Volta a tensão China-Hong Kong: Milhares contra o projeto de Lei de Segurança

Manifestação em Hong Kong depois do inicio da pandemia

Em 22 de maio, em Pequim, Wang Chen, vice-presidente do Comitê Permanente da Assembleia Popular Nacional (APN), órgão legislativo da burocracia chinesa, anunciou que o projeto de Lei de Segurança Nacional de Hong Kong vai ser adotado em 28 de maio pela APN.

No mesmo dia, em Hong Kong, Carrie Lam, a chefe do executivo local, anuncia que seu governo vai “cooperar plenamente com o plano de Pequim para promulgar a Lei de Segurança” (HKFP, 22 de maio). Em consequência, milhares de manifestantes se reuniram em Causeway Bay para protestar contra esse projeto, apesar das granadas de lacrimogênio e de 120 detenções pela polícia.

Segundo o HKFP (24 de maio), “é a manifestação mais importante desde o surgimento do Covid 19, apesar da manutenção das regras de distanciamento social – limitando os grupos a 8 pessoas”.

Uma lei de Hong Kong decidida por Pequim. Para que?

Adrian, estudante do ensino médio de Hong Kong: “O Congresso Nacional do Povo, nesse momento reunido em Pequim, está prestes a adotar uma Lei de Segurança de Hong Kong. Esse projeto de lei restringe diretamente a liberdade de expressão em Hong Kong, ao tratar todas as manifestações como “comportamento desleal perante o país”, e o apelo à ajuda internacional como um “conluio com forças estrangeiras”.

Esta é outra tática do Partido Comunista Chinês e do governo de Hong Kong para reprimir as manifestações. Mas não é apenas uma outra tática para que o PCC restringir a liberdade de expressão em Hong Kong, é também uma grave violação da regra “um país, dois sistemas” do acordo concluído pela China e a Grã-Bretanha (origem do estatuto particular da ilha – NdOT). Isso já levou 200 dirigentes de países no mundo a manifestar-se contra o PCC, e cada vez mais honcongueses a querer a independência de Hong Kong, em vez das Cinco Demandas (plataforma inicial do protesto em 2019 – NdOT).

Mas mesmo que muitas pessoas não estejam satisfeitas com essa decisão de Pequim, o PCC continua a querer impor esse projeto na “lei fundamental” de Hong Kong. Isso só vai levar a represálias mais fortes por parte dos habitantes de Hong Kong e no mundo inteiro, provando mais uma vez a declaração “quanto mais vocês oprimem, mais nós revidaremos”.

Embora esse projeto de lei possa prejudicar um pouco o moral das manifestações, tenho certeza de que os honcongueses não irão desistir dessa batalha contra o PCC. E mesmo que esse projeto pareça devastador, isso pode também indicar que o PCC não tem mais muitas cartas na manga para reprimir as manifestações, isso significa que nós vamos sair lentamente vitoriosos no duro combate.

Seja o que for esse projeto de lei para o futuro de Hong Kong, acredito que o bem terminará por vencer o mal.”