Inaugurando um 2020 de luta!

Os povos, do Iraque aos EUA, da Argélia ao Chile, passando pela França, não podem mais suportar o peso de um sistema falido que os condena à morte.

Por isso o ataque assassino de Trump teve uma imediata reação com manifestações nos Estados Unidos contra nova ameaça de guerra no Oriente Médio.

No Brasil, os que acham que há calmaria poderão ser surpreendidos.

Porta-voz reconhecido da burguesia pró-imperialista, o Estadão, abriu 2020, com um editorial “A ressaca latino-americana”. Depois de afirmar que “quase todos os países apresentam um ‘risco altíssimo’ de convulsões”, dadas as difíceis condições de vida do povo, alerta contra o perigo de “ceder às tentações antagônicas de uma ruptura revolucionária ou uma contração reacionária” (02/01). Deixando de lado o cinismo da “contração reacionária” de um jornal que jogou no time dos que engendraram o surgimento do governo atual, o que eles temem são as “convulsões” que podem levar à “ruptura revolucionária”.

Os porta-vozes do capital financeiro estão alarmados com o que se passa no Chile. “Um ‘tsunami social’ golpeia uma das economias latino-americanas top”, escreveu o Wall Street Journal. E seus vassalos locais temem os “golpes” que pode sofrer no Brasil o plano que vem sendo executado desde o golpe que eles patrocinaram em 2016.

A deterioração das condições de vida e trabalho da maioria do povo brasileiro nos últimos cinco anos, fruto justamente da política patrocinada pelo mercado, só tende a se agravar porque este governo não tem uma alternativa a não ser cumprir de joelhos as ordens do imperialismo.

Se os que esperam calmaria poderão ser surpreendidos, as organizações dos trabalhadores (a começar pelo PT e CUT) não deveriam ser! Devem se preparar para a luta de classe, num ano que será polarizado entre os interesses que estão em disputa em todo o mundo: dos povos que querem viver e do imperialismo que quer sugar seu sangue.

Preparar a luta dos trabalhadores e de toda maioria oprimida para defender seus direitos e soberania nacional, lutando pelo fim do governo, é o caminho a ser trilhado neste ano que se inicia.

O PT, que completa 40 anos de sua fundação, deve estar na linha de frente deste combate. Fazer das comemorações de seu aniversário uma renovação de seu compromisso com os interesses da classe trabalhadora. E aqui é forçoso dizer, isto é todo o contrário do que fazem seus governadores com suas contrarreformas da Previdência “a la” Guedes/Bolsonaro. Ou buscar a via de “minorar danos” como no Congresso Nacional com o pacote anticrime do criminoso juiz Moro.

Não há como minorar qualquer dano enredando-se na política do atual governo. O único caminho é a luta para enfrentar os danos e derrotar o mal maior que é o sistema representado por Bolsonaro.

O Diálogo e Ação Petista que realizou em 15 de dezembro seu 8º Encontro Nacional se dispõe para isto. Nos meses de janeiro e fevereiro, seus grupos de base se reúnem para discutir a luta pela anulação de toda farsa montada contra Lula, a preparação da campanha eleitoral de 2020 para fortalecer o PT e se engajar, com os setores mobilizados (professores, servidores federais) na preparação do dia 18 de março para abrir o ano político com um redondo não à toda política do governo.