Com milhões nas ruas, Lula tem vitória histórica!
Vivemos nos 21 dias do 2° turno as maiores manifestações populares da história do Brasil. Uma mobilização espontânea, capitaneada pelo levante da juventude, fez uma maré vermelha de milhões de homens e mulheres tomarem centenas de cidades do país. O povo entrou na cena política e tomou não só a campanha de Lula, mas seu próprio destino nas suas mãos. São centenas de relatos de auto-organização popular nestes dias, desde pessoas se juntando para organizar manifestações, equipes de panfletagem, produção de materiais (que faltavam nas primeiras semanas) e grupos de carona para ajudar as pessoas a votar.
Essa mobilização foi capaz de produzir o menor índice de abstenções, votos brancos e nulos no 2° turno adicionando (na soma) mais 4,8 milhões de pessoas na votação. Arrastou, como demonstra os dados eleitorais, boa parte dos votos dos outros candidatos e fez – inclusive – Flávio perder votos do 1° turno alguns lugares.

Flávio, “presidente do Brazil”
Um Flávio Bolsonaro choroso não reconheceu o resultado na noite de domingo. Na segunda-feira o PL, o seu partido, publicou uma nota reconhecendo envergonhadamente o resultado, enquanto Flávio – como o rato que é – fugia para os Estados Unidos. Trump, depois do silêncio inicial disse que a eleição “parecia fraldada”, o seu lacaio ao chegar em Miami que publicou uma carta ridícula se auto-proclamando presidente com o brasão dos Estados Unidos do Brazil (isto mesmo, com “z”, foi assim que apareceu o documento). Trump, foi perguntado pelos jornalistas sobre a carta de Flávio e respondeu “Não vou fazer comentário sobre isso, mas eu sei que demos a ele uma autorização para entrar no país. Mas eu não vou me envolver. Foi uma eleição muito estranha, isso é certo”.
Resistência mundial ao imperialismo
A mobilização popular inédita, com a juventude protagonista, arrancou a vitória em sintonia com os milhares de jovens que se levantam na França, na Itália, na Sérvia, na Bélgica, nos EUA e em dezenas de outros países contra a política do imperialismo que promove a guerra e a barbárie e seus apoiadores em diversos países. Uma política que joga o fardo da guerra nas costas do povo com o encarecimento do custo de vida, o corte de gastos sociais e o militarismo.
Ingerência imperialista
No Brasil o movimento rechaçou a ingerência imperialista, com a face mais evidente, da manipulação nas redes sociais. A Meta (dona do Facebook, Instagram e Whatsapp) bloqueou dezenas, senão centenas de perfis de apoiadores – inclusive do próprio Presidente da República e até do Estadão – manipulou para baixar o alcance das publicações pró-Lula e, por fim, admitiu em um comunicado vergonhoso que não dava tratamento igual aos dois candidatos por “problemas técnicos”. Há ainda apurações sobre o financiamento americano à campanha bolsonarista, cujas investigações não foram reveladas.

Povo mostrou o caminho
Há muito o que pensar sobre essa eleição para a direção do PT e sua militância. O resultado ruim do 1° turno foi o produto da política de quatro anos de governo e da direção do PT, acompanhada pela direção das organizações sindicais e populares, de fazer uma campanha baseada apenas no “legado”. É claro que tudo isso estava em questão com a vitória do bolsonarismo, mas há uma sede de futuro e esperança para a maioria oprimida da nação que está lançada em empregos desregulamentos, baixos salários e endividada. Ceder e se aliar à direita e ao “centrão”, como o PT fez em diversos estados, não falar da perspectiva das reformas estruturais que o país precisa levou ao resultado que vimos no 1° turno. O movimento popular espontâneo foi, inclusive, uma reação a isso e ajudou a empurrar a campanha de Lula no 2° turno para o caráter que ela sempre deveria ter tido, a luta da classe trabalhadora e da juventude pelos seus direitos sociais e que almeja uma transformação profunda e radical no país.
Lula às vésperas do 2° turno declarou “A partir dessa eleição, com a nossa vitória a gente vai ter que discutir um jeito novo de governar esse país, a participação do povo nessa campanha a saída da juventude, das mulheres, dos trabalhadores nas ruas, vai nos obrigar a fazer um novo jeito de governar, espere que vai ter muita novidade, este país nunca mais será o mesmo.” Depois da vitória, Lula reafirmou que precisa de “novo jeito de governar”, de fato.
Reformar é preciso
O PL, PP e União Brasil, apoiadores de Flávio, têm maioria no Senado e na Câmara. A crise no judiciário continua, como vimos na eleição. Romper com esse sistema podre é o único caminho para abrir uma perspectiva positiva para os milhões que se colocaram em movimento, com a liderança de Lula é preciso avançar para a Reforma Política e Judiciária Radical e assim, como afirma uma declaração do Diálogo e Ação Petista “abrir caminho para uma Constituinte Soberana livremente eleita, que proceda às reformas estruturais – revogue a Reforma trabalhista, o artigo 142 (GLOs), implante o Imposto das Grande Fortunas, decida a Reforma Agrária, as Reestatizações necessárias e a derrubada dos Juros.”
O povo mostrou o caminho, foi à luta e venceu. Mostrou que é possível reunir a força política necessária para romper com esse sistema podre e realizar as reformas radicais que o país precisa. Está força que se colocou em movimento nos dá a certeza de que este país, de fato, não será mais o mesmo.
Cristiano Junta
Ataques a comunidades indígenas
Depois do resultado do 2° Turno uma onda de violência contra comunidades indígenas emergiu, os ataques se intensificaram já depois do dia 5 de outubro. Grandes fazendeiros e grileiros apoiadores da candidatura bolsonarista fizeram diversos ataques em revide às mobilizações dos povos indígenas pela eleição de Lula.
No Mato Grosso do Sul, após o dia 25 de outubro, foi registrado um assassinato em Naviraí, atropelamentos de índios em Coronel Sapucaia e ameaças de morte e envenenamento da água consumida por comunidades em Tacuru e Nioaque. No estado se relata que 15 pessoas do povo Guarani-Kaiowá ficaram feridas por disparos de arma de fogo e balas de borracha.
Em Pernambuco, uma escola e um posto de saúde no território do povo Pankararu foram incendiados. O povo Parakanã, no sudoeste do Pará, foi alvo de ameaças no dia 12 de outubro. Eles foram ameaçados de ter seu território invadido caso o candidato à presidência, Flávio Bolsonaro (PL), vencesse as eleições.
Patronato bolsonarista persegue trabalhadores que votaram em Lula
Políticos bolsonaristas em diversos estados chamaram nas redes sociais a demissão de trabalhadores que tenham apoiado Lula no 2° turno. Só em Minas Gerais, até o dia 27 de outubro, o Ministério do Trabalho recebeu 240 denúncias contra empresas por perseguição política a trabalhadores. No país até ontem, 28 de outubro, somavam mais de 600 denúncias no Ministério Público do Trabalho.
No Paraná uma vereadora do PL de Londrina público nas redes sociais “Você tem uma empregada que é petista? Demita! Tem um funcionário que é petista? Demita!”. A deputada estadual do Rio de Janeiro Índia Armelau (PL) declarou “Não contrate quem odeia empresários. Quem gera empregos merece respeito. Eu não tenho dúvida de que fomos roubados. Ponto”. A reação do movimento sindical deve ser imediata!

