A greve dos servidores gaúchos

Trabalhadores exigem retirada dos projetos do governador

Desde 14 de novembro os educadores gaúchos estão em greve. No dia 26 outras categorias aderiram ao movimento. É uma das maiores, senão a maior, greve da história do CPERS/Sindicato. Centenas de atos foram realizados no estado, com pais, alunos e um forte apoio do movimento sindical.

A assembleia do dia 26 reuniu mais de 10 mil professores e funcionários de escola e com outros milhares de servidores praticamente sitiou o Palácio Piratini. A comissão destacada para reunir com governo foi recebida com gás de pimenta e cassetetes, a presidente do sindicato, Helenir Schürer, foi agredida.

Parcelamento e congelamento
Desde 2015, no governo Sartori (MDB), teve início o congelamento dos salários, ao lado de seguidos meses de parcelamento e atrasos, em dezembro totaliza 48 meses. Em 2017 uma greve que durou 94 dias obteve êxito parcial impedindo maiores ataques.

O governador Eduardo Leite (PSDB) alinhado com os ataques de Bolsonaro, encaminhou à Assembleia Legislativa um projeto de restruturação das carreiras, que na prática representa a destruição de conquistas. O RS paga o pior salário do país.

Os projetos preveem ainda a retirada dos triênios, a implementação de contribuição previdenciária para os aposentados que ganham menos que o teto do INSS, a partir de 14% e a não incorporação das vantagens acumuladas na carreira.

CPERS exige retirada dos projetos
O movimento conta com diversas categorias, mas a greve geral dos servidores ainda não se materializou. A resistência dos setores da segurança é atribuída a bolsões bolsonaristas avessos à unidade, ao mesmo tempo direções alimentam esperanças de negociações em paralelo com o governo.

Diversos partidos da base aliada anunciaram que não votam nos projetos como estão, um convite claro para uma “negociação” que salve o pacote. A presidente do CPERS foi assertiva: “Nenhum diálogo é possível sem, antes, tratar das reivindicações urgentes da categoria: salário em dia, reajuste já e nenhum direito a menos. A educação merece respeito”.

Diego Pacheco

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