Reintegração de posse na Bahia despeja 700 famílias Sem Terra

Na madrugada de 25 de novembro a Polícia Federal, apoiada pela Polícia Militar da Bahia, Pernambuco e outros órgãos, despejou cerca de 700 famílias Sem Terra (MST) dos Acampamentos Abril Vermelho, Irmã Dorothy e Iranir de Souza nos municípios de Juazeiro e Casa Nova, norte da Bahia.

A reintegração de posse em favor da Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba) foi expedida pelo juiz federal Pablo Baldivieso. A ação da PF e demais forças de segurança ocorreu com violência. Trabalhadores rurais do acampamento denunciaram “muita violência contra as famílias, muita agressividade, muito spray, muita bomba de fumaça”. A Comissão Pastoral da Terra (CPT) repudiou a decisão judicial e afirmou que “Bombas de gás, spray de pimenta, casas destruídas, trabalhadores feridos e cerca de 700 famílias sem ter para onde ir”. As quatro escolas com mais de 400 alunos cursando ensino fundamental e EJA (jovens e adultos), a plantação do acampamento e moradias foram destruídas pelos tratores.

A área do conflito abriga atualmente projetos de irrigação como o Salitre, com produção, sobretudo de frutas. Antes estas terras eram destinadas a monocultura e à especulação do agronegócio. A ocupação permanecia no local, com produção diária e comercialização, após acordo firmado em 2007 entre o Governo Federal, Estadual, Incra, Ouvidoria Agrária, Codevasf e o Ministério Público.

A desumana decisão judicial e a violência da polícia expressa de maneira inequívoca os tentáculos do estado de exceção instalado no país.

Em nota o PT de Juazeiro, Movimento dos Atingidos por Barragens e outras entidades afirmam que “o governo Bolsonaro abomina a Reforma Agrária e ainda incentiva a violência no campo” e que esse é “o formato truculento e na lógica de proteção e financiamento dos grandes empreendimentos agrícolas”.

O MST exigiu “posicionamento urgente do Governo do Estado da Bahia” e com razão. É o que deveria fazer a executiva estadual do PT. Até o momento o silêncio de Rui Costa é ensurdecedor!

Paulo Vilela