O PT precisa abrir uma saída política!

Na mais grave crise sanitária e econômica já vivida no Brasil, o protagonismo parece hoje estar com a direita e a extrema-direita, a não ser pelas “janelas” e certas lutas pontuais de proteção da força de trabalho e das famílias. Por quê?

Em parte porque a pandemia agravou a defensiva anterior dos trabalhadores. Mas em boa parte porque o PT não adota uma iniciativa independente, e fica a reboque na busca de um diálogo com o “centro e a centro-esquerda”.

Dia 26, a CEN reuniu por internet com Lula, Dilma, Rui Costa e outros, mas nada decidiu de importante. A Nota tirada três dias depois era imobilista, nem um título “construir uma saída” foi aceito (ver abaixo). No dia seguinte, surpresa, o PT (Gleisi e Haddad) subscrevia na nota da oposição (PDT, PSB, PSOL) que “Bolsonaro deveria renunciar”. Ele não renunciou, claro.

Registramos abaixo um debate que, apesar das condições difíceis, atravessa as instâncias do PT e os seus aliados.

Não haverá salvação para o povo com o STF que validou a PEC 927, com Maia que vota as contrarreformas, nem com Mourão que comemorou o golpe de 64. Tampouco a salvação é a “união” ao redor do oportunista Dória que posa de bom-senso. Afinal, ninguém foi às janelas pedir “bolsonarismo sem Bolsonaro”!

É preciso colar nas bases sociais que buscarão resistir e exigir medidas de emergência. Mas quem vai aplicá-las?

O Diretório do PT se reúne dia 9. É urgente discutir a construção da saída política na luta pelo fim deste governo, o que, sim, terá audiência e atrairá setores sociais e políticos, se, como no passado, o PT tiver iniciativa, agrupar e engrossar até a barca virar.

J.A.L.


As três emendas do DAP: a CEN não destaca nem “construir uma saída”

Na reunião da CEN (26/03), onde se discutiu uma plataforma de emergência, a maioria outra vez rejeitou a linha do “Fim do Governo Bolsonaro” que, como o membro do DAP Sokol explicou, não se opõe ao “Fora Bolsonaro”, também rejeitado pela maioria. Então, para a Nota que saiu em 29/03, ele propôs três emendas, duas delas rejeitadas:

1) Aditiva, destacando um título: “Construir uma saída em defesa do povo e da nação”. Recusada esta emenda, Sokol ainda reduziu para “Construir uma saída”, igualmente recusada (“não é hora”).

2) No 3º parágrafo, questão internacional, Sokol propôs suprimir: “até os que se aproveitam das políticas (neoliberais) tiveram de compreender que a vida humana não tem preço. Vulneráveis à pandemia, tiveram de admitir …”. Sokol propôs deixar os trechos anterior e posterior, a redação ficaria: “No mundo todo, a crise colocou em xeque os dogmas neoliberais da redução do estado e da austeridade fiscal, pois só o Estado pode mobilizar recursos para reduzir o contágio, socorrer os doentes, garantir a sobrevivência da população e das bases da economia”. O seu argumento era que “isso não é verdade, não é só o prefeito de Milão que não ‘compreendeu’. Infelizmente a lista de governos é grande: Trump, Boris Johnson, Macron etc.”. Mas a emenda foi recusada, como se tivéssemos ali aliados…

3) Na última página, na frase que propõe o “diálogo com os partidos do centro político que tenham compromisso com a democracia”, propôs suprimir o “centro político”. A redação ficaria: “diálogo com os partidos que tenham compromisso com a democracia”. Seu argumento foi que o “centro” deu o golpe, e não é necessário dizer que tem compromisso com a democracia para “dialogar”. A emenda foi acolhida.


“Motivar o PT a se posicionar pelo fim do governo”
Fala Alexandre Pupo, da Executiva da JPT

O Trabalho – Vocês afirmam (29/03) que “ou acabamos com o governo Bolsonaro, ou o governo acaba com o Brasil”. Por quê?

Pupo – A crise do coronavírus mostrou as duas faces do governo.
A primeira, exemplificada pela Medida Provisória que autoriza a suspensão do pagamento de salários por 4 meses, é de um governo inimigo da classe trabalhadora. Quando puder tomar uma decisão, privilegiará o interesse dos empresários, em detrimento do povo. É a lógica por trás do discurso de “economia em primeiro lugar”.
A segunda é a sua completa incapacidade. A gestão da crise de saúde pública mostra que diante da ciência, Bolsonaro opta pelo negacionismo. Isso é um risco, por sua má gestão mais pessoas vão morrer a cada dia que governe.
O PT não pode assistir e não se pronunciar, temos que lutar pelo fim do governo Bolsonaro, antes que ele acabe com o nosso povo.

OT– Como foi na JPT esse debate, e que importância tem?

Pupo– A JPT debateu muito. Optamos por nos pronunciar (ver pág. 2) tanto para os dirigentes do Partido quanto para o conjunto da militância da juventude do PT, da importância de termos um posicionamento forte. Não nos interessa ver o protagonismo da oposição cair no colo de Maia, Doria e Witzel. São inimigos do povo, e por mais que deem vazão ao discurso do bom senso contra o Covid-19, é o PT que tem o papel histórico de apontar saídas para o povo.
Por isso achamos importante também motivar o Partido para se posicionar publicamente pelo fim do governo.
A iniciativa dos partidos de esquerda, ontem, é um passo importante, mas o PT precisa – internamente – debater qual é a tática que adotará para construir as saídas que precisamos.


“Fim do Governo Bolsonaro e sua política”
Resolução da Executiva Estadual de São Paulo (25/03)

“A política do governo Bolsonaro é desastrosa para a vida da população e para a soberania nacional, mostrando-se criminosa diante da epidemia.
A revolta com o governo, que irresponsavelmente desorienta o povo e ajuda a disseminar a doença, já se ouve nas janelas e sacadas das capitais e diversas cidades, por meio dos panelaços que vêm se repetindo, nos quais o “Fora Bolsonaro” (inclusive gritado por muitos dos seus eleitores) é o que predomina.
O PT exige que sejam tomadas as medidas econômicas e sanitárias para a proteção do povo trabalhador, que é quem mais sofre e alerta: este governo não só é incapaz de enfrentar a crise, como é um vetor do seu agravamento.
Por isso, reafirmamos na defesa do povo e da nação nossa luta pelo fim do governo Bolsonaro e de toda política que ele representa.”


“Além de alternativas, exigir o fim do governo”
Falam as frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo

As frentes e entidades publicaram (31/3) uma Plataforma Emergencial que abre dizendo:
“O Governo Federal, ao não assumir medidas eficazes contra a crise, tornou-se a principal ameaça para a segurança e bem-estar da população. Ao contrário de liderar a nação no combate à pandemia, o presidente da República atua abertamente para sabotar medidas de proteção ao povo brasileiro, na contramão das medidas recomendadas pela OMS. Medidas simples como a quarentena, a universalização de testes da Covid-19, e a garantia de renda básica para trabalhadores e trabalhadoras(…).
É por isso que, além de propor alternativas, nos somamos às vozes de milhões que têm manifestado diariamente seu repúdio ao presidente Jair Bolsonaro e exigido o fim de um governo que joga com a vida e a morte de seres humanos.”