“É o negro que passa essa insegurança”

Charge de Latuff.

Ágatha Félix, João Pedro e Dyogo Coutinho são alguns que tiveram suas vidas arrancadas por ações policiais no estado fluminense. Todos muitos jovens, com sonhos e futuro, nenhum deles envolvidos com tráfico de drogas ou qualquer tipo de crime. O ponto em comum era a cor da pele e classe social.

Casos como esses se tornaram regra nas estatísticas: moradores de periferia, pretos e pardos correspondem a 78% dos assassinatos cometidos pela polícia carioca em 2019. Segundo o Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro (ISP-RJ), das 1.814 pessoas mortas pela polícia, 1.423 foram pretas ou pardas, sendo 43% entre 14 e 30 anos. Maior número desde 1998. Nesse ano, o ISP já registra 606 mortos entre janeiro e abril (em 2019 foram 560)

A Polícia Militar diz que “enfrenta quem não se rende e atira contra as tropas”, mas atua nas comunidades em ações de guerra matando inocentes.

É uma política de extermínio do povo negro, sobretudo jovens. A mãe de Ágatha diz: “é o negro que passa essa insegurança, é o negro que não pode crescer”.

Pesquisadores afirmam que as ações violentas da polícia, principalmente da PM, são a expressão de um Estado racista que vê pretos e pardos como inimigos.

“Atirar para matar”
Assim disse o governador de São Paulo João Dória (PSDB) ao ser eleito em 2018, e os números mostram que essa política assassina está em andamento.

Dados da Secretaria da Segurança Pública (SSP-SP) revelam que as polícias Civil e Militar mataram 514 pessoas de janeiro a junho desse ano. Segundo Samira Bueno, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, é o “novo recorde histórico e que coloca a letalidade da polícia de São Paulo nos patamares de 1992, ano do Carandiru”

O procurador-geral de Justiça, Mário Luiz Sarrubbo, destaca que vem “aumentando a violência policial com as diretrizes que vêm de Brasília, em prol de armamento, violência, com legítima defesa diferenciada em projeto de lei anticrime”.

Tratar pretos e pardos como suspeitos é a forma como o Estado, a começar pelo governo Bolsonaro, com suas instituições forjadas no racismo, tratam o assunto de segurança pública.

A luta contra o genocídio da juventude negra se liga à luta contra esse regime que preservou na PM o DNA da ditadura.

Jeffei