Dilma reeleita, a luta continua!

“A reeleição de Dilma no 2º turno, garantida pela mobilização popular em todo o país é uma derrota da reação pró-imperialista, alinhada com Aécio do PSDB, que utilizou todos os meios – inclusive o golpe de mídia da revista Veja – mas não foi capaz de impor o seu candidato!

A reeleição de Dilma se encadeia com a vitória de Evo Morales na Bolívia e o resultado do 1º turno no Uruguai com Tabaré na liderança, apoiados em setores organizados do povo trabalhador. Aqui, foi uma renhida e difícil vitória da militância do PT e dos setores populares, apesar da ‘política de alianças’ com o PMDB que se dividiu ao meio para apoiar Aécio.

Uma vitória arrancada nas ruas com grande participação da juventude, o que não apaga o fato de que o Congresso eleito em cinco de outubro é o mais reacionário desde o fim da ditadura militar, como tampouco apaga que a bancada federal e as bancadas estaduais do PT reduziram-se, com derrotas em bastiões tradicionais.

Justamente por isso, foi importante que Dilma, no seu discurso de vitória, tenha afirmado que a ‘primeira reforma a ser feita é a reforma política’, propondo ‘consulta popular através de plebiscito’.

Sim, é por aí que se pode avançar, pois com esse congresso não dá! E tampouco deve ser o Supremo Tribunal Federal quem vai ‘ditar’ uma reforma política à nação.

O impacto dos quase oito milhões de votos no Plebiscito Popular por uma Constituinte Exclusiva e Soberana sobre o Sistema Político, resultado recebido por Dilma em 13 de outubro num ato político em Brasília, não pode ser menosprezado.”

Assim, avaliava as eleições, a Carta O Trabalho publicada em 27 de outubro, para concluir:

“Aqueles trabalhadores e jovens que garantiram a reeleição da candidata do PT devem seguir mobilizados para cobrar as reivindicações da maioria explorada e oprimida de nosso povo. Mobilizados para que se torne realidade um Plebiscito oficial pela Constituinte para a reforma política, uma assembleia unicameral (sem senado), proporcional (um eleitor = um voto), sem financiamento de empresas e com voto em lista, o que sabemos depende de pressão popular sobre o Congresso.

Pois este é o único meio de avançar e destravar as reformas de fundo, como a desmilitarização das polícias, a reforma agrária, a reestatização das empresas privatizada e o fim do superávit fiscal primário, entre outras”.

E nem 24 horas se passaram para os inimigos saírem a publico para tentar reverter a sua derrota!

O “mercado” se comporta como vitorioso. Despreza a proposta lançada por Dilma e dá um conteúdo contrário às urnas ao que seria um diálogo.

O jornal inglês “Financial Times” exige “a urgente nomeação de um ministro da Fazenda com autonomia suficiente. Se ela não o fizer, os mercados financeiros forçarão um ajuste”.

Robson Andrade, presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria), exige: “o ajuste fiscal terá de ser feito. E tem as questões trabalhistas que o governo vai ter de discutir. A terceirização, por exemplo, vai precisar fazer alguma coisa”.

A luta já recomeçou!

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB) opôs ao plebiscito proposto por Dilma o referendo de uma reforma feita no Congresso. O presidente da Câmara, Henrique Alves (PMDB), quer fazer o referendo do seu projeto de contrarreforma, com voto distrital, etc.

O PMDB está sendo marionete do PSDB, cujo senador Aloysio Nunes (vice do derrotado Aécio) descartou “a lenga-lenga de plebiscito da reforma política”.

E agora, Dilma já teria recuado para o referendo, como interpreta a mídia?

Na verdade, a mídia distorce o que ela disse às emissoras Band e SBT.

Quando Dilma se referiu ao tema disse: “a consulta popular, seja na forma de referendo ou plebiscito”… e agregou que: “deságuam em uma Assembleia Constituinte”. Importante, pois na fala da vitória Dilma não explicitara a Constituinte.

O fato é que a reeleição de Dilma foi um suado triunfo popular sobre a reação, que já se rearticulou, inclusive na “base aliada”, para confiscar a vitória.

E só se completará “com a força do povo”, trabalhadores e jovens mobilizados, quando se instalar a Constituinte. É o que está na ordem do dia!

Artigo anteriorCarta da Corrente O Trabalho • 27 de outubro de 2014
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