Qual é a responsabilidade do PT?

Qual é a responsabilidade do PT?
“Não haverá justiça com moros e dalagnóis no judiciário”

A Executiva do PT tinha o que comemorar no dia 16 – a vitória de Lula no STF na véspera dia 15 (v. pág. 9) – mas também tinha muito com que se preocupar. A miséria, o desemprego e o caos sanitário não podem ser apenas tema de nota de protesto. Deveriam ser objeto de uma ação firme de Oposição no rumo de verdadeiros atos de 1º de Maio. Mas não foi assim.

Lula que estava presente, foi muito feliz ao lembrar que “não haverá justiça no Brasil enquanto houver moros e dalagnóis na judiciário brasileiro”. De fato, não é uma justiça de verdade para o povo. O PT deveria aprofundar a discussão dos meios para refundar as carcomidas instituições do país, as mesmas que produziram este Bolsonaro. A injustiça contra Gabrielli confirma a urgência da questão.

Mas parece que não será agora. Pois foi o próprio Lula quem informou os membros da Executiva de que o ato nacional das 9 centrais sindicais (virtual), onde ele está convidado, “será amplo geral e irrestrito, terá o FHC, um direito da CUT convidar porque ficou satisfeita no ano passado, e eu não reclamo”.

A maioria dos dirigentes não foi além disso, se é que não ficou aquém de Lula. Uma liderança propôs assumir “assumir os eixos do 1º Maio, e, como o MST, sobretudo levantar o Lockdown nacional”, como se ele fosse uma reivindicação, e não é. Outro dirigente propôs enfrentar o governo com um “gabinete do amor” por meio da “profissionalização da Comunicação da FPA e do PT nas redes sociais”. E quase todos os líderes que falaram, inclusive Lula, citavam inebriados o sucesso do chamado “PT Solidário”, campanha de coleta de alimentos, como chave da luta no período.

Que luta? Uma nota oficial comemorou 100 toneladas de alimentos em 15 dias arrecadados em todo o país. Nobre intenção, sem dúvida, ninguém seria contra. Mas isso daí mal arranha a questão, e não resolve para nada a necessidade de 19 milhões que passam fome, além de mais de 100 milhões em “insegurança alimentar”. O problema é que essa campanha pode estar desfocando a militância do PT da luta real pelo fim do governo responsável pela fome e pelo desemprego. Afinal, não é papel de partido político fazer assistência, para isso tem a caridade, as igrejas e as ONGs.

Na verdade, parece haver na direção uma resolução, não-escrita obviamente, de empurrar e esperar as eleições de outubro de 2022. Mas justamente porque “a fome não pode esperar”, nem as medidas sanitárias contra a pandemia podem ficar na mão de um genocida que sabota, por isso, é preciso lutar pelo fim do governo Bolsonaro o quanto antes melhor.

Esta é a responsabilidade do PT que nenhum “seminário” ou “live” resolverá. É para isso que o Diálogo e Ação Petista chama os militantes, parlamentares e dirigentes.

J.A.L.

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