Centralizar a resistência e expulsar os golpistas

A resistência que se manifesta todos os dias, nas mais diversas formas, nos mais diversos lugares e atividades, pede uma centralização.

Vem em boa hora a decisão da CUT de abrir a discussão da greve geral, o único caminho para reverter o golpe contra os trabalhadores e a nação.

O governo golpista, infestado de velhas raposas da oligarquia predadora, a serviço do imperialismo, escancarou sua face.

As medidas anunciadas pelos usurpadores não deixam dúvidas. Cada dia mais que permanecerem no Planalto, numa afronta à democracia, é mais ameaça aos direitos e conquistas e de entrega das riquezas nacionais à rapinagem do capital financeiro.

Só a classe trabalhadora, através de suas organizações com seus métodos de luta, pode liderar um amplo movimento, com todas as forças vivas da nação, e derrotar o golpe.

Nesse caminho, nenhuma convivência institucional com o governo golpista e nenhuma vacilação em relação ao que deve ser feito: restituir o mandato à presidente Dilma.

Proposta como a antecipação das eleições presidenciais, abraçada por setores do imperialismo e ecoada no Brasil por Marina Silva, e outros, só faz corroborar o que foi o coração do golpe: anular o mandato popular dado em 2014.


CONSTRUIR A GREVE GERAL E DERROTAR O GOLPE


Propõem antecipação porque, diante de um governo “titubeante e desengonçado”, nas palavras do jornal Valor Econômico, rechaçado em manifestações dentro e fora do país, estão menos preocupados com o futuro de Temer e seus ministros, e mais interessados em criar as condições para aplicar a política rejeitada pelas urnas em 2014.

A exigência é uma só: restituir o mandato popular, e Dilma voltar à presidência para fazer o que deve ser feito.

Para tanto, diante do conluio revelado pelas gravações, entre os golpistas do Congresso e do Judiciário, é urgente acabar com estas instituições podres. Em 2013 Dilma apresentou a proposta da Constituinte do Sistema Político. Acuada pelo golpista Temer e pela OAB, não sustentou.

Agora, quando o joio começa a se separar do trigo, com o PMDB metido até a medula no golpe, fica claro a que serviu o “acordo nacional” com o PMDB.

A política de aliança para sustentar a continuidade do governo Dilma deve ser com os partidos e setores de partidos que estão na resistência ao golpe e compromissados com o programa afinado com os interesses da base social que deu o novo mandato em 2014, e que representa a maioria oprimida da nação.

Nenhuma concessão deve ser feita aos que querem entregar as riquezas nacionais e atacar direitos. Nenhum recuo no regime de partilha do Pré-sal, nada de reforma da previdência, fora o ajuste fiscal exigido pelo capital financeiro. Tais concessões permitiram que a marcha ao golpe prosperasse.

A base social que elegeu o PT, atingida duramente por essa política, uma vez convocada, saberá escolher o melhor terreno para prosseguir seu combate e derrotar o golpe.

Nessa tarefa nos engajamos, com o Diálogo e Ação Petista, atendendo ao chamado de seu Comitê Nacional “A luta continua, Fora Temer!

A resistência ganha novo impulso com a proposta da greve geral.

O próximo 10 de junho, dia nacional de mobilização com paralisações, deve ser preparado nessa perspectiva. Assembleias de trabalhadores devem ser convocadas pelos sindicatos. Os comitês contra o golpe devem ser dinamizados. É hora de avançar as condições para a greve geral que expulse os golpistas, reconduza Dilma com uma política voltada à maioria da nação. Abaixo o golpe, Fora Temer, nenhum direito a menos!

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