O que explica a criação da Industriall-Brasil?

Em 17 de novembro, pegando de surpresa a maioria dos dirigentes da CUT, foi anunciada por Sérgio Nobre, presidente da central, a criação da Industriall-Brasil, com direção e mandato de dois anos, agrupando os ramos industriais da CUT e Força Sindical.

Numa carta dirigida à reunião da Executiva da CUT nacional de 19 de novembro, os seus membros João Batista Gomes e Marize de Carvalho colocaram o dedo na ferida (trechos abaixo).

Com que mandato se banca tal entidade?
“Com que mandato, de qual instância da CUT, o nosso presidente banca a criação de tal entidade?

Tanto a CUT como a Força sindical já eram membros da Industriall Global Union, então o que justifica criar uma entidade comum entre os setores industriais das duas centrais no Brasil?

Não queremos crer que seja um ensaio de unificação entre duas centrais que tem origens, compromissos e princípios tão diferentes (a Força sempre defendeu a colaboração de classes com os empresários e seu sindicato de aposentados acaba de receber o candidato tucano à reeleição em São Paulo, Bruno Covas, em sua sede).

Na live ‘CUT e Força unidas em defesa dos trabalhadores na indústria’, a Industriall-Brasil é apresentada como organização unitária cujo objetivo central seria a ‘reindustrialização do Brasil’. O que se daria através de projetos, via Congresso Nacional, para ‘recuperar, modernizar e expandir a indústria brasileira’, ‘ampliando o diálogo mundo do trabalho e setor produtivo’ e articulando o debate ‘entre empresas e universidades’.

Modernizar a indústria em parceria com os patrões?
Que a Força seja parceira dos patrões para ‘modernizar a indústria’, enviando projetos comuns ao Congresso, sem questionar a propriedade capitalista, nenhuma novidade. Mas a CUT aparecer propondo o mesmo, isso sim é inédito e mereceria uma discussão profunda, e não um fato consumado.

Essa nova organização ‘CUT-Força’ no setor industrial, obscurece a CUT, cria um foro paralelo aos da nossa central, deixa num segundo plano os princípios e a identidade cutistas, que nada tem a ver com o ‘sindicalismo forcista’ de colaboração com os patrões. Para que isso não prenuncie uma diluição da CUT, conquista histórica da classe trabalhadora brasileira, propomos que o tema seja discutido em todos os níveis da nossa central”.

Lauro Fagundes