Chegou a hora de preparar a greve geral

CUT propõe calendário de discussão para deliberar no início de julho.

Convocada extraordinariamente em 24 de maio, a executiva nacional da CUT decidiu “abrir imediatamente o debate com suas bases sobre a construção da greve geral” (leia trechos da resolução abaixo).

Assim, o debate iniciado em reuniões anteriores desembocou numa proposta concreta que prevê a realização de assembleias nos sindicatos filiados, plenárias de ramos e das seções estaduais da CUT até o final de junho, culminando numa reunião ampliada da direção nacional, na primeira quinzena de julho, “para deliberar sobre a greve”.

Desde que Temer assumiu a presidência interina há manifestações quase que diárias contra o golpe e as medidas adotadas ou anunciadas por seu governo ilegítimo. Pesquisas já indicam que a grande maioria do povo é contra a sua permanência no poder e seu braço direito, Romero Jucá, não durou mais que uma semana como ministro do Planejamento. Temos, diante de nós, um governo interino que se pretende definitivo, mas que já nasce em crise e desacreditado, apesar do apoio maciço que teve do empresariado e da mídia.

É nesse contexto que a ação unitária da classe trabalhadora em defesa de seus direitos trabalhistas e conquistas sociais, em defesa do patrimônio público ameaçado de privatização (petróleo do Pré-sal, serviços públicos e estatais), pode, através da greve geral, provocar um giro na situação política do país expulsando o usurpador Temer e, como diz a resolução da CUT, “restabelecer o mandato popular e a democracia”.

Discutir e preparar junto às bases

Mas uma greve geral não se decreta de cima para baixo; para ser efetiva, ela deve ter apoio maciço dos trabalhadores e parar a produção.

Para tanto, os dirigentes sindicais, em todos os níveis, devem ir aos locais de trabalho, explicar o conteúdo dos ataques contra os direitos – seja na Previdência com a idade mínima de 65 anos, seja a proposta de que o negociado prevaleça sobre a lei (o que rasga a CLT), a desvinculação de receitas para Saúde e Educação, a entrega do Pré-sal para as multinacionais.

Uma greve geral não diz respeito só à base da CUT. É preciso ir também às bases de centrais sindicais alinhadas com o golpe – como a Força Sindical e a UGT – nas quais inclusive já há posicionamento de setores que discordam da posição pró-Temer das cúpulas. O que exige o engajamento das direções estaduais e de ramos da CUT também nessa tarefa e ressalta a proposta de realizar um “Encontro de sindicalistas contra o golpe e em defesa de nossos direitos”, presente na resolução de 24 de maio, com a CTB, Intersindical e setores de outras centrais.

Uma primeira oportunidade para “esquentar” a preparação da greve geral é o Dia Nacional de Mobilização e Paralisação de 10 de junho, convocado em conjunto com as Frentes Brasil Popular e Povo sem Medo. A Federação Única dos Petroleiros (FUP-CUT) já decidiu para esta data uma paralisação nacional. A hora é agora!

Julio Turra


Resolução da Comissão Executiva Nacio0nal da CUT de 24 de maio (trechos)

“A ação fundamental da CUT neste momento histórico excepcional é fortalecer a sua organização e mobilizar suas bases para o enfrentamento com o governo golpista. As ameaças de retrocesso e o ataque às conquistas e direitos da classe trabalhadora e do povo brasileiro já estão mais que anunciadas. Neste sentido, a Direção Executiva da CUT deliberou por abrir imediatamente o debate com suas bases sobre a construção da greve geral. (…)

O golpe, como a CUT vinha alertando desde o ano passado, é contra a classe trabalhadora e seus direitos e contra a soberania nacional. A greve geral é o instrumento para combater esses ataques. (…)

Na preparação da greve geral, a CUT deve promover a unificação das campanhas salariais do segundo semestre em defesa do emprego, dos salários, de melhores condições de trabalho, aproveitando este movimento de enorme mobilização para fazer também o enfrentamento ao governo golpista.

Não ao Golpe!

Fora Temer!

Em defesa dos direitos! ”

Leia a resolução na íntegra, clique aqui


Originalmente publicado na edição nº787 do jornal O Trabalho de 2 de junho de 2016.

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