Belford Roxo: o impasse da “política de alianças”

No destaque, Daniela, deputada da base governista no evento com a presença de Flávio Bolsonaro e o prefeito de Belfort Roxo. “O prestígio não é à toa: o prefeito Waguinho (MDB) foi o único alcaide da região a pedir votos para o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e seu filho Zero Um, em 2018” (Extra 3/08)

O DN-PT validou o Encontro de Belford Roxo (RJ) pela aliança com o prefeito Waguinho do MDB. Um recurso encabeçado por Tainá Senna, jovem pré-candidata a prefeita, foi rejeitado por 29 votos, 25 a favor e 11 abstenções. Os membros do DAP votaram pelo recurso. As correntes CNB e Movimento PT bancaram a aliança.

O argumento foi que o prefeito não é bolsonarista mas “malandro carioca”, não é hostil pois montou palanque na caravana de Lula e o PT participa do governo. Mas em 2018 ele fez campanha para Bolsonaro e seu filho Flávio. Na semana do DN, o prefeito recebeu Flavio no palanque orgulhoso da esposa ser deputada federal governista. Seria mais que suficiente para interditar a aliança, mas não. A resolução da Comissão Executiva Nacional do PT em fevereiro – aprovada por maioria contra os votos de Jilmar Tatto e Markus Sokol em defesa da resolução do 7º Congresso de novembro -, ao pé da letra, não impede essa aliança absurda. O caso de Belford Roxo ilustra a confusão.

Que confusão!
A resolução da CEN: “decide que não ocorram alianças com os partidos que sustentam o projeto ultraneoliberal (DEM, PSDB) e veta qualquer aliança com aqueles que representam o extremismo de direita”. O MDB não é citado e não é de extrema-direita, é do “centrão”.

Nunca se explicou a diferença entre o que “não ocorre” e o que “veta”. Mas a decisão serviu para que os meandros tortuosos da resolução autorizem várias alianças esdrúxulas. Há várias cidades onde o PT se aliou com o DEM e o PSDB, e outras siglas da direita.

O caso de Belford Roxo, com 511 mil habitantes na região metropolitana do Rio, criou uma onda de indignação. Um pedido de “reconsideração” foi encaminhado ao DN.

Em carta, ex-presidentes do PT (Zé Dirceu, Rui Falcão, Genoíno, Tarso e Berzoini) pediram corretamente uma retificação, mas erradamente aproximam a decisão da CEN com o 7º Congresso. Eles dizem que “as resoluções de nosso 7º Congresso e da direção partidária são inequívocas: nenhuma aliança pode ser estabelecida com o neofascismo”. Mas não basta não ser “neofascista” para o 7º Congresso, basta para a CEN.

Por alianças democráticas e antiimperialistas
É possível que o caso de Belford Roxo seja reconsiderado, vistas as abstenções e o mal-estar. Mas é preciso aprender com os erros, inclusive a “esquerda” que votou a resolução da CEN.

O PSDB e muitos golpistas no parlamento às vezes votam contra alguma coisa, mas apoiam a política econômica privatista. É preciso acabar com a confusão para não se enroscar em novo casos no 2º turno.

As alianças contra Bolsonaro devem se basear numa plataforma de governo com demandas do povo, com partidos como PCdoB e PSOL e também setores populares do PSB, PDT e outros.

Este ano o PT ampliou a parcela do eleitorado que disputa com candidaturas. Não se pode frustrar outra vez o empurrão que vem de baixo!

Markus Sokol