Venezuela, bloqueio e coronavírus

Em 18 de março, eram 33 os casos confirmados de infecção pelo coronavírus: 28 de pessoas vindas da Europa e 5 de Cúcuta, fronteira com a Colômbia. O governo decretou quarentena total desde o dia 17 de março em todos 23 estados da Venezuela.

Os voos vindos da Europa e Colômbia foram suspensos por um mês, o sistema de Saúde está em emergência com uma lista de 46 “hospitais sentinelas” em todo o país. Da China chegou material de proteção e kits de testes, e de Cuba o Interferon, que teve êxito na melhoria da defesa imunológica quando aplicado na China.

O presidente Maduro anunciou medidas de proteção dos trabalhadores e setores populares através do sistema “carnê da pátria”. E isso, numa situação que já era terrível antes da entrada do vírus no país.

O bloqueio criminoso havia sido acentuado com a renovação por Trump da Ordem Executiva que declara o país uma “ameaça à segurança nacional dos EUA”. Assim, sanções foram adotadas contra filiais do consórcio petroleiro russo Rosneft, visando colapsar a economia venezuelana.

O porta voz de Trump, Elliot Abrams, disse que serão sancionados os clientes da PDVSA na Ásia e não descartou um bloqueio naval na costa caribenha.

Os EUA coordenam uma nova escalada com os governos do Equador, Colômbia e Brasil. Bolsonaro visitou Trump, retirou o corpo diplomático da Venezuela e agora fecha a fronteira.

Defender o povo trabalhador
A pandemia e a quarentena trazem grande preocupação para a maioria do povo: sobre os postos de trabalho nas empresas privadas, pelos baixos salários, pela especulação dos monopólios farmacêuticos, que multiplicaram por mil o preço dos kits de proteção e especulação com alimentos e transporte.

O bloqueio e as novas sanções, combinados com a queda do preço do petróleo e a pandemia, levaram o governo Maduro a pedir um empréstimo de 5 bilhões de dólares ao FMI, do qual conhecemos as “receitas”, o que é outro motivo de preocupação.

É necessário controlar a distribuição e os preços dos bens e serviços essenciais; a máxima eficiência na gestão dos recursos e mão dura contra desvios; maior regularidade na distribuição das CLAP (cestas básicas), além de uma CLAP-Saúde.

O governo e os empresários devem garantir os salários e de todos que estão em quarentena, respeitando a estabilidade no trabalho, garantindo condições de higiene como prevê a lei.

A centralização de todo o sistema de saúde, incluindo o setor privado, sob gestão pública com a participação e controle de trabalhadores e especialistas, também se impõe para garantir instalações que recebam os que necessitem internação.

Alberto Salcedo, de Maracaibo