Manifestações de 13 de março: sob medida para preparar o golpe!

Chamadas pela mídia e a oposição, financiadas por empresários e Organizações Não Governamentais.

É certo que as manifestações de 13 de março reuniram muita gente em todo o Brasil, em particular no Rio e São Paulo. Elas foram antecedidas (e preparadas) pela ilegal detenção de Lula em 4 de março, por uma escalada de pichações e ataques a sedes do PT, da CUT, UNE e outros partidos, sindicatos e movimentos; pelo bombardeio diário da mídia sobre as delações premiadas da Lava Jato e a prisão do marqueteiro João Santana.

Tão certo como o fato de que o povão não compareceu e que a esmagadora maioria dos participantes eram do “andar de cima” da sociedade. O próprio Datafolha – ligado ao jornal que também apoiou o 13 de março – concluiu que os manifestantes do ato da Avenida Paulista (o maior de todos) têm “renda e escolaridade muito superior à média”.

Em sua grande maioria brancos e da classe média alta para cima, eles destilaram ódio contra o PT e a Lula e pediram o impeachment de Dilma. Uma minoria pedia a volta dos militares e dava vivas a Bolsonaro, outros davam demonstrações explícitas de racismo e desprezo aos pobres -“que só servem para eleger políticos corruptos” – dizia uma faixa em São Paulo. Todos faziam do juiz Moro o seu herói.

Convocado por partidos de oposição, como o PSDB e o DEM, por setores do PMDB, por igrejas evangélicas e entidades empresarias em todo o país, os atos registraram hostilidade a parlamentares e políticos presentes em várias capitais. Em Salvador, o deputado Aleluia (DEM) quase foi atingido por uma garrafa quando discursava; em São Paulo, Aécio e Alckmin saíram correndo sob gritos de “oportunistas”. Até o “japonês da Federal” – condenado por corrupção, diga-se de passagem – tinha mais cartaz entre os coxinhas do que políticos da oposição oficial.

Ao escolher a Lava Jato como instrumento central para atacar as organizações que sustentaram as vitórias eleitorais de Lula e Dilma, em particular o PT, inclusive explorando os seus erros, os setores pró-imperialistas da burguesia e seus anexos acabaram criando o terreno para um estado de exceção que pisoteia garantias individuais e coletivas, uma ditadura do Judiciário.

Onde estava o povão?

Enquanto os jornalões brasileiros e as redes de TV davam cobertura aos atos nas áreas nobres ou centrais de grandes cidades, correspondentes estrangeiros foram à periferia de São Paulo e morros do Rio para saber o que pensava o “andar de baixo”. Encontraram um povo sofrido, preocupado com o desemprego e a crise econômica, decepcionado com o governo Dilma por ter feito o contrário do que prometeu, mas sem demonstrar qualquer simpatia com os atos dos “ricos”.

Um morador do Morro Pavão-Pavãozinho no Rio, ouvido por jornalista alemão da “Deutsche Welle”, declarou: “Eu via no prédio onde trabalho. Todos os ricos foram. E rico não gosta do PT e de pobre. Rico só gosta do trabalho dos pobres”.

A decepção com o governo Dilma e com o PT, que é real, não empurra os setores populares para a opção golpista. Reconquistar o apoio do povo trabalhador é a chave para barrar o golpe e, para tanto, se impõe um “cavalo de pau” na política econômica do governo.

Por fim, no 13 de março houve em Porto Alegre um ato na Redenção – parque próximo ao centro da cidade que agrupou milhares contra o golpe e em defesa de Lula, do PT e dos direitos dos trabalhadores, enquanto os coxinhas fizeram o seu no outro lado da cidade. Centenas de militantes se concentraram também diante da residência de Lula em São Bernardo.  Mas a mobilização contra o golpe e a ditadura do Judiciário será dada de forma maciça em 18 de março. Todos às ruas!

Lauro Fagundes

Artigo originalmente publicado na edição nº782 de jornal O Trabalho de 17 de marçode 2016

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