É a economia, presidente Dilma!

Plano Levy: Trombada com os anseios populares.

Nesse mês de agosto, anuncia-se um acirramento da crise política aberta desde a reeleição de Dilma, pelos derrotados em outubro de 2014, para pressionar pela aplicação da política pró-imperialista, rejeitada nas urnas.

Um acirramento que se avoluma frente a um governo fragilizado, justamente porque, cede às pressões e abre terreno para as forças reacionárias avançarem.

A queda de popularidade de Dilma, na última pesquisa da Confederação Nacional dos Transportes (CNT) mostra o que se vê: para 84,6% a economia é a principal razão do descontentamento com o governo.

São os trabalhadores que veem o desemprego crescer em ritmo acelerado, são os que perdem emprego e direitos. E agora, com a Medida Provisória 680, do Programa de Proteção ao Emprego (PPE), em alguns setores, estarão confrontados à chantagem de manter o emprego com os salários rebaixados.

São os pequenos comerciantes que vão fechando as portas e as famílias que vão reduzindo o consumo. São os que sofrem com os cortes orçamentários nos serviços públicos.

São os petroleiros – e todos que precisam que a riqueza nacional seja usada em benefício do povo – que veem o desmonte da Petrobras em curso.

São, enfim, os que decidiram avançar para uma nação soberana os que sofrem as consequências da política econômica que avança, a passos largos, rumo a submissão do país ao imperialismo.

Esse é o ponto de partida e de chegada do Plano Levy.

E, até a chegada, é preciso avançar as reformas estruturais – como a flexibilização do mercado de trabalho, privatizações e concessões – como exige o capital financeiro.

Para sair da crise política é preciso mudar a política econômica, em favor de uma política que corresponda aos anseios dos que deram a reeleição ao PT.

Essa exigência, que marcou o primeiro semestre, vai continuar a ser levantada, porque agosto anuncia também um aprofundamento da luta dos trabalhadores em defesa de seus interesses.

“A greve de 24 horas desta sexta-feira foi a primeira de uma contundente mobilização da categoria”, diz a Federação Única dos Petroleiros (FUP-CUT) sobre a paralisação de 24 de julho, em cujo centro está a luta contra o desmonte da Petrobras, sob o comando de Bendine (já apelidado pelos petroleiros de “Vendine”).

Depois dessa primeira paralisação, onde os petroleiros demonstraram, de norte a sul, a disposição de defender os seus interesses e os da nação, os sindicatos filiados à FUP se reunirão no início de agosto, para tirar um novo calendário de paralisações, o que pode ser um importante ponto de apoio na via da unidade necessária para barrar o retrocesso que a atual política econômica representa.

A CUT, no último dia 28, realizou uma manifestação, diante do Ministério da Fazenda em Brasília. Numa faixa da CUT-DF se lia “Abaixo o Plano Levy e o ajuste fiscal”. Os docentes das universidades federais que estão em greve, os servidores públicos federais que estão em campanha salarial, todos veem suas reivindicações baterem no muro do plano de ajuste fiscal comandado por Levy.

Antes que seja tarde, é preciso ouvir os trabalhadores.

De novo, serão os setores organizados que derrotaram o retrocesso nas urnas, os que podem derrotar o “jogo combinado”, entre o PSDB, os setores ditos aliados, o Congresso Nacional e o Judiciário – todos a serviço do imperialismo – e defender o mandato conquistado e a democracia.

 

Artigo anteriorReflexões sobre a situação na Grécia
Próximo artigoJornal O Trabalho – Edição nº 770