A juventude puxou, o povo se somou: as ruas deram a vitória à Lula!

A virada aconteceu e foi estrondosa. A juventude, sem esperar por nada nem ninguém, muito menos pelas direções dos partidos e do movimento operário e estudantil, tomou a frente já no dia seguinte ao 1º turno. As universidades fervilharam com assembleias abertas que logo se tornavam passeatas. “Trabalhador, olha pra cá, eu tô na rua pro seu filho estudar”, entoavam. Logo após somaram-se outros setores do povo, em mobilizações históricas que pintaram o país de vermelho e mudaram o cenário político nacional, de norte a sul, de leste a oeste.

Nas festas da vitória, em todos os rincões do Brasil, era evidente a emoção, mas acima de tudo, um sentimento de determinação. Era possível ver, no domingo a noite, nos olhos dos milhões que saíram de novo às ruas ou que cantavam nas janelas e sacadas dos prédios, que soltavam foguetes nas periferias e regiões centrais das cidades, a certeza de que foi pelas suas mãos que a vitória foi garantida. Certamente, nada será como antes.

Registramos na sequência alguns exemplos dessa batalha, a partir de registros de várias companheiras e companheiros enviados à redação.

Imediatamente após o resultado do 1° turno, diversos jovens começaram a se movimentar para buscar uma forma de ajudar a reverter o resultado e dar a Lula. Havia uma disposição diferente do que se via uma semana atrás. Agora, a juventude parecia querer assumir a campanha e fazer, pelas próprias mãos, a virada acontecer. Foi nesse ânimo que, através de um chamado do Diálogo e Ação Petista, foi criado o grupo “Jovens com Lula – Vencer no 2° Turno!”. No primeiro dia foram dezenas entrando, no dia seguinte eram centenas, jovens de todos os cantos de Santa Catarina – do litoral, do norte, da região serrana – todos buscando o grupo para fazer a virada acontecer.

Fizemos reunião, depois grupos por bairro/cidade, participamos dos atos com faixas, pirulitos e palavras de ordem. Hoje, os jovens seguem mobilizados, buscando, nesse pós-eleição, contribuir com a resistência, caso haja qualquer questionamento do resultado sobretudo por parte de Trump, e se defender da violência bolsonarista.

Ato em Florianópolis com forte presença de jovens

Em Itaparica, moradoras da comunidade do Marcelino criaram um grupo de Whatsapp e saíram chamando a comunidade para uma caminhada com Lula. Sem contar com apoio de partidos. Apenas da comunidade. Depois, dois vereadores acabaram ajudando com o carro de som e água. O mesmo aconteceu na localidade de Mar Grande. Estudantes secundaristas formaram um grupo e entraram em contato com a Associação de Jovens de Itaparica (AJITA), pedindo apoio na participação e organização do ato. As manifestações saíram em caminhada pelas ruas por Lula presidente e com uma faixa exigindo a construção de uma Universidade Pública na cidade. Foi criado um
novo grupo de base do DAP, que seguiu reforçando a campanha.

Novo grupo do DAP em Itaparica Bahia

Na Baixada Santista, onde o Sindipetro (Sindicato dos Petroleiros) havia convocado uma reunião que virou plenária com mais de 3 mil pessoas, várias atividades populares se disseminaram na sequência. Caminhadas, panfletagens com material confeccionado pelos próprios militantes e pequenos atos com caixa de som – nas universidades e na periferia – juntaram o grupo do DAP, a Central dos Movimentos Populares, o Movimento dos Atingidos por Barragens e companheiros da oposição do Sindicato dos Estivadores. Além da discussão da Reforma Política Radical, a questão da defesa da não privatização da administração do Porto de Santos e a ampliação dos programas de moradia foram levantados nas falas e materiais.

Atividade na periferia de Santos

Em Juiz de Fora os sindicatos de professores (Sinpro, Sindute e Apes), dos bancários, dos metalúrgicos e dos trabalhadores dos correios, tomaram a iniciativa de produzir um panfleto que informava como funcionaria o fim da Escala 6 x 1. Munidos desse panfleto sindicalistas e trabalhadores da base convocados pelos sindicatos se engajaram na distribuição. A recepção foi muito boa. Isso permitiu iniciar e aprofundar várias conversas que certamente fizeram os trabalhadores refletir sobre o significado do seu voto. Por razões jurídicas o panfleto não pedia o voto explicitamente, mas permitia aos trabalhadores tirar suas próprias conclusões.

Em uma loja, cinco vendedoras se reuniram para ouvir sobre a questão e quando alertadas a respeito do projeto das horas trabalhadas de Flávio Bolsonaro, quatro colegas imediatamente se voltaram para a única colega que pretendia votar em Flávio, questionando-a. A trabalhadora prometeu repensar sua decisão. Em muitos locais de trabalho os vendedores denunciavam a pressão patronal pelo voto em Bolsonaro e a recusa em implementar a 6 x 1. Em vários locais trabalhadores pediam adesivo de Lula para usar depois do trabalho, às vezes na frente dos patrões, demonstrando uma disposição de luta pelos seus direitos, que foi a marca desta campanha. Abaixo o panfelto:

Um companheiro de Taboão da Serra (no ABC paulista), Douglas, pesquisador da USP enviou um relato dizendo que essa eleição nos mostrou a importância das atividades de rua. Que é preciso não ficar restrito às redes. “As pessoas se acostumaram a se enclausurar nas telas dos celulares, ignorando o mundo à sua volta. O panfleto e a conversa olho-no-olho rompe esse isolamento dominado pelos algoritmos e abre espaço para que elas expressem sua empatia, seu repúdio e até seus sonhos. Consegui ganhar o voto de um adolescente indeciso que trabalhava na escala 6×1 e dependia de programas do governo. Também ajudei um eleitor de Lula a regularizar seu título, para garantir que sua ida a Minas não fosse em vão. Panfletar e conversar é preciso!”

Novas manifestações, depois das eleições, já estão sendo convocadas para comemoração da vitória. Na UFF (Universidade Federal Fluminense) em Niterói/RJ, onde a onda vermelha foi iniciada, já houve uma passeata massiva na segunda-feira pós 2º turno. É nessa força extraordinária que Lula precisa se apoiar, desde já e no seu 4º mandato. Para enfrentar as instituições, cada vez mais reacionárias e apodrecidas, e liderar um movimento rumo a uma Assembleia Constituinte Soberana, para fazer as reformas que o país e o povo tanto precisam.

Tiago Maciel

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