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	<title>Arquivo de Eleição - O Trabalho</title>
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		<title>Após as eleições nos Estados Unidos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 26 Nov 2024 00:57:42 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Eleição]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="262" height="321" src="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2024/09/logo-IV-PB.jpg" alt="" class="wp-image-19884" srcset="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2024/09/logo-IV-PB.jpg 262w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2024/09/logo-IV-PB-245x300.jpg 245w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2024/09/logo-IV-PB-122x150.jpg 122w" sizes="(max-width: 262px) 100vw, 262px" /></figure>
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<p class="wp-block-paragraph">A eleição de Donald Trump e sua maioria na Câmara dos Representantes e no Senado, obviamente, não encerrou a crise política que culminou em 2020 nos Estados Unidos com o assalto ao Capitólio. Ela foi até aprofundada durante a campanha eleitoral e revelou a fratura da sociedade estadunidense. A decepção, a perda de confiança e a rejeição ao Partido Democrata expressaram-se pela perda espetacular de 7 milhões de votos desde as últimas eleições de 2020, “<em>a maior queda em 45 anos</em>”. Não só “<em>o colapso da participação dos eleitores democratas contribuiu para a vitória de Trump</em>”, mas esta é uma “<em>derrota dolorosa</em>” para o partido de Joe Biden e Kamala Harris (<em>Wall Street Journal</em>).</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mesmo tendo vencido as eleições – com uma vantagem relativamente fraca – o Partido Republicano não está em melhor situação. Trump impôs a sua candidatura. As primeiras nomeações para os cargos-chave da futura administração são contestadas dentro do próprio partido. Devem ainda ser confirmadas pelo Senado, onde o líder da maioria republicana não é quem os próximos do novo presidente queriam e os votos são, neste momento, incertos. A nomeação de Marco Rubio <strong><a href="#nota">¹</a></strong> para o Departamento de Estado e a ofensiva lançada pela criação do “<em>Departamento da Eficiência Governamental</em>” para liquidar setores inteiros da administração, vão inevitavelmente provocar grandes choques. Todo o sistema político estadunidense está em crise.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-f9945e24e7fb270fa0e45a5014b133f8" style="font-size:21px"><strong>“<em>Por que você votou em Trump, e também em mim</em>?”, uma deputada de Nova Iorque, eleita pelo Partido Democrata</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Durante quatro anos, no coração do imperialismo mais poderoso, o capital fez aquilo que faz melhor: aumentar os preços e os lucros em benefício de um punhado de exploradores que a cada dia se apodera mais das riquezas do país. Para a imensa maioria da população trabalhadora dos EUA, os preços de alimentos e moradia subiram 25%. A administração Biden/Harris se dizia próxima dos sindicatos e prometeu aos trabalhadores uma vida melhor. Mas a inflação agravou a situação já precária de 144 milhões de americanos não-sindicalizados, 90% da mão de obra assalariada, e impulsionou greves massivas nos setores mais organizados e combativos da classe operária.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nas urnas, a punição é clara. A incontornável ausência de solução para defender os trabalhadores e a democracia alimentou as ilusões no voto Trump, que fez com que parte dos 76 milhões de americanos que votaram nele (2 milhões a mais do que em 2020) acreditassem que a solução para os seus problemas estaria na sua política reacionária: demissão de milhares de funcionários públicos, deportação de 15 a 20 milhões de imigrantes, desregulamentação da economia e das leis de proteção dos trabalhadores e do meio ambiente, reorganização das relações internacionais, caso a caso, para favorecer os interesses do capital financeiro estadunidense e continuar sua política de pilhagem e marcha para o caos, reforço da repressão, revogação do direito ao aborto&#8230; Em um país profundamente dividido em torno dos dois principais partidos, Kamala Harris com 74 milhões de votos perdeu um eleitor em cada dez. 89 milhões não votaram.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando possível, a nível local e muitas vezes de forma contraditória, movidos por uma defesa convicta dos sindicatos e das conquistas operárias, da democracia, dos direitos das mulheres, do não ao racismo e à guerra, muitos candidatos do DSA (Socialistas Democráticos da América) foram eleitos. Expressão dessas contradições, os eleitores do Missouri votaram em Trump e, em plebiscito, na emenda à Constituição do estado que garante o direito ao aborto. O mesmo aconteceu em Montana e no Arizona. Eles votaram em massa para aumentar o salário mínimo em 22% e estabelecer uma licença médica paga pelo empregador, reivindicação dos sindicatos&#8230; que Trump quer enfraquecer.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Biden/Harris também pagam o preço do seu apoio incondicional ao governo israelense de Netanyahu, em continuidade com a administração anterior de Trump. Na maior cidade de maioria árabe (Dearborn), num dos estados mais industrializados (Michigan), Kamala Harris obteve 36% dos votos e perdeu metade dos eleitores do Partido Democrata. Os habitantes tinham alertado que o seu apoio não estava garantido devido ao “<em>apoio financeiro e militar americano inabalável ao genocídio israelense em curso em Gaza</em>”. Neste local, a deputada Rachida Talib (DSA), que se destacou pelo seu apoio à Palestina, foi reeleita com 70% dos votos. Demonstração inequívoca, como outros candidatos DSA mostraram localmente, de que é perfeitamente possível vencer, e amplamente, em uma linha de ruptura.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas, no plano nacional, prejudicado pelo sistema eleitoral estadunidense, os eleitores não tinham a possibilidade de votar por uma candidatura de ruptura, independente da representação política do capital nos Estados Unidos, encarnada pelos dois principais partidos&nbsp; (Democrata e Republicano). Incontestavelmente, a classe capitalista dos EUA procurará continuar com a política praticada há décadas, acentuada por Trump com suas características particulares. Sua vitória foi imediatamente aceita por Biden/Harris, que chamaram “<em>o povo americano a permanecer unido</em>”, e saudada em todo o mundo pelos representantes da manutenção da ordem.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-3442e7709b76369d3e3ed127e01d3536" style="font-size:21px"><strong>“<em>É possível que nenhum partido ou personalidade possa escapar da atual onda mundial de rejeição</em>” (<em>Financial Times</em>)</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">A eleição nos Estados Unidos não diz respeito apenas ao povo estadunidense. Ela tem um alcance global. Expressa a crise de dominação do imperialismo e se insere nos desenvolvimentos da situação internacional: o conflito entre os Estados Unidos e a China; o genocídio do povo palestino e suas consequências internacionais; a ofensiva dos EUA para demolir o coração industrial da Europa e desenvolver a economia de guerra intensificando ainda mais a guerra na Ucrânia, sob o risco de uma conflagração generalizada. Os seus resultados não podem ser entendidos isoladamente e assumem uma importância particular devido ao lugar ocupado pelos Estados Unidos no mundo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como escreve o <em>Financial Times</em>: “<em>dos democratas americanos aos conservadores britânicos, da coligação Ensemble de Emmanuel Macron aos liberais-democratas japoneses, passando pelo BJP, outrora dominante, de Narendra Modi na Índia, os partidos no poder e seus dirigentes sofreram uma série de desgraças sem precedentes este ano. Todos os partidos no poder que se apresentaram em eleições em países desenvolvidos recuaram nas eleições. Esta é a primeira vez que isso acontece na história, com dados que remontam a 1905</em>”. E conclui: “<em>é possível que nenhum partido ou personalidade possa escapar da atual onda mundial de ‘rejeicionismo’ “.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma onda alimentada pela resistência dos povos e da classe trabalhadora organizada, pela sua recusa em afundar na miséria, seu repúdio à guerra e ao imperialismo estadunidense, seu repúdio ao genocídio, à barbárie e ao assassinato de milhares de crianças palestinas que Netanyahu, Biden, Macron, Scholz, Starmer e seus apoiadores buscam todos os dias, há mais de um ano, diante da população mundial, justificar e banalizar até que se torne uma forma comum de administrar os assuntos do mundo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma onda de rejeição inevitável e perfeitamente justificada, da qual Trump não escapará, mesmo porque sua política exige medidas brutais contra os trabalhadores, mas cujo resultado é impossível prever neste momento, pois as contradições vão agora se agravar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por um lado, a crise de dominação do imperialismo e do capital financeiro, em busca de “soluções” cada vez mais liberticidas e autoritárias, apoiando-se na extrema direita e nos setores mais reacionários da sociedade, dos quais Trump, assim como outros e não apenas nos EUA, representam as premissas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por outro lado, a luta de classe, as greves massivas em plena campanha eleitoral (portuários da costa leste, trabalhadores da Boeing e do setor automobilístico), a defesa das conquistas operárias e das liberdades democráticas, as manifestações pelo cessar-fogo na Palestina e o embargo de armas, a recusa das demissões, a defesa dos serviços públicos e da saúde, do meio ambiente&#8230; &nbsp;Nós estamos neste campo, com os milhões que procuram reunir suas forças para varrer este regime capitalista apodrecido. Estamos aqui com o nosso patrimônio político, a nossa experiência e as nossas análises para ajudar tudo que reforce a rejeição e a busca de pontos de apoio para auxiliar estes milhões num momento em que, para muitos, é através de uma política de ruptura que será possível vencer.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para ajudá-los a tomar o destino da sociedade em suas próprias mãos, para ajudar a organizar e consolidar as novas forças que se estão desenvolvendo em cada país e internacionalmente, convidamos você a juntar-se às seções da 4ª Internacional.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>15 de novembro de 2024</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph" id="nota"><strong><sup>1</sup> </strong>Senador cubano-americano anticomunista da Flórida</p>
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