalhadores. O movimento estudantil da universidade de Birzeit foi um movimento muito ativo contra a ocupação israelense</em>”. Assim começou o encontro.<br><br><strong>P: Você pode falar sobre sua atividade entre as mulheres palestinas e os detentos nas prisões israelenses?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Nós começamos, eu e meus companheiros, iniciando projetos agrícolas e econômicos para mulheres palestinas em diversas regiões, inclusive nos campos de refugiados. Estes projetos contribuíram para criar oportunidades de trabalho para as mulheres palestinas e participar da construção de uma economia nacional independente das autoridades de ocupação, bem como desenvolver e afiar a consciência e convicções nacionais das mulheres na luta contra a ocupação – sempre em cooperação com a universidade de Birzeit. Este projeto durou vários anos. Mais tarde, participei da Andameer, uma associação sediada em Ramala que acompanha os prisioneiros palestinos e cuida de seus problemas. Eu era uma das diretoras. Agora, a associação foi declarada ‘ilegal’ pelos israelenses, após uma decisão de proibir seis associações palestinas que eles qualificaram como ‘terroristas’ e que acusam de serem ligadas à FPLP.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>P: Você e seu marido não estão exaustos de tanta luta? Vocês foram presos várias vezes&#8230;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Não estou nenhum pouco cansada. Quem está exausto deve desistir. Ghassan, meu marido, meus companheiros, meu povo não estão nem um pouco exaustos. Meu marido foi preso quinze vezes. Meus filhos estão acostumados às prisões e à atmosfera de medo. Não tememos mais a ocupação. Após uma grande manifestação de mulheres em Ramala, em 1989, fui separada durante três meses de minha família. Fui acusada de apedrejar soldados israelenses. Fui presa e libertada um mês depois junto com outras vinte e duas mulheres.<br><br>Em 2006, após me tornar membro do Conselho Legislativo Palestino, as forças de ocupação decidiram me deportar durante seis meses de Ramala a Jericó. Em abril de 2015, o exército israelense invadiu minha casa. Nesta época, os israelenses me acusaram de pertencer à FPLP. Embora eu sempre tenha negado essa ligação, um tribunal militar me condenou a 15 meses de prisão.<br><br>Em 2017, os israelenses invadiram minha casa de novo e fui presa. Desta vez, fui condenada a dois anos de detenção. Sem nenhuma prova, o tribunal militar me acusou de ser organizadora e participante da FPLP. Só fui libertada em 26 de setembro passado.<br><br><strong>P: A ocupação israelense teme a esse ponto a resistência?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Israel teme o povo palestino. Teme o movimento nacional palestino e os militantes deste movimento. Os israelenses temem as organizações civis palestinas; temem as organizações palestinas de defesa dos direitos humanos que denunciam as ações opressivas da ocupação. Este é o motivo da interdição de seis organizações palestinas que defendem os direitos humanos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>P: O povo palestino vê a Autoridade Palestina como uma autoridade fantoche que coopera com a ocupação? Como você encara esta questão?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A Autoridade Palestina deveria proteger o povo palestino, mas ela não faz isso. Na Cisjordânia, estabeleceu um sistema de repressão interno contra todo protesto em relação à ocupação. A cooperação é rechaçada, qualquer que seja a forma e quaisquer que sejam os argumentos. A divisão palestina criou uma situação de desespero e frustração, não apenas na Cisjordânia, mas também na autoridade do Hamas (<strong>²</strong>) na Faixa de Gaza. O Hamas ataca as liberdades democráticas, a liberdade de expressão, proíbe as manifestações por emprego, persegue as mulheres.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Vamos lutar para se libertar da ocupação israelense mas também de uma situação como a que se chegou na África do Sul? Nós queremos nos livrar do colonialismo sionista, mas queremos uma alternativa palestina que defenda as liberdades, a liberdade de expressão, a democracia e a liberdade das mulheres e dos trabalhadores. Não queremos um regime ditatorial que oprime os direitos das mulheres e dos homens.<br><br>Diante do “acordo de segurança” atual entre Israel e a Autoridade Palestina, que é rejeitado por todo o povo palestino, colocamos a seguinte questão: qual é o papel desta Autoridade?<br><br>Existe uma forte condenação da AP e da corrupção que ela estimula. O “acordo de segurança” com Israel é rejeitado pelo povo, e é muito perigoso. Em consequência, existe uma grande demanda do povo palestino exigindo o fim deste “acordo” com as forças de ocupação israelenses.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>P: Agora, depois de recuperar sua liberdade, como você vê o futuro?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O que eu quero é libertar a minha pátria, libertar as mulheres. A liberdade, a justiça social e a democracia na Palestina. Nós queremos que a resistência prossiga contra a ocupação e os colonos. Nós queremos que todo o povo palestino viva sob um programa nacional unificado contra a ocupação, um programa que garanta o direito ao retorno de todos os refugiados palestinos. Nós queremos o direito para todos os palestinos participarem da luta nacional. Queremos que os trabalhadores e os filhos mais humildes do povo vivam com dignidade!</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>P: O que você acha da última Intifada dentro das fronteiras de 1948 (no interior do Estado de Israel)?</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Eu estava presa nesta época. Esta sublevação provou que que a identidade palestina dentro das fronteiras de 1948 (<strong>³</strong>) não pode ser anulada. Os palestinos dentro das fronteiras de 1948 não aceitarão uma pseudo-coexistência, um apartheid sionista. A Intifada de maio último dentro das fronteiras de 1948, provou que nós somos um só povo com um só destino. Sem ajuda externa para a luta a juventude jogou um papel preponderante em todo o território da Palestina histórica. Ela deixou para trás os dirigentes tradicionais para ir ao confronto em Haifa, Nazaré, Acre, Jafa, Ramala, Gaza e em todas vilas e cidades palestinas de toda a Palestina histórica.<br><br><strong>P: Do seu ponto de vista, qual é a solução?<br></strong><br>A solução é clara, a solução de dois estados acabou. A solução que se apresenta agora aos Judeus e Árabes deste país é a de um único Estado palestino democrático sobre todo o território palestino, sem sionismo nem racismo.</p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Notas de O Trabalho</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">(<strong>¹</strong>) A Frente Popular de Libertação da Palestina surgiu em 1967, quando passou a integrar a Organização para a Libertação da Palestina, então liderada por Yasser Arafat. Em 1993, a FPLP se opôs ao “acordos de Oslo”, assinados entre a OLP e o Estado de Israel, com patrocínio do presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton. Com a política de “dois estados”, eles deram origem à Autoridade Nacional Palestina. A FPLP elege representantes ao Conselho Legislativo Palestino, um parlamento unicameral de 132 membros. Khaleda Jarrar é membro do Conselho desde 2006.</p>



<p class="wp-block-paragraph">(<strong>²</strong>) Hamas, movimento islamista palestino, criado em 1987, atualmente governa Gaza.</p>



<p class="wp-block-paragraph">(<em>³</em>) A Intifada (levante) deste ano se desenvolveu dentro e fora das fronteiras de Israel, Estado proclamado pelo sionismo em 1948, e que se expandiu desde então.</p>
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		<title>Haiti: em meio ao caos, a luta de classes</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 22 Nov 2021 12:26:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Mundo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Abaixo trechos da entrevista concedida por Dominique St-Eloi, coordenador da Central Nacional dos Operários Haitianos (CNOHA), aos companheiros de Guadalupe (colônia francesa no Caribe), no quadro do Comitê Internacional de Ligação e Intercâmbio (CILI). 1 – Quais as reivindicações da greve geral no Haiti?Dominique St Eloi: Há no país falta de combustível e insegurança, com [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">Abaixo trechos da entrevista concedida por Dominique St-Eloi, coordenador da Central Nacional dos Operários Haitianos (CNOHA), aos companheiros de Guadalupe (colônia francesa no Caribe), no quadro do Comitê Internacional de Ligação e Intercâmbio (CILI).<br></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="408" height="415" src="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2021/11/p.11.png" alt="" class="wp-image-14608" srcset="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2021/11/p.11.png 408w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2021/11/p.11-295x300.png 295w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2021/11/p.11-147x150.png 147w" sizes="(max-width: 408px) 100vw, 408px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1 – Quais as reivindicações da greve geral no Haiti?</strong><br><strong>Dominique St Eloi:</strong> Há no país falta de combustível e insegurança, com os haitianos asfixiados pela situação que se degrada a cada dia. A organização que tomou a iniciativa de propor a greve geral foi a APCH, que faz parte da Confederação dos Transportes, contra a falta de combustíveis (gasolina, gás, diesel) vendidos no mercado informal a preços exorbitantes. Com a falta de combustível os preços do transporte coletivo e do gás de cozinha quadruplicaram, para uma população que sofre um desemprego de 80%. Os que trabalham ganham salário de miséria, congelado pelo governo em 500 gourdes (4 dólares) diários, enquanto um galão de gasolina é vendido a 2.000 gourdes. Tudo aumenta no país, salvo os salários, com uma taxa de inflação de 24% (oficial) e os preços dos produtos de primeira necessidade triplicados.<br><br>O responsável por essa situação é o governo imposto e ilegal do PHTK (Partido Haitiano Tet Kalè), hoje encabeçado por Ariel Henry, nomeado pelo defunto Jovenel Moïse.<br><br>A insegurança se deve ao fato de que os casos de sequestros promovidos por bandos armados aumentaram 200% no último ano, segundo a ONU, que é cúmplice da federação de gangues que controla o Haiti. A polícia é impotente diante das gangues. A maior delas, a G 9, é sócia do regime criminoso do PHTK, que por sua vez é escravo do imperialismo dos EUA, cujo governo lhe dá apoio.<br><br>Assim, a proposta de greve geral contra a alta dos combustíveis e a insegurança foi acolhida pela CNOHA, CTSP, CNEH (centrais sindicais), organizações camponesas e populares e, depois de uma paralisação no dia 18, foi realizada em 25, 26 e 27 de outubro. Nada funcionou, o país ficou completamente paralisado. As escolas, a administração pública, os bancos, transportes e inclusive o setor informal, todo mundo ficou em casa. Ao mesmo tempo, a guerra de gangues rivais prossegue, a serviço de empresários e políticos do PHTK.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2 &#8211; E agora, qual a continuidade?</strong><br><strong>DSE:</strong> As organizações de resistência, como o Moleghaf, centrais sindicais, Konbit e outras, anunciaram novas mobilizações. Não podemos deixar que o regime criminoso do PHTK continue, por isso defendemos o fim desse governo e uma transição com eleições livres e democráticas que deem a palavra ao povo haitiano, sem ingerência externa.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3 – A imprensa divulgou que a secretária do Acordo de Montana encontrou-se com Ariel Henry em 26 de outubro, quando teria reafirmado a exigência de um governo de transição. A CNOHA faz parte desse Acordo, ao lado de outras organizações sindicais, populares e forças políticas. O que nos diz sobre isso?</strong><br><strong>DSE:</strong> A CNOHA exige a saída imediata de Ariel Henry. Sabíamos desse encontro, que Henry queria que fosse secreto, e exigimos que nada fosse negociado com ele. Ariel Henry deve deixar o poder imediatamente, pois é seu governo que bloqueia uma saída haitiana para a crise, sem qualquer interferência estrangeira, em particular dos EUA. O Acordo de Montana inclui atender as reivindicações dos trabalhadores e das pessoas dos bairros populares, que é a condição para uma solução aos problemas do país. O regime do PHTK deve retirar-se e com ele o Core Group, que tem a participação das embaixadas dos EUA, Canadá, França, Espanha, Brasil, além da ONU, OEA e União Europeia, para que um governo de transição promova eleições livres e democráticas no Haiti. É o que propõe o Acordo de Montana e o que o povo espera dele.<br><br><strong>Porto Príncipe, 29 de outubro de 2021</strong></p>
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		<title>Chile, dois anos depois da revolta de 2019</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 Nov 2021 00:27:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em 18 de outubro de 2019 eclodia no Chile o “estallido social” que abriu uma nova situação no país. Fruto desta revolta, a partir de uma tentativa de manobra do governo Piñera, a exigência de uma nova Constituição, para enterrar a de Pinochet, está em discussão na Convenção Constitucional, eleita em maio e cujos trabalhos [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">Em 18 de outubro de 2019 eclodia no Chile o “estallido social” que abriu uma nova situação no país. Fruto desta revolta, a partir de uma tentativa de manobra do governo Piñera, a exigência de uma nova Constituição, para enterrar a de Pinochet, está em discussão na Convenção Constitucional, eleita em maio e cujos trabalhos iniciaram-se em julho. Concomitantemente, em novembro haverá eleição para a presidência e Congresso, eleição que ocorre com as regras da Constituição pinochetista.<br><br>O Trabalho ouviu Luis Mesina, dirigente da Confederação de sindicatos de bancários e porta-voz da campanha No+AFP (pelo fim do sistema privado de aposentadoria gerido pelas Administradoras dos Fundos de Pensão). Mesina é aderente do Comitê Internacional de Ligação e Intercambio (CILI). Entrevista concedida a Misa Boito.<br><br></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="567" height="319" src="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2021/11/p.12-2-1.jpg" alt="" class="wp-image-14559" srcset="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2021/11/p.12-2-1.jpg 567w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2021/11/p.12-2-1-300x169.jpg 300w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2021/11/p.12-2-1-150x84.jpg 150w" sizes="(max-width: 567px) 100vw, 567px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>1 &#8211; A revolta de 2019 levantava exigências concretas (saúde, educação, aposentadoria digna…). Qual é a situação de vida da maioria do povo chileno hoje?</strong><br>Dois anos depois da revolta de outubro, as demandas mais sentidas, que foram a causa da revolta, ainda seguem pendentes. A saúde continua em uma situação de precariedade que cresce como consequência da crise sanitária; a educação se mantém inalterável sob um modelo de negócios; as pensões e moradias seguem, como a maioria dos direitos sociais, sob o paradigma monetarista que acentua a lógica mercantilista acima dos direitos. Como falou claramente o próprio Piñera, a saúde e a educação são bens de consumo, portanto o acesso a eles está determinado pela capacidade de compra.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>2 &#8211; Em particular na questão da aposentadoria, uma luta que há anos leva milhares às ruas (No+AFP), como está a discussão?</strong><br>A questão das pensões segue sendo o tema principal do debate. Durante a pandemia foram autorizadas três retiradas dos fundos de pensão, e uma quarta está próxima a ser autorizada pelo Congresso. Trata-se de permitir que as pessoas retirem a soma de 10%, como limite, do que foi poupado em suas pensões. Ou seja, até o dia de hoje, a maioria retirou 30% de sua poupança, o que implica a retirada de pouco mais de 50 bilhões de dólares, que equivale a 20% do PIB. O mais grave é que mais de 60% dos atuais filiados ao sistema privado da AFP ficaram com um saldo zero em suas contas individuais, com o que caberá o Estado a pagar-lhes uma pensão mínima.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>3 &#8211; Como você avalia o desempenho da Convenção Constitucional instalada em julho para redigir uma nova Constituição (outra forte exigência levantada desde outubro de 2019)?</strong><br>A Convenção Constitucional já cumpriu três meses de trabalho e conseguiu aprovar um regulamento de funcionamento, o que é positivo. No entanto, tem sido objeto de uma campanha de difamação, para desacreditá-la, sustentada pela direita. A direita busca desacreditar ao máximo a Convenção Constitucional para que ao final dos trabalhos dela, no plebiscito previsto para aprovar ou não a nova Constituição, a maioria vote contra e sigamos com a Constituição pinochetista. A Convenção Constituinte tem tido de enfrentar a forte campanha de mentiras nas redes e na grande imprensa e esse é um grande problema, pois a maioria das instituições do Estado está atravessando um forte descrédito entre a população. Agora começa o período das audiências. Alguns movimentos sociais estão se rearticulando para participar, levando as demandas que querem ver garantidas na nova Constituição.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>4 &#8211; Há um grande desgaste dos partidos tradicionais chilenos, como ficou demonstrado na ampla eleição de candidaturas independentes à Convenção Constitucional. O que se discute sobre isso no interior do movimento operário?</strong><br>O movimento operário chileno e suas organizações, como na maioria do planeta, atravessam uma crise estrutural. Baixa representatividade, sindicatos frágeis e, no caso chileno como produto da ditadura, muitas organizações dizimadas sem capacidade de articulação.<br><br>No entanto, no calor do processo constituinte está se discutindo a realização de um Congresso Refundacional que permita lançar as bases de uma nova organização, que no marco do que alguns chamam de era digital, enfrente os desafios colocados ao mundo do trabalho.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>5 &#8211; No próximo dia 21 de novembro, com a Convenção ainda em trabalho, haverá eleições presidenciais, com as regras estabelecidas pela Constituição de Pinochet. Qual sua avaliação destas eleições?</strong><br>Em 21 de novembro se elege Presidente da República e se renova o Congresso. A contradição será que estas autoridades serão eleitas sob a Constituição pinochetista e, em meados de 2022, se votará por uma nova que, inclusive, mude o regime político atual. Há muita adesão para se passar a um regime parlamentarista, o que supõe um sistema unicameral. Isto tornaria incompatível a continuidade das autoridades regidas sob uma normativa em circunstâncias diferentes. Parece razoável estabelecer que, assim que aprovada a nova Constituição, sejam feitas novas eleições. Por certo isso vai chocar com o poder constituído que se recusou as resoluções do poder constituinte.</p>
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		<title>Entrevista com Júlio Turra: o 1° de maio e os rumos do sindicalismo no Brasil</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 29 Apr 2021 15:36:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Nacional]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O companheiro Julio Turra, assessor da CUT nacional, fundador e ex membro da executiva nacional da Central, concedeu nesta quarta feira (28) aos companheiros Valter Pomar, Douglas Martins, Nathalia Sena e Rui Falcão, do &#8220;Manifesto Petista&#8221; uma entrevista sobre os rumos do sindicalismo no Brasil e a preparação do 1° de maio neste ano de [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">O companheiro Julio Turra, assessor da CUT nacional, fundador e ex membro da executiva nacional da Central, concedeu nesta quarta feira (28) aos companheiros Valter Pomar, Douglas Martins, Nathalia Sena e Rui Falcão, do &#8220;Manifesto Petista&#8221; uma entrevista sobre os rumos do sindicalismo no Brasil e a preparação do 1° de maio neste ano de 2021.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
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		<title>Greve de servidores em Joinville se opõe a reforma da previdência municipal</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 25 Apr 2021 13:48:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Lutas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Categoria reage a projeto de reforma da Previdência O prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo), enviou para a Câmara Municipal uma reforma da previdência que ataca o direito à aposentadoria dos trabalhadores. Os servidores municipais, convocados pelo sindicato, foram à luta. O Trabalho entrevistou Jane Becker, presidente do SINSEJ, que está à frente desta mobilização. [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">Categoria reage a projeto de reforma da Previdência</p>



<p class="wp-block-paragraph">O prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo), enviou para a Câmara Municipal uma reforma da previdência que ataca o direito à aposentadoria dos trabalhadores. Os servidores municipais, convocados pelo sindicato, foram à luta. O Trabalho entrevistou Jane Becker, presidente do SINSEJ, que está à frente desta mobilização.<br><br><strong>O Trabalho &#8211; Os servidores decidiram entrar em greve, como está a mobilização?<br>Jane Becker</strong> &#8211; Os projetos do prefeito que modificam a aposentadoria dos servidores públicos municipais, além de aumentar a alíquota de 11% para 14%, alteram as regras para o acesso à aposentadoria, aumentando a idade, o tempo de contribuição e reduzindo em até 40% o valor da aposentadoria se o servidor conseguir se aposentar.<br>Ele também pretende alterar a Lei Orgânica do Município e garantir essas adequações e ainda cria uma contribuição complementar que pode elevar a alíquota para até 27%.<br>Contra esses ataques, a categoria deflagrou greve no dia 15. Fizemos uma série de manifestações na porta da Câmara e uma grande carreata no fim de semana, alertando a população para esses ataques ao serviço público.<br><br><strong>OT &#8211; Quais foram os primeiros resultados da mobilização?<br></strong>JB &#8211; Com a resistência da categoria e o diálogo com os vereadores, vários setores se mobilizaram. Procuradores e auditores fiscais do município fizeram uma análise do projeto, levantando vários pontos inconstitucionais.<br>Já em tramitação na comissão de legislação e justiça da Câmara, o SINSEJ levantou uma série de questionamentos, contestando inclusive a admissibilidade dos projetos de lei.<br>O prefeito quer atropelar a discussão, fazer tramitar sem debate, sem audiências públicas, mas nossa pressão fez com que outros vereadores se posicionassem contra e um deles entrou na Justiça questionando a tramitação de um PL que altera a lei orçamentária sem audiência. A justiça acatou o pedido e uma liminar suspendeu a tramitação na sexta feira (16), uma vitória parcial dos servidores. Por isso na segunda (20) decidimos suspender a greve e ficar em estado de greve, se voltasse a tramitar, o que aconteceu. Na terça feira (21) no início da noite, a liminar foi derrubada.<br>Os vereadores marcaram na mesma noite uma reunião para tramitar os projetos. Felizmente a categoria atendeu ao chamado urgente do sindicato e foi se manifestar na Câmara. Apesar da tentativa de fechar as portas da casa legislativa e do forte policiamento, alguns servidores conseguiram entrar e outras dezenas ficaram do lado de fora, mobilizados. A sessão foi adiada para quinta feira (23).<br></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>OT &#8211; E quais os próximos passos da luta?<br></strong>JB &#8211; Nesta quinta (23) a reforma foi aprovada na comissão de constituição e justiça e seguirá tramitando. Em uma grande assembleia realizada na porta da câmara a categoria decidiu manter o estado de greve e que a direção do sindicato deve convocar nova paralisação frente a qualquer votação em outra comissão ou no plenário. Seguiremos em luta!</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="1024" height="768" src="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2021/04/WhatsApp-Image-2021-04-22-at-14.26.35-1024x768.jpeg" alt="" class="wp-image-13068" srcset="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2021/04/WhatsApp-Image-2021-04-22-at-14.26.35-1024x768.jpeg 1024w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2021/04/WhatsApp-Image-2021-04-22-at-14.26.35-300x225.jpeg 300w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2021/04/WhatsApp-Image-2021-04-22-at-14.26.35-150x113.jpeg 150w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2021/04/WhatsApp-Image-2021-04-22-at-14.26.35-768x576.jpeg 768w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2021/04/WhatsApp-Image-2021-04-22-at-14.26.35-696x522.jpeg 696w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2021/04/WhatsApp-Image-2021-04-22-at-14.26.35-1068x801.jpeg 1068w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2021/04/WhatsApp-Image-2021-04-22-at-14.26.35-560x420.jpeg 560w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2021/04/WhatsApp-Image-2021-04-22-at-14.26.35-80x60.jpeg 80w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2021/04/WhatsApp-Image-2021-04-22-at-14.26.35-265x198.jpeg 265w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2021/04/WhatsApp-Image-2021-04-22-at-14.26.35.jpeg 1080w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption>Manifestação na porta da câmara municipal no dia 23</figcaption></figure>
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