Violência da PM deixa 200 feridos no Paraná; greves também prosseguem em SP, SC, PE e PA

Depois do dia de conflito entre professores e policiais militares em Curitiba, no Paraná, o saldo é de 200 feridos, sendo oito em estado grave, 17 policiais presos (por recusarem-se a fazer o cerco aos professores, nota do editor do site), e muitos relatos de quem foi vítima da violência.

O Ministério Público do Paraná informou que abriu um processo para investigar as responsabilidades por eventual excesso na repressão das manifestações.

A professora Vera Machado publicou em um grupo nas redes sociais o depoimento em que diz “sou professora da rede estadual do Paraná. Meu esposo é professor da rede estadual do Paraná. Estamos de luto pela educação pública. De luto pela ausência das liberdades democráticas. Não estamos de luto pela ação do Poder Executivo do Paraná, pois não esperávamos outra atitude que não fosse autoritarismo, arbitrariedade e violência. Estamos de luto pela Instituição da Polícia Militar e pela atuação violenta do efetivo em serviço hoje, em Curitiba, pois por incrível que pareça, seus filhos são nossos alunos e eles, funcionários públicos”.

Entre os muitos relatos é possível perceber a tristeza, como relata Clarice Oliveira “de repente, sinto uma vontade imensa de escrever, mas as palavras me escapam pelas mãos. Estão arredias, fujonas mesmo. Hoje estou compreendendo a dificuldade de um Ferreira Gullar quando compara a arte de criar poemas, com escolher feijão. Não quero ser poetisa, longe de mim ter esse dom, me acho incapaz, mas quero e preciso falar um pouco, desabafar sobre o que vivemos hoje no Paraná”.

A confusão começou por volta das 15h, no Centro Cívico, em frente à Assembleia Legislativa, quando os deputados estaduais começaram a sessão para votar um projeto de lei que altera a previdência estadual. Os professores teriam tentado romper perímetro de segurança que a Polícia Militar traçou em torno da Assembleia Legislativa. A PM reagiu com bombas de gás, balas de borracha e jatos de água. Os manifestantes recuaram, mas os policiais continuaram jogando bombas de efeito moral. Um cinegrafista da Band foi atacado por um cão da raça pit bull.

Servidores públicos voltam às ruas no Paraná contra mudanças na previdência

O projeto de lei em votação na Assembleia Legislativa foi encaminhado pelo Executivo para alterar a previdência estadual. O governo paranaense quer tirar 33 mil aposentados com mais de 73 anos do Fundo Financeiro, sustentado pelo Tesouro estadual e que está deficitário, e transferi-los para o Fundo de Previdência estadual, pago pelos servidores e pelo governo, que está superavitário. A medida foi aprovada em votação, apesar dos protestos.

Os professores continuaram durante a noite em frente à Assembleia. A categoria segue em greve por tempo indeterminado.

O governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), disse que alguns partidos, entre ele o PT, inflaram os manifestantes ligados a sindicatos contra a Polícia Militar no confronto desta tarde em frente à Assembleia Legislativa. A declaração foi dada durante entrevista ao jornal Folha de S. Paulo.

— O pessoal do PT, alguns do PMDB, PSOL e PSTU claro que instigaram. A CUT tem presença forte aqui.

São Paulo

Professores da rede estadual de educação de São Paulo também realizaram protestos na quarta-feira. Em Campinas, eles bloquearam um trecho da rodovia Jornalista Francisco Aguirre Proença (SP-101). O grupo caminhou pela estrada até o Trevo da Bosch. Em Marília, centro-oeste do Estado, professores interromperam o tráfego nos dois sentidos da rodovia Transbrasiliana (BR-153), na altura do km 258, próximo da cidade. O trânsito ficou bloqueado durante uma hora.

Em greve há mais de 40 dias, os professores querem reajuste de 75% e melhores condições de trabalho. De acordo com a Secretaria de Estado da Educação, foram apresentadas propostas de uma política salarial para discussão com a categoria.

Fonte: R7

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