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	<title>Arquivo de MES - O Trabalho</title>
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		<title>Carta de O Trabalho &#8211; Aos militantes do PSTU e do MES (Corrente do Psol)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 Apr 2016 01:30:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Nacional]]></category>
		<category><![CDATA[MES]]></category>
		<category><![CDATA[PSOL]]></category>
		<category><![CDATA[PSTU]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Aos militantes do PSTU E DO MES (corrente do PSOL) Golpistas acampados na FIESP, em São Paulo acolheram de bom grado cartazes &#8220;Fora Todos&#8221; afixados pelo PSTU-Conlutas, ao lado de faixas pelo impeachment. Na Folha de S.Paulo, Luciana Genro (do MES, corrente do PSOL que impulsiona o Juntos) ataca Lula, defende a Lava Jato e [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><strong>Aos militantes do PSTU E DO MES (corrente do PSOL)</strong></p>
<p>Golpistas acampados na FIESP, em São Paulo acolheram de bom grado cartazes &#8220;Fora Todos&#8221; afixados pelo PSTU-Conlutas, ao lado de faixas pelo impeachment. Na Folha de S.Paulo, Luciana Genro (do MES, corrente do PSOL que impulsiona o Juntos) ataca Lula, defende a Lava Jato e o juiz Moro; diz que não há risco de golpe e prega eleições gerais, como o PSTU.</p>
<p>Pretendem falar como &#8220;alternativa&#8221; ou &#8220;terceira via&#8221; ao enfrentamento de classe aberto na batalha do impeachment.</p>
<p>De um lado está a maioria dos grandes patrões nacionais da FIESP, FIRJAN, CNI, subordinados ao capital financeiro internacional. Eles têm pressa em fazer as contra-reformas para retirar direitos, flexibilizar a legislação trabalhista, desmontar a previdência social, privatizar. Seus agentes principais estão no poder judiciário. Legitimam-se estimulando e se apoiando em atos raivosos, açulados em uníssono pelos grandes meios de comunicação.</p>
<p>Do outro lado está a trincheira da esmagadora maioria das organizações dos trabalhadores: partidos, entidades sindicais independentes, da luta popular do campo e da cidade, movimentos de defesa de reivindicações parciais dos setores sociais oprimidos. Estão os mais importantes artistas, intelectuais, docentes, juristas, organizações da juventude, numa unidade tão ampla que nem o mais tacanho observador seria capaz de tachar de &#8220;governista&#8221;.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Onde está o PSTU? Onde está o MES-Juntos?</strong></p>
<p>O PSTU não participa dos gigantescos atos unitários contra o ajuste fiscal e contra o impeachment, capitaneados pela CUT. Exige que, antes, <em>&#8220;a CUT rompa com o governo&#8221;</em>. Para o MES-Juntos são atos <em>&#8220;para defender o governo e o Lula&#8221;</em>.</p>
<p>Ora, na luta contra o ajuste fiscal e o golpe discute-se livremente a demora da direção em defender o PT (desde a Ação Penal 470 &#8211; chamado &#8216;mensalão&#8221;), a nefasta coalizão com o PMDB, a política econômica contrária ao mandato das urnas e todos os erros e contradições que se queira apontar no governo e no PT.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Ofensiva imperialista</strong></p>
<p>Mas ninguém pode ignorar que a ofensiva para destruir o PT não decorre dos erros de sua direção mas, sim, daquilo que representa o partido para a luta dos oprimidos no Brasil e em toda a América Latina. Decorre, também, de um acerto, mesmo limitado, desprezado pelo PSTU e pelo MES: o regime de partilha no Pré-sal. É algo que o imperialismo não poderia perdoar!</p>
<p>O raciocínio de que não se pode lutar contra o golpe por causa das políticas do governo acaba cobrindo a ofensiva imperialista, cuja principal mola propulsora é colocar as mãos no Pré-sal. Serve, ademais, para esconder de militantes e simpatizantes que o golpe foi acelerado justamente quando a direção do PT girou de política.</p>
<p>A ilegal &#8220;condução coercitiva&#8221; de Lula se deu logo depois que o Diretório Nacional do PT decidiu apresentar ao governo um Programa de Emergência que rompe a lógica do superávit primário! O mesmo DN decidiu defender o Pré-sal, contra o acordo feito pelo governo para votar o projeto Serra! Nesse momento, os golpistas se deram conta de que não poderiam correr o risco de ver a classe trabalhadora voltar a se apoiar no PT para exigir suas reivindicações.</p>
<p>Mas, para o PSTU, &#8220;a classe operária e o povo pobre querem colocar para fora o governo Dilma o quanto antes&#8221;. Afirmação estonteante<strong>,</strong> pois no perfil dos atos dominicais anti-PT, quase 40% ganha acima de 10 salários mínimos (e 63% ganha mais de 5 salários mínimos).</p>
<p style="text-align: center;"><strong>&#8220;Fora Dilma o quanto antes&#8221; é apoio ao golpe</strong></p>
<p><em>&#8220;Fora Dilma o quanto antes&#8221;</em> é a política do imperialismo. Dizer que é também a vontade <em>&#8220;da classe e do povo pobre&#8221;</em> serve para justificar a aliança tácita do PSTU com a direita nas ruas e que é explícita em entidades sindicais (como no judiciário) onde sua &#8220;bandeira&#8221; é <em>&#8220;expulsar o PT e a CUT do sindicato&#8221;</em>. Exatamente como querem os reacionários.</p>
<p><em>&#8220;Não estamos diante de uma ameaça de golpe&#8221; que &#8220;significa a supressão das liberdades democráticas&#8221;</em>, diz o PSTU. <em>&#8220;Não há risco de assumir um governo que vai restringir as liberdades&#8221;</em>, diz o MES. São posições alinhadas com o judiciário, a imprensa, Gilmar Mendes, Aécio, Fiesp, com os &#8220;milhões de Cunhas&#8221; tirando &#8220;selfies&#8221; com a PM.</p>
<p>Acontece que as liberdades democráticas ainda não foram suspensas, justamente porque há resistência de massa contra o golpe em curso e cujas ameaças são evidentes: intimidação da PM no sindicato dos metalúrgicos do ABC e depois um diretório do PT; agressões indiscriminadas contra pessoas usando vermelho; ataques às sedes do PT, PCdoB, UNE, CUT; decreto do Ministério Público Federal de Goiás proibindo atividade &#8220;política&#8221; nos campi universitários; assassinato de sem terras; hostilização de militantes e parlamentares que não se alinham aos golpistas! O que esperam o PSTU e o MES-Juntos? Que o PT seja proscrito e se generalize o ataque para destruir as organizações dos trabalhadores?</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Moro e a Lava Jato combatem a corrupção?</strong></p>
<p>Luciana diz não concordar com as arbitrariedades de Moro contra Lula, mas discorda que são sinais de golpe do Judiciário. Argumenta que são excessos cometidos todos os dias &#8220;contra os pobres&#8221;. E defende Moro (&#8220;não é fascista&#8221;). Para ela, então, é corriqueiro um juiz de primeira instância articular-se com a imprensa, em nível nacional, para cronometrar vazamentos seletivos, gravações ilegais da Presidente da República ao ritmo dos atos para derruba-la. É normal o autoritarismo bonapartista de Moro, ao emitir nota pública, enviada para a Globo divulgar, visando a capitalizar a imagem de &#8220;herói&#8221; construída no 13 de março.</p>
<p>Não imaginam o PSTU e o MES-Juntos que esse arsenal jurídico está agora contra o PT, para depois ir contra todo o movimento operário, popular e democrático? Ou acreditam que &#8220;quem não deve não teme&#8221;? Somente &#8220;políticos corruptos&#8221; estão na mira da República de Curitiba?</p>
<p>O MES-Juntos lamenta que os &#8220;excessos que Moro cometeu&#8221; sejam usados para desmoralizar a Lava Jato. Já o PSTU justifica o &#8220;Fora todos&#8221; dizendo que &#8220;não basta avançar na investigação sobre Lula, é preciso apurar também as falcatruas do PSDB, PMDB, DEM&#8221;. &#8220;Exigência&#8221; que só pode ser à Lava Jato, ao seu juiz e seus promotores.</p>
<p>Em ambos, a negação de que há um golpe em curso é para fazer crer que estamos diante da &#8220;luta contra a corrupção&#8221;!</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Eleições gerais sem Constituinte</strong></p>
<p>Para o PSTU, os trabalhadores devem &#8220;exigir eleições gerais já&#8221;, mas com regras mais democráticas. Só faltou explicar a quem fazer essa &#8220;exigência&#8221;, quem convocaria as eleições e estabeleceria as novas regras<strong>?</strong> Para o MES-Juntos basta o Congresso (esse que está aí!) aprovar projetos que já existem de referendo revogatório.</p>
<p>Ambos se desviam cuidadosamente da luta democrática pela Constituinte da reforma política para passar a limpo as instituições herdadas da ditadura, inclusive o judiciário.</p>
<p>Mas pouco importa. Para o MES-Juntos a expectativa de eleições (gerais e municipais) é esperança de &#8220;oportunidade de crescimento&#8221; pois &#8220;a crise tende a radicalizar a classe média que pode ir tanto para direita como para a esquerda&#8221;.</p>
<p>E o PSTU explica que sua proposta de eleições gerais não é solução é só meio de propagandear que para alcançar &#8220;a verdadeira mudança os trabalhadores precisam lutar por um governo socialista baseado em conselhos populares&#8221;.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>A raiz dos desatinos</strong></p>
<p>Toda essa política – sobretudo do PSTU, mas parcialmente mimetizada pelo MES-Juntos – parte de um único ponto (PSTU): &#8220;Não tem como lutar contra o ajuste fiscal sem lutar contra o governo&#8221;. É preciso &#8220;derrubar esse governo que só ataca a classe trabalhadora&#8221;.</p>
<p>Significa que para defender os trabalhadores (por exemplo, contra o ajuste fiscal) é preciso, antes, que o PSTU derrote o PT, &#8220;partido traidor&#8221;, para que as massas entendam (finalmente!) que o PSTU é a &#8220;alternativa de direção&#8221;.</p>
<p>Ocorre que o próprio PSTU reconhece que &#8220;não temos essa alternativa&#8221;. Quer dizer, uma vez &#8220;derrubado o governo Dilma&#8221; não virá um &#8220;governo socialista baseado em conselhos populares&#8221; e, sim, um governo abertamente pró-imperialista. Também o MES reconhece que Temer fará &#8220;com mais força ajustes contra o povo&#8221;.</p>
<p>Quando milhões engajam uma resistência contra a ofensiva golpista que visa a destruir o PT, uma vitória contra o golpe poderia abrir uma nova situação favorável aos trabalhadores e setores populares, que passariam à ofensiva. Mas a &#8220;estratégia&#8221; do PSTU e do MES-Juntos coloca seus militantes de costas e contra essa possibilidade real, pois sua orientação prioritária é combater o “PT traidor”, acreditando que vão poder se aproveitar da situação de derrubada do governo Dilma por forças a serviço do imperialismo.</p>
<p>Não é por acaso que desaparece o imperialismo como inimigo principal e a própria noção da frente única anti-imperialista. A palavra &#8220;imperialismo&#8221; sequer existe na entrevista de Luciana e no artigo de Zé Maria na Folha de São Paulo.</p>
<p>E, no entanto, desde o 4o. Congresso da Internacional Comunista, os revolucionários aprenderam, com Lênin e Trotsky, que, nos países coloniais ou semi-coloniais (como o Brasil) é um &#8220;oportunismo da pior espécie&#8221;, a atitude de dirigentes &#8220;defender exclusivamente o interesse da classe operaria&#8221;, algo que os desacreditava face às amplas massas, incapacitando-os para a revolução.</p>
<p>Quando se abre um enfrentamento entre as classes fundamentais dias valem semanas, semanas valem meses.</p>
<p>Na instável situação em que se encontra, o Brasil o país pode inclinar-se para a direita ou para a esquerda, com impacto por muitos anos na situação do conjunto da América Latina.</p>
<p>Com toda independência e liberdade de crítica, que o movimento operário brasileiro conquistou no processo de construção do PT e da CUT contra a ditadura, os militantes do PSTU e do MES-Juntos tem seu lugar na ampla frente que se constituiu contra o golpe.</p>
<p>Ocupar esse lugar equivale a impedir que o PSTU e o MES-Juntos continuem a contribuir para o Brasil virar à direita.</p>
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