Contrarreforma para destruir a Educação

Fachada do Ministério da Educação (MEC), na Esplanada dos Ministérios, Brasília, DF. Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

O Ministério da Educação, em 2 de agosto, tentou realizar o que chamou de Dia D de discussão do BNCC (Base Nacional Comum Curricular) do Ensino Médio. Como resultado, a comunidade escolar de todo o país ignorou o chamado do governo golpista e o dia se transformou em vários pontos do país no momento de protesto contra a contrarreforma do Ensino Médio e a base curricular que destrói o acesso dos jovens ao conhecimento.

 O pacote de maldades na educação

A BNCC faz parte da contrarreforma do Ensino Médio para consolidar a destruição do currículo, reduzindo as disciplinas obrigatórias a Língua Portuguesa e Matemática e relegando as demais áreas do conhecimento a duas grandes áreas etiquetadas como “ciências da natureza” e “ciências humanas”.

A chamada parte flexível do currículo poderá ser cumprida totalmente fora das escolas, por meio de inúmeras certificações de qualidade duvidosa e experiência de trabalho adquirida fora do ambiente escolar, uma forma de oferecer ao mercado trabalho precário e de baixo custo. Além disso esta parte do currículo poderá ser cumprida por meio de trabalho voluntário, cursos à distância etc.

A proposta da BNCC reduzirá os postos de professores, já que as escolas precisarão basicamente de professores de Português e Matemática, e de poucos professores para cobrir as demais áreas, sem falar nas disciplinas que serão cumpridas a distância.

Ataque ao direito dos jovens a aprender

A recente divulgação do resultado do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) de 2017, mostra resultados desalentadores. Nenhum estado da Federação atingiu a meta fixada e o índice geral melhorou em apenas 0,1% em relação ao IDEB 2015. Diante disso, o ministro golpista da educação, Rossieli Soares afirmou: “é necessário avançar nessa reforma para trazer este novo ensino médio para o Brasil” (Portal do MEC, 3/09/2018).

Ora, o IDEB já se baseia na lógica do BNCC, pois é o produto do rendimento escolar (tempo de conclusão de cada ano) e do desempenho em língua portuguesa e matemática. Na verdade, são os exames do IDEB, a Prova Brasil e o SAEB (Sistema de Avaliação da Educação Básica) que moldaram o modelo do BNCC, baseado na redução dos conteúdos e na redução das disciplinas obrigatórias.

Apressar a contrarreforma do Ensino Médio, eixada na BNCC, tende a agravar a situação, atacando o direito dos jovens ao ensino.

A implantação da BNCC consagrará o currículo já imposto pela gestão por resultados (GPR) baseada nos testes padronizados que obriga as escolas a reduzir tudo ao treinamento dos alunos em português e matemática. O objetivo é claro: capacitar os jovens “por baixo” para jogá-los o mais rápido possível no mercado de trabalho, em consonância com a precarização da mão-de-obra determinada pela contrarreforma trabalhista e pela universalização da terceirização.

Trata-se de negar à juventude o direito a se apropriar dos conhecimentos historicamente acumulados pela humanidade, ao mesmo tempo em que reduz o ensino a um treinamento instrumental para resolver questões dos testes do MEC. Como o modelo da contrarreforma é “flexível”, as escolas privadas tendem a manter o ensino de todas as disciplinas, sua implantação deverá ampliar a desigualdade entre os jovens das camadas altas e médias e a grande maioria da juventude das classes trabalhadoras e populares.

Eudes Baima