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	<title>Arquivo de Formação - O Trabalho</title>
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		<title>&#8220;As forças produtivas deixaram de crescer&#8221;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 24 Jul 2013 18:55:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Formação]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Pierre Lambert • O presente texto são extratos do informe feito por  Pierre Lambert ao Círculo de Estudos do Marxismo realizado pela Organização Comunista Internacionalista (OCI)  em  janeiro de 1969 , republicado na edição do Programa de Transição da revista La Verité em junho de 1989 1. No Programa de Transição, está dito: &#8220;a premissa econômica [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><strong>Pierre Lambert •</strong></p>
<p style="text-align: right;"><em>O presente texto são extratos do informe feito por  Pierre Lambert </em><em>ao Círculo de Estudos do Marxismo realizado pela</em><br />
<em>Organização Comunista Internacionalista (OCI)  em  </em><em>janeiro de 1969 , republicado na edição do Programa de Transição </em><em>da revista La Verité em junho de 1989</em></p>
<p style="text-align: left;"><em></em>1. No Programa de Transição, está dito: &#8220;a premissa econômica da revolução proletária chegou, depois de muito tempo, ao ponto mais elevado que poderia chegar. As novas invenções e progressos técnicos não conduzem mais ao crescimento da riqueza material&#8221;.</p>
<p>E claro que temos aí um problema que devemos debater, pois apenas Trotsky e os trotskistas sustentam que essa tese foi confirmada pelos fatos. Todas as demais tendências do movimento operário dizem o contrário, e eu não falo aqui evidentemente do ideólogos da burguesia, os quais, obviamente, estão obrigados a afirmar que seu sistema tem futuro e, em consequência, que as forças produtivas seguem em ascensão. A social-democracia estima que as forças produtivas continuam a crescer, assim como os stalinistas, os pablistas, Mandel, todas as tendências que se dizem revolucionárias: &#8220;Rouge &#8220;, o Movimento de 22 de março, os anarquistas; tomando-se uma a uma essas tendência, sobre esta questão há um acordo total, global entre elas; esse acordo não é a &#8220;união dos revolucionários&#8221;, mas a unidade aqueles que proclamam-se revolucionários com os pensadores da burocracia stalinista e do reformismo.</p>
<p>O marxismo considera o desenvolvimento das produtivas como o motor de avanço da marcha da humanidade. A noção marxista de forças produtivas não faz delas uma categoria abstraída da realidade social. As forças produtivas e o modo de produção que lhe corresponde são relações sociais; na sociedade capitalista essas relações sociais são a expressão das relações entre a burguesia e o proletariado. Marx escreveu em 1859, no prefácio à Contribuição para a Crítica da Economia Política: &#8220;o modo de produção da vida material condiciona o processo de vida social, político e intelectual em geral. Não é a consciência do homem que determina a sua existência; é inversamente a sua existência social que determina a sua consciência&#8221;. E o lugar dos homens na produção social que determina sua consciência, no regime capitalista, as relações de propriedade em que se movem as forças produtivas são as que resultam da propriedade privada dos meios de produção, possuídos pelo capital. Quanto ao proletariado, ele faz funcionar esse meios de produção e não tem outra propriedade senão a sua força de trabalho.</p>
<p>Marx prossegue: &#8220;Em certo estágio de seu desenvolvimento, as forças produtivas materiais da sociedade entram em contradição com as relações de produção existentes, ou, o que é sua expressão jurídica, com as relações de propriedade no seio das quais estavam contidas até então.</p>
<p>De formas de desenvolvimento, de forças produtivas que eram, estas relações transformam-se em entraves. Abre-se então a época de revolução social&#8230; As relações de produção burguesas são as relações de produção existentes, que é a expressão não de uma contradição individual, mas de uma contradição que nasce das condições de existência social dos indivíduos.</p>
<p>Entretanto, as forças produtivas que se desenvolvem no seio da sociedade burguesa criam ao mesmo tempo, as condições materiais para resolver essas contradições&#8221;. Desculpem-me esta longa citação, mas creio que ela seja absolutamente indispensável para a compreensão da questão. E absolutamente indispensável, por que, das duas uma: ou Marx está certo ou está errado. Concebo perfeitamente que se possa polemizar com Marx e explicar que ele errou em tal ou qual parte de seu raciocínio ou em todo seu raciocínio; mas o que é impossível de aceitar, já não digo em nome dos interesses da luta pela revolução proletária, mas simplesmente em nome da verdade, é que pessoas que se proclamam marxistas questionem essa tese fundamental de Marx, a saber, que um modo de produção determinado é considerado por ele como progressivo quando permite o desenvolvimento das forças produtivas e como reacionário, regressivo, a partir do momento em que ele não possibilita o desenvolvimento das forças produtivas. Mas é preciso ser consequentes; se, atualmente, as forças produtivas continuam a crescer, isso quer dizer que o prognóstico da revolução proletária foi refutado pela história, quer dizer que temos diante de nós um grande período de expansão do capitalismo, quer dizer que hoje em dia trata-se não da luta pelo socialismo, mas da adaptação ao sistema capitalista, da capitulação a ele, e é isso mesmo que fazem todas as pessoas. Devemos compreender que, se abandonarmos essa tese segundo a qual as forças produtivas cessaram de crescer, justifica-se, por aí, a posição dos stalinistas que explicam, e explicam em maio-junho de 1968: as condições não estão reunidas para a revolução proletária. Por outro lado, é evidente que os stalinistas, batizando a fase atual da história como de &#8220;capitalismo monopolista de Estado&#8221;, fazendo da mesma uma etapa distinta do imperialismo, estágio supremo do capitalismo, e atribuindo a esse novo sistema social, o &#8220;Capitalismo-Monopolista de Estado&#8221;, a faculdade de desenvolver as forças produtivas, pretendem por aí justificar sua política de capitulação frente à burguesia.</p>
<p>Se as forças produtivas continuam sua ascensão, nesse sistema capitalista-monopolista de Estado, nessas condições, as medidas adotadas por esse sistema para assegurar a progressão das forças produtivas são parcialmente progressivas, e é por isso que eles nos explicavam não apenas que as forças produtivas materiais desenvolvem-se, mas que o proletariado cresce (e não somente o proletariado, mas os estudantes, os intelectuais, os engenheiros, os quadros; voltarei logo a este assunto): quer dizer que a partir daí a integra-se à reforma de Fouchet. Vejam então, camaradas, toda a importância deste debate; ele está no coração de todos os problemas; tanto assim que aqueles que, hoje em dia criticam os stalinistas como não sendo revolucionários, como, por exemplo, os dirigentes anarquistas, os pablistas, &#8220;Rouge&#8221;, Lutte Ouvriére , apóiam por sua vez toda a sua política sobre a afirmação de que o capitalismo continua sua ascensão (assim, o célebre teórico Mandel professa a teoria do neo-capitalismo como uma fase inserida, após o imperialismo, entre o capitalismo e o socialismo e caracterizada por um novo desenvolvimento das forças produtivas). Compreende-se então que eles não cessem de oscilar, que de um lado eles boicotem e de outro lado aceitem a reforma Fouchet-Faure, para, em seguida, recusar-se a participar dos organismos criados por essa reforma. Tais oscilações tornam-se inevitáveis devido à sua base teórica, pois ela está em contradição com o marxismo.</p>
<p>Esse problemas tem uma importância decisiva, pois se as aspirações à felicidade, à liberdade, à justiça sempre existiram no coração dos homens, desde que há exploradores e explorados, o problema a resolver é o de criar as condições materiais que poderão assegurar essa felicidade, essa liberdade, essa justiça. Os escravos crucificados após a derrota de Spártacus exprimiam essa tendência irreprimível que existe no coração dos explorados, mas eles deviam ser derrotados&#8230; não podiam deixar de ser derrotados. É preciso compreender, também, que todos os horrores do período da acumulação primitiva do capital, esse período que conheceu, entre 1820 e 1840, a Inglaterra, um pouco mais tarde a França, onde viram-se gerações inteiras, crianças de 10 anos, mesmo de 8 ou 6 anos trabalharem durante 14, 16 ou 18 horas diária nas máquinas porque tinham os dedos finos demais para apanhar os fios de seda, eram inelutáveis.</p>
<p>O Capital, que se alimentou da destruição física de milhares, de centenas de milhares de filhos de proletários esse Capital tinha um futuro histórico, pois assegurava então, efetivamente, o desenvolvimento das forças produtivas.</p>
<p>É evidente que os revolucionários daquela época deviam combater as consequencias do modo de produção capitalista, mas eles deviam constatar, faltava-lhes constatar que o capitalismo era um fator de progresso e de civilização. Mas atualmente, como Marx analisou, as condições materiais de satisfação das necessidade humanas estão reunidas e é isso que pode, hoje em dia, dar ao proletariado a certeza de que seus objetivos revolucionários não são utópicos. Essas condições materiais estão realizadas, não apenas porque as forças produtivas atingiram o limiar senil da socialização dos meios de produção, mas porque elas estão sufocadas no quadro da propriedade privada dos meios de produção e da camisa-de-força do Estado Nacional, que elas tendem a arrebentar esse quadro e essa camisa-de-força. É porque aquilo que Marx tinha estabelecido como um prognóstico, o que Lênin, em 1914, exprimiu em termos científicos, em &#8220;O Imperialismo, Estágio Supremo do Capitalismo&#8221;, está realizado, é por isso que nós podemos hoje em dia dizer que a revolução proletária é uma perspectiva correta. Senão, não haveria para nós mais do que uma vaga aspiração que, de fato, não poderia encontrar os meios de realizar-se.</p>
<p>Então, camaradas, devemos agora, a partir das definições que acabo de apresentar, que são as mesmas de Marx, as mesmas de Lênin, o qual definia o imperialismo como a &#8220;reação em toda a linha&#8221;, qualquer que fosse o regime político, como um capitalismo parasitário, apodrecendo, um capitalismo agonizante, temos agora que considerar esse problema das forças produtivas para ver se Lênin tinha razão, se Trotsky, que retomou as posições de Lênin no Programa de Transição, tinha razão e se, por isso mesmo, Marx tinha razão.</p>
<p>Esse problema é suficientemente amplo para que seja necessário ceder-lhe alguns minutos. As forças produtivas são uma categoria que é necessário caracterizar. O que são as forças produtivas? Nada mais que o produto da atividade dos homens; a categoria das forças produtivas é uma categoria social, portanto humana. As forças produtivas tem diferentes componentes: de uma parte, há efetivamente a técnica, e sem nenhuma dúvida, a técnica avançou muito. O que aliás o Programa de transição não contestava absolutamente pois, após a tese sobre as forças produtivas, lê-se nele: &#8220;as novas invenções e progressos técnicos não condizem mais a um crescimento da riqueza material&#8221;. É claro, portanto, que quando Trotsky afirmava que as forças produtivas pararam de crescer, ele não constatava absolutamente que a técnica continuaria a desenvolver-se; ele dizia que o progresso da técnica não levaria mais a um desenvolvimento das forças produtivas, mas terminariam, ao contrário, transformando essas forças produtivas em forças de destruição. Pois a noção de forças produtivas não é, evidentemente, independente da finalidade dessas forças produtivas; as forças produtivas ascendentes, na fase ascendente do capitalismo, era um fator de cultura e se, por exemplo, um certo Jules Ferry que rinha uma grande barba, que era o pior canalha que existia na face da terra, que liquidou tunisianos e indochineses, esse Jules Ferry, fez passar as leis sobre a escola laica, gratuita e obrigatória, e não foi porque tivesse qualquer amor pelos filhos dos proletários, é que as forças produtivas exigiam que operários especializados soubessem ler e escrever, ajustadores, torneiros, deviam aprender sua profissão qualificada.</p>
<p>Hoje em dia, todo o fenômeno da decadência da classe operária, está justamente ligado ao fato de que as novas técnicas, tais como a automação, não levam mais, no quadro do regime capitalista, a uma elevação do nível técnico e cultural das massa de operários e de intelectuais, mas ao contrário, à uma desqualificação generalizada.</p>
<p>A destinação da forças produtivas, dizíamos nós, é fundamental e é necessário &#8211; o que não fazem jamais as publicações do Partido Comunista Francês, nem as publicações pablistas &#8211; discutir essa destinação; pois, hoje em dia, o motor da economia capitalista em declínio são os créditos militares, uma injeção enorme de créditos militares na economia.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>As forças produtivas transformam-se em forças destrutivas</strong></p>
<p>Darei alguns exemplos: o orçamento americano elevou-se em 1968 a 83 bilhões de dólares, e vocês sabem a importância dos EUA na economia mundial; eu poderia pegar, por outro lado, o caso da Inglaterra ou da França, e chegaria às mesmas conclusões. Tomei voluntariamente os Estados Unidos porque o peso do imperialismo americano nos domínios da política, da economia, do comércio, das finanças mundiais é tamanho, que o que se passa nos Estados Unidos repercute imediatamente no que ocorre nos demais países do mundo. 83 bilhões de dólares, de créditos militares; para entender o que isso significa, mencionemos que em 1934, a porcentagem dos créditos militares no orçamento americano era de 10%. Em 1968, essa porcentagem é de 54%. Em 1929, sempre nos Estados Unidos, a porcentagem dos créditos militares em relação à renda nacional era de 1%. Em 1968, ela ultrapassa os 10%. Em 1913, o orçamento militar dos Estados Unidos elevou-se a 335 milhões de dólares. Em 1929 a 838 milhões de dólares, em 1938 a um bilhão e 221 milhões de dólares e em 1968 a 83 bilhões, 66 vezes o montante de 1936, e trata-se aí de um mínimo, porque falta acrescentar a esse 83 bilhões oficialmente confessados, dez bilhões e meio para os juros de uma dívida pública que é essencialmente herança das guerras passadas, e ainda 7 bilhões para as pensões dos antigos combatentes; de fato, as despesas militares diretas elevam-se assim hoje em dia, nos Estados Unidos, a 100 bilhões de dólares.</p>
<p>E indiretamente? Meu camarada Chenet estabeleceu, numa revista sindical, que as despesas militares estão na origem do emprego de mais de 20% da população ativa em atividade nas indústrias, aos quais se acrescem os 2 milhões e meio de homens recrutados ou alistados. Desde 1952, as despesas militares atingem um montante pelo menos igual ao investimento industrial em máquinas e construções: e, certos anos, elas foram superiores à cifra global da formação de capital fixo, incluídas as construções. Essa afirmação é confirmada pela &#8220;Business Week&#8221;, que conclui um artigo explicando que o montante dos créditos militares em 1968 equivaleu ao conjunto dos lucros líquidos de impostos de todas as sociedades americanas. O motor, da economia do lucro é então a injeção crescente de créditos militares, o mais imenso desperdício de trabalho humano. Assim, as forças produtivas não tem mais hoje a finalidade de acrescer a riqueza material da humanidade, mas transforma-se sob nossos olhos em seu contrário, em forças de destruição. O capitalismo, antes progressivo, tornou-se, com o imperialismo, a reação em toda a linha. Senão, as forças de produção, no interior do regime da propriedade dos meios de produção, perseguiriam sua marcha para frente. Hoje em dia uma mudança qualitativa já ocorreu, elas transformam-se em seu contrário, elas preparam a maior catástrofe da humanidade. E nos dirão que o programa da 4ª Internacional não foi confirmado pelos fatos, que as forças produtivas continuam a crescer!</p>
<p>Camaradas, quero ainda acrescentar o seguinte: por seus efeitos diretos ou indiretos, as despesas militares contribuem para formação de cerca de 30% do Produto Nacional Bruto nos Estados Unidos. Para se ter uma idéia precisa da defesa nacional na economia dos EUA, deve-se recordar que as forças armadas desse país empregam uma porcentagem de diplomados do ensino secundário mais elevada e uma porcentagem de diplomados do ensino superior tão elevada quanto não importa qual empresa civil. Em segundo lugar, elas dispendem diretamente 8 bilhões e meio de dólares para a pesquisa e o desenvolvimento e indiretamente, uma soma tal que o total representa a metade das despesas em pesquisa e desenvolvimento do governo, da indústria e das universidades em conjunto. E a maior parte das despesas de pesquisa e desenvolvimento na indústria e nas universidade, está diretamente afetada pelo governo com pesquisas militares. Em terceiro lugar, o Pentágono repassa diretamente, a cada ano 45 bilhões em contratos a 22 mil empresas que, por sua vez, sub-contratam mais de 100 mil empresas. Em quarto lugar, o mesmo Pentágono contrata 20% de todos os engenheiros e eletricistas do país, 40% de todos os físicos, 60% de todos os engenheiros eletrônicos. Quinto, ele exerce uma pressão considerável sobre todos os ramos de serviços de transportes, empresas e comércio varejista. Sexto, enfim, eles mantém a economia de cinco estados numa dependência estreita dos empregos militares. Portanto, é evidente que as despesas militares exercem uma influência poderosa, tanto sobre a estrutura como sobre o funcionamento da economia. E o peso do complexo militar-industrial faz-se sentir da mesma maneira em toda a vida política do país.</p>
<p>Eis as bases do que o mundo, dos liberais burgueses aos burgueses menos liberais, dos social-democratas, dos stalinistas, dos centristas, dos pablistas, dos redatores de &#8220;Rouge&#8221; aos redatores de &#8220;Lutte Ouvriere&#8221; e outros, chamam de capacidade do capitalismo de superar em parte duas contradições.</p>
<p>É preciso compreender bem o significado da economia de armamento: os créditos militares subtraem, momentaneamente, do mercado, uma parte das forças produtivas para atribuir-lhes uma destinação improdutiva; mas a fração correspondente do capital social continua seu movimento, distribui salários, lucros, etc. Quer dizer que ela deve inserir-se novamente na economia e, por isso mesmo, a transformação da economia dita de paz em economia de armamento encontra rapidamente seus limites. Em 1937, exatamente no mês de setembro. O doutor Schacht, ministro da economia sob Hitler, foi ver seu Führer para dizer-lhe que aquilo não podia continuar, porque senão era claro que iríamos à guerra. Hitler retorquiu que ele sabia disso. &#8220;Mas nós a perderemos&#8230;&#8221; replicou Schacht. &#8221; O que você propõe no lugar?&#8221; perguntou Hitler. Schacht demitiu-se porque não tinha nada de diferente a propor, pois, de maneira automática, lógica, implacável, a economia de armamento deve transformar-se em economia de guerra e, se meu camarada Chenet tem razão nas cifras que fornece, se o que ele disse corresponde à realidade &#8211; e eu creio que sim, tendo em vista as cifras dadas pelos próprios jornalistas americanos &#8211; se, hoje, nos Estados Unidos, 30% do PNB são &#8220;criados&#8221; pelos créditos militares, isso significa que a economia americana começa a pender, de uma economia de armamentos para uma economia de guerra.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>A principal força produtiva</strong></p>
<p>É preciso compreendê-lo, esses problemas têm uma importância decisiva. Mas, na categoria das forças produtivas, não há simplesmente a produção e o destino dessa produção. A principal das forças produtivas, para um marxista, é a classe operária, quer dizer, a classe que produz o capital, aquela que, de fato, é a fonte, por seu trabalho, pela sua força de trabalho, de desenvolvimento de toda a civilização.</p>
<p>Camaradas, a todos os que nos falam dos milagres que o imperialismo mundial seria capaz de realizar hoje em dia, que ele é suscetível de superar suas contradições no quadro de um novo regime, batizado de capitalismo monopolista de Estado ou neo-capitalismo, devemos colocar, desse ponto de vista, algumas questões a mais. Certo, com a injeção sempre crescente de créditos militares, cujo significado histórico e imediato acabo de definir, o capitalismo pôde suplantar em certa medida os efeitos das crises, efeitos que não deixariam de ser bem mais amplos em diversos períodos. Mas, camaradas, independentemente do faro de que essa capacidade genial de capitalistas geniais, de passar, por seu movimento consciente, a um novo estágio que se chama neo-capitalismo, prepara-nos a terceira guerra mundial atômica, é evidente que devemos também examinar numa escala história o que significa todo esse período que, de fato, não dura mais que 10 ou 12 anos. &#8220;Grosso modo&#8221;, pode-se dizer que foi no final do século que o capitalismo transformou-se em imperialismo. A manifestação mais eloquente disso, se posso expressar-me assim, foi a primeira guerra imperialista mundial, a de 1914 a 1918, com seus 30 milhões de mortos, entre os quais 10 a 12 milhões de vítimas daquilo que foi batizado de gripe espanhola e que não passava do cólera e a fome, aos quais é preciso juntar mais de 7 milhões de feridos graves. Para a guerra de 1939-1945, essas cifras podem ser multiplicadas por três. No espaço de uma geração, de 120 a 150 milhões de homens morreram nos campos de batalha por um sistema que, parece, ainda é progressivo. E, se olharmos mais de perto, torna-se evidente que em 1913, e isso ninguém pode pôr em dúvida, a Europa e o mundo estavam na véspera de uma nova crise econômica, a qual só foi suplantada pelos meios que conhecemos, isto é, pela guerra imperialista. Em 1919, no final da guerra, há uma nova crise, uma crise de transformação da economia de guerra em economia dita de paz. Em 1920-1922, houve uma fase de ascensão da economia; em 23-24, nova crise, em 24-28, período do que se chamou a &#8220;prosperidade do pós-guerra&#8221;. Em 1929 -1934 é a grande crise, a destruição maciça de riquezas, o desperdício desenfreado do trabalho humano; e a essa crise de 1929 só será superada pela preparação para a guerra, que começa nesse período. 1937: a economia de armamentos desenvolve-se no mundo inteiro; 1940-1945: a crise é conjurada como em 1913. 1945-1950 (1955 para a Europa, principalmente para a França) é o período da reconstrução e somente em 1955 que se atinge, na França, o nível de produção de 1938. Mas em 1949, nos Estados Unidos, a &#8220;recessão&#8221; avança e somente será superada graças à Guerra da Coréia (1951); evidentemente, como cada um sabe, uma maneira progressiva de exprimir o crescimento das forças produtivas é fazendo a guerra. Depois, a partir de 1955, nós tivemos efetivamente, sustentada por uma injeção crescente de créditos de guerra, uma período de prosperidade.</p>
<p>Assim, de 1918 a 1969, em 65 anos, tivemos 18 a 20 anos, no máximo, que correspondem a períodos de prosperidade, e isso, sobre as bases que acabei de definir. Camaradas, é preciso compreender o que significa hoje em dia a sobrevivência do Capital, tendo, como única perspectiva, a destruição física para milhões e milhões de homens, quando os problemas dos mercados, os problemas de exportação dos capitais colocam-se com a amplitude que vimos em novembro de 1969. Atualmente, reintegrar a URSS, a China, os países de democracia popular no seio do circuito do imperialismo mundial, é uma necessidade vital para o capital, mas significa preparar a terceira guerra mundial, ou seja, preparar a carnificina mais sangrenta que a humanidade jamais conheceu, na qual as próprias bases da civilização humana poderiam, de fato, ser aniquiladas. Essa é a perspectiva, que, desde agora, esta civilização inteira, todos esse conhecimentos, todo o trabalho dos intelectuais, dos sábios, dos estudantes, seja orientados não para o desenvolvimento das forças produtivas, mas para a destruição. Da pesquisa, nos }Estados Unidos, não são mais, como se diz, que as &#8220;sobras&#8221; que atingem a indústria de consumo.</p>
<p>Mas mesmo isso, hoje em dia, é somente um aspecto do problema; o capitalismo continua capitalismo, inclusive no seu próprio período de decadência, de agonia. O capitalismo, as leis o capital permanecem as mesmas e continuam a funcionar, a concorrência entre os capitalistas continua a atuar, basta saber o que se passa hoje em dia entre a BSN e a Saint Gobain para saber o que é a lei imanente do capital, a concorrência, que implica a batalha de todos os capitalistas e de cada capitalista em particular, para estender seu mercado as custas dos outros; isso significa abaixar seus preços de revenda para tomar os mercados dos outros, o que é feito em duas direções: de um lado a super exploração do trabalho, pela intensificação da produtividade no quadro existente; de outro, a substituição do trabalho humano pela máquina. Fala-se hoje em dia de uma Segunda revolução industrial, a da automação, mas esse termo é falso, não há Segunda revolução industrial, pois a primeira revolução industrial foi uma fonte de mão-de-obra, ela foi uma fonte de trabalho para a classe operária, enquanto isso o que se chama a segunda revolução industrial, no quadro do regime capitalista é na verdade a expulsão dos trabalhadores de seu trabalho. Gostaria de explicar-lhes certo número de coisas sobre a automação; vou citar-lhes simplesmente as palavras do presidente de um truste americano de fabricação de computadores. Segundo esse senhor, os otimistas comparam com facilidade esse fenômeno de automação com a segunda revolução industrial, mas trata-se de um erro. Em última análise, esta última revolução criou empregos, mas a nova tecnologia torna superadas, não apenas as máquinas clássicas, mas também os homens ditos modernos. Atualmente, diz ele, nós usamos máquinas de uma tal sutileza que elas suprimem empregos; e ele prossegue dizendo: eu refuto esse mito segundo o qual as vítimas da automação podem ser requalificadas e encontrar um novo emprego que exija uma melhor formação, melhor remunerado; muitos operários não podem ser requalificados, muitos quadros não serão requalificados devido à idade, ou mesmo de sua deformação profissional; não se pode requalificar as pessoas contra a sua vontade, assim como não se podem criar empregos por um passe de mágica. Mas, camaradas, todas as organizações sindicais de hoje em dia são pela reciclagem, cujas consequências só podem ser essas que acabo de dizer; não somente as organizações sindicais, mas todos estão cheios de ilusões, os que gostariam de reformar a Universidade em maio e junho, o que nos diziam? Eles diziam-nos que era necessária uma Universidade noturna, aberta aos trabalhadores ativos, para fazer o quê? Para se reciclarem. Quando se refaz o mundo em sua própria cabeça, ele nunca corresponde ao mundo real, á realidade social.</p>
<p>O mesmo autor continua: seria preciso para os Estados Unidos, daqui até 1970 &#8211; e isso foi escrito em 1936 &#8211; 36,5 milhões de novos empregos; o crescimento demográfico fornecerá 12 milhões e meio de jovens em idade de trabalhar enquanto que o aumento da produtividade dos operários eliminará, principalmente devido à automação, 24 milhões de empregos. Eis o que significa a aplicação dos métodos dessa &#8220;segunda revolução tecnológica&#8221;. Nenhuma categoria está isenta deles, nenhuma poderá passar ao largo; por exemplo, hoje nos Estados Unidos, já um computador que está construído, que funciona, ele permite acelerar o processo da educação e remediar a falta de educadores. Esse computador cuida de cada aluno individualmente, fornece-lhe todos os elementos de conhecimento necessários, interroga-o, registra suas respostas e leva-o passo-a-passo em seu próprio ritmo, através do programa completo do curso. Ao mesmo tempo, ele faz um relatório detalhado sobre o comportamento do aluno&#8230; vocês entenderam camaradas! Os professores, que eram até agora uma categoria privilegiada, como todos sabem, esses professores, hoje, que devem levar seus ensinamentos a uma juventude destinada ao desemprego e à desqualificação, existem agora, computadores que podem fazer seu trabalho melhor que eles. Eis o que a automação gera atualmente.</p>
<p>Certo, o surgimento da automação, num regime que fosse liberto da propriedade privada dos meios de produção, reintegraria efetivamente o trabalho humano em seu real significado, aboliria a divisão entre o trabalho manual e o trabalho intelectual. Certo, a automação, é a prova palpável de que as forças produtivas chegaram a um tal grau de desenvolvimento, que lhes faz falta o socialismo, a revolução proletária. E o obstáculo que impede os trabalhadores de tomar plenamente a consciência dessa necessidade, uma necessidade da qual eles se ressentem assim como milhões de jovens, como os dez milhões de grevistas de maio-junho de 1968, os quais sentiam instintivamente que tudo era possível, é um obstáculo interno ao movimento operário. Não tenho possibilidade, camaradas, e desculpo-me por isso, de ler-lhes o que os stalinistas escrevem a respeito do desenvolvimento das forças produtivas, o que Mandel e o &#8220;rouge&#8221; escrevem a esse respeito. Todos tem a mesma posição, essa posição de princípio que é a deles e que pretende que o capitalismo tem um futuro. Hoje em dia, é esse obstáculo interno que é preciso remover. Todas as condições objetivas estão maduras para o socialismo, elas começam a apodrecer, disse Leon Trostsky no Programa de Transição. È preciso remover esse obstáculo, e remover esse obstáculo é construir o partido revolucionário, defender o programa marxista, reconstruir a 4ª Internacional, é não aceitar que se toque nesse programa sem fazer fatos, documentos, análises, elementos. Remover esse obstáculo é recusar àqueles que, por outro lado. Não usurparão mais longamento a qualificação de trotskystas, o direito de se afirmarem como tais, enquanto eles colocam em causa os fundamentos programáticos da 4ª Internacional, os fundamentos do marxismo.</p>
<p><strong>Janeiro de 1969</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Algumas reflexões sobre a fundação da 4ª Internacional e a atualidade de seu programa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 24 Jul 2013 18:35:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Formação]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Daniel Gluckstein e François Forgue •  Em 3 de setembro de 1938, em uma granja de uma pequena localidade rural da região parisiense, reuniram-se, por um único dia, 22 militantes que representavam organizações de 11 países. Assim foi fundada a 4ª Internacional. Suas forças eram então extremamente modestas. Neste número de nossa revista, Jean-Jacques Marie [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><i><b>Daniel Gluckstein e François Forgue • </b></i></p>
<p>Em 3 de setembro de 1938, em uma granja de uma pequena localidade rural da região parisiense, reuniram-se, por um único dia, 22 militantes que representavam organizações de 11 países. Assim foi fundada a 4ª Internacional.</p>
<p>Suas forças eram então extremamente modestas. Neste número de nossa revista, Jean-Jacques Marie lembra as iniciativas tomadas, antes de 1938, para tentar edificar a 4ª Internacional em bases mais amplas. Elas não tiveram sucesso. Para Trotsky, em 1938, não era mais possível adiar uma proclamação que, a seus olhos, já havia tardado muito. Era chegado o momento de cristalizar as forças da vanguarda revolucionária, por mais modestas que pudessem parecer: a guerra se aproximava; uma fase da história estava prestes a se concluir. Essa cristalização era uma necessidade para enfrentar a etapa seguinte, a etapa da guerra, da qual Trotsky previa que, pelo menos num primeiro momento, seria fator de explosão e de desmembramento (o que os acontecimentos confirmaram, a começar pelo assassinato do próprio Trotsky em agosto de 1940).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b> “Não se trata ainda do programa da 4ª Internacional”</b></p>
<p>Algumas semanas antes da conferência de fundação da 4ª Internacional, Trotsky escreveu a Rudolf Klement (1):</p>
<p><i> “Envio a vocês o projeto de programa transitório. Vocês verão que é um documento muito amplo, que engloba todas as questões que estão na ordem do dia. Será também o único documento que eu apresento ao Secretariado Internacional (SI) e que, se o SI aprovar, pode apresentar em seu próprio nome a todas as seções (&#8230;).</i></p>
<p><i>Imagino que algumas pessoas poderão talvez protestar contra a apresentação ‘precipitada’ do programa. Ora, esse texto não contém nenhum novo princípio. Ele sintetiza tudo que dissemos muitas vezes. As questões mais candentes (Espanha, URSS, China) foram amplamente discutidas por todas as seções. Sobre esses assuntos, também, o texto apenas faz o balanço. Creio também que não há nada de precipitado na apresentação do texto.</i></p>
<p><i> Assinalo que não se trata ainda do programa da 4ª Internacional. O texto não contém nem a parte teórica, ou seja, a análise da sociedade capitalista e de seu estágio imperialista, nem o programa de ação para o período intermediário. Parece-me que é precisamente de um documento como este que nossas seções têm necessidade. O verdadeiro programa da 4ª Internacional deveria ser elaborado por uma comissão especial criada pela conferência”</i> (2).</p>
<p>A despeito dos limites assinalados pelo próprio Leon Trotsky, foi esse programa, cujo verdadeiro título é “A Agonia do Capitalismo e as Tarefas da 4ª Internacional”, com o subtítulo “A Mobilização das Massas por Meio das Reivindicações Transitórias como Preparação à Tomada do Poder”, que o Congresso de Fundação da 4ª Internacional – com a concordância de Trotsky – aprovou como documento programático.</p>
<p>Como Trotsky assinala, aliás, não se pode separar o “Programa de Transição” da elaboração que o precede, dos primeiros esboços de um programa de reivindicações transitórias (por exemplo, o programa de ação dos bolchevique-leninistas franceses de 1934), e das análises teóricas sobre a decadência do imperialismo, da União Soviética e do stalinismo, que cobrem as partes não desenvolvidas do programa de 1938. O “Programa de Transição”, tal como é, concentra e reúne as bases programáticas, os princípios sobre os quais se fundam a 4ª Internacional e sua ação.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b> De aparentes paradoxos&#8230;</b></p>
<p>Por mais paradoxal que possa parecer, essa Internacional constituída por um punhado de quadros revolucionários estabeleceu desde o primeiro momento como tarefa a “mobilização das massas por meio das reivindicações transitórias como preparação à tomada do poder”. Outro paradoxo aparente: no mesmo momento em que se constituiu a 4ª Internacional, Trotsky tentava convencer seus camaradas estadunidenses a participar da construção de um partido mais amplo, com base em um programa que não seria necessariamente o da 4ª Internacional: o Labor Party (Partido dos Trabalhadores); quanto aos militantes da seção francesa, Trotsky convidava-os a entrar num partido centrista saído de uma ruptura do Partido Socialista: o Partido Socialista Operário Camponês (PSOP, na sigla em francês) de Marceau Pivert.</p>
<p>Como esses paradoxos aparentes se conciliam? Na realidade, não há paradoxo nem contradição. É a própria essência da 4ª Internacional que se exprime aqui: cristalização de um núcleo revolucionário (com efetivos limitados impostos pelas circunstâncias) com base no programa da 4ª Internacional e busca da ligação com as massas por meio do Labor Party nos Estados Unidos ou do PSOP na França, e formulação das “reivindicações transitórias” como uma alavanca para a mobilização das massas se preparando para a tomada do poder.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b> Encontrar a via das massas</b></p>
<p><b> </b>Circunstâncias históricas excepcionais reduziram a 4ª Internacional, no momento de sua fundação, a um efetivo modesto de quadros, às vezes isolados da classe operária. Mas a preocupação constante de Trotsky era que os militantes da 4ª Internacional encontrassem a via das massas. E isso tanto por meio dos sindicatos quanto pela entrada – quando era possível e necessária – no interior de partidos operários de massa. O “Programa de Transição” condena explicitamente “o auto-isolamento sectário e capitulador”. Isso não é uma fórmula de estilo. Mesmo se as circunstâncias os colocaram, durante um período de sua história, em uma situação de isolamento relativo no interior de sua própria classe – em virtude, antes de tudo, do terror exercido pelo stalinismo, que usurpou o prestígio e a bandeira de Outubro de 1917 entre as massas operárias do mundo inteiro –, os trotsquistas jamais tiveram essa vocação. Seu objetivo – que o programa da 4ª Internacional exprime de maneira concentrada – é ajudar a humanidade a abrir uma saída diante da agonia do capitalismo, e, para isso, trabalhar pela mobilização das massas por meio de um programa de reivindicações transitórias.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b> Um programa para toda a classe operária&#8230;</b></p>
<p><b> </b>Trotsky definiu esse “Programa de Transição” – como vimos – não como propriedade privada 4ª Internacional, mas como um programa para toda a classe operária. Desde o seu começo, esse programa desenvolve vários pontos essenciais, ligados entre si, cuja atualidade merece ser avaliada e discutida hoje. A primeira idéia:</p>
<p><i>“A situação política mundial no seu conjunto caracteriza-se, antes de mais nada, pela crise histórica da direção do proletariado”</i>.</p>
<p>A segunda idéia, que apóia a primeira:</p>
<p><i>“A premissa econômica da revolução proletária já alcançou há muito o ponto mais elevado que possa ser atingido sob o capitalismo. As forças produtivas da humanidade deixaram de crescer. As novas invenções e os novos progressos técnicos não conduzem mais a um crescimento da riqueza material”</i>.</p>
<p>Terceira idéia:</p>
<p><i>“Os falatórios de toda espécie, segundo os quais as condições históricas não estariam ‘maduras’ para o socialismo, são apenas o produto da ignorância ou de um engano consciente. As premissas objetivas para a revolução proletária não estão somente maduras: elas começaram a apodrecer. Sem a vitória da revolução socialista no próximo período histórico, toda a civilização humana está ameaçada de ser conduzida a uma catástrofe. Tudo depende do proletariado, ou seja, antes de mais nada, de sua vanguarda revolucionária. A crise histórica da humanidade se reduz à crise da direção revolucionária”</i> (3).</p>
<p>Crise cuja solução só pode ser forjada em relação com a ação da classe operária em escala internacional e em cada país: <i>“</i><i>A emancipação dos trabalhadores será obra dos próprios trabalhadores”</i>.</p>
<p>Essa divisa da 1ª Internacional está no centro da 4ª Internacional, que a formula precisamente assim:</p>
<p><i>“A orientação das massas está determinada, de um lado, pelas condições objetivas do capitalismo que se deteriora; de outro, pela política traidora das velhas organizações operárias. Desses dois fatores, o fator decisivo é, sem dúvida, o primeiro: as leis da história são mais poderosas que os aparelhos burocráticos”</i> (4).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>&#8230; ainda atual</b></p>
<p><b> </b>Essas considerações continuam hoje na base da política dos trotsquistas. Neste 70º aniversário da fundação da 4ª Internacional, seus partidários nos Estados Unidos estão comprometidos com o combate prático para ajudar a constituir um “Partido da Reconstrução”, componente do combate pelo Labor Party; no mesmo momento, na França, os militantes da 4ª Internacional acabam de participar, ao lado de trabalhadores, vereadores, prefeitos e militantes de todas as origens do movimento operário, da fundação de um Partido Operário Independente (POI) de 10.072 membros, partido que não tem como base o programa da 4ª Internacional e que, no entanto, do ponto de vista dos militantes da 4ª Internacional, inscreve-se na realização da tarefa principal que o programa prescreve: ajudar a resolver a crise da direção da classe operária.</p>
<p>Repitamos: a 4ª Internacional nunca teve como vocação ser marginal ou mesmo isolada no movimento operário. A 4ª Internacional tem sua origem no combate da Oposição de Esquerda no interior do Partido Comunista da União Soviética, depois da Internacional Comunista. Como oposição de esquerda que combatia no interior dos partidos comunistas, ela não pôde atuar abertamente para se desenvolver entre as mais amplas massas. Trotsky, em 1929, pouco antes de ser conduzido a seu exílio de Prinkipo, ilha próxima à Istambul, na Turquia, escreveu: <i>“</i><i>A oposição se forma atualmente com base em uma delimitação nas idéias, do ponto de vista dos princípios, e não de uma ação de massa”</i>.</p>
<p>Mas, quanto mais a degenerescência do stalinismo fez pesar sobre o destino de milhões de trabalhadores e de trabalhadoras o risco de uma derrota maior, mais a atividade dos trostsquistas tendia a formular – mesmo no quadro de uma “oposição interna” – uma política destinada às mais amplas massas. Diante da ascensão do fascismo na Alemanha, eles foram levados a lutar publicamente pela realização da frente única socialista-comunista, único meio de impedir a subida de Hitler ao poder. Nos meses seguintes a janeiro de 1933, quando a derrota do Partido Comunista Alemão marcou para Trotsky a virada que o levou, alguns meses mais tarde, a se orientar rumo à 4ª Internacional, desde o início se colocou a necessidade de se voltar para as massas. Abrindo a perspectiva de uma nova Internacional, Trotsky tinha em mira a hipótese de que essa nova Internacional não se constituísse com base no programa da Oposição de Esquerda (que se chamava, a partir de 1933, Liga Comunista Internacional e se tornou posteriormente o Movimento pela 4ª Internacional).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b> A “Declaração dos Quatro”</b></p>
<p>Em agosto de 1933, a “Declaração dos Quatro” sobre “a necessidade e os princípios de uma nova Internacional”, subscrita pela Oposição de Esquerda Internacional, e também pelo SAP (5), da Alemanha, pelo RSP e o OSP da Holanda (6) – esses três últimos partidos não pertencentes à Oposição de Esquerda –, se propôs a lançar as bases de uma nova Internacional a partir de um programa de 11 pontos, dos quais se encontrará o essencial, cinco anos depois, nos textos constitutivos da 4ª Internacional.</p>
<p>Em virtude da evolução posterior dessas correntes, essa tentativa não deu resultado. Mas isso marcou uma primeira etapa. Depois de 1933, diante da ameaça do fascismo, as massas radicalizaram. Em seu movimento, procuraram se agarrar às organizações existentes, em particular – em um certo número de países – aos Partidos Socialistas, empurrando-os para a esquerda.</p>
<p>Trotsky recomendou então aos partidários da 4ª Internacional entrar nesses Partidos Socialistas. Principalmente na França e nos Estados Unidos, entre outros países.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b> “Um passo adiante do movimento de massas”</b></p>
<p>Para Trotsky, essa entrada nos Partidos Socialistas se justificava por um imperativo: sem renunciar de forma alguma ao programa (7), ligar-se ao movimento pelo qual as massas procuravam resistir, ligar-se ao movimento prático das massas, tomadas de angústia, que procuravam a via de uma saída vitoriosa contra o fascismo. A mesma política se mostra durante a formação da nova central sindical CIO nos Estados Unidos. Trotsky diz: “<i>Nós devemos estar entre as massas</i>”. Essa é a sua preocupação constante. Nenhuma vocação para a marginalidade, para o auto-isolamento sectário e capitulador. Nenhuma vocação para ficar apenas entre os seus. Absoluta confiança no programa. Mas também absoluta compreensão de que esse programa, cortado da inserção entre as massas, é o contrário do programa. A famosa frase de Marx – “<i>um passo adiante do movimento de massas vale mais do que cem programas</i>” – não é uma fórmula bonita: é a essência do marxismo. Os mais belos programas do mundo, se não estão ligados à capacidade das massas de colocá-los em prática, tornam-se letra morta.</p>
<p>É com base nessa compreensão expressa por Trotsky que os militantes que fundamentaram seu combate sobre o “Programa de Transição” sempre procuraram desenvolver sua ação.</p>
<p>Foi numa situação mais do que excepcional que a 4ª Internacional foi fundada.</p>
<p>“<i>Os céticos perguntam: mas chegou o momento de criar uma nova Internacional? É impossível, dizem, criar uma Internacional ‘artificialmente’; apenas grandes acontecimentos podem fazê-la surgir etc. Todas essas objeções demonstram apenas que os céticos não servem para criar uma nova Internacional. Em geral, não servem para nada. A 4ª Internacional já surgiu de grandes acontecimentos: as maiores derrotas do proletariado na história. A causa dessas derrotas é a degenerescência e a traição da velha direção. A luta de classes não tolera interrupção. A 3ª Internacional, após a 2ª, está morta para a revolução. Viva a 4ª Internacional! Mas os céticos não se calam: ‘Já é o momento de proclamá-la?’ A 4ª Internacional, responderemos, não tem necessidade de ser proclamada. Ela existe e luta. É fraca? Sim, suas fileiras são, até agora, pouco numerosas, porque ainda é jovem. Elas compõem-se, sobretudo, de quadros dirigentes. Mas esses quadros são a única garantia do futuro. Fora desses quadros, não existe, neste planeta, uma só corrente revolucionária que realmente mereça esse nome. Se nossa Internacional é ainda fraca em número, ele é forte pela doutrina, pela tradição pelo programa, pela têmpera incomparável de seus quadros. Aquele que não vê isso hoje que continue afastado. Amanhã, isso será mais visível”</i> (8).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>A discussão sobre o Labor Party</b></p>
<p><b> </b>Na discussão que Trotsky desenvolveu naquele mesmo momento a respeito do Labor Party (Partido dos Trabalhadores), ele se chocou com sérias reticências por parte de alguns de seus camaradas estadunidenses. Objetaram a ele, por exemplo, que os dirigentes das organizações sindicais eram reformistas; pronunciar-se a favor de um Labor Party apoiado nos sindicatos significaria pronunciar-se a favor de um partido reformista, e não revolucionário. Trotsky respondeu:</p>
<p><i>“Seria absurdo dizer que defendemos um partido reformista”</i>.</p>
<p>Apesar disso, seria necessário colocar como pré-condição à construção de um Labor Party que ele se definisse como um partido revolucionário? Trotsky respondeu:</p>
<p><i>“É claro, devemos dizer aos trabalhadores que eles não podem impor a sua vontade por meio de um partido reformista, mas somente por meio de um partido revolucionário”</i>.</p>
<p><i>“Mas então”</i>, objetou um outro dirigente, J.P.Cannon<i>, </i><i>“seria necessário concluir disso que é preciso um Labor Party revolucionário?”</i></p>
<p><i> </i>Trotsky respondeu:</p>
<p><i>“Eu não diria que o Labor Party é um partido revolucionário, mas que nós faremos tudo para que isso seja possível. A cada reunião, nós diremos: ‘</i>Eu sou membro do SWP (9). Eu considero que ele é o único partido revolucionário. Mas não sou sectário. Vocês tentam agora criar um grande partido operário. Eu os ajudarei, mas proponho que examinem um programa para esse partido. Faço tal ou tal proposta<i>’. É assim que eu começo. Nessas condições, seria um grande passo adiante. Por que não dizer abertamente aquilo que é? Sem nenhuma camuflagem, sem nenhuma diplomacia”</i> (10).</p>
<p>Um outro militante estadunidense lhe disse então:</p>
<p>“Agora, com a iminência do início da guerra, o Labor Party pode transformar-se em uma armadilha. E eu não consigo ainda compreender como o Labor Party pode ser diferente de um partido reformista, puramente parlamentar”<i>.</i></p>
<p><i> </i>Trotsky respondeu:</p>
<p><i>“Você coloca a questão de modo muito abstrato: naturalmente, ele pode se cristalizar em um partido reformista (&#8230;). Assinalamos sempre o nosso programa. Dizemos sempre aos operários: ‘É preciso um programa para esse Labor Party: eis aqui o meu’. E propomos nosso programa de reivindicações e de transição”</i> (11).</p>
<p>Para Trotsky, ser a favor de um Labor Party não é contraditório com o fato de submeter a esse Labor Party, sob uma forma apropriada, as palavras de ordem do “Programa de Transição”.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>4</b><sup><b>a</b></sup><b> Internacional e partido operário independente</b></p>
<p>Quaisquer que sejam as circunstâncias, os militantes da 4<sup>a</sup> Internacional não podem renunciar a expor no partido operário a totalidade de sua política. Não para impô-la, mas para submetê-la à discussão. Não há um domínio reservado da política da 4<sup>a</sup> Internacional que não deveria ser abordado no quadro do partido operário independente.</p>
<p>De fato: por que o Labor Party não seria de uma vez o partido da 4<sup>a</sup> Internacional? A essa objeção, Trotsky respondeu:</p>
<p><i>“O Socialist Workers Party, seção da 4</i><sup><i>a</i></sup><i> Internacional, compreende perfeitamente o fato de que, em virtude de razões históricas desfavoráveis, seu próprio desenvolvimento se dá com muito atraso em relação à radicalização de amplas camadas do proletariado estadunidense, e é precisamente por isso que o problema da criação de um Labor Party está colocado na ordem do dia por todo o curso do desenvolvimento”</i>.</p>
<p>Mas acrescentou:</p>
<p><i>“Ao defender o Labor Party contra os ataques da burguesia, o SWP não toma e não quer tomar para si a responsabilidade por esse partido. Em relação ao Labor Party, a todas as etapas de seu desenvolvimento, o SWP mantém uma posição crítica, apóia as tendências progressistas contra as tendências reacionárias, e, ao mesmo tempo, critica impiedosamente o caráter indeciso dessas tendências progressistas”</i> (12).</p>
<p>Trotsky insistiu:</p>
<p><i>“Somos favoráveis à criação de um Labor Party reformista? Não. Somos favoráveis a uma política que possa dar aos sindicatos a possibilidade de lançar seu peso na balança? Sim. Ele pode tornar-se um partido reformista – isso depende do desenvolvimento. Aqui se coloca a questão do programa (&#8230;). Precisamos de um programa de reivindicações transitórias da qual a mais acabada é a do governo operário e camponês. Somos favoráveis a um partido, favoráveis a um partido independente das massas trabalhadoras que tome o poder no Estado”</i> (13).</p>
<p>&nbsp;</p>
<h1></h1>
<p>Partidário, evidentemente, da 4ª Internacional, Trotsky estava pronto a iniciar a discussão sobre a fundação de um partido de classe a partir da crítica desse programa, até mesmo a partir de um projeto inteiramente diferente proposto por Pivert. Ou seja, o programa da 4ª Internacional é tudo, exceto um ultimato, a pegar ou largar!</p>
<p>Em um prefácio a uma edição francesa do “Programa de Transição”, Pierre Lambert escreveu:</p>
<p><i>“Estimamos, como partidários da 4ª Internacional, que o Programa de Transição aprovado em 1938 foi confirmado pelos acontecimentos até hoje. Mas não apresentamos o programa como um ultimato. Dizemos que é preciso conduzir bem esse trabalho indispensável de construção de partidos operários independentes. Propomos o programa sobre o qual estamos organizados, como seções da 4ª Internacional, como base para a discussão. Porque é somente pela discussão política livre e a confrontação a mais ampla, em uma palavra, pela aplicação das regras da democracia operária e seu respeito, que serão superadas as dificuldades e as armadilhas introduzidas na luta de classes pelos partidos de colaboração de classe”</i> (15).</p>
<p>“Não há nada que desejemos tanto quanto a crítica”</p>
<p>No mesmo momento, Trotsky prosseguia a batalha política para convencer seus camaradas franceses a entrar no PSOP de Marceau Pivert. As razões táticas, particulares e conjunturais que militam a favor de uma entrada no PSOP em 1939 diferem, em muitos aspectos, das razões de princípio mais fundamentais que são colocadas na discussão sobre o Labor Party nos Estados Unidos (a este respeito, leia o artigo de Jean-Jacques Marie). Mas um elemento de método liga as duas iniciativas. Menos de um ano depois da conferência de fundação da 4a Internacional, Trotsky recomendava o engajamento na discussão com Marceau Pivert:</p>
<p>“<em>Em nossa última conferência do outono último, um programa de reivindicações transitórias que responde aos problemas da época atual foi aprovado. Pivert conhece esse programa? Qual é a sua posição em relação a ele? De nossa parte, não há nada que desejemos tanto quanto a crítica. Qualquer que seja o ‘tom’, mas sobre o conteúdo! Eis concretamente a proposta que me permito fazer ‘de fora’: empreender imediatamente o exame e a elaboração de um programa internacional do proletariado e dedicado à discussão dessa questão. Eu proponho que se coloque na base dessa discussão o programa da 4a Internacional: ‘A Agonia do Capitalismo e as Tarefas da 4a Internacional’. Mas é evidente que nossa Internacional está pronta a aceitar como base de discussão mesmo um outro projeto, se for apresentado. Pivert e seus amigos aceitarão, talvez, essa proposta? Ela nos faria, sem nenhuma dúvida, ir adiante!</em>” (14).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b> A economia mundial em 2008: qual é o futuro para o capitalismo?</b></p>
<p>Hoje, como há 70 anos, o programa da 4ª Internacional está submetido à livre crítica e à livre discussão de todas as correntes do movimento operário. Em particular, perguntamos: no que a situação da economia mundial em 2008 confirma a pertinência da seguinte apreciação: “As forças produtivas da humanidade pararam de crescer. Todos os desenvolvimentos técnicos se transformam em seu contrário”? Neste número de “A Verdade”, o artigo de Alan Benjamin e Frank Wainwright mostra as conseqüências trágicas, para os trabalhadores dos Estados Unidos, da crise dos subprimes e da recessão que se seguiu. Por seu lado, o artigo de Pierre Cise estabelece que chegamos a um estágio inédito na crise de decomposição do sistema capitalista, fundado sobre a propriedade privada dos meios de produção.</p>
<p>A recessão atinge, umas após as outras, as economias dos países capitalistas mais desenvolvidos. De junho de 2007 a junho de 2008, as bolsas perderam 25%, 30%, às vezes até mais, do valor de sua capitalização. As reestruturações de empresas multiplicam-se, provocando a extinção de milhares e de dezenas de milhares de empregos em cada uma das empresas mais importantes do mundo. O FMI avalia em 1 trilhão de dólares apenas as perdas financeiras dos bancos e instituições financeiras como produto da crise dos subprimes. As próprias finanças dos Estados são colocadas em má situação. A inflação deliberadamente provocada, sob a égide do G-8, em relação aos produtos alimentícios e aos produtos petrolíferos conduziu a que, em oito anos, o preço do petróleo tenha sido multiplicado por cinco, e o dos produtos leiteiros e os cereais por três. As revoltas da fome atingiram mais de 30 países desde o início de 2008 e o “International Herald Tribune” prevê que se multipliquem nos próximos meses.</p>
<p>Enquanto as cidades de barracas surgem como cogumelos nos Estados Unidos, o número oficial de pobres na França é avaliado em 8 milhões de habitantes, e, na Escócia, o aumento de uma só vez em 35% das tarifas de gás, em julho de 2008, equivale a uma “condenação à morte” para os mais vulneráveis, para retomar os próprios termos da imprensa britânica.</p>
<p>A despeito das contorções dos economistas defensores abertos do sistema capitalista ou fanfarrões daquilo que chamam de neoliberalismo, a economia mundial é hoje devastada por uma crise profunda que toca todos os aspectos do funcionamento do sistema capitalista, que desestabiliza o conjunto das relações políticas e sociais.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b> Arrependimento? Ganância?</b></p>
<p>É certo que, em tal contexto, não faltam boas almas que reclamem medidas contra a especulação. A extremamente reacionária ministra francesa Christine Lagarde denuncia a <i>“</i><i>responsabilidade coletiva dos bancos privados”</i>, que, segundo ela, vêm lhe fazer <i>“ato de arrependimento ao admitir os excessos de ganância que empurraram alguns operadores a assumir riscos excessivos”</i> (16). Na mesma veia hipócrita, o papa Bento 16 pediu aos dirigentes dos governos do G-8 que tomem medidas que permitam responder às <i>“necessidades das populações mais fracas e mais pobres, cuja vulnerabilidade cresceu em virtude de especulações e turbulências financeiras que têm efeitos perversos sobre os preços dos alimentos e da energia”</i> (17). Efeitos perversos, ganância, arrependimento&#8230; O léxico clerical é colocado a serviço de todos aqueles que, à direita e à esquerda (inclusive à extrema esquerda), protestam, com a mão sobre o coração, contra os “excessos” da especulação e argumentam gravemente sobre a urgência de restabelecer regras de “re-regulamentação”. Mas isso basta para esconder a raiz da crise?</p>
<p>Contrariamente ao que gostariam de fazer crer altermundialistas, partidários da humanização do capitalismo, ou pretensos adversários do neoliberalismo, o mal que atinge hoje o capitalismo não procede nem de uma “deriva” nem de uma “desregulamentação” ou de uma “anomalia”: é a própria essência do regime da propriedade privada dos meios de produção que está aqui em jogo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b> De onde vem a especulação?</b></p>
<p>De onde vem a especulação? Não da ganância. Ela vem de uma realidade material: no regime da propriedade privada dos meios de produção, a fonte do lucro reside na extorsão da mais-valia, ou seja, na exploração da força de trabalho do operário. Há no conjunto das bolsas mundiais, em capitais e capitais derivados, um valor que gira em torno de 600 trilhões de dólares. O valor total da produção das mercadorias em escala mundial (o PIB mundial) situa-se entre 40 trilhões e 50 trilhões de dólares. Como fazer frutificar 600 trilhões de dólares em uma produção de 40 trilhões ou 50 trilhões? Equação insolúvel.</p>
<p>E, no entanto, no sistema capitalista, o capital deve frutificar. Em “O Capital”, Marx evoca o capital “sempre borbulhante”. Como mostra Pierre Cise, se o capital não consegue frutificar na produção de mercadorias, procura todos os meios desviados para se valorizar. Esses meios, que são a especulação na Bolsa, a economia de armamentos, a droga, a prostituição etc., não podem resolver nada por si próprios. Em cada etapa, o capital é confrontado à sua própria realidade: há um excesso de forças produtivas. Pelo menos, um excesso de forças produtivas no quadro do regime social fundado sobre a propriedade privada dos meios de produção.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>O papel das forças destrutivas</strong></p>
<p>Em 1845 (era ainda a época do capitalismo ascendente), Marx escreveu:</p>
<p><i>“No desenvolvimento das forças produtivas, chega um estágio em que nascem forças produtivas e meios de circulação que só podem ser nefastos no quadro das relações existentes e não são mais forças produtivas, mas forças destrutivas (o maquinismo e o dinheiro)”</i> (18).</p>
<p>Na época, o capitalismo se desenvolvia e era capaz de superar essa situação de crise por meio da extensão e do crescimento dos mercados. No início do século 20, Lênin, no livro “O Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo”, mostrou que o capitalismo atingira um outro estágio. A fusão entre o capital bancário e o capital industrial sob a égide do capital bancário formou aquilo que se chamou desde então de capital financeiro. Esse capital financeiro espera um retorno sobre o investimento igual ao de todas as componentes do capital, onde quer que tenham sido investidos. É o que Lênin explicou já em 1916. Estamos agora em 2008. Em 1916, Lênin mostrou que essa constituição do imperialismo, com base na dominação do capital financeiro, conduz necessariamente ao desenvolvimento das forças destrutivas do capital. É a época das guerras, das revoluções, da fome e da destruição generalizada. Nessas condições, aquilo que Marx descrevia em 1845 como uma tendência, que Lênin caracterizou a seguir, em 1916, como um elemento constante do imperialismo, atingiu em 2008 um ponto sem precedentes.</p>
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<p><b> A respeito da internet</b></p>
<p>O que destrói as forças produtivas hoje? Retomemos a formulação de Marx: “O maquinismo, o dinheiro”. O número anterior de “A Verdade” (nº 60-61, junho de 2008) publicou trecho da brochura escrita pelo camarada Pierre Lambert sobre a automação, brochura redigida há mais de 40 anos (19). Não há muito a acrescentar hoje. Basta substituir o termo “automação” por “internet”. Internet? É um procedimento tecnológico e científico que poderia ser um fator de desenvolvimento considerável das forças produtivas e da humanidade. Mas em que sentido é usada hoje? Prioritariamente no da destruição das forças produtivas: teletrabalho, atomização, individualização, relocalizações de empresas, externalização, terceirização e outros procedimentos de desregulamentação destinados a atomizar a classe trabalhadora e a reduzir a migalhas o “custo do trabalho” são colocados em um nível inédito pelo recurso à internet, abundantemente usada também para extrair fontes de lucros parasitários e especulativos (em primeiro lugar dos quais os “comércios” de pedofilia na rede, ou de vendas de órgãos etc.). Não está aqui, em 2008, o rosto do “maquinismo-força destrutiva” do qual falava Marx?</p>
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<p><b> Economia de armamentos: a fogueira</b></p>
<p>A tudo isso é necessário acrescentar a parte representada pela economia de armamentos. Lênin disse: “<i>O imperialismo é a época das guerras e das revoluções</i>”. A economia de armamentos assume hoje proporções consideráveis.</p>
<p>Lênin disse: “<i>O imperialismo é a época das guerras e das revoluções</i>”. É a era na qual a economia de armamentos assume cada vez mais o lugar de força de impulsão da economia mundial. Qual a situação hoje? Repetiu-se muito que o fim da “guerra fria” provocaria um recuo nos orçamentos de armamentos. Ora, hoje, a economia de armamentos está em pleno progresso.</p>
<p>De acordo com um relatório do Instituto Internacional de Pesquisas da Paz de Estocolmo (Sipri), as despesas militares mundiais cresceram 45% entre 1998 e 2007, atingindo nesse último ano a cifra de 1,339 trilhão de dólares. O relatório do Sipri explica:</p>
<p><i>“Os fatores que explicam o crescimento das despesas militares mundiais são, entre outros, os objetivos de política externa dos países, as ameaças reais ou supostas, os conflitos armados e as políticas destinadas a contribuir com as operações multilaterais de manutenção da paz, combinadas com a disponibilidade de recursos econômicos. Mas se as despesas de conjunto cresceram 45%, é preciso notar que especificamente as da América do Norte cresceram 65%”</i>.</p>
<p>O instituto salienta que o aumento das despesas militares dos Estados Unidos atingiu em 2007 um nível superior ao registrado durante a Segunda Guerra Mundial. <i>“As despesas militares cresceram 59%, principalmente em razão das despesas militares no Afeganistão e no Iraque, mas também em razão do aumento do orçamento de defesa básica”</i>.</p>
<p>Evidentemente, com base nisso, não será surpresa saber que as vendas de armas dos cem principais fabricantes mundiais, salvo a China, aumentaram cerca de 9% em 2006, comparadas a 2005. À tendência geral de diminuição regular das despesas militares registradas nos anos 1990 seguiu-se, a partir de 1998, de novo uma curva ascendente. Somente o custo da guerra no Iraque é avaliado pelo prêmio Nobel de economia estadunidense Joseph Stiglitz em mais de 3 trilhões de dólares. A indústria mundial entrou em recessão, mas o tempo está bom para as indústrias de armamentos!</p>
<p>Todos compreendem, entretanto, que há um preço a pagar por isso. O aumento das despesas de armamentos se faz necessariamente com base na redução dos outros setores do orçamento dos Estados. No caso, particularmente emblemático, dos Estados Unidos, essa expansão das despesas militares se faz com base na destruição de programas sociais, ou seja, de serviços públicos, do auxílio aos desempregados, aos aposentados, aos doentes. No fim das contas, é a classe operária que paga, com sua carne e seu sangue, as conseqüências dessa economia cativa que é a economia de armamentos – que se liga, portanto, ao “maquinismo” como elemento decisivo das forças destrutivas.</p>
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<p><strong> “O dinheiro sempre borbulhante”</strong></p>
<p>E o “dinheiro sempre borbulhante” que Marx designa como essa outra força destrutiva decisiva? É um fato que, nas últimas décadas, as bolhas especulativas se sucederam umas às outras. Como lembra Pierre Cise, 2001 viu o estouro da bolha internet, antes que 2007-2008 visse o estouro da bolha especulativa imobiliária; e, de novo hoje, por meio da especulação sobre o petróleo, constitui-se outra bolha especulativa. Simbolicamente, essa massa de 600 trilhões de capitais que procura a todo custo se investir tende a se transformar inteiramente em uma força destrutiva das forças de produção. Sob a sua forma mais visível, é a força destrutiva do próprio capital excedente: as destruições de valor nas bolsas, as reduções brutais de investimento, a desindustrialização, o fechamento de fábricas em todos os setores chave da economia mundial.</p>
<p>Mas a destruição em massa das forças produtivas leva sempre à destruição em massa da principal força produtiva, a força de trabalho do operário. O que dá o caráter ultra-reacionário de nossa época é que, por uma necessidade quase mecânica, o capital só pode sobreviver destruindo ramos inteiros da classe operária, que no entanto é a única fonte de mais-valia. Destruição física por meio de guerras, da fome etc. Mas também&#8230; pela destruição do valor da força de trabalho, o que exige a dissolução dos regimes de aposentadoria, da Previdência Social, dos serviços públicos, das convenções coletivas, e também pela política de integração corporativista das organizações operárias que visa a fazer com que as organizações responsabilizem-se pelo desmantelamento da própria classe.</p>
<p>Essa política que visa à destruição da classe operária provoca contra si, em escala mundial, as maiores lutas de classes, os maiores processos de resistência. Mas as reivindicações vitais de milhões de proletários que se recusam a ser destruídos não poderiam encontrar satisfação em políticas que pretendem, de maneira ilusória, “limitar” a desregulamentação ou proceder, como reclama Olivier Besancenot (20), a uma “outra repartição das riquezas”. É preciso ir à raiz: o regime da propriedade privada dos meios de produção.</p>
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<p><b> Mais do que nunca: socialismo ou barbárie</b></p>
<p>Setenta anos após a fundação da 4<sup>a</sup> Internacional, temos ou não razão em afirmar que os desenvolvimentos da situação mundial confirmam, em todos os pontos, sua análise sobre a barbárie rumo à qual conduz a sobrevivência do regime da propriedade privada dos meios de produção? O que se pode opor a essa barbárie, senão o socialismo, fundado sobre a apropriação coletiva dos meios de produção?</p>
<p>Isso reconduz à questão central: a crise da humanidade se reduz à crise de direção. O traço dominante da situação mundial se concentra na atualidade do combate pela revolução proletária. Situação mundial marcada pela atualidade da revolução, na medida em que as classes operárias, por mais que sofram terríveis ataques, não foram derrotadas. As leis da luta de classes continuam na ordem do dia, e se confrontam à política dos aparelhos. Esses últimos continuam a constituir o principal obstáculo à via da revolução proletária e o principal apoio de uma classe capitalista cuja crise de dominação não pára de se aprofundar.</p>
<p>Em seguida aos atentados de 11 de setembro de 2001 contra o World Trade Center, escrevemos:</p>
<p><i>“Antes do 11 de setembro, estávamos em uma situação na qual se pode dizer que, sobre todos os terrenos, o imperialismo mostrava-se incapaz de extrair meios à altura de sua política e da preservação de seu sistema social. Era preciso portanto passar a uma outra etapa. O 11 de setembro de 2001, para além das circunstâncias propriamente ditas do 11 de setembro, forneceu ou foi agarrado como sendo essa possibilidade de reordenar toda a política do imperialismo sobre esta fórmula de Bush: ‘</i>Uma guerra total, social, política, militar’<i>. ‘Uma guerra’, disse o vice-presidente estadunidense, Dick Cheney, ‘</i>que prosseguirá além da expectativa de vida daqueles que dirigem o mundo hoje<i>’”</i>.</p>
<p>Às vésperas do desencadeamento da guerra contra o Iraque (março de 2003), definimos a situação como <i>“uma virada na situação mundial que ameaça as bases da civilização (&#8230;). O começo de uma fase da história da humanidade na qual as próprias bases da civilização humana estão diretamente ameaçadas, na qual o que está na ordem do dia é o desmantelamento das nações e dos Estados. Essa guerra global se concentra hoje na preparação do aniquilamento do povo iraquiano, do desencadeamento de uma operação militar que se fixa como objetivo explícito riscar o Iraque do mapa das nações. Essa empresa bárbara e desumana vê dirigir-se contra si os povos e as massas trabalhadoras do mundo</i>.”</p>
<p>Os quatro anos decorridos desde então viram se desdobrar, em todos os continentes, sobre todos os terrenos e por todos os meios, “<i>essa empresa desumana e bárbara</i>”, ao mesmo tempo em que se afirmava, inclusive nas piores condições de desagregação, a resistência dos trabalhadores e dos povos.</p>
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<p><strong> O imperialismo estadunidense desestabiliza o mundo</strong></p>
<p>Em uma nota redigida para preparar uma reunião de maio de 2008, um membro do Secretariado Internacional da 4<sup>a</sup> Internacional escreveu:</p>
<p><i>“As condições de sobrevivência do imperialismo – ou seja, do sistema de exploração capitalista fundado sobre a propriedade privada dos meios de produção – se concentram na sobrevivência do imperialismo estadunidense, e portanto na manutenção de sua proeminência. Nenhuma potência capitalista pode vislumbrar sua salvação fora da do imperialismo estadunidense (&#8230;). Os meios que o imperialismo estadunidense foi levado a utilizar para a sua defesa desestabilizaram o conjunto de seus parceiros: os Estados Unidos, pelo próprio desencadeamento da invasão do Iraque, precisaram recorrer, como explicou na época o jornal “Les Echos”, a ‘</i>uma espécie de caos institucional no qual, ao se agitar o espantalho de Saddam, a América empreendeu a mais importante redistribuição de cartas desde a queda do Muro de Berlim, conduzindo, em nome da defesa, ao abalo dos pilares da ordem institucional da qual eles (os Estados Unidos) era os próprios fundadores, os promotores e os que asseguravam a garantia<i>’. Essa ‘redistribuição de cartas’ é um dos elementos da crise internacional e da crise em todos os países (que) questiona as relações entre Estados (e) todas as instituições edificadas pelo imperialismo (por exemplo, a União Européia) (&#8230;).</i></p>
<p><i> Eis aqui um resultado da luta de classes: sem a resistência da classe operária em cada país e em escala internacional, sem a resistência dos povos, as conseqüências teriam sido outras. Mas as circunstâncias nas quais se desenvolveu a luta de classes em escala internacional e em cada país são aquelas nascidas do que nós havíamos qualificado de ‘</i>uma empresa bárbara e desumana’<i>”</i>.</p>
<p>Em dezembro de 2007, o Conselho Geral da 4<sup>a</sup> Internacional aprovou uma resolução sobre a crise dos subprimes e o momento presente da putrefação do capitalismo (ver “A Verdade” nº 58-59) na qual se poder ler o seguinte:</p>
<p><i>“A crise dos subprimes constitui um novo episódio maior do processo de decomposição do regime capitalista fundamentado na propriedade privada dos meios de produção. Esta etapa eleva a um nível nunca alcançado o conjunto das contradições do sistema capitalista. Mais do que nunca, a alternativa ‘socialismo ou barbárie’ toma a forma de um choque entre a marcha para a barbárie já iniciada pelo apodrecimento do regime capitalista e a busca das massas oprimidas e exploradas, através de sua luta de classes, das vias e meios de resistência, não só para salvar-se como classe, mas, através deste processo, salvar a humanidade inteira”</i>.</p>
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<p><strong>Uma crise “mais inquietante e mais perigosa”</strong></p>
<p>Voltando a essa crise dos subprimes, a nota já citada, preparatória ao Secretariado Internacional de maio de 2008, explica:</p>
<p><i>“É uma crise cujo ponto de partida é uma pauperização de toda uma parte da população estadunidense nas condições da especulação generalizada (que não pode mais pagar seus débitos) e que a crise vai expulsar de sua moradia. Em seu desenvolvimento, é uma crise que questiona todos os equilíbrios internos e externos sobre os quais repousa o próprio funcionamento do capitalismo estadunidense, portanto a marcha da economia capitalista mundial”</i>.</p>
<p>O significado disso foi delineado com grande lucidez por Félix Rohatyn, ex-embaixador dos Estados Unidos na França e grande banqueiro (vice-presidente do Lehman Brothers), que deu, em 11 de fevereiro de 2008, no dia seguinte à reunião do G-8, uma declaração ao jornal francês “Les Echos”. À questão: “A crise financeira que atravessamos não é uma crise a mais?”, ele respondeu:</p>
<p>“<i>Essa crise é diferente. Ela é mais inquietante e mais perigosa. Mais inquietante, porque não podemos hoje identificar claramente o problema nem mensurar sua duração e sua amplitude. Mais perigosa, porque é difícil imaginar soluções ou paradas para o futuro (&#8230;). A crise não é unicamente financeira, mas também imobiliária, o que terá pesadas conseqüências sociais&#8230; (&#8230;). Se evitarmos que a primeira economia do mundo caia numa fase de recessão severa, evitaremos sem dúvida o pior. Mas se a recessão nos Estados Unidos for profunda, a crise o será também. Estamos colocados em uma posição de vulnerabilidade. Pode-se admirar os Estados Unidos por sua flexibilidade e seu dinamismo, mas devemos constatar que ramos inteiros de nossa economia estão em crise. Nossa indústria tradicional, como a automobilística, está mal. O ramo imobiliário e o de construção vão mal. E, agora, o setor financeiro foi afetado: três dos setores-chave de nosso país sofrem de modo simultâneo”</i>.</p>
<p>Como se vê, Rohatyn não procura esconder a profundidade da crise mundial – mundial e profunda porque atinge antes de tudo os Estados Unidos, ou seja, o centro do funcionamento da economia capitalista mundial.</p>
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<h1><span style="font-size: 13px;">“Sem Roosevelt, a América poderia ter oscilado para o socialismo” </span></h1>
<p>Ao responder se o plano de recuperação sobre o qual o presidente Bush e o Congresso se puseram de acordo é suficiente, ele respondeu:</p>
<p>“<i>Esse plano de recuperação é enérgico, mas é preciso fazer mais, a longo prazo (&#8230;). Devemos também vislumbrar um programa muito mais vasto de investimentos nas infra-estruturas, definir grandes projetos com duração de uma dezena de anos. Devemos reinvestir em nosso país (&#8230;). Sem deixar de ser um fervoroso capitalista, eu nunca escondi que sou keynesiano (&#8230;). Às vezes temos a tendência de esquecer, mas, com o New Deal, Roosevelt sem dúvida salvou o capitalismo. Sem a sua intervenção, durante a grande crise dos anos 1930, a América poderia ter oscilado para o socialismo”</i>.</p>
<p>As palavras de Rohatyn são de grande valor indicativo, não porque essas sugestões sejam realistas (de fato, os únicos “grandes trabalhos” vislumbrados são o aumento da produção de armamentos e, em definitivo, a economia de guerra), mas pelo diagnóstico que é formulado.</p>
<p>Rohatyn assinala a importância da crise em termos sociais. Em outras palavras, ele aborda a situação em termos de luta de classes.</p>
<p>Se “Roosevelt salvou o capitalismo” nos Estados Unidos, como afirma Rohatyn, não foi no terreno das medidas técnicas, mas politicamente: o levantamento em massa da classe operária estadunidense e a constituição da central sindical CIO colocavam de forma prática a questão do partido operário, abrindo com efeito a via à derrubada do sistema capitalista.</p>
<p>Para ser exato, seria necessário acrescentar que Roosevelt só pôde ter sucesso com a colaboração do stalinismo. A questão da direção revolucionária estava no centro, ali, bem como em outros países, tanto naquela época quanto hoje.</p>
<p>O essencial é que Rohatyn sustenta essas palavras hoje. Não é revelador da profundidade da crise política e social nos próprios Estados Unidos?</p>
<p>É nesse contexto que é preciso analisar as eleições estadunidenses e a posição de toda uma fração do grande capital, que Rohatyn exprime assim:</p>
<p>“<i>A eleição presidencial é a ocasião de escolher um líder suscetível de reconhecer a amplitude de nossos problemas e de tentar superá-los. E minha preferência, naturalmente, é que o candidato democrata seja o vencedor”</i>.</p>
<p>Mas a “escolha” de um candidato democrata só é possível com a condição da subordinação do movimento operário dos Estados Unidos ao Partido Democrata.</p>
<p>Isso coloca, portanto, todo o problema da independência do movimento operário, do combate pelo Labor Party (ver o artigo de Alan Benjamin e Frank Wainwright).</p>
<p>O que nos reconduz ao programa de fundação da 4ª Internacional sobre a responsabilidade dos aparelhos nos obstáculos dirigidos contra a revolução proletária, e portanto sobre a necessidade de abrir uma solução a essa crise de direção.</p>
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<p><b>Na França, a fundação do POI</b></p>
<p>Coincidindo no tempo com o 70º aniversário da 4ª Internacional (e sem que isso tenha sido premeditado), constituiu-se em 14 e 15 de junho, em Paris, um Partido Operário Independente que reúne 10.072 membros fundadores, no interior do qual se insere, como uma componente, a seção francesa da 4ª Internacional. Esse partido foi fundado com base em um manifesto e estatutos que, sem ser contraditórios com o programa da 4ª Internacional, estão bem longe de retomar a totalidade desse programa. Esse partido dotou-se de quatro secretários nacionais, dos quais apenas um é membro da 4ª Internacional, os três outros tendo vindo de outras correntes históricas do movimento operário francês, medida de organização que procede da realidade desse partido. O que está em jogo com essa proclamação? Polemizando com o militante holandês Sneevliet (21), que assumiu a defesa do POUM da Espanha, argumentando que se tratava de um partido composto de 40 mil membros, Trotsky objetou-lhe o seguinte:</p>
<p>“<i>40 mil membros, isso não é nada. Com 10 mil apenas – mas ligados às massas em revolta – pode-se vencer em uma revolução. Mas 40 mil membros afastados das massas, isso não é nada”</i> (22).</p>
<p>Temos aqui de certa maneira tudo o que está em jogo para os militantes da 4ª Internacional com a proclamação do POI. Esse POI não foi improvisado do dia para a noite. Ele procede de uma iniciativa lançada mais um ano atrás, em 10 de abril de 2007, em comum por Gérard Schivardi, prefeito de Mailhac e conselheiro-geral na Aude, que pertenceu durante 25 anos ao Partido Socialista, e Daniel Gluckstein, secretário nacional do Partido dos Trabalhadores e membro de sua corrente trotsquista.</p>
<p>Essa iniciativa comum com base na campanha desenvolvida para a eleição presidencial convidava os trabalhadores e militantes de todas as tendências a explorar juntos a possibilidade de construir um autêntico partido operário independente fundamentado na luta de classes, na defesa da República, da democracia, pronunciando-se portanto pela independência do movimento operário e a ruptura com a União Européia. A preparação desse congresso de fundação seguiu inúmeras etapas. Houve uma convenção no mês de novembro de 2007, depois a instalação de um Comitê Permanente por um Partido Operário Independente (POI), ao qual gradualmente se agregaram trabalhadores e militantes de todas as tendências. Essa atividade comum permitiu a elaboração de projetos de manifesto e de estatutos, a constituição de comitês em todo o país, o recolhimento de 10.072 filiações. Foi sobre essa base que se constituíram gradualmente as condições para o congresso com os 10.072 membros que pagaram, em média, oito euros cada um por uma ficha de membro fundador do Partido Operário Independente.</p>
<p>Houve amplas discussões nas fileiras dos comitês com camaradas e militantes vindos do Partido Socialista e do Partido Comunista (às vezes ainda membros desses partidos), prefeitos, eleitos, sindicalistas de todas as tendências sobre a questão de saber se era o momento de constituir tal partido, sobre a maneira de constituí-lo, segundo quais princípios.</p>
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<p><b>O 46º Congresso da seção francesa</b></p>
<p>No interior mesmo da seção francesa da 4<sup>a</sup> Internacional (23), previamente a esse congresso de fundação, houve uma ampla discussão, que se desenvolveu em particular por ocasião do 46<sup>o</sup> Congresso da seção francesa da 4<sup>a</sup> Internacional (22 a 24 de março de 2008). Esse congresso tinha um duplo significado particular: era o primeiro desde a desaparição do camarada Pierre Lambert; era também aquele que iria coletivamente avaliar não apenas a possibilidade de lançar as bases de um partido operário independente, mas também fazer um balanço do que havia sido feito no período precedente. Porque é certo que o lançamento do Partido dos Trabalhadores (PT) em 1991 por militantes de todas as tendências (incluindo os militantes da 4<sup>a</sup> Internacional) situava-se potencialmente sobre a mesma orientação que nos levaria, 17 anos mais tarde, a lançar as bases de um partido operário independente. O congresso da seção francesa foi levado a tirar elementos de balanço da construção do PT. Balanço positivo, indiscutivelmente, porque, por intermédio do Partido dos Trabalhadores, os militantes trotsquistas aprenderam a construir em comum com outros um quadro político comum. Eles aprenderam a se ligar a uma camada ampla de militantes sindicalistas, de prefeitos, de eleitos, do que a campanha de Schivardi foi um dos resultados, que ele próprio determina a possibilidade de constituir o Partido Operário Independente em 2008.</p>
<p>Ao mesmo tempo, e com lucidez, os militantes da Corrente Comunista Internacionalista (CCI) fizeram o balanço de quais foram as fraquezas e as insuficiências da CCI na construção do PT (principalmente a tendência recorrente àquilo que chamamos de hegemonismo, não reconhecer suficientemente o lugar em pé de igualdade de todas as correntes no PT). Esse balanço fez aparecer igualmente que os fatores subjetivos não eram os únicos em questão. Havia também uma situação política que, em 1991, quando se constituiu o PT, em seguida à queda do Muro de Berlim, não viu, de início, amplos descolamentos de correntes no movimento operário colocando a questão de independência de classe em escala na qual se poderia esperar.</p>
<p>A discussão foi desenvolvida lucidamente no interior da seção francesa da 4<sup>a</sup> Internacional, desembocando em uma reflexão sobre o que foi chamado de a necessária recentralização política da CCI, a qual, do ponto de vista dos militantes trotsquistas, é o corolário do respeito absoluto ao quadro fixado pelo Partido Operário Independente, partido fundado com base no federalismo. Essa discussão no interior da CCI permitiu que os militantes da 4<sup>a</sup> Internacional na França estivessem mais bem preparados para assumir o lugar que lhes cabe na fundação e na construção do Partido Operário Independente, e nesse lugar compreender a relação que pode existir entre seu pertencimento específico à corrente 4<sup>a</sup> Internacional e a construção do Partido Operário Independente.</p>
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<p>“<b>10 mil ligados às massas em revolta”</b></p>
<p>A fórmula de Trotsky, “10 mil ligados às massas em revolta”, é particularmente adequada ao momento atual da situação na França. É uma característica da situação francesa que, desde a vitória do voto Não no referendo de 2005, a crise política na França se insere completamente e se liga à crise da União Européia (24). Mas essa crise política atinge tal grau que obriga o governo a procurar se apoiar completamente, e a cada dia mais, na cúpula dos aparelhos das organizações que dirigem o movimento operário para fazer passar sua política. A marca constante da situação dos 12 últimos meses na França é, de um lado, uma ascensão de potência considerável do movimento operário, e, de outro, uma ascensão potente, em primeira fileira, do setor saído do aparelho stalinista e que dirige a principal central sindical (a CGT) em torno de Bernard Thibault indo cada vez mais longe no apoio ostensivo ao governo e ao patronato, mas provocando em troca – inclusive no interior mesmo da CGT – uma considerável revolta contra essa política.</p>
<p>É uma situação inédita. No outono, havia já esse precedente quando os ferroviários, engajando-se na greve em defesa de seu regime de aposentadorias, em uma corporação majoritariamente dirigida pela CGT, haviam ouvido com estupefação, à véspera da greve – ainda que se tratasse de defender o regime especial de aposentadorias em comum com todos os trabalhadores concernidos, os da EDF-GDF (eletricidade e gás), dos Correios etc. – Bernard Thibault tomar a palavra em favor das negociações por empresa, tendendo a desmembrar o movimento da classe e se opondo ao apelo à greve.</p>
<p>Apesar disso, durante várias semanas, os ferroviários, e principalmente os ferroviários da CGT, dirigiram-se pela greve contra a política de Thibault. Houve, durante todos os meses do início de 2008, greves e manifestações em grande número de setores do serviço público, e também na iniciativa privada, contra o questionamento aos estatutos e às garantias coletivas. Foi nesse processo que Bernard Thibault, em nome da CGT, assinou com o patronato, em comum com a central de origem clerical CFDT, e com o apoio público de Sarkozy, o que se chama de a “posição comum” sobre o diálogo social e a representatividade. Em seu artigo, Christel Keiser mostra como essa “posição comum”, que vai ao encontro das exigências da União Européia, provocou no interior mesmo da CGT uma revolta considerável. Revolta que se exprime e reflete de uma certa maneira a revolta em toda a classe operária, que não aceita a política desenvolvida pelo governo Sarkozy – política que, sem dúvida, sem o apoio dos aparelhos, já teria sido varrida.</p>
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<p><b>Um movimento contraditório</b></p>
<p>Toda a situação francesa está marcada por esse movimento contraditório de uma classe que procura reunir suas forças para combater e de dirigentes que se engajam cada dia mais no apoio à política do governo e da Europa. É aqui que a construção de um partido operário independente, capaz de “se ligar às massas em revolta”, pode tornar-se um elemento determinante de toda a situação, constituindo um sólido ponto de apoio ao qual podem se juntar todos os militantes, grupos, setores de organização que procuram resistir sobre um terreno de classe.</p>
<p>Para poder responder a essa situação, é preciso estabelecer corretamente a relação que existe entre o Partido Operário Independente e a seção francesa da 4<sup>a</sup> Internacional. De maneira alguma a seção francesa da 4<sup>a</sup> Internacional pode impor, ou mesmo procurar impor, sua orientação ao Partido Operário Independente. Mas de maneira alguma, igualmente, ela pode desenvolver sua intervenção e sua orientação “ao lado” do Partido Operário Independente. É preciso aprender a, ao mesmo tempo, elaborar a política do Partido Operário Independente, no quadro do Partido Operário Independente, em comum com o conjunto das componentes que estão presentes, e não hesitar em fazer conhecer e a submeter à discussão as iniciativas específicas que os militantes da 4<sup>a</sup> Internacional são levados a tomar, em particular no terreno da luta de classes, no terreno de ajuda à frente única pela realização das reivindicações, como única via pela qual a classe operária poderá abrir para si uma saída nessa situação. É a aplicação, à situação concreta de 2008, daquilo que Trotsky – ao organizar a 4<sup>a</sup> Internacional sobre o programa que é o seu – propunha como formulações políticas do combate por um Labor Party e no interior de um Labor Party.</p>
<p>Se prosseguirmos com o paralelo entre 1938 e 2008, diremos que o elemento que se modificou consideravelmente é a relação entre os trotsquistas e a sua classe. Digamos: Trotsky teria sonhado com uma situação como a que vivem hoje as seções da 4<sup>a</sup> Internacional. Em 1938, quando o stalinismo e o nazismo conjugavam seus esforços para perseguir os trotsquistas, a situação era difícil do ponto de vista das relações entre a 4<sup>a</sup> Internacional e as mais amplas massas. Hoje, é indiscutível que os militantes trotsquistas – dos quais o camarada Lambert dizia freqüentemente que em uma determinada época eram exilados em sua própria classe – ocupam seu lugar no interior da classe operária e do movimento operário (é, aliás, uma das contribuições mais importantes do camarada Lambert o cuidado com o qual batalhou para que os trotsquistas se implantassem na classe, no próprio movimento por meio do qual ele prolongava a elaboração de Trotsky sobre o que nós chamamos de “transição na construção do partido” [25]). Mas esse enraizamento na classe não poderia dispensar os militantes da 4<sup>a</sup> Internacional de contribuir com uma resposta política para a situação.</p>
<p>Discutindo a perspectiva do Labor Party nos Estados Unidos, Trotsky explicava em 1938:</p>
<p>“<i>Se a luta de classes não for esmagada, se ela não der lugar à desmoralização, então o movimento encontrará um canal novo, e esse canal será político”</i> (26).</p>
<p>É essa precisamente a questão colocada hoje na França. A crise política e institucional se aprofunda cada dia mais. As condições para uma crise revolucionária tais como as descritas por Lênin – “no alto, não se pode mais governar como antes e embaixo não se quer mais ser governado como antes” – procuram se reunir.</p>
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<p>“<b>O movimento mesmo cuja forma não passa da configuração transitória do movimento”</b></p>
<p>O que quer dizer a transição na construção do partido?</p>
<p>Em seu posfácio à segunda edição alemã de “O Capital”, Marx, polemizando sobre a questão da dialética, escreveu:</p>
<p>“<i>A dialética apreende o movimento mesmo, cuja forma não passa da configuração transitória”</i>.</p>
<p>Portanto, a forma mesma do partido não passa de uma configuração transitória do movimento, ou seja, das formas concretas, em circunstâncias determinadas, do movimento da luta de classe. O que Trotsky traduziu à sua maneira quando disse que <i>“40 mil cortados das massas não são nada, mas 10 mil ligados às massas em revolta são tudo”</i>.</p>
<p>A forma dos 10 mil é dada pela ligação com as massas em revolta. A forma e a viabilidade do Partido Operário Independente (POI) é dada por seu conteúdo, ou seja, por sua capacidade de exprimir o próprio movimento do qual ele não passa de uma configuração transitória. Esse movimento, hoje, é o movimento pelo qual a classe procura surgir para terminar com a “ditadura européia”, como proclamaram os pescadores marinhos em revolta, e, para fazer isso, superar os obstáculos dirigidos a ela pelos aparelhos submetidos às instituições de Bruxelas e de Frankfurt (27).</p>
<p>Não se pode cortar a forma organizada do partido operário do movimento da classe que procura se emancipar. Do ponto de vista de seus partidários, o programa da 4<sup>a</sup> Internacional, na medida que concentra toda a experiência do movimento operário, é o único capaz de ajudar a classe operária a se emancipar. Mas a forma organizada do partido é inseparável do movimento concreto pelo qual as massas procuram se libertar sobre uma linha de independência de classe e de suas organizações.</p>
<p>A forma organizada do Partido Operário Independente (POI) na França em 2008 é inseparável de sua capacidade de apreender todos os elementos da indignação da classe operária e das camadas oprimidas, e dos eleitos, e da juventude, para dispô-los num plano de campanha política que coloca o problema da unidade, da independência e da ruptura: unidade das fileiras operárias pela satisfação das reivindicações mais vitais, independência das organizações, desviando-se da armadilha do corporativismo, ruptura com a União Européia e o regime da propriedade privada dos meios de produção, da qual ela é a instituição-chave em todo o continente europeu.</p>
<p>Nesse quadro, os militantes da 4<sup>a</sup> Internacional são levados a ocupar todo o seu lugar. Organizados para <i>“a ajuda à mobilização das massas por meio de um sistema de reivindicações transitórias como preparação à tomada do poder”</i>, eles consideram a luta de classes o instrumento-chave para desatar a situação, como o elemento que concentra todos os outros. O Partido Operário Independente pode se organizar nos próximos meses como um partido de 15 mil ou mais, aos quais não será pedido que estejam de acordo com o programa da 4<sup>a</sup> Internacional. Eles se organizarão no POI sem pré-requisitos, a partir de sua vontade de combater, com a única condição que o POI se dê os meios políticos e de organização para ser a expressão dessa vontade de combate e de revolta, a “forma” – portanto, politicamente organizada – do “próprio movimento” da luta de classes, que contém seu objetivo histórico: a revolução proletária triunfante.</p>
<p><b>Notas</b></p>
<p>1 – Rudolf Klement (1908-1938): membro da Oposição de Esquerda na Alemanha, era desde 1934 o secretário administrativo do Secretariado Internacional do Movimento pela 4ª Internacional. Foi secretário de Trotsky durante seu exílio em Prinkipo (Turquia), depois na França. Foi raptado e assassinado pela GPU stalinista (polícia política – NDT).</p>
<p>2 – Leon Trotsky, “Carta a Rudolf Klement”, 12 de abril de 1938 (“Oeuvres” [“Obras”], tomo 17, página 134) (edição francesa).</p>
<p>3 – Leon Trotsky, “A Agonia do Capitalismo e as Tarefas da 4ª Internacional, Programa de Transição”.</p>
<p>4 – Ibidem.</p>
<p>5 – SAP: Sozialistiche Arbeiterpartei Deutschlands (Partido Operário Socialista Alemão), partido constituído por militantes saídos da esquerda do Partido Social-Democrata (SPD).</p>
<p>6 – OSP: Onafhankelijke Socialistische Partij (Partido Socialista Independente), saído da esquerda do Partido Social-Democrata Holandês. RSP: Revolutionair-Socialistische Partij (Partido Socialista-Revolucionário), constituído em 1929 por um grupo excluído do Partido Comunista Holandês, em torno de Henk Sneevliet, e por um grupo de origem anarco-sindicalista.</p>
<p>7 – Os trotsquistas franceses, por exemplo, entraram no Partido Socialista (chamado na época de SFIO), sob o nome oficial de “Grupo Bolchevique-Leninista da SFIO”.</p>
<p>8 – “Programa de Transição”.</p>
<p>9 – SWP: Socialist Workers Party (Partido Socialista dos Trabalhadores), seção estadunidense da 4<sup>a</sup> Internacional naquela época (nota da tradução).</p>
<p>10 – Leon Trotsky, “Discussão sobre o Labor Party”, 21 de março de 1938 (“Oeuvres”, tomo 17).</p>
<p>11 – Ibidem.</p>
<p>12 – Ibidem.</p>
<p>13 – Ibidem.</p>
<p>14 – Leon Trotsky, “O ‘trotsquismo’ e o Partido Socialista Operário e Camponês”, 25 de julho de 1939, “Oeuvres”, tomo 21.</p>
<p>15 – Leon Trotsky, “A Agonia do Capitalismo e as Tarefas da 4ª Internacional, Programa de Transição” (edição especial, nº 604, “La Vérité”, junho de 1989, em francês).</p>
<p>16 – “Le Figaro”, 14 de abril de 2008.</p>
<p>17 – Declaração de Bento 16, 6 de julho de 2008.</p>
<p>18 – Karl Marx, “A Ideologia Alemã”.</p>
<p>19 – “A Verdade” nº 60-61, trechos de “Automação e Revolução”, no capítulo “Defesa do Marxismo: a Questão das Forças Produtivas e do Imperialismo”.</p>
<p>20 – Olivier Besancenot, dirigente do grupo LCR, seção francesa do Secretariado Unificado (SU), que se reivindica fraudulentamente do trotsquismo (nota da tradução).</p>
<p>21 – Henk Sneevliet (1883-1942): militante operário revolucionário na Holanda e na Indonésia (então colônia holandesa), membro do Partido Comunista dos Países Baixos desde sua fundação, enviado da Internacional Comunista à China, onde participou do congresso de fundação do Partido Comunista. Em 1927, rompeu com o Partido Comunista dos Países Baixos e fundou o RSP, que assinou a “Declaração dos Quatro” (ver a nota 6), mas rompeu com Trotsky alguns anos mais tarde.</p>
<p>22 – Leon Trotsky, “Discussão sobre a Conferência Internacional”, 20 de março de 1938, “Oeuvres”, tomo 17.</p>
<p>23 – A seção francesa da 4<sup>a</sup> Internacional é denominada Corrente Comunista Internacionalista (CCI) (Nota da tradução).</p>
<p>24 – Ver a esse respeito o artigo de Christel Keiser.</p>
<p>25 – Ver “A Verdade” nº 60-61, capítulo “O combate pela construção do partido (e a estratégia da transição)”.</p>
<p>26 – Leon Trotsky, “Discussões sobre o Labor Party”, 31 de maio de 1938, “Oeuvres”, tomo 17, 1938.</p>
<p>27 – Bruxelas, na Bélgica, é a cidade na qual fica a sede da União Européia. Frankfurt, na Alemanha, sedia o Banco Central Europeu (Nota da tradução).</p>
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		<title>O que é afinal o marxismo? O marxismo e seu método.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 Apr 2013 16:19:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Formação]]></category>
		<category><![CDATA[Marxismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>INTRODUÇÃO A força do marxismo e a sua atualidade são comprovadas pelos fatos. Estes mostram a que ponto chegou a crise do capitalismo em nossos dias, trazendo novos e crescentes sofrimentos aos povos. Revelam também como os trabalhadores, apesar de tudo, continuam o combate por sua emancipação. Isso explica por que o marxismo provoca tanto [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><span><span style="font-size: large;"><b>INTRODUÇÃO</b></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">A força do marxismo e a sua atualidade são comprovadas pelos fatos. Estes mostram a que ponto chegou a crise do capitalismo em nossos dias, trazendo novos e crescentes sofrimentos aos povos. Revelam também como os trabalhadores, apesar de tudo, continuam o combate por sua emancipação.</span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">Isso explica por que o marxismo provoca tanto ódio por parte dos representantes da burguesia. A classe dominante precisa caluniá-lo para tentar confundir os trabalhadores.</span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">A partir de 1989, ano que marca o fim da divisão da Alemanha com a queda do muro de Berlim, mais uma vez tais pessoas anunciaram a “</span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">morte do marxismo</span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">” e o “</span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">fim do comunismo</span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">”. O pretexto para isso foram os grandes acontecimentos desencadeados pela queda do Muro de Berlim (novembro de 1989), quando as ditaduras burocráticas stalinistas do Leste Europeu foram derrubadas pela ação dos trabalhadores. Em particular, o desabamento da burocracia da ex-União Soviética, em 1991, é apresentado como uma prova da “força” do capitalismo, da economia de mercado.</span></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">Outro aspecto desta identificação da crise do stalinismo com a falência do marxismo, no quadro da derrocada das burocracias do leste europeu, é a “teoria” desenvolvida pelo Secretariado Unificado (SU) – que se reivindica fraudulentamente da 4ª Internacional – de que a página aberta na história com a Revolução Russa de Outubro de 1917 teria sido virada, tornando superada a tradição do movimento operário independente, o programa e o método marxistas e a sua expressão organizada, o partido de tipo bolchevique.</span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">O que se tenta fazer é confundir o marxismo e o comunismo com aquelas ditaduras, controladas por camarilhas que usurparam o poder dos trabalhadores e povos. Ou, no caso do Secretariado Unificado, deslegitimar as organizações que a classe operária constituiu sob impulso da Revolução de Outubro, em favor da diluição da classe nas Organizações Não Governamentais (ONGs) e nos mecanismos de governança que atrelam os trabalhadores à gestão comum das políticas do imperialismo. </span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">Basta que burocratas dos antigos Partidos Comunistas – muitos dos quais hoje são os mais fiéis aplicadores dos planos do Fundo Monetário Internacional (FMI) – digam que eram “</span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">marxistas</span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">”, para que a burguesia os utilize, procurando fazer crer que seus crimes foram cometidos em nome do marxismo. Mas aqueles regimes e os burocratas nada tinham a ver com o comunismo. </span></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">Basta que os pregadores do “outro mundo possível”, membros do SU e do centrismo em geral, decretem que a época da revolução mundial aberta com a Revolução Russa de 1917 está encerrada, para que o movimento operário, a luta de classes e o marxismo sejam considerados obsoletos. Mas a avassaladora crise do capital coloca praticamente e cada vez mais a atualidade da auto-organização da classe operária, a defesa de suas organizações históricas e do marxismo. </span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">O marxismo representa mais do que nunca a arma do pensamento e da ação indispensável para acabar com esse velho mundo e ajudar a humanidade a instaurar o comunismo, quer dizer, uma sociedade sem classes sociais, uma sociedade livre da exploração e da opressão. </span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">Como escreveu o revolucionário russo Lênin, em 1913:</span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">A doutrina de Marx suscita em todo mundo civilizado a maior hostilidade e o maior ódio de toda a ciência burguesa (tanto a oficial como a liberal) (&#8230;) e não se pode esperar outra atitude, pois, numa sociedade baseada na luta de classes, não pode haver “imparcial” (&#8230;) De uma forma ou de outra, toda a ciência </span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;"><i>oficial</i></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;"> ou </span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;"><i>liberal</i></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;"> defende a escravidão assalariada, enquanto o marxismo declarou uma guerra implacável a esta escravidão (LÊNIN, 1984, p. 90).</span></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">Contra todos os que anunciam a morte do marxismo, continuamos mostrando, a partir dos fatos, dos acontecimentos políticos, econômicos e sociais, a validade do método e do sistema de ideias de Marx, considerando como Lênin que sua teoria:</span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">é justa (&#8230;) oferece aos homens uma concepção coerente do mundo, inconciliável com toda superstição, toda reação e toda defesa da opressão burguesa</span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">. (Idem, p. 91).</span></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;"><b>O MARXISMO</b></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">Chama-se marxismo o sistema de ideias e a doutrina de Marx. Essa personalização (Marx &#8211; marxismo), que Marx mesmo reprovava, não dá conta do conteúdo dessa doutrina. Além disso, pode dar a entender que haveria distinção entre o que se chama de “marxismo”, “leninismo” e “</span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">trotskismo</span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">”, quando na realidade trata-se de uma só e única doutrina, atualizada e aplicada nas situações concretas de cada época.</span></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">Assim, falando em marxismo, falamos do materialismo dialético e histórico. Antes de explicar o que isso significa, é preciso dizer que Marx não “</span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">inventou</span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">” sua doutrina, seu sistema de ideias, a partir do nada. Ele trabalhou a partir das três principais correntes de ideias existentes no século 19, a saber: a filosofia clássica alemã, a economia política inglesa e o socialismo francês, ligado às doutrinas revolucionárias francesas em geral.</span></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;"><b>MARX E O MOVIMENTO OPERÁRIO</b></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">Marx orientou sua análise ao mundo existente na sua época, ao estudo da história, da sociedade e da luta econômica, política e social, num momento em que a classe trabalhadora começava a formar-se politicamente e a organizar-se.</span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">O marxismo se apoia numa análise da realidade e em sua verificação através da experiência. Quer dizer, ele se opõe aos dogmas, às “</span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">verdades</span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">” consideradas indiscutíveis. Todas as análises e avaliações devem ser confrontadas com a prática, para se confirmar ou não. Foi desta forma que Marx pôde chegar a um estudo aprofundado sobre o capitalismo, desvendando seu funcionamento e explicando-o aos trabalhadores.</span></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">Esta questão é central na teoria de Marx, pois desde o século XVIII diferentes reformadores sociais (tanto de esquerda, como o comunista francês Babeuf, quanto conservadores, como Auguste Comte, e inclusive os que Marx vai agrupar na categoria de “socialistas utópicos”, Owen, Fourier, Saint Simon) defendiam o aperfeiçoamento da sociedade por meio da adoção de certas ideias, melhores do que as vigentes, incapazes de enxergar as condições sociais reais na sociedade de classes e as relações de exploração que estão na sua base. </span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">Neste sentido, Marx introduz uma verdadeira novidade, a necessidade de apreender os elementos objetivos de existência da sociedade, as relações materiais de existência da sociedade (produção) e, portanto, a relação entre as classes sociais para desvendar a natureza e o limite da sociedade capitalista. Para Marx, é da compreensão prática destas relações que se deduz a necessidade de superar o sistema capitalista, e não de um sistema de ideias mais ou menos brilhantes ou melhores do que as ideias vigentes.</span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">Aqui, assinalemos neste sentido o estudo que Marx começa em 1843-1844 dos trabalhos da economia política clássica burguesa, em especial dos ingleses David Ricardo e Adam Smith que, tendo trabalhado num período em que a burguesia ainda desempenhava um papel revolucionário (final do século 18 ao início do século 19), puderam apresentar uma fiel radiografia do sistema capitalista, mesmo que fazendo a apologia deste sistema. </span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">Mas, dizendo isso, não estaríamos incluindo Marx entre aqueles que desconsideram as ações dos homens na história, que se desenvolveria de forma totalmente autônoma e independentemente em relação à vontade deles</span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">? </span></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">Esta questão nos leva às condições sociais e históricas em que Marx elaborou e militou. Paulatinamente, Marx (e aqui seu encontro com Engels é fundamental, voltaremos a isso) vai se afastando da pura crítica teórica para incorporar a perspectiva que reconhece no homem &#8211; e não no homem em geral, abstrato, mas no homem situado em sua classe social, os homens de carne e osso como diz Marx &#8211; parte do mundo objetivo, superando a clássica separação entre sujeito e objeto, entre o homem e o mundo em que vive. </span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">Aqui se coloca a enorme contribuição da filosofia alemã, sobretudo da filosofia de Hegel a qual no plano teórico já tinha superado a separação entre sujeito e objeto, mas que não fora capaz de expressar a unidade entre homem e mundo no campo da realidade material, que será um dos pontos fundamentais da doutrina de Marx.</span></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">Engels é fundamental por trazer para a discussão um retrato bruto da existência da classe operária inglesa, por meio de um texto que influenciou Marx fortemente, </span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;"><i>“A Situação da Classe Operária na Inglaterra</i></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">”.</span></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">Entretanto, ainda mais importante foi o contato de Marx com o movimento operário, em particular, em função dos acontecimentos revolucionários de 1848, na França e na Alemanha. O caráter idealista dos reformadores sociais, anteriores e contemporâneos de Marx, estava relacionado não só com o fato de que eram homens egressos das classes dirigentes, mas sobretudo com o fato do movimento operário de sua época ser ainda inexistente ou muito incipiente. A obra teórica e militante de Marx está fundada no movimento operário, na sua expressão política própria e independente que virá à tona de forma mais completa nos episódios revolucionários de 1848.</span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">Portanto, aqui se coloca como elemento fundamental a organização própria do proletariado, o partido revolucionário, que se tornará um elemento característico do marxismo. Da mesma forma, Marx traz a transformação social do campo da reforma das ideias para o da revolução proletária conduzida pelo partido próprio da classe operária.</span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">Assim, o materialismo de Marx terá um fundamento material e, portanto, apenas apreensível na história dos homens. Será então um materialismo histórico e que se refere à unidade sujeito e objeto, logo, dialético.</span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">Dito isso, vamos explicar o que é materialismo dialético e sua aplicação à história humana: o materialismo histórico.</span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;"><b>O QUE É O MATERIALISMO?</b></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">Ao longo da história do pensamento humano, se produziram duas grandes perspectivas: o idealismo e o materialismo.</span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">Para todos os </span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">idealistas</span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">, as ideias precedem a matéria. Para eles, na origem de tudo que existe estaria algum tipo de pensamento. Assim, as ideais teriam criado o mundo e, consequentemente, seriam portadoras de uma razão normativa que o regularia. As ideias, desta forma, não teriam história, não resultariam da experiência humana, mas criariam a história e a experiência humana. Não é de se estranhar, portanto, que esta concepção esteja na base de todas as religiões, pois todas negam a autoconstrução do homem e atribuem a algum tipo de deus a criação do mundo e do homem. Lembremos a célebre fórmula com que se inicia o evangelho de João: “primeiro foi o verbo, e o verbo se fez carne”. Mas, se nem todo idealismo é religioso (encontramos um idealismo pagão na Grécia antiga ou um idealismo laico na modernidade, como em Hegel, por exemplo), todos os idealistas partem da premissa de que o espírito, as ideias ou deus é que dominam e determinam a natureza e a sociedade.</span></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">Para os materialistas, ao contrário, a natureza e a vida material são os elementos essenciais que determinam a consciência: o mundo existe, independentemente das ideais dos homens sobre ele. Estes tomam conhecimento do mundo a partir de suas sensações (a visão, a audição</span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;"> etc.</span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">) e de seu cérebro, que lhes permitem estabelecer uma representação, uma compreensão deste mundo, as ideias. </span></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">Até Marx, entretanto, os materialistas separavam o homem do mundo ao seu redor, atribuindo a este uma determinação absoluta sobre a vida humana. Você certamente já escutou a frase “o homem é produto do meio”. Nela está contida uma concepção de que o meio, separado do homem, exerce sobre este uma ditadura absoluta, a qual só poderíamos constatar, mas não agir sobre o meio. Este materialismo levava a uma posição conformista. Uma das correntes materialistas contemporâneas de Marx e Engels, o positivismo, por exemplo, afirmava que a sociedade era comparável à ordem natural e biológica, a qual a ciência podia estudar e entender, mas não alterar. Estes materialistas substituíam a figura divina do idealismo religioso por um meio ambiente e uma sociedade impossível de transformar pela ação do homem, em outras palavras, negavam que o meio era ele mesmo expressão da produção da existência humana. Por isso, este materialismo unilateral é chamado de </span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;"><b>materialismo mecanicista</b></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">. Sobre isso, lembremos a crítica de Marx a esta visão que separava o sujeito, o homem, do mundo à sua volta, na primeira tese sobre Feuerbach:</span></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">O principal defeito de todo materialismo até aqui (inclusive o de Feuerbach) é que o objeto, a realidade, a sensibilidade, só são apreendidos sob a forma de objeto ou de intuição, mas não como atividade humana sensível, como práxis, não subjetivamente (MARX, 2007, p. 27).</span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;"> Para os materialistas dialéticos, as ideias são as representações, no cérebro dos homens, do mundo real, da natureza e da produção de sua própria existência, como sujeito e objeto de sua própria história. Assim, é a existência, ou seja, a produção material da própria vida humana pelo trabalho, que determina a consciência dos homens.</span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;"> Por exemplo: a visão de mundo de um artesão da Idade Média era completamente distinta da de um operário brasileiro hoje. Enquanto o artesão só alcançava uma compreensão que ia até o limite do pequeno território e a experiência de vida que tinha em sua aldeia, o operário hoje (mesmo o mais despolitizado) tem mais condições de sentir-se parte de uma classe que enfrenta outra, a burguesia. Trabalha junto com outros companheiros que têm as mesmas dificuldades, pode ter acesso às informações sobre o que ocorre em outros pontos do Brasil e do mundo, pode ser atingido pelo trabalho de seu sindicato e do PT</span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;"> etc.</span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;"> Isto porque o próprio sistema capitalista que se funda em relações sociais de exploração tendeu a um desenvolvimento universal da produção, assimilando as variadas formas de trabalho, reduzindo os trabalhos concretos a trabalho abstrato (quantidades de atividade humana contada em forma de tempo) e levando a uma maior homogeneização dos trabalhadores, como regra assalariados, configurando-os em classe. </span></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">Marx e Engels lutaram para defender o materialismo contra toda forma de idealismo que acorrentava os homens, seja a um ou mais deuses, aos preconceitos ou às superstições, ao mesmo tempo em que combateram as tendências mecanicistas que negavam a luta de classes como motor da transformação social. Suas concepções materialistas fundamentais estão reunidas e explicadas de forma detalhada em três obras: “</span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;"><i>Ludwig Feuerbach</i></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">”, “</span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;"><i>Anti-Duhring</i></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">” e o “</span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;"><i>Manifesto do Partido Comunista</i></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">”.</span></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;"><b>O QUE É A DIALÉTICA?</b></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">Marx e Engels completaram o materialismo, nascido ainda na antiguidade grega e atualizado na Inglaterra no século 18, com a dialética, desenvolvida em particular pelo filósofo alemão Hegel, no início do século 19.</span></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">O pensamento materialista moderno era mecanicista, como já explicado acima. Ou seja, imaginava uma relação mecânica entre homem e natureza e entre homem e sociedade, a natureza e a sociedade determinando o homem. Como se este não fosse parte integrante tanto de um como de outro. </span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">Este materialismo era, neste sentido, lógico, posto que de fato o homem estar submetido tanto à natureza quanto à sociedade em que vive, mas era formal. Tinha uma visão momentânea deste processo, como numa fotografia que registra um momento isolado da realidade, quer dizer, a forma, a aparência, mas não o conjunto de movimentos que resultaram naquela imagem captada na foto. A lógica formal perde o movimento, o conjunto de determinações que resultam em certo fato natural ou social, ou seja, perde a essência mesma dos fenômenos, seu conteúdo, sua história. </span></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">Nosso primeiro contato com a realidade é inevitavelmente formal. É com a aparência imediata, em torno da qual construímos um pensamento lógico que é capaz de dar conta daquele fenômeno isolado, e inclusive de um conjunto de fenômenos de natureza semelhante. O pensamento lógico formal é aquele no qual utilizamos o silogismo, um raciocínio que parte de várias constatações, chamadas de “premissas”, para chegar a uma conclusão. Por exemplo, se constatamos que uma barra de ferro está vermelha (premissa) imediatamente pensamos que ela está quente (conclusão). Este raciocínio parte de várias constatações (o fato de que a barra em estado normal não tem esta cor, que o fogo dá uma cor vermelha</span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;"> etc.</span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">) para chegarmos a uma conclusão, sem que precisemos queimar a mão para fazer a experiência.</span></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">A lógica formal é suficiente para resolvermos questões mais simples de nossa vida cotidiana. Mas não dá conta de alcançarmos uma compreensão da realidade em sua totalidade. Para isso, temos de recorrer à dialética, que é a teoria da evolução no seu aspecto mais completo, e da qual a abordagem lógico-formal é um momento. A dialética apresenta o mundo, a sociedade, o próprio homem em constante mudança, nascendo, vivendo, transformando-se, morrendo. Em resumo, a dialética vê todas as coisas em constante movimento e transformação. Para se entender qualquer fato, é preciso combinar seus elementos mais importantes, em evolução, para que nos aproximemos de seu significado.</span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">Procurando ilustrar a diferença entre a lógica formal e a dialética, Trotsky usou a seguinte comparação:</span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">O pensamento dialético está para o pensamento vulgar (a lógica formal &#8211; NR) assim como o cinema está para a fotografia. O cinema não nega a fotografia, mas combina-as numa sequência que segue as leis do movimento. A dialética não recusa o silogismo, mas ensina a compor os silogismos de maneira a aproximar nosso conhecimento da realidade sempre móvel</span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;"> (TROTSKY, 2011, p. 84).</span></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">Voltando ao exemplo da barra de ferro: se a lógica formal é suficiente para explicar a uma criança porque não deve encostar a mão na barra quente, é insuficiente para que o operário siderúrgico determine as condições e o processo de transformação do ferro em aço.</span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">Hegel já havia descrito o processo do pensamento humano como uma relação de forças contraditórias, um jogo de opostos que resulta em formas mais elaboradas e complexas de ver o mundo. Mas se Hegel considerava a dialética apenas válida para o movimento do pensamento, para a evolução da filosofia, avaliava o mundo mesmo existente como o ponto final do pensamento humano (para Hegel, o Estado monárquico da Prússia era a forma final da evolução da filosofia). Marx vai considerar que o pensamento dialético apenas acompanha a própria forma de existência da natureza e da sociedade que se movem através de contradições entre forças opostas, resultando deste embate novas formas de existência. Ou seja, Marx e Engels buscarão compreender a dialética como o movimento concreto do mundo e da sociedade e não só do pensamento, limitação determinada em Hegel pela sua adesão ao idealismo que o levava a ver o pensamento como construtor da realidade e a realidade como resultado imutável do pensamento. Se a realidade é como é, é porque o pensamento concluiu nesse estágio sua evolução, e nada podemos fazer quanto a isso. É esse reino da “razão”, das “ideias”, que Marx e Engels combatem. Marx escreve:</span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">Meu método dialético não só difere do de Hegel quanto a seus fundamentos, mas também é sua antítese direta. Para Hegel o processo do pensamento, que converte inclusive, sob o nome de “ideia”, em um sujeito autônomo, é o demiurgo do real; o real não é mais que sua manifestação externa. Para mim, pelo contrário, o ideal não é senão o material transposto e traduzido na mente humana (MARX, 1996, P. 140).</span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">Hegel expressava o horror da burguesia e dos restos da aristocracia à mudança, seu apego à “eternidade” de suas próprias instituições, enquanto a dialética concreta, isto é, materialista de Marx e Engels, que via as leis do movimento ocorrendo nos fatos naturais e sociais mesmos, abria a perspectiva da superação destas mesmas instituições. </span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">Após Hegel e da reelaboração do conceito de dialética por Marx, Engels sintetizou o método marxista no que chamou de leis da dialética.</span></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;"><b>Tudo o que existe, nasce, evolui, transforma-se e morre</b></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">. A evolução não é apenas um processo gradual, progressivo, contínuo. A evolução &#8211; seja da matéria, dos seres vivos, do homem, das sociedades &#8211; combina períodos de mutações progressivas (evoluções, reformas) e períodos de transformações radicais (revoluções). Por exemplo: o calor muda a temperatura da água sem alterar seu estado (evolução da temperatura da água), até que chegando a 100º C a água transforma-se (revoluciona-se) em vapor. O mesmo acontece com tudo o que existe no mundo, inclusive as sociedades humanas. As transformações são processos que combinam evolução e revolução. </span></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;"><b>O desenvolvimento ocorre através das contradições</b></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">. Por exemplo: o que existe de mais contraditório além da água e do fogo? No entanto, água e fogo produzem vapor que, em certas condições, gera o movimento (máquina a vapor). No caso da sociedade, veja-se como o capitalismo desenvolveu as forças produtivas da humanidade. Entretanto, com o esgotamento do mercado mundial, estas forças produtivas foram levadas à estagnação, pois sem o escoamento de mercadorias o capital não pode completar seu ciclo e voltar à produção. Nesse caso, é preciso destruir as forças produtivas para ensejar nova circulação do capital (guerras, desmonte de ramos inteiros da economia). As poderosas forças produtivas despertadas pelo capitalismo se encontram agora em contradição com este modo de produção. O brutal choque entre as forças produtivas e os limites do sistema capitalista constitui a base da revolução proletária, ou seja, do surgimento de outra ordem social. Este choque se expressa na luta entre burguesia e proletariado.</span></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;"><b>A interrupção da continuidade é elemento do processo de desenvolvimento</b></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">. Por exemplo, o parto: o feto desenvolve-se no organismo da mãe até um ponto em que os dois corpos não podem mais compartilhar do mesmo ambiente. Esta contradição interrompe a gravidez, para que a continuidade se dê na forma do novo indivíduo.</span></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;"><b>A transformação da quantidade em qualidade</b></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;"> pode ser exemplificada pelo mesmo exemplo da fervura da água. Até 99ºC, temos acréscimo de quantidade de calor, porém, ao atingir 100ºC, esta quantidade se transforma em qualidade e a água se converte em vapor.</span></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;"> Como se pode notar, estas leis não têm validade isoladamente, mas expressam as múltiplas faces do processo de transformação. Como já dissemos, captam os elementos mais importantes deste processo.</span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">Assim, se até mesmo nas tarefas de nossa vida cotidiana os silogismos da lógica formal mostram-se insuficientes, tanto mais o são quando se trata da compreensão e da capacidade de ação sobre os fenômenos econômicos, políticos e sociais &#8211; como, aliás, todos os outros fenômenos da natureza e da vida humana. Nestes casos, precisamos de um método de análise, de investigação e de dedução mais complexos e mais completos, que só nos fornecem as leis do pensamento dialético.</span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;"><b>O QUE É O MATERIALISMO HISTÓRICO?</b></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">Se Marx e Engels partem de uma dialética que pressupõe a construção da sociedade como obra do homem sobre a base da natureza, este pressuposto só pode se corporificar na vida real dos homens, ou seja, na produção de seu mundo e, portanto, deles mesmos como homens. Sob este prisma, o motor da evolução da humanidade desde a pré-história (partindo da postura vertical e da liberação da mão) é o </span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;"><b>trabalho</b></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">, a atividade prática dos homens em seu meio natural, fabricando para tanto armas, ferramentas, com técnicas mínimas que sejam, e nesse processo construindo a si mesmo como ser social.</span></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">Sobre o homem, como explicou Plekhanov, introdutor do marxismo na Rússia e especialista em materialismo: “ao mesmo tempo em que atua mediante esse movimento sobre a natureza exterior e a modifica, modifica sua própria natureza. A essência da teoria marxista está contida nessas poucas palavras” (A concepção monista da história). Essa é a chave da explicação materialista da produção do homem por ele mesmo e não por algum deus. Para Marx e Engels, como está explicado no capítulo intitulado &#8220;</span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;"><i>Trabalho Estranhado</i></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">&#8220;, da obra &#8220;</span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;"><i>Manuscritos Econômico-Filosóficos</i></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">&#8220;, é o trabalho, a intervenção do homem na natureza, transformando a ele e a si mesmo, que concretiza a autorrealização da humanidade.</span></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">Mas esta produção do homem por ele mesmo, sua separação da natureza, traz consigo uma profunda mudança em todos os aspectos, inclusive no modo de entender a natureza. No desenvolvimento histórico, mais tarde , a natureza aparecerá como externa, enquanto que, como simples caçador, o homem não se distinguia da natureza). A agricultura vê, inevitavelmente, a natureza como um elemento que tem que ser reformado: fazer retroceder os bosques, proteger os campos, irrigar</span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;"> etc.</span></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">Parte da natureza, os homens se emanciparão dela, perderão a identidade imediata com ela, e, na base desta atividade concreta, passarão pelos vários estágios de sua concepção sobre o mundo, sobre si mesmo, sobre a sociedade. Passarão a produzir sistemas de ideais que corresponderão sempre, embora não de forma direta, ao estágio de sua intervenção na natureza, às formas de cooperação entre eles, ou seja, às relações sociais de produção, ao modo de produção vigente. Voltaremos a estes conceitos no caderno “</span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;"><i>Bases Econômicas do Marxismo</i></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">”, segunda parte da série “</span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;"><i>Introdução aos Estudos do Marxismo</i></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">”, dedicado às concepções econômicas de Marx e Engels.</span></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">É nessa base que Marx formula as teses fundamentais do materialismo aplicado à sociedade humana e à sua história escrevendo no Prefácio à “</span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;"><i>Contribuição para a Crítica da Economia Política</i></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">”: </span></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">Na produção social da sua existência, os homens entram em relações determinadas, necessárias, independentes da sua vontade, relações de produção que correspondem a um grau de desenvolvimento determinado das forças produtivas materiais.</span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">O conjunto destas relações de produção constitui a estrutura econômica da sociedade, a base concreta sobre a qual se eleva uma superestrutura jurídica e política e à qual correspondem formas de consciência social determinadas. O modo de produção da vida material condiciona em geral o processo da vida social, política e intelectual. Não é a consciência dos homens que determina o seu ser; é inversamente o seu ser social que determina a sua consciência. Num certo estágio de desenvolvimento, as forças produtivas materiais da sociedade entram em contradição com as relações de produção existentes, ou, o que é apenas a sua expressão jurídica, com as relações de propriedade no seio das quais até então tinham se movido. De formas de desenvolvimento das forças produtivas que eram, estas relações transformam-se em entraves. Abre-se então uma época de revolução social. A mudança na base econômica altera mais ou menos rapidamente toda a enorme superestrutura. Quando se consideram tais alterações, é preciso sempre distinguir entre a alteração material &#8211; que podemos verificar de um modo cientificamente rigoroso &#8211; das condições de produção econômicas e as formas jurídicas, políticas, religiosas, artísticas ou filosóficas, em resumo, as formas ideológicas sob as quais os homens tomam consciência deste conflito e o levam ao seu termo.</span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">Do mesmo modo que não ajuizamos um indivíduo pela ideia que ele faz de si próprio, não poderíamos ajuizar uma tal época de alterações pela sua consciência de si mesma; é necessário, pelo contrário, explicar esta consciência pelas contradições da vida material, pelo conflito que existe entre as forças produtivas sociais e as relações de produção.” (MARX, 2003, p. 5 e 6)</span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">Foi generalizando o antigo materialismo e completando-o com a dialética que Marx e Engels fizeram com que ele chegasse ao seu ponto máximo. Eles o estenderam do conhecimento da natureza até o conhecimento da própria sociedade humana, da história da humanidade e da luta econômica, política e social dentro das sociedades humanas. Isto é o que chamamos de materialismo histórico.</span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">A burguesia dissemina uma ideia da História em que os fatos, a atividade dos políticos, militares, religiosos, dos estadistas, dos reis, fossem bons ou ruins, pareciam resultar de suas próprias decisões, do seu caráter bom ou mau, da sua habilidade, da sua sabedoria (ou falta dela). A ideia da história humana, resultante dessas concepções, apresenta-se caótica e arbitrária.</span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">O materialismo histórico permitiu compreender porque e como se desenvolve a ação das massas, das classes sociais, e seus choques, determinados pela luta por seus interesses de classe, que constituem a História.</span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">Os homens são os artesãos de sua própria história. Mas, o que determina, o que move os homens e mais precisamente as massas humanas? Qual é a resultante de todos estes conflitos no conjunto das sociedades humanas? Quais são as condições objetivas da produção da vida material sobre a qual está baseada toda a atividade histórica dos homens? Qual é a lei que determina a evolução dessas condições? Marx dedicou sua atenção a todos esses problemas e traçou a via do estudo científico da história, concebida como um processo único, regido por leis, por mais prodigiosa que seja a sua variedade e todas as suas contradições</span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;"> (LÊNIN, 1984, p. 188).</span></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">O marxismo estabeleceu um método para não apenas compreender a história da humanidade, mas, neste aparente caos, no qual se sucedem períodos de revolução e de reação, de paz e de guerra, de progresso e de decadência, também poder compreender a lei que rege o nascimento, a vida e morte das sociedades: a luta de classes.</span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">Marx e Engels escreveram no “Manifesto do Partido Comunista” (1848): </span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="color: #000000;">“</span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">A história de todas as sociedades que existiram até nossos dias tem sido a história das lutas de classes.</span></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">Homem livre e escravo, patrício e plebeu, senhor e servo, mestre de corporação e oficial, numa palavra, opressores e oprimidos, em constante oposição, têm vivido uma guerra ininterrupta, ora franca, ora disfarçada; uma guerra que terminou sempre ou por uma transformação revolucionária da sociedade inteira ou pela destruição das suas classes em luta.</span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">Nas primeiras épocas históricas, verificamos quase por toda parte, uma completa divisão da sociedade em classes distintas, uma escala graduada de condições sociais. Na Roma antiga encontramos patrícios, cavaleiros, plebeus, escravos; na Idade Média, senhores feudais, vassalos, mestres, oficiais e servos; e, em cada uma dessas classes, gradações especiais.</span></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">A sociedade burguesa moderna, que brotou das ruínas da sociedade feudal, não aboliu os antagonismos de classes. Não fez senão substituir velhas classes, velhas condições de opressão, velhas formas de luta, por outras novas.</span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">Entretanto, a nossa época, a época da burguesia, caracteriza-se por ter simplificado os antagonismos de classes. A sociedade divide-se cada vez mais em dois vastos campos opostos, em duas grandes classes diametralmente opostas: a burguesia e o proletariado” (MARX; ENGELS, 2009).</span></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">Com o materialismo histórico começou, na realidade, a era da história científica, que possibilitou mostrar como, dentro de uma forma de organização social, surge e desenvolve-se outra forma, mais evoluída, em razão do desenvolvimento das forças produtivas. Como, por exemplo, o capitalismo nasceu do feudalismo, e como o próprio capitalismo aponta para a necessidade do socialismo, a partir das próprias contradições internas do capitalismo e não em função de uma crítica no terreno puramente da moral. Eis porque o surgimento do materialismo histórico só pode se dar plenamente quando Marx e Engels concretizaram sua visão dialética no desvendamento da produção capitalista, dee um lado, e nas questões da organização revolucionária das massas proletárias, de outro. </span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">O capitalismo, por exemplo, ao desenvolver a grande indústria e concentrar a produção, criou também um proletariado forte, que contraditoriamente é a classe capaz de destruí-lo com seu movimento prático. Hoje, a continuidade da propriedade privada dos grandes meios de produção é algo que sufoca e impede o desenvolvimento das forças produtivas. É preciso instaurar a propriedade social para que a humanidade possa avançar. Por isso, o socialismo não é uma “utopia”, como se costuma dizer no interior do PT, fórmula popularizada em particular pelos membros do SU. É o resultado do desenvolvimento econômico do capitalismo, de seu movimento contraditório e incessante. Isso não significa que ele virá inevitavelmente. É a luta dos trabalhadores que poderá derrotar a burguesia e abrir o caminho a uma sociedade sem exploradores e explorados. Pois do contrário o que virá é a barbárie, a destruição da humanidade. Aqui também se coloca a unidade entre as condições objetivas nascidas das próprias relações entre os homens e a intervenção destes homens na ordem vigente. O caráter objetivo das condições de existência, que estabelecem os limites de desenvolvimento do capitalismo, não anula, antes exige, a ação organizada dos trabalhadores para derrubá-lo.</span></span></p>
<p><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;"><b>GLOSSÁRIO</b></span></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;"><b>Muro de Berlim </b></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">&#8211; Construído em 1961, o Muro de Berlim foi a maior expressão da ordem mundial imposta pelas conferências de Yalta e Postdam ao final da Segunda Guerra Mundial. O muro separava a República Federal Alemã (RFA) e a República Democrática Alemã (RDA), dividindo a nação e os trabalhadores. Foi imposto pelos interesses da burocracia stalinista alemã e soviética contra a vontade do povo alemão que queria sua unidade. Em 7 de outubro de 1989, uma manifestação pacifica foi atacada pela policia, deixando inúmeros jovens feridos e dezenas de prisos. Ela desencadeou um movimento popular que em 9 de novembro, colocou abaixo o Muro de Berlim e soterrou em seus escombros a burocracia governante.</span></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;"><b>Burocracia</b></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;"> &#8211; pessoas e órgãos que executam os serviços administrativos e rotineiros numa instituição ou governo, constituindo um aparato. A burocracia stalinista, por exemplo, usurpou o poder dos trabalhadores no Estado operário que era a URSS.</span></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;"><b>Socialismo utópico</b></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;"> &#8211; designa o pensamento socialista anterior a Marx. Concebia-se a chegada ao socialismo não por meio do desenvolvimento do capitalismo e da luta de classes, mas por um “convencimento” das classes dominantes. Correspondeu às primeiras tentativas dos trabalhadores de pensar a nova sociedade, mas ainda de forma idealista e abstrata.</span></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;"><b>Luta de classes</b></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;"> – oposição entre opressores e oprimidos que marca a História humana em todos os seus períodos. No capitalismo, esta luta se toma mais clara e mais direta, opondo burguesia (que detém os meios de produção) e proletariado (que possui apenas sua força de trabalho para vender aos burgueses).</span></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;"><b>Modo de produção</b></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;"> – um certo nível de desenvolvimento das forças produtivas e das relações sociais, que caracteriza uma época histórica. Exemplo: modo de produção feudal, modo de produção capitalista etc.</span></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;"><b>Forças produtivas</b></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;"> – a combinação da força de trabalho humana com os meios de produção e os instrumentos que o homem fabrica para a produção. São o produto da atividade dos homens, a partir das relações que estabelecem entre si em cada estágio da História.</span></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;"><b>Leste Europeu</b></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;"> – região dos países que foram ocupados por tropas soviéticas durante a II Guerra Mundial, num processo que culminou na expropriação das burguesias locais sem que se constituíssem órgãos de poder próprio das massas trabalhadoras. Entre eles estão Polônia, Hungria, antiga Checoslováquia, Bulgária, Romênia entre outros, que se converteram nas Repúblicas Populares ou Democráticas, sob hegemonia stalinista. Há também países que se libertaram da ocupação nazista por meios próprios, como a antiga Iugoslávia e a Albânia, que também constituíram regimes burocráticos.</span></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;"><b>União Soviética </b></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">– Nome da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas também conhecida como URSS. Ela surge em 1922 após o fim da Guerra Civil. Deixa de existir em 1991, em decorrência da política de restauração capitalista do Partido Comunista da União Soviética (PCUS) liderado por Gorbachov. </span></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;"><b>Secretariado Unificado</b></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;"> – Organização internacional que reivindica fraudulentamente a 4ª Internacional. É portadora da continuidade do pablismo, corrente revisionista que tomou conta da direção da 4ª Internacional em 1952/53, levando então à sua destruição como organização mundialmente centralizada. A expressão vem do nome de Michel Pablo, antigo secretário-geral da Internacional. Na época, seus partidários pregavam a entrada dos trotskistas nos Partidos Comunistas stalinizados, em vez da construção da 4ª Internacional e suas seções em todos os países. Hoje, os pablistas denominam o Secretariado Unificado (SU) de Comitê Internacional. No Brasil, a corrente Enlace do PSOL mantém relações com o SU. No PT, a corrente Democracia Socialista (DS), de Raul Pont, Joaquim Soriano e Miguel Rosseto, reivindica a tradição revisionista do SU pablista.</span></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;"><b>Governança – </b></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">ideologia emanada das instituições da globalização (FMI e Banco Mundial, em particular) que pretende reunir no seio das instituições do Estado e das próprias agências multilaterais as representações organizadas das classes em luta na sociedade, dissolvendo, assim, as organizações independentes dos trabalhadores num suposto interesse comum.</span></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;"><b>FMI</b></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;"> – Fundo Monetário Internacional, instituição internacional criada pelos acordo de Breton-Woods no final da II Guerra Mundial </span></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;"><b>O</b></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;"><b>utro mundo possível</b></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;"> &#8211; Slogan dos partidários dos Fóruns Sociais Mundiais que expressa a ideia de uma mudança substancial na vida dos povos sem a derrota do sistema capitalista.</span></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;"><b>Leninismo </b></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">– é a expressão do marxismo adaptado às condições do imperialismo. As principais contribuições de Lenin são sua concepção de partido, formulada na obra “Que Fazer? &#8211; questões candentes de nosso movimento” de 1903, e sua análise do imperialismo na obra “Imperialismo, etapa superior do capitalismo”. É, nos fatos, a principal contribuição à análise do capitalismo após “O Capital” de Marx. Sua obra “Estado e Revolução” é também uma contribuição fundamental à concepção marxista de Estado.</span></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;"><b>Prússia –</b></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;"> nome de um antigo Estado monárquico na região da atual Alemanha. </span></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;"><b>Trotskismo </b></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">– continuidade do marxismo e do leninismo para a época da Revolução Mundial e no combate pela construção do partido revolucionário mundial. Leon Trotsky formula o combate em defesa da revolução mundial, contra a falsa teoria stalinista do socialismo num só país na obra “A Revolução Permanente”. As ideias do trotskismo podem ser sintetizadas no Programa de Transição, programa político da 4ª Internacional.</span></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;"><b>Demiurgo</b></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;"> &#8211; Nome do deus criador, na filosofia platônica. Originalmente foi um termo comum que designava qualquer trabalhador cujo ofício se faz de uso público: artistas, artesãos, médicos, mensageiros, advinhos etc. e no século V a.C. passou a designar certos magistrados ou funcionários eleitos. Platão o utilizou em seu diálogo Timeu, uma exposição sobre cosmologia, no qual Demiurgo figura como o agente que, embora não seja o criador da realidade, organiza e modela a matéria caótica preexistente de acordo com modelos perfeitos e eternos. </span></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;"><b>BIOGRAFIAS</b></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;"><b>Adam Smith </b></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">(1723-1790) foi um filósofo e economista escocês. É considerado pai da economia moderna e o mais importante teórico do liberalismo econômico. Sua obra mais famosa é &#8220;Uma investigação sobre a natureza e a causa da riqueza das nações&#8221;, mais conhecida como &#8220;A Riqueza das Nações&#8221;.</span></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;"><b>August Comte </b></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">(Isidore Auguste Marie François Xavier Comte, 1798-1857) foi secretário do filósofo socialista utópico Saint-Simon. Filósofo francês, foi fundador da Sociologia e do Positivismo. Suas ideias representavam uma tradução das ideias newtonianas das ciências exatas para as ciências sociais.</span></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;"><b>Babeuf </b></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">(François Noël Babeuf, 1760-1797), mais conhecido pelo nome de Gracchus Babeuf, foi um jornalista e militante revolucionário da ala igualitarista da Revolução Francesa. Líder da Conjuração dos Iguais, revolta contra a reação termidoriana da Revolução Francesa. Foi condenado a morte por sua atividade revolucionária pelo Diretório. Segundo Rosa Luxemburgo, Babeuf é &#8220;</span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;"><i>O primeiro precursor dos levantes revolucionários do proletariado</i></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">&#8220;.</span></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;"><b>David Ricardo </b></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">(1772-1823) é considerado um dos fundadores da escola clássica inglesa da economia política, juntamente com Adam Smith e Thomas Malthus. Seus trabalhos, em particular sua “teoria do valor-trabalho”, tiveram influência na obra de Karl Marx.</span></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;"><b>Engels</b></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;"> (Friedrich Engels, 1820-1895) &#8211; revolucionário alemão, companheiro de Marx na formulação dos princípios do socialismo científico. Escreveu com Marx o “Manifesto do Partido Comunista” (1848) e é autor de várias obras fundamentais, como “A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado” e “Anti-Duhring”. Foi fundador e dirigente da 1ª Internacional. Após a morte de Marx, continuou seu combate, tendo participado da fundação da 2º Internacional.</span></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;"><b>Fourier </b></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">(François Marie Charles Fourier, 1772–1837), socialista utópico francês, um dos pais do cooperativismo. Foi também um crítico do capitalismo de sua época. Defendia a criação de unidades de produção e consumo &#8211; as falanges ou falanstérios &#8211; baseadas em uma forma de cooperativismo integral e autossuficiente, assim como na livre perseguição do que chamava paixões individuais e seu desenvolvimento, o que constituiria um estado que chamava harmonia. Entusiastas de suas ideias estabeleceram comunidades intencionais nas três Américas. O Falanstério do Saí em Santa Catarina e a Colônia Cecília no Paraná foram experiências inspiradas em seus ideais no Brasil. </span></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;"><b>Hegel</b></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;"> (Georg Wilhelm Friedrich Hegel, 1770-1831): filósofo alemão cujo mérito histórico foi ter exposto a dialética, ainda que circunscrita ao idealismo. Foi uma das fontes teóricas do materialismo dialéctico. É autor de obras como &#8220;Fenomenologia do Espírito&#8221; e &#8220;Elementos da Filosofia do Direito&#8221;.</span></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;"><b>Lenin</b></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;"> (Vladimir llitch Ulianov, 1870-1924) &#8211; principal dirigente do Partido Bolchevique e um dos mais importantes teóricos do marxismo. Dirigiu ao lado de Trotsky a Revolução Russa de outubro de 1917 e após sua vitória foi presidente do Conselho dos Comissários do Povo (chefe de governo). Deixou ampla obra, estudando vários aspectos da luta dos trabalhadores. Antes de morrer, iniciara uma luta contra a burocratização do Estado Operário, que não pôde desenvolver. Foi também um dos principais dirigentes da 3ª Internacional, fundada em 1919.</span></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;"><b>Marx</b></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;"> (Karl Marx, 1818-1883) &#8211; revolucionário nascido na Alemanha, escreveu com Engels o “Manifesto do Partido Comunista”, em 1848, e com ele formulou os princípios do socialismo científico. Fundador e dirigente da 1ª Internacional. Escreveu “O Capital”, entre outros livros fundamentais para o entendimento do capitalismo. Seu nome ficou associado à doutrina que desenvolveu a partir do materialismo histórico (o marxismo) e que deu as bases científicas para o combate do proletariado pelo socialismo.</span></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;"><b>Plekhanov</b></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;"> (Georg Valentinovitch Plekhanov, 1856-1918) &#8211; um dos primeiros marxistas russos, fundador do jornal “Iskra” (Centelha), que teve papel decisivo na formação do que viria a ser o Partido Bolchevique. Capitulou em 1914 frente à burguesia e depois não apoiou o governo de maioria bolchevique durante a Revolução Russa de outubro de 1917.</span></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;"><b>Saint-Simon </b></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: large;">(Claude-Henri de Rouvroy, Conde de Saint-Simon, 1760-1825), filósofo e economista francês, um dos fundadores do socialismo moderno e teórico do socialismo utópico. Formulou um novo regime político-econômico a partir do progresso científico e industrial, em que todos dividissem os mesmos interesses e recebessem adequadamente por seu trabalho.</span></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: small;"><b>REFERÊNCIAS</b></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: small;">MARX, Karl. Teses </span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: small;"><i>ad</i></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: small;"> Feuerbach. </span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: small;">In: MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. </span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: small;"><b>A Ideologia Alemã</b></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: small;">. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007.</span></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: small;">___. Prefácio à Segunda Edição de O Capital. In: MARX, Karl. </span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: small;"><b>O Capital</b></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: small;">. São Paulo: Nova Cultural, 1996.</span></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: small;">___. Prefácio. In: MARX, Karl.</span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: small;"><b> Contribuição à Crítica da Economia Política</b></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: small;">. São Paulo: Martins Fontes, 2003.</span></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: small;">MARX, Karl; ENGELS, Friedrich</span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: small;">. Manifesto do Partido Comunista. </span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: small;">In: ENGELS, Friedrich; LÊNIN, Vladimir U; MARX, Karl; </span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: small;">TROTSKY, Leon.</span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: small;"><b>O Programa da Revolução</b></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: small;">. Brasília: Nova Palavra, 2009.</span></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: small;">LÊNIN, Vladimir U. As Três Fontes e as Três Partes Constitutivas do Marxismo. In: LÊNIN, Vladimir U. </span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: small;"><b>Obras Escohidas</b></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: small;">. </span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: small;"><b>V. 2</b></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: small;">. Lisboa: Edições Avante, 1984.</span></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: small;">___. Karl Marx. In: LÊNIN, Vladimir U. </span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: small;"><b>Obras Escohidas</b></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: small;">. </span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: small;"><b>V. 2</b></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: small;">. Lisboa: Edições Avante, 1984.</span></span></span></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: small;">TROTSKY, Leon.</span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: small;"> </span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: small;"><b>Em Defesa do Marxismo</b></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: small;"><i>.</i></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: small;"><i> </i></span></span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Georgia,serif;"><span style="font-size: small;">São Paulo: Instituto José Luis e Rosa Sundermann, 2011</span></span></span></p>
<p align="CENTER"><span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: large;"><b>COMISSÃO NACIONAL DE FORMAÇÃO DE O TRABALHO </b></span></span></p>
<p align="CENTER"><span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: large;"><b>Janeiro de 2013</b></span></span></p>
<p align="CENTER"><span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: large;"><b>Edição e versão final do texto: Eudes Baima</b></span></span></p>
<p align="CENTER"><span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: large;"><b>Notas e diagramação: Alexandre Linares</b></span></span></p>
<p align="CENTER"><span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: large;"><b>Revisão: Priscilla Chandretti</b></span></span></p>
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