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	<title>Arquivo de Programa de Transição - O Trabalho</title>
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		<title>80 anos depois, a 4ª  Internacional é atual!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 10 Sep 2018 19:07:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[80 anos da IV Internacional]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Uma efeméride passou desapercebida da mídia, o 80º aniversário da 4ª Internacional, fundada em 3 de setembro de 1938 por militantes ao redor de Leon Trotsky, um dos dirigentes da Revolução Russa ao lado de Lênin. A omissão da mídia é “justa”, é proporcional ao desprezo que a 4ª Internacional dedica a ela e à [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Uma efeméride passou desapercebida da mídia, o 80º aniversário da 4ª Internacional, fundada em 3 de setembro de 1938 por militantes ao redor de Leon Trotsky, um dos dirigentes da Revolução Russa ao lado de Lênin.</p>
<p style="text-align: justify;">A omissão da mídia é “justa”, é proporcional ao desprezo que a 4ª Internacional dedica a ela e à ordem mundial em decomposição que ela expressa.</p>
<p style="text-align: justify;">Continua atual a fundação da 4ª Internacional. Na ocasião, Trotsky escreveu num artigo:<br />
<em>“As fumaças dos ódios nacionais e das perseguições raciais constituem atualmente a atmosfera de nosso planeta. O fascismo e o racismo são apenas a expressão extrema desta orgia de chauvinismo (xenofobia patrioteira &#8211; NdA) que tenta superar ou sufocar as contradições de classe insuperáveis”.</em></p>
<p style="text-align: justify;">De fato, a burguesia não pode resolver as contradições do capitalismo, só sufocá-las com formas de xenofobia social, política ou étnica e, contra ela, o proletariado deve suplantar o sistema pelo socialismo. É o que prega o programa de fundação da 4ª Internacional, o Programa de Transição, no qual foram educados os seus militantes nestes 80 anos.</p>
<p style="text-align: justify;">Foi um período de luta de classes com a burguesia, e de dura luta pela independência política dos trabalhadores, contra as correntes hegemônicas &#8211; o stalinismo e a social-democracia &#8211; que abusaram dos trabalhadores desvirtuando, quando não desmoralizaram, a luta socialista.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O legado do trotskismo</strong><br />
Mas décadas depois, aquelas correntes estão em trapos, outras menores que existiam, desapareceram. E embora a situação dos trabalhadores seja difícil no mundo, a 4ª Internacional avança e se afirma. Inclusive a sua seção brasileira, a corrente O Trabalho do PT.</p>
<p style="text-align: justify;">A longevidade não tem segredo. Filiados ao leninismo, esses militantes tratam o marxismo como “guia para ação”, não como dogma, debatem livremente, acertam e erram, continuando o legado do Programa.</p>
<p style="text-align: justify;">Dois exemplos, são, hoje, no Brasil, importantes.</p>
<p style="text-align: justify;">Engajada na unidade da classe trabalhadora com suas organizações, portanto, na defesa das organizações genuinamente construídas contra seu inimigo de classe, a 4ª Internacional veio a desenvolver a linha de transição na construção partidária.</p>
<p style="text-align: justify;">Os trotskistas, como são conhecidos os militantes da 4ª Internacional, compreenderam que na situação mundial realmente difícil, de crise da representação política dos trabalhadores, o desenvolvimento da Internacional deve ser entrelaçado com a construção de poderosos partidos de classe independentes, ou de sua defesa ali onde existam. E não proclamar pequenos partidos que tendem a oscilar e degenerar.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>No Brasil, é no interior do PT que se desenvolve a batalha.</strong><br />
Esta compreensão, alimentada pelos processos em curso em outros países e outros continentes, debatidos nos organismos da Internacional, permitiu à O Trabalho ver com clareza o que estava em jogo em 2015/16. Quando o PT sofreu a dupla derrota do impeachment e do revés eleitoral (perdeu 10 milhões de votos), muitos setores ficaram aturdidos, embora disponíveis ao debate, enquanto outros arrumavam as malas para buscar alternativas partidárias, o que agravaria o desastre.</p>
<p style="text-align: justify;">OT neste momento, discutindo com os companheiros com os quais construíamos o agrupamento Diálogo e Ação Petista, decidimos lançar um Manifesto pela Reconstrução do PT “com base nos seus compromissos históricos”. E, de fato, o PT se manteve, em boa parte devido à raiz que avaliamos que guardava entre os trabalhadores: de fora, empurrado pelo movimento da Greve Geral de 2017 contra o golpista Temer e em defesa dos direitos e, de dentro, questionado pela reação das bases à “conciliação” (por exemplo, o apoio ao deputado Maia do DEM para presidir a Câmara). Juntaram-se os elementos para as ricas resoluções do 6o Congresso (junho de 2017), que deu na candidatura de Lula a presidente, com a bandeira da Constituinte no Plano de Governo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O lugar da Constituinte</strong><br />
No coração da luta pela democracia, contra o Estado oligárquico e autoritário, subordinado ao imperialismo, está a luta por uma Constituinte Soberana que nunca houve no Brasil. É ela que pode realizar as transformações que contemplem as demandas dos setores oprimidos, além dos explorados, numa frente única anti-imperialista. Só os trabalhadores podem encabeçá-la, era crucial o PT assumir esta bandeira.</p>
<p style="text-align: justify;">Por isso, no 6o Congresso se destaca a retomada da bandeira da Constituinte, abandonada há mais de duas décadas. A rigor, depois de assinada a Constituição de 1988, o PT deslizou em crescente adaptação às instituições do Estado. Junto, se acomodou aos hábitos do tráfico e da corrupção reinantes nas instituições políticas herdadas da ditadura, e, claro, abandonou várias reformas estruturais, como na dívida, nas privatizações e na questão agrária, não contempladas na Constituição, contra a qual o PT votara. O PT não<br />
voltou a questionar a ordem injusta, pelo meio democrático da Constituinte.</p>
<p style="text-align: justify;">Até que, em 2013, cresceu a luta pela reforma política em choque com o edifício institucional preservado pelo Judiciário, ambos operando a serviço do “mercado” contra as conquistas populares no golpe em 2016.</p>
<p style="text-align: justify;">Os militantes da 4ª Internacional haviam levantado a Constituinte em todos os congressos internos, armados do Programa (ao lado), que a recomenda em países com tarefas de emancipação nacional, para que as próprias massas ultrapassem o programa democrático.</p>
<p style="text-align: justify;">Aí, então, o debate avançou. Com o conhecido e inegável concurso dos militantes de O Trabalho, numa reafirmação da atualidade da 4ª Internacional. O PT e depois a candidatura<br />
de Lula adotaram a Constituinte, um ponto de apoio para a luta de classes de todo o próximo período, seja qual for o resultado eleitoral.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>“Uma bandeira sem manchas”</strong><br />
Os problemas da nação e do próprio PT não foram resolvidos, é verdade. A situação é grave, mas estamos em outro patamar, superior aos de há dois anos!</p>
<p style="text-align: justify;">A 4ª Internacional tem, também no Brasil, um histórico a serviço dos trabalhadores a apresentar e “uma bandeira sem manchas” a lhes propor.</p>
<p style="text-align: justify;">Das nossas datas cuidamos nós mesmos. Este ano, no calor da batalha em que estamos engajados com o PT, decidimos comemorar a data dos 80 anos da fundação, em dezenas de reuniões de apresentação da 4ª Internacional a novos, e nem tão novos, militantes cuja atividade se funde com a nossa, nos sindicatos, na juventude e no interior do PT.</p>
<p style="text-align: justify;">Nós fazemos, hoje, nossas, as palavras de Trotsky naquele artigo de 1938 que avaliava a Conferência de fundação da 4ª Internacional: “Levadas ao último grau da exasperação e da revolta, as massas não encontrarão outra direção, senão a que lhe propõe a 4ª Internacional”.</p>
<p style="text-align: justify;">Viva a 4ª Internacional!</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>João Alfredo Luna</strong></p>
<hr />
<p><strong>A CONSTITUINTE NO PROGRAMA DE TRANSIÇÃO</strong><br />
<em>“É impossível rejeitar pura e simplesmente o programa democrático: é necessário que as próprias massas ultrapassem esse programa na luta. A palavra-de-ordem de Assembleia Nacional (ou Constituinte) conserva todo o seu valor em países como a China ou a Índia. É necessário ligar, indissoluvelmente, essa palavra-de-ordem às tarefas da emancipação nacional e da reforma agrária. É necessário, antes de mais nada, armar os operários com esse programa democrático. Somente eles poderão sublevar e reunir os camponeses. Baseados no programa democrático e revolucionário, é necessário opor os operários à burguesia ‘nacional’”</em> (Programa de Transição).</p>
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