Conferência europeia de emergência contra a guerra

Publicamos abaixo o chamado a uma conferência europeia de emergência


Abaixo a guerra!
Nem a Rússia de Putin, nem a OTAN!
Não à união nacional com os governos belicistas!

A Nova Corrente de Esquerda (NAR) e o Partido Operário Independente (POI) estivemos engajados, na Grécia e na França, por vários meses, na batalha para estabelecer uma ligação entre os trabalhadores e militantes confrontados em toda a Europa a uma ofensiva sem precedentes contra todas as conquistas da classe trabalhadora quando, em 24 de fevereiro, a guerra irrompeu.
Dirigimo-nos a todos os militantes, grupos e organizações:

  • Que se recusam a ser arrastados para a guerra lançada pela Rússia, pelos Estados Unidos e pela OTAN, uma guerra que o povo não quer;
  • Que recusam a união nacional exigida pelos governos empenhados na liquidação de todas as conquistas sociais.

    Desde a invasão militar da Ucrânia em 24 de fevereiro, muitas cidades estão sendo bombardeadas pela artilharia de Putin. Mais de três milhões de ucranianos, aterrorizados pelos bombardeios e combates mortais, fugiram pela rota da emigração. Por sua vez, os governos sob o comando da OTAN (incluindo os governos francês e grego) estão enviando dezenas de milhares de soldados para as fronteiras da Rússia e da Ucrânia, dos países bálticos à Romênia.

    Os Estados Unidos, a União Europeia e a OTAN têm constantemente apoiado a oligarquia ucraniana, responsável pela pilhagem, pela decomposição do país, condenando o povo ucraniano à pobreza e à emigração. Enquanto Putin agitava o nacionalismo da grão-russo contra o povo ucraniano, eles apoiavam governos pró-capitalistas na Ucrânia, governos que legitimavam o período de ocupação nazista. Isto, é claro, não justifica de forma alguma a invocação do governo russo da “desnazificação” da Ucrânia, que é claramente um pretexto para satisfazer seus interesses geopolíticos e econômicos.

    A decisão do governo estadunidense de Biden de ordenar, em 8 de março, a cessação de todas as importações de gás e petróleo russos revela a causa raiz dessa escalada bárbara. Os trustes e os oligarcas se enfrentam brutalmente pela partilha de um mercado mundial supersaturado.

    O governo dos Estados Unidos e seu braço armado, a OTAN, amarram todos os governos da UE aos seus tanques. Mesmo que os mais poderosos deles, Alemanha e França, tenham ao mesmo tempo seus próprios interesses particulares na Rússia, trata-se de America First (Estados Unidos em primeiro lugar). Sob esta pressão, as assessorias dos monopólios imperialistas estão engajadas em uma reviravolta, coordenada pelas instituições europeias, que ameaça destruir o aparato produtivo dos países europeus e todas as relações sociais baseadas no reconhecimento das conquistas políticas e sociais da classe operária.

    Esta convulsão condena milhões de trabalhadores e suas famílias ao desemprego, à miséria e à guerra. Os governos são solicitados a aumentar os orçamentos de armamento a um ritmo não visto na Europa desde a Segunda Guerra Mundial. O governo Scholz já decidiu um aumento, sem precedentes desde 1945, no orçamento militar alemão para 100 bilhões de euros e o envio armas e soldados para países que fazem fronteira com o conflito.

    A guerra na Ucrânia marca o início de um novo período em que as rivalidades entre capitalistas levarão cada vez mais ao uso de armas. A intensificação dessas rivalidades ameaça a própria sobrevivência da humanidade.

    As alegações dos Estados Unidos e dos Estados membros da União Europeia contra a Rússia são de uma total hipocrisia: foram essas forças que contribuíram para a desintegração da Iugoslávia, afogando os Bálcãs em sangue; foram eles que invadiram o Iraque e tantos outros países… Hoje, o aumento exponencial dos gastos militares à escala de toda a União Europeia, sob o controle dos Estados Unidos e da OTAN, a preparação geral da guerra, são os planos do imperialismo. Esta fuga para a frente está repleta de perigos. Na Grécia, por exemplo, a transformação de Alexandroupolis no centro da ofensiva da OTAN em direção ao norte, a exploração da base estratégica de Souda, o envolvimento militar cada vez mais intenso do Estado grego em todos os tipos de conflitos, alimentam novos distúrbios, sem falar nas consequências econômicas que estão sendo suportadas pela população.

    Os povos não querem a guerra. Nem o povo russo nem o povo ucraniano querem a guerra.

    Na Rússia, apesar da repressão e de dezenas de milhares de prisões, a população, os jovens, as mães estão se manifestando com uma coragem incrível contra a guerra, pela volta dos soldados às suas casas.

    Manifestações contra a guerra acontecem na Itália, Espanha, Grécia, França. Na Alemanha, protestos em massa pedem a paz enquanto o governo Scholz rearma o país. Em vários países (por exemplo, Espanha e Grécia), estão ocorrendo manifestações contra as bases da OTAN na Europa.

    Os governos a serviço do capital exigem a união nacional por causa da guerra. O patronato na Espanha declarou: “A realidade é que estamos em guerra. Este é um momento muito importante para conter os salários”. Ou o primeiro-ministro sueco que explicou, durante a cúpula europeia de Versalhes: “Gostaria de investir o dinheiro dos contribuintes nas escolas e para a seguridade social, mas temos que usar o dinheiro para a defesa”.

    Eles pedem a união nacional, enquanto a liquidação de milhões de empregos está sendo preparada. Eles exigem a união nacional, enquanto a guerra e as sanções contra a Rússia levam à especulação e à explosão dos preços das matérias-primas e dos bens de consumo.

    Eles pedem a união nacional na tentativa de amordaçar os trabalhadores e suas organizações, enquanto as medidas mais brutais são anunciadas contra as aposentadorias, contra os direitos sociais, contra os serviços públicos, contra toda as convenções coletivas sobre o contrato de trabalho.

    Com a união nacional, os governos exigem que os trabalhadores abram mão das reivindicações e das liberdades. Foi o que fizeram ontem em nome da pandemia, usando uma verdadeira estratégia de choque, combinada com uma campanha sistemática para fazer a população se sentir culpada, como ponta de lança de um ataque direto a todos os ganhos sociais. É isso que eles gostariam de fazer com a guerra, em proporções muito maiores.

    Nós dizemos: esta guerra não é nossa, ela está sendo travada pelos interesses dos trustes e das multinacionais. Os povos não têm nada a esperar, nada a ganhar com a competição imperialista, com os governos belicistas, onde quer que estejam.

    Apesar da propaganda e das pressões de todos os tipos, nós combatemos, face aos governos e aos capitalistas, para que prevaleça a independência de nossas organizações operárias e para que elas se neguem a renunciar às reivindicações, pela defesa de todas as conquistas sociais e liberdades, lutando por um futuro melhor em outra sociedade.

    Devemos contribuir, em cada país do Velho Continente, para ajudar os trabalhadores a rejeitar a união nacional, a reagrupar-se no terreno de classe para derrotar os planos da chamada “reorganização” da produção e das relações sociais. Esta é a única maneira de parar o mecanismo da guerra. Somente por meio da luta constante contra “o inimigo em nosso próprio país”, contra o capital e os governos a seu serviço, os trabalhadores poderão parar a espiral infernal e conquistar a paz.

    No momento em que a guerra e seus horrores estão mais uma vez no coração da Europa, é urgente nos reunirmos e discutirmos lutas comuns contra os governos belicistas, promotores das mais terríveis destruições sociais.

    É por essa razão que convocamos militantes, grupos, organizações, para uma conferência de emergência contra a guerra.

    Abaixo a guerra!

    Fim dos bombardeamentos!

    Retirada das tropas de Putin da Ucrânia!

    Fim imediato da escalada militar OTAN-EUA-UE!

    Não aos programas de armamento!

    Nem a Rússia de Putin nem a OTAN!

    Abaixo os governos belicistas!
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