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	<title>Arquivo de Mundo - O Trabalho</title>
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		<title>Jornada Continental de março</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Feb 2026 17:54:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Mundo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A política fascista do ICE, com robusto financiamento projetado em 30 bilhões de dólares para este ano, assombra os milhões de migrantes que moram nos EUA. As deportações sejam as feitas diretamente pelo ICE somadas as “auto-deportações” já ultrapassam dois milhões de pessoas. O número de vagas nos centros de detenção pode chegar 100.000 leitos. [&#8230;]</p>
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<p>A política fascista do ICE, com robusto financiamento projetado em 30 bilhões de dólares para este ano, assombra os milhões de migrantes que moram nos EUA. As deportações sejam as feitas diretamente pelo ICE somadas as “auto-deportações” já ultrapassam dois milhões de pessoas. O número de vagas nos centros de detenção pode chegar 100.000 leitos.</p>



<p>O resultado se vê diariamente pela imprensa americana: perseguições, prisões arbitrárias, medo de sair às ruas mesmo entre os que possuem cidadania americana, e agora assassinatos em plena luz do dia como de Renee Nicole Good em Minnessota. O ano de 2025 registrou o maior número de pessoas mortas sob custódia do ICE desde 2004, segundo o jornal The Guardian.</p>



<p>A ação do ICE e a política de expulsão dos migrantes é parte da nova política nacional de segurança do governo Trump, a mesma que deflagrou a invasão militar na Venezuela e sequestrou o presidente Nicolas Maduro e sua esposa Cilla Flores.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-17cdfca8e4c312c5ed0157e3d2e7d241" style="font-size:21px">A preparação da Jornada</h2>



<p>A Conferência realizada em setembro na Cidade do México, que convocou a Jornada Continental de 08 a 14 de março de 2026, em sua declaração final denunciava e explicava que a defesa da soberania da Venezuela e dos países da América Latina se combinava na ação em defesa do direito a migração. Aqui no Brasil uma série de atividades está sendo realizada.</p>



<p>Em <strong>Recife</strong> está em construção junto à vereadora Kari Santos (PT), a realização de uma audiência pública em fevereiro de 2026. No <strong>Paraná</strong> uma atividade chamada pelo DAP em discussão com o mandato do deputado estadual Renato Freitas (PT) dirigida ao movimento sindical e popular está programada para o inicio de fevereiro para organizar uma audiência publica na ALEP (Assembleia Legislativa do Paraná) na semana da Jornada Continental.</p>



<p>No <strong>Ceará</strong> uma atividade do DAP em dezembro apresentou o Apelo à Jornada de Março, com a presença de delegados ao encontro da JPT. Em <strong>Minas Gerais</strong> o DAP junto com mandato do deputado estadual Betão realizará atividades em Valadares e em Belo Horizonte a partir da ALMG (Assembleia Legislativa de Minas Gerais).</p>



<p>Em <strong>Santa Catarina</strong> foi constituído um comitê local para preparação da Jornada em Florianópolis que reúne sindicatos, DAP, mandatos da vereadora Carla Ayres (PT) e Bruno Zilioto (PT), movimentos populares e lideranças de associações de imigrantes. Um ato na rodoviária da cidade para defender o direito a migração foi realizado em 14/12 em oposição à política do prefeito Topázio Neto (PSD) de tentar estabelecer uma espécie de controle migratório para deportar, ao estilo Trump, pessoas que chegam de outras regiões do país para morar em Florianópolis e que não possuem residência ou emprego na cidade. A atividade prevista para Jornada é a realização de um ato de rua no centro da cidade no dia 14 de março.</p>



<p>Em <strong>São Paulo</strong> também foi organizado um comitê local que reúne sindicatos, associações de imigrantes, movimentos populares, mandatos parlamentares e o DAP. O Comitê Paulista já participou da Marcha do Migrante em dezembro do ano passado e decidiu realizar a atividade da Jornada no dia 14 de março ato na histórica escadaria do Teatro Municipal. Na <strong>Bahia</strong> está sendo organizado um ato no consulado dos EUA em Salvador e está prevista uma reunião dia 26/1, e em Feira de Santana uma reunião dia 22/1 para preparar audiência pública em fevereiro na Câmara Municipal.</p>



<p>As mobilizações que ocorrem em várias cidades dos EUA, além de serem um fator de impulsão importante para as reuniões e atividades que ocorrem, demonstram que luta em defesa da migração é uma questão que diz respeito a todos os trabalhadores e povos.</p>



<p>Uma importante vitória, neste terreno foi campanha de boicote à Avelo Airlines. O Comitê Brasileiro que organizou a delegação ao México e prepara a Jornada no Brasil integrou na discussão em nosso país da campanha de boicote a empresa Avelo que opera os voos de deportados e anunciou uma compra milionária de aeronaves brasileiras da Embraer. A campanha realizada nos EUA por militantes DSA em conjunto com grupos de imigrantes, sindicatos, organizações religiosas estudantis e progressistas&nbsp; pressionou a empresa que anunciou o fim de voos de deportação dos imigrantes presos pelo ICE a partir do dia 27 de janeiro.</p>



<p>As ações para realização da Jornada Continental se espalham pelo país, nas próximas semanas entramos na reta final e a organização de comitês locais será decisiva em nossa contribuição nesta luta internacional contra o governo Trump e sua política imperialista.</p>



<p><strong>Renê Munaro</strong></p>
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		<title>Depois da Venezuela, Cuba?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 02 Feb 2026 16:00:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Mundo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>As imagens dramáticas dos blackouts de energia em Cuba e da população cubana sendo obrigada a cozinhar usando madeira como combustível expõem a perversidade do bloqueio imposto pelos EUA, agora ampliado pelo presidente Donald Trump e seu secretário Marco Rubio. Hospitais e escolas sem energia, num criminoso certo a ilha que, em 1959 com a [&#8230;]</p>
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<p><em>As imagens dramáticas dos blackouts de energia em Cuba e da população cubana sendo obrigada a cozinhar usando madeira como combustível expõem a perversidade do bloqueio imposto pelos EUA, agora ampliado pelo presidente Donald Trump e seu secretário Marco Rubio. Hospitais e escolas sem energia, num criminoso certo a ilha que, em 1959 com a revolução vitoriosa, expropriou as máfias oligárquicas associadas aos interesses estadunidenses na ilha. Nesse momento urgente, o Brasil pode fazer a diferença. O presidente Lula, precisa ser fiel ao compromisso histórico do PT de defender a soberania cubana. Lula pode e deve enviar Petróleo para Cuba para evitar uma tragédia humanitária causada pelo bloqueio estadunidense. O Trabalho publica o artigo do companheiro Angel Tubau, originalmente publicado no site do jornal operário espanhol <a href="https://informacionobrera.org/despues-de-venezuela-cuba/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Información Obrera</a>. &#8212; Alexandre Linares</em></p>



<p>Trump ordenou que, a partir de hoje, os secretários de Comércio, Howard Lutnick, e de Estado, Marco Rubio (filho de cubanos exilados), fiscalizem se algum país entrega, por qualquer via, petróleo a Cuba.</p>



<p>Pressionado pela impressionante mobilização em Minnesota, Donald Trump busca novamente uma ação “destacada” na política externa.</p>



<p>Na quinta-feira, 29 de janeiro, Trump assinou uma ordem executiva (equivalente a um decreto) na qual afirma: “Considero que a situação relativa a Cuba constitui uma ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional e à política externa dos Estados Unidos, e declaro uma emergência nacional em relação a essa ameaça”.</p>



<p>Esse decreto anuncia que seu governo imporá tarifas adicionais a todos os produtos de “qualquer país que, direta ou indiretamente, venda ou forneça petróleo a Cuba”.</p>



<p>Trump determinou que, a partir de hoje, os secretários de Comércio, Howard Lutnick, e de Estado, Marco Rubio (filho de cubanos exilados), supervisionem se algum país entrega, por qualquer meio, petróleo a Cuba.</p>



<p>Lembremos que, após a agressão militar contra a Venezuela e o sequestro do presidente Maduro e de sua esposa, Trump impôs à presidente “interina”, Delcy Rodríguez, o embargo a todo envio de petróleo a Cuba. A Venezuela era, até então, o principal fornecedor de petróleo da ilha.</p>



<p>Este decreto, portanto, tem um objetivo claro: pressionar o México para que interrompa os envios de combustível (sendo o segundo maior fornecedor até agora).</p>



<p>Trump concluiu dizendo, segundo a agência AP, que não será mais enviado petróleo a Cuba e que o governo cubano cairá. Até o momento, a Secretaria de Energia do México e a diretoria da PEMEX (Petróleos Mexicanos) mantiveram silêncio sobre o assunto; embora a presidente do México, Claudia Sheinbaum, tenha declarado que o México é soberano e decide por si só com quem comercia, a agência Reuters informa que o México já havia suspenso os envios de petróleo.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-9879e61a67f4c77219591695c488bd23" style="font-size:21px"><strong>À beira da asfixia?</strong></h2>



<p>Cuba depende do petróleo para o transporte e para o funcionamento de suas usinas termelétricas. Segundo dados oficiais do governo cubano publicados no jornal Granma (órgão oficial do Partido Comunista), o país atualmente consegue atender, por outros meios, a menos da metade da demanda elétrica.</p>



<p>Nestes mesmos dias, o jornal britânico Financial Times afirmava que Cuba dispõe de combustível suficiente para apenas 15 a 20 dias. Antes da intervenção dos EUA, a Venezuela fornecia cerca de 46.500 barris diários à ilha. O México entregava, em média, 17.200 barris por dia, cujos envios foram interrompidos em meados de janeiro. Outros fornecedores de petróleo incluem a Rússia, que enviou seu último navio em outubro, e a Argélia, que não enviou nenhum cargueiro desde fevereiro do ano passado, segundo a mesma fonte. Agora, de acordo com o New York Times, Cuba recebe apenas três mil barris diários. O país necessita de 100 mil barris diários, dos quais aproximadamente metade é destinada à geração elétrica e o restante ao transporte e à atividade industrial. Qualquer pessoa pode imaginar a catástrofe humanitária que o imperialismo estadunidense está organizando.</p>



<p>“Parece que não conseguirá sobreviver. Cuba não poderá sobreviver”, declarou Trump à imprensa na noite de quinta-feira.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-9bba9ac8952497461a0905c88a56737f" style="font-size:21px"><strong>63 anos de bloqueio</strong></h2>



<p>A vitória da revolução em Cuba em 1959, cujo desenvolvimento posterior implicou a expropriação dos grandes proprietários (muitos deles estadunidenses) e a destruição da ditadura de Batista e de suas instituições, provocou, muito cedo, a intervenção armada estadunidense. Em abril de 1961, a CIA organizou a invasão da Baía dos Porcos, que fracassou graças à mobilização do povo cubano. Desde então, sucessivas administrações estadunidenses impuseram e reforçaram um embargo comercial contra a ilha que, dada a predominância da economia dos EUA e por meio de pressões sobre países terceiros, transformou-se num verdadeiro bloqueio. Esse bloqueio foi condenado pela imensa maioria dos membros da ONU, cuja Assembleia Geral o rejeitou em trinta ocasiões (em 2024, apenas com os votos contrários dos EUA e de Israel).</p>



<p>A difícil situação econômica de Cuba é, em grande parte, resultado desse bloqueio, que impede a ilha de manter comércio normal com todos os países.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-64e5a84d126cb9bdea4b2519bc4a293d" style="font-size:21px"><strong>A defesa de Cuba frente à agressão imperialista</strong></h2>



<p>O jornal mexicano La Jornada conclui seu editorial de 30 de janeiro da seguinte maneira: “Na conjuntura atual, mesmo aqueles governos que nutrem aversão pelo regime político adotado pelos cubanos deveriam estar conscientes de que defender Cuba é, na verdade, defender toda a humanidade contra a arbitrariedade e o imperialismo descarado que o trumpismo sintetiza em seu lema ‘paz pela força’”.</p>



<p>Certamente, todo governo que defenda a democracia (isto é, o direito de cada povo decidir livremente sobre seu futuro sem imposições externas) deveria boicotar a ordem executiva de Trump. Isso inclui o governo de Pedro Sánchez e Yolanda Díaz. Assim como Hitler em 1938, o governo de Trump interpreta cada demonstração de fraqueza como um convite para novas ações. Contudo, não temos garantias de que algum governo venha a defender Cuba diante do império. Tal como ninguém defendeu verdadeiramente a Venezuela.</p>



<p>O que temos plena certeza é que, para todas as organizações do movimento operário e para todas aquelas que se proclamam defensoras dos direitos dos povos, é um dever agir agora em defesa do povo cubano.</p>



<p><strong>Andreu Tubau</strong></p>



<p></p>
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		<title>Reza Pahlavi, “a solução” da mídia ocidental para o povo iraniano</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 15 Jan 2026 20:58:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Mundo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A mobilização no Irã continua, assim como a repressão. A mídia não para de promover, como solução para o povo iraniano, Reza Pahlavi, filho do xá derrubado em 1979, que abandonou o país em 1977 para se formar como piloto de avião em uma academia militar dos Estados Unidos. O filho do xá não voltou [&#8230;]</p>
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<p><strong>A mobilização no Irã continua, assim como a repressão. A mídia não para de promover, como solução para o povo iraniano, Reza Pahlavi, filho do xá derrubado em 1979, que abandonou o país em 1977 para se formar como piloto de avião em uma academia militar dos Estados Unidos. O filho do xá não voltou ao Irã desde então.</strong></p>



<p>Nos Estados Unidos desde sua partida em 1977, o filho de Pahlavi cursou a universidade sem obter nenhum diploma. Finalmente, obteve um diploma por correspondência de uma universidade do sul dos Estados Unidos.</p>



<p>Quando os jornalistas lhe perguntavam como vivia naquela época, já que nunca havia trabalhado, ele respondia que recebia dinheiro de sua família e de apoiadores iranianos. Casou-se com uma iraniana rica, também refugiada nos Estados Unidos.</p>



<p>A mídia o apresenta como o herdeiro da “dinastia” Pahlavi, que não existe. Seu avô, que também se chamava Reza, era pobre e foi acolhido por seu tio após a morte de seu pai. Alistou-se no exército iraniano, nas “brigadas cossacas”, para sobreviver. Subindo na hierarquia, organizou um golpe de Estado em 1921 que lhe permitiu tornar-se o ditador que foi. Em 1925, destituiu o xá (termo que em farsi significa “imperador”) da dinastia Qadjar, que reinava desde 1788. O avô Reza autoproclamou-se assim o novo xá do Irã, mas foi afastado do poder “sob pressão dos aliados” em 1941, devido ao seu apoio a Hitler. Foi exilado na África do Sul. Seu filho, Mohammad Reza Pahlavi, sucedeu-o como xá.</p>



<p>Em 1943, foi organizada em Teerã a conferência que reuniu pela primeira vez Churchill, Roosevelt e Stalin, que culminou na conferência de Yalta, em 1945. Desde a sua posse, o xá instaurou uma ditadura das mais ferozes, dando continuidade à política do seu pai, chamada de ocidentalização, em particular com a proibição absoluta do uso do véu pelas mulheres.</p>



<p>Naquela época, eram os britânicos que dominavam a extração de petróleo no Golfo Pérsico (do Irã à Arábia Saudita). Os americanos e o Kremlin propuseram-se a ganhar posições. Até então, apenas 8% das receitas do petróleo revertia para o Irã.</p>



<p>Em 1951, sob o efeito das mobilizações e da situação mundial, o primeiro-ministro Mossadegh, líder de um partido nacionalista iraniano, procedeu a</p>



<p>nacionalização do petróleo. Os britânicos protestaram violentamente, enquanto os americanos e os soviéticos tomaram outra decisão.</p>



<p>O partido Tudeh, stalinista e dependente de Moscou, estava muito implantado no Irã. Ele não apoiava Mossadegh, em nome da luta contra a burguesia iraniana (!), mas apoiava a proposta do Kremlin, que queria que os campos petrolíferos do norte fossem explorados pelos russos e os do sul pelos anglo-americanos.</p>



<p>Os Estados Unidos se oferecem, então, como mediadores e a CIA organiza secretamente um golpe de Estado que derruba Mossadegh (1953), abrindo caminho para que as empresas americanas assumam o controle do petróleo iraniano em detrimento das britânicas. Os Estados Unidos também se encarregam de reconstruir o exército iraniano e o país se torna, junto com Israel, o pilar dos americanos na região. Em 1957, o xá cria sua polícia política, a tristemente famosa Savak, que será extremamente violenta e brutal. Em 1972, segundo a Anistia Internacional, havia cerca de 200 mil detidos nas prisões da Savak, sem contar as prisões civis. A tortura era generalizada. A delação se estendeu às famílias, onde ninguém mais ousava falar. Não há números oficiais sobre o número de pessoas assassinadas pela Savak, mas estima-se que tenham sido 60 mil assassinatos políticos. No início dos anos 70, sob o efeito da crise do petróleo e suas consequências no Irã, desenvolveu-se uma mobilização operária entre 1973 e 1978. Greves eclodiram e os trabalhadores tentaram formar grupos independentes opostos aos sindicatos oficiais do regime. Múltiplas provocações, e em particular o assassinato de religiosos, permitiram ao clero xiita apresentar-se como um opositor decidido ao regime.</p>



<p>Em 8 de setembro de 1978, uma manifestação em Teerã foi reprimida sangrentamente, o que provocou uma mobilização maciça em todo o país contra o regime assassino. O partido stalinista Tudeh ficou do lado dos aiatolás, supostamente “anti-imperialistas”. Diante da revolução, que derrubou o regime do xá em janeiro de 1979, a burocracia do Kremlin interveio militarmente no Afeganistão para “restabelecer a ordem”. O objetivo era contrariar os avanços revolucionários no Irã (que tem uma longa fronteira com o Afeganistão, que por sua vez fazia fronteira com a URSS). Para as massas iranianas, o Kremlin aparece como hostil aos povos da região.</p>



<p>E o partido Tudeh emprega todos os meios para impedir a generalização dos comitês de trabalhadores que estão se constituindo nas fábricas e dos comitês de bairro, em nome de uma “frente anti-imperialista” com o clero xiita.</p>



<p>Será necessário um ano inteiro após a queda do xá para que os aiatolás, com a ajuda dos stalinistas, consigam transformar os comitês operários em comitês islâmicos, expulsando todos os dirigentes operários combativos, e transformar os comitês de bairro em comitês do imã (ver box). No entanto, essa militarização da classe operária e da população no Irã não permite ao clero xiita instaurar seu objetivo principal, a saber, um emirado islâmico. Ele é obrigado a se contentar com uma república, certamente islâmica, mas uma república ao fim e ao cabo &#8211; embora a pluralidade dos partidos continue sendo muito limitada, já que eles são obrigados a aceitar as leis islâmicas.</p>



<p>Apesar de tudo, em 1979, ocorreu uma verdadeira revolução popular no Irã que derrubou o regime monárquico pró-imperialista e rompeu suas relações com Israel.</p>



<p>E a lufada de ar fresco que isso representou na região para as massas, confrontadas com os regimes árabes reacionários, obrigou o imperialismo a reagir.</p>



<p>Após o fracasso de uma operação militar dos Estados Unidos no Irã, os imperialismos pressionaram Saddam Hussein, no Iraque, a atacar o Irã, em setembro de 1980, provocando uma guerra que terminou em 1988 e causou, segundo estimativas, entre 300 mil e 1 milhão de mortos no Irã e 200 mil no Iraque. Apesar de sua natureza reacionária, o regime dos aiatolás continua sendo um espinho para o imperialismo. Por isso, após fracassar militarmente em sua tentativa de derrubá-lo, o imperialismo instaura um sistema de sanções que atinge duramente não o regime, mas a população iraniana. É ela que hoje se rebela para garantir sua sobrevivência. É o povo iraniano, e somente ele, que deve decidir seu futuro, e certamente não Trump nem o genocida Netanyahu.</p>



<p><strong>Lucien Gauthier</strong></p>



<p class="has-background" style="background-color:#e7e7e7"><strong>Os comitês revolucionários de 1979</strong><br>No final de fevereiro, o movimento dos trabalhadores para criar organizações de luta, os “sovietes” (conselhos), ganha força em todas as fábricas. O regime tenta desvirtuar e frear esse movimento. As reivindicações dos trabalhadores, em geral, são altamente políticas. Eles querem que os conselhos eleitos controlem a produção, a abertura dos livros contábeis, etc. Os trabalhadores do petróleo exigem o controle da produção petrolífera, a anulação dos contratos, etc. O governo intervém em todos os lugares para impedir o desenvolvimento democrático das eleições.<br>Assim, Bazargan (primeiro-ministro) desloca-se a Ahwaz, onde participa na dissolução do “comitê de greve eleito” e estabelece um “conselho islâmico” cujos membros são mais “designados” do que eleitos. 59 dos 64 membros do conselho serão funcionários e diretores especialmente inclinados a aceitar as decisões da direção. Em outra fábrica (General Motors), o governo e as milícias intervêm no momento das eleições. O conselho é selecionado pela direção e pelo governo, e seus membros são, em sua maioria, operários e funcionários <a href="#khomeinistas">khomeinistas</a>*. Em outras fábricas, os conselhos eleitos são os verdadeiros representantes dos trabalhadores. Nas fábricas onde pôde o governo tenta manter as antigas estruturas (sindicatos policiais) ou pede a seus membros que colaborem com o “conselho”. Dito isso, esses órgãos, às vezes realmente eleitos, às vezes impostos pelo “prestígio” do novo governo, tornam-se um meio para os trabalhadores levantarem a questão de sua organização. Mais tarde, em algumas fábricas, será levantada a reivindicação de novas eleições (mas é preciso dizer imediatamente que, na ausência de um partido revolucionário, o gigantesco movimento — desde o início da revolução — em direção aos conselhos eleitos não leva à sua centralização).<br>[…] Como as forças repressivas (exército e polícia) estão desarticuladas, o regime cria “comitês do imã” que logo passam a controlar os comitês de bairro. Estes últimos são cada vez mais depurados, com a exclusão dos elementos mais combatentes.<br>As pessoas dos bairros são substituídas por fanáticos khomeinistas e até mesmo por antigos agentes da Savak, formando todos eles a “milícia dos comitês”.<br><br>* Seguidores de <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Ruhollah_Khomeini">Ruhollah Khomeini</a>, líder do movimento islâmico a época, que se tornará o líder supremo Aiatolá Khomeini, de 1979 a 1989.<br><br><strong>Trechos das reportagens de Salimé Etessam, publicadas entre fevereiro e dezembro de 1979, no periódico francês <em>La Vérité</em></strong></p>
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		<title>Manifestações “No Kings” (“sem reis”), em 18 de outubro nos Estados Unidos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 29 Oct 2025 21:50:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Sete milhões de estadunidenses saíram às ruas para participar de uma das 2.700 manifestações contra a política de Donald Trump, organizadas por ocasião do segundo No Kings Day, no sábado 18 de outubro. Foram, no mínimo, um milhão de pessoas a mais do que na primeira edição, em junho passado. Convocadas por uma ampla coalizão [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Sete milhões de estadunidenses saíram às ruas para participar de uma das 2.700 manifestações contra a política de Donald Trump, organizadas por ocasião do segundo No Kings Day, no sábado 18 de outubro. Foram, no mínimo, um milhão de pessoas a mais do que na primeira edição, em junho passado.</p>



<p>Convocadas por uma ampla coalizão de associações, sindicatos e organizações políticas, as manifestações tiveram palavras de ordem condenando as batidas da polícia de imigração, o envio da Guarda Nacional às grandes cidades, as demissões de funcionários públicos durante o <em>shutdown</em> (paralisação no governo), os ataques aos dispositivos de proteção social, a política fiscal favorável aos mais ricos, a política de guerra contra a Venezuela, o plano de Trump para Gaza&#8230;</p>



<p>Essas manifestações massivas nas grandes cidades, mas que também ocorreram em vilarejos rurais geralmente muito favoráveis a Trump, são, no entanto, sintoma de uma situação muito diferente daquela vivida por vários países europeus. A taxa de aprovação de Trump, nove meses após a sua posse, continua alta, acima de 40% segundo as pesquisas: apesar de minoritário, ele continua sendo apoiado por grande parte da população.</p>



<p>Os Estados Unidos estão extremamente divididos entre os defensores da política trumpista de afirmação da supremacia do imperialismo dos EUA e os seus opositores. Em resposta aos protestos, Trump publicou um vídeo gerado por inteligência artificial de uma vulgaridade notável, no qual, com uma coroa na cabeça, ele montava um caça para bombardear os manifestantes com fezes. O estilo é o homem, mas também é sua política, uma política que visa deliberadamente exacerbar as tensões.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-2b23c69772fe725ea08239d3a9e04bc9" style="font-size:21px"><strong>O Partido Democrata transbordado</strong></h2>



<p>Alguns organizadores apelavam contra os “excessos” de Trump, pelo respeito à Constituição, na esperança de ressuscitar a perspectiva de um retorno a uma vida política estadunidense “normal”, com alternâncias e acordos entre maioria e minoria no Congresso. Essa esperança é vã: os democratas permanecem paralisados, presos entre a política de Trump e seus temores de levantar um movimento que os ultrapassaria – e os eliminaria. A propósito, a resposta do vice-presidente Vance às manifestações foi um vídeo, também gerado por inteligência artificial, representando Trump coroando-se como Napoleão e empunhando uma espada diante da qual os líderes democratas se prostram&#8230;</p>



<p>O <em>New York Times</em> de 18 de outubro relata que a multidão reunida na emblemática Times Square, em Nova York, gritava “<em>No more Trump</em>” (chega de Trump), expressando seu desejo de afastar Trump e sua política. Quanto às bandeiras palestinas empunhadas principalmente pelos militantes do Codepink ou do DSA, elas também questionavam a política de Biden e dos democratas. Brandon Johnson, prefeito democrata de Chicago (que foi eleito contra a elite democrata), convocou durante a manifestação em sua cidade uma greve geral em todos os Estados Unidos, sob os aplausos da multidão. Essa polarização crescente e a impossibilidade de continuar com a política “como antes” encontram sua expressão na eleição para a prefeitura de Nova York, no próximo dia 4 de novembro. Nesta cidade conquistada pelos democratas, Zohran Mamdani, membro do DSA (Socialistas Democráticos da América), está prestes a vencer, com um programa que prioriza os problemas enfrentados pelos nova-iorquinos: o preço dos aluguéis, os custos e a lentidão dos transportes, a falta de creches&#8230; com um programa de ruptura com a política de Trump e dos democratas.</p>



<p><strong>Devan Sohier</strong></p>
<p>O post <a href="https://otrabalho.org.br/manifestacoes-no-kings-sem-reis-em-18-de-outubro-nos-estados-unidos/">Manifestações “No Kings” (“sem reis”), em 18 de outubro nos Estados Unidos</a> apareceu primeiro em <a href="https://otrabalho.org.br">O Trabalho</a>.</p>
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		<title>GAZA – Em que pé está o “plano de paz de Trump”?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 29 Oct 2025 21:49:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Mundo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A trégua do lado israelense durou apenas um instante. Em 19 de outubro, uma explosão em Rafah destruiu uma escavadeira conduzida por um colono israelense. Acusando imediatamente o Hamas de ter rompido a trégua, Benjamin Netanyahu ordenou o fechamento dos corredores humanitários e reiniciou os bombardeios.&#160; Naquela mesma noite, ele se gabou de ter lançado [&#8230;]</p>
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<p>A trégua do lado israelense durou apenas um instante. Em 19 de outubro, uma explosão em Rafah destruiu uma escavadeira conduzida por um colono israelense. Acusando imediatamente o Hamas de ter rompido a trégua, Benjamin Netanyahu ordenou o fechamento dos corredores humanitários e reiniciou os bombardeios.&nbsp;</p>



<p>Naquela mesma noite, ele se gabou de ter lançado 153 toneladas de bombas sobre Rafah. Resultado: 44 civis mortos, incluindo mulheres e crianças. A versão oficial, porém, rapidamente desmoronou: a escavadeira havia passado por cima de uma munição israelense não detonada. Milhares de engenhos semelhantes ainda estariam espalhados pela Faixa de Gaza.</p>



<p>Sob pressão dos EUA, Netanyahu é imediatamente forçado a reabrir a passagem da ajuda humanitária e a reconhecer a realidade do incidente. Apesar dos fatos, a imprensa israelense ainda continuou por um dia inteiro a acusar o Hamas, mencionando supostos combatentes que surgiram de um túnel.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-5a91a56dae86128d3700fd8236a34f9e" style="font-size:21px"><strong>Uma trégua repetidamente violada</strong></h2>



<p>De acordo com o gabinete de imprensa do governo de Gaza, Israel cometeu 47 violações do cessar-fogo desde a sua entrada em vigor: disparos contra civis, ataques direcionados, prisões arbitrárias. Estes ataques prolongam a lógica genocida de destruição sistemática iniciada há dois anos. Desde o início da guerra, em outubro de 2023, foram identificados 68.216 mortos e mais de 170.000 feridos em Gaza, de acordo com os números divulgados pela agência Wafa em 20 de outubro de 2025.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-f8100141928db9ae01e05ff672f6f909" style="font-size:21px"><strong>O duplo discurso de Washigton</strong></h2>



<p>Diante dessa escalada, os emissários de Donald Trump tiveram que lembrar a Netanyahu que “o direito à autodefesa não justifica o questionamento do cessar-fogo”. No terreno, o exército israelense definiu uma “linha amarela” intransponível, anexando de fato cerca de 60% do território de Gaza. Além dessa linha (ver mapa&#8230;), toda a presença palestina está sob controle total.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="1010" src="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2025/10/mapa-gaza-linha-trump-80-1024x1010.jpg" alt="" class="wp-image-21128" srcset="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2025/10/mapa-gaza-linha-trump-80-1024x1010.jpg 1024w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2025/10/mapa-gaza-linha-trump-80-300x296.jpg 300w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2025/10/mapa-gaza-linha-trump-80-150x148.jpg 150w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2025/10/mapa-gaza-linha-trump-80-768x757.jpg 768w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2025/10/mapa-gaza-linha-trump-80-426x420.jpg 426w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2025/10/mapa-gaza-linha-trump-80-696x686.jpg 696w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2025/10/mapa-gaza-linha-trump-80-1068x1053.jpg 1068w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2025/10/mapa-gaza-linha-trump-80.jpg 1434w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<h2 class="wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-43b41582410d67cf2a34ee33a19a901b" style="font-size:21px"><strong>Quando os negócios ditam a paz</strong></h2>



<p>A aceleração da retomada do controle da situação diretamente pelo próprio Trump se explica em parte pelo caos diplomático provocado pelo ataque israelense a Doha em setembro, com o objetivo de matar os negociadores do Hamas que se encontravam lá. O Catar, mediador-chave entre Israel e o Hamas, é um parceiro estratégico e um terreno de negócios muito lucrativo para Jared Kushner, genro de Trump e principal negociador do “plano de paz”. Na CBS, Kushner explicou que, após o ataque a Doha, os círculos dirigentes estadunidenses consideraram que “os israelenses estavam perdendo o controle” e que era necessário “impedi-los de prejudicar seus próprios interesses”. Witkoff, enviado especial dos EUA, por sua vez, denunciou uma perda de confiança do Catar em relação a Washington: “Nos sentimos traídos”, disseram-lhe em Doha.</p>



<p>Um elemento importante dessa retomada está relacionado ao aumento da rejeição a Israel no mundo, à multiplicação das sanções oficiais impostas por países como a Espanha, aos processos judiciais movidos nas mais altas instâncias do mundo, aos apelos generalizados ao boicote, à organização de flotilhas, com ajuda humanitária. Neste contexto em que a imagem de Israel desmorona, mesmo nos Estados Unidos, inclusive no seu próprio campo, Trump decidiu reagir, acelerando um acordo à sua maneira.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-63c684ab22c2ac41dad98e2e83ffebfd" style="font-size:21px"><strong>O “modelo Trump: a paz do mercado”</strong></h2>



<p>Thomas Barrack, um dos seus conselheiros mais próximos, resume a visão do presidente estadunidense: “Cooperar através da segurança e do investimento.” Tradução: a paz como alavanca econômica, com uma ordem regional estabilizada pelos fluxos financeiros e pelos investimentos. Neste contexto, trata-se de preservar a todo custo o Estado israelense, ao mesmo tempo em que se tomam medidas para controlá-lo, pois ele continua sendo o principal braço armado do imperialismo dos Estados Unidos na região.</p>
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		<title>França: um verdadeiro tsunami</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 13 Sep 2025 20:55:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Um verdadeiro tsunami irrompeu neste 10 de setembro, com bloqueios e manifestações poderosas em pequenas e grandes cidades, reunindo uma massa de militantes, jovens e trabalhadores; com greves, algumas delas de grande escala, em vários setores e com assembleias de cidadãos notadamente massivas à noite. Aqueles que saíram às ruas o fizeram para afirmar em [&#8230;]</p>
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<p>Um verdadeiro tsunami irrompeu neste 10 de setembro, com bloqueios e manifestações poderosas em pequenas e grandes cidades, reunindo uma massa de militantes, jovens e trabalhadores; com greves, algumas delas de grande escala, em vários setores e com assembleias de cidadãos notadamente massivas à noite.</p>



<p>Aqueles que saíram às ruas o fizeram para afirmar em bloco sua rejeição a Macron (a palavra de ordem “Macron, renuncie!” voltou a ser muito repetida), sua rejeição à nomeação de Lecornu como primeiro-ministro e seu desejo de uma ruptura radical que exclua qualquer tipo de remendo.</p>



<p>Cada vez mais, Macron se torna o alvo dos protestos. Como o jornal <em>Le Monde</em> (10 de setembro) destacou: “<em>A exigência da saída de Emmanuel Macron, ponto de ligação das manifestações de 10 de setembro</em>”. Quanto ao Ministro da Guerra, Sébastien Lecornu, assim que foi nomeado primeiro-ministro, enfrentou uma impopularidade recorde (69% dos franceses não o querem). Ele mal começou a falar na retomada do “conclave” sobre as aposentadorias quando a Confederação Francesa dos Trabalhadores (CFDT), normalmente não inclinada a recusar o diálogo – para dizer o mínimo – recusou imediatamente: “<em>Está fora de questão relançar o &#8216;conclave&#8217;</em>”.</p>



<p>Até o Partido Socialista (PS), que no último período salvou a pele do governo de Bayrou [ex-primeiro ministro recentemente destituído após votação na Assembleia Nacional &#8211; Ndt] ao se recusar a censurá-lo, declarou pela voz do líder dos senadores, Patrick Kanner: “<em>Não vamos nos desgastar com um novo acordo de não censura por causa de ninharias</em>” (<em>L&#8217;Opinion</em>, 11 de setembro). Todos veem a amplitude da rejeição que pesa sobre o executivo.</p>



<p>Mesmo que continuem a ser tentadas, as manobras grosseiras do PS e de Glucksmann [eleito para o parlamento europeu em 2024, numa aliança entre seu partido -Place Public- e o partido Socialista, Ndt], bem como as do Rassemblement National (RN) [partido da ultra direita de Marie Le Pen -Ndt] e outros, para manter seus pequenos espaços, preservar o chefe de Estado e as instituições em nome da “estabilidade”, se tornarão cada vez mais difíceis. Em oposição a essas tenebrosas transações, está a França Insubmissa (LFI), que se opõe a qualquer “remendo” e que está ao lado das centenas de milhares de pessoas que se mobilizaram em 10 de setembro.</p>



<p>Nessa situação, o que foi expressado ontem com força e determinação está fadado a ressurgir, inclusive por ocasião da jornada de 18 de setembro, convocada pelas confederações.</p>



<p>Publicado no jornal francês Informations Ouvrières, 11 de setembro<br>Tradução Adaias Muniz</p>
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		<title>Mask off Maersk: a mobilização contra o envio de armas para Israel</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 03 Sep 2025 21:41:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Mundo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Mohammed Naboussi é um organizador, baseado no Texas (EUA), do Movimento da Juventude Palestina, que participou da Convenção Nacional do DSA (Socialistas Democráticos da América) como convidado. Ele está ativamente envolvido na campanha “Mask off Maersk” (desmascarar a Maesrk, uma das principais empresas de transportes marítimos). Você pode nos falar sobre o movimento “Mask off [&#8230;]</p>
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<p><em>Mohammed Naboussi é um organizador, baseado no Texas (EUA), do Movimento da Juventude Palestina, que participou da Convenção Nacional do DSA (Socialistas Democráticos da América) como convidado. Ele está ativamente envolvido na campanha “Mask off Maersk” (desmascarar a Maesrk, uma das principais empresas de transportes marítim</em>os).</p>



<h2 class="wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-072c88e6a7c38df3aebdc1f199b727b7" style="font-size:21px"><strong>Você pode nos falar sobre o movimento “Mask off Maersk”?</strong></h2>


<div class="wp-block-image is-style-rounded">
<figure class="alignleft size-full"><img decoding="async" width="123" height="123" src="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2025/09/Mohammed-Naboussi.jpeg" alt="" class="wp-image-20903"/></figure>
</div>


<p><strong>Mohammed Naboussi</strong>: A campanha “Mask off Maersk” é uma campanha que lançamos em maio de 2024. A ideia era expor e desmascarar o papel desempenhado pela empresa Maersk no transporte de cargas militares que alimentam o genocídio em Gaza.</p>



<p>Ao longo de vários meses, realizamos pesquisas que mostraram que a Maersk, em menos de um ano e meio, transportou mais de 2 mil toneladas de equipamento militar, incluindo blindagem para tanques e veículos de transporte de tropas, motores, cartuchos e veículos táticos Oshkosh, os mesmos veículos vistos transportando palestinos sequestrados de Gaza, amontoados na parte traseira. Vemos tudo isso como armas que alimentam o genocídio, e a Maersk joga um papel fundamental por meio do seu contrato com o Departamento de Defesa dos EUA.</p>



<p>Nossas pesquisas também mostraram que a Maersk estava violando o embargo de armas imposto pelo governo espanhol. Publicamos nosso relatório no outono passado e ele foi divulgado pelo The Intercept, uma mídia importante nos EUA. Como resultado dessa cobertura, o governo espanhol proibiu a Maersk de atracar seus navios militares em seus portos.</p>



<p>Desde então, a campanha ganhou impulso: publicamos outros relatórios não apenas sobre o papel da Maersk, mas também sobre governos como o Canadá e o Reino Unido, que afirmam estar aplicando um embargo de armas, mas continuam a enviar equipamentos militares, seja para treinamento ou para a própria guerra, usados em Gaza.</p>



<p>A rota principal passa por um porto no sul dos Estados Unidos: o Porto de Houston. A maior parte do equipamento, independentemente de onde é fabricado, passa por Dallas-Fort Worth, no Texas, em seguida é transportada para Houston e carregada nos navios. Esses navios vão para o porto de Nova Jersey, próximo a Nova York, e depois cruzam o Atlântico.&nbsp; Inicialmente, eles atracavam na Espanha, mas a Maersk agora é forçada a passar pelo Marrocos. Lá, o navio transatlântico descarrega sua carga, que é então transferida para navios menores que contornam o Mediterrâneo até o porto de Haifa, em Israel. Há também indicações de que alguns carregamentos passam pela Turquia, pelo Egito e, possivelmente, por outros portos do Mediterrâneo.</p>



<p>No Marrocos, um movimento popular surgiu em Tânger, no porto de Medport II, um porto arrendado pela Maersk. As autoridades marroquinas prenderam os manifestantes, que foram liberados posteriormente sob pressão popular. A Maersk, por sua vez, demitiu trabalhadores que se recusaram a manipular a carga militar. Esses trabalhadores se opõem à cumplicidade de seu porto com essa guerra. No outono passado, foram divulgadas imagens de câmeras de vigilância mostrando veículos táticos da Oshkosh passando pelo porto. Esses são os mesmos veículos que foram vistos transportando palestinos despidos em Gaza.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-fd640c83479f83062c26c443cb11b4f4" style="font-size:21px"><strong>Qual é a atitude do movimento operário nos Estados Unidos em relação ao envio de armas para Israel?</strong></h2>



<p>Há vários tipos de sindicatos. Alguns, em particular na Costa Oeste (em Oakland, na área da Baía de São Francisco), têm uma tradição de ativismo e oposição à guerra. Esses sindicatos são mais favoráveis à ideia de não participar do genocídio. Mas outros sindicatos nos Estados Unidos são mais nacionalistas em sua abordagem. Eles se concentram em demandas econômicas (“pão e manteiga”) e continuam a trabalhar para o exército mesmo quando estão em greve. Eles se descrevem como sindicatos pró-América. Não é que eles não apoiem os trabalhadores estadunidenses, mas sua visão do papel dos sindicatos no mundo é diferente. Por exemplo, os sindicatos de Houston e Nova Jersey são mais conservadores nesse aspecto.</p>



<h2 class="wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color has-link-color wp-elements-171446f2d6d03cd8d2ac521c2e1c51cc" style="font-size:21px"><strong>Então, a campanha Mask off Maersk é uma campanha mundial, não apenas nos Estados Unidos?</strong></h2>



<p>Sim, é uma campanha mundial, com foco no papel da Maersk, mas que faz parte de um movimento mais amplo para impor um verdadeiro embargo sobre as armas. Publicamos relatórios no Canadá, no Reino Unido e até na Dinamarca, onde a sede da Maersk foi ocupada por centenas de militantes, entre os quais Greta Thunberg. Essa ocupação foi uma resposta direta à nossa campanha. Outras ações foram realizadas no Marrocos, na Dinamarca e por toda a Europa. Esperamos que a campanha continue a se espalhar em escala global.</p>



<p>Também publicamos um relatório mostrando que a Maersk estava transportando mercadorias de e para colônias israelenses ilegais na Cisjordânia. Em seguida, a Relatora Especial da ONU, Francesca Albanese, também publicou um relatório denunciando a cumplicidade da Maersk não apenas na guerra em Gaza, mas na ocupação em geral. Depois disso, a Maersk anunciou que deixaria de transportar mercadorias destinadas ou provenientes das colônias ilegais.</p>



<p>Isso mostra que a Maersk é um alvo que pode ser pressionado. Eles afirmam respeitar os direitos humanos, mas suas ações contradizem esses compromissos. Eles afirmam que não transportam armas para zonas de conflito. Querem nos fazer acreditar que isso só se aplica a armas prontas para uso, com pólvora ou explosivos. Mas a guerra não é feita apenas com bombas. Ela é feita com peças de reposição, veículos, blindagens e motores. Não é apenas uma guerra, é um genocídio. E esse genocídio só é possível graças à logística, ao transporte e às cadeias de suprimentos. Israel não poderia continuar sem isso.</p>



<p>Sim, Israel tem uma indústria militar nacional. Mas ela não é suficiente. Seu objetivo é esvaziar Gaza de seus habitantes – uma limpeza étnica total. E para atingir esse objetivo, eles precisam prolongar essa guerra. Sua capacidade de prolongá-la depende da nossa capacidade de impor um embargo real, de parar de enviar armas e de desmascarar as belas palavras dos governos ocidentais. As declarações não salvam nenhuma vida em Gaza. O que salvará vidas é a interrupção total do fornecimento de bombas, balas, veículos táticos e tanques. São os povos, os trabalhadores, os sindicatos, as organizações populares que podem fazer isso. Não os governos com suas promessas vazias. E, vamos falar sério, para que serve um Estado palestino&#8230; se não houver mais palestinos para viver nele?</p>
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		<title>“Precisamos uns dos outros”</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 03 Sep 2025 21:41:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Mundo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em 23 de agosto, milhares de palestinos e judeus, manifestaram-se nas ruas de Tel Aviv (capital de Israel) para protestar contra o genocídio de palestinos em Gaza, perpetrado pelo Estado sionista, sob o comando do primeiro ministro israelense, Nethanyahu. O jornal Informations Ouvrières, do Partido Operário Independente da França, publicou declarações dos participantes dessa manifestação. [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><em>Em 23 de agosto, milhares de palestinos e judeus, manifestaram-se nas ruas de Tel Aviv (capital de Israel) para protestar contra o genocídio de palestinos em Gaza, perpetrado pelo Estado sionista, sob o comando do primeiro ministro israelense, Nethanyahu.</em></p>



<p><em>O jornal Informations Ouvrières, do Partido Operário Independente da França, publicou declarações dos participantes dessa manifestação.</em></p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Milhares de judeus israelenses e de palestinos do interior se manifestam juntos em 23 de agosto em Tel Aviv</strong></h2>



<p>A manifestação, convocada pelo Comitê de Acompanhamento Superior dos Cidadãos Árabes de Israel, que reúne o conjunto das organizações, partidos e associações árabes em Israel, reuniu entre 4 e 5 mil pessoas à Praça Habima, em Tel Aviv.&nbsp; A manifestação contou com numerosos participantes judeus, membros de associações que defendem direitos iguais e lutam contra o apartheid contra os palestinos. Sob o pretexto de palavras de ordem em hebraico lançadas contra o genocídio em Gaza e contra a legitimidade do Estado israelense, o chefe de polícia decidiu dissolver a manifestação. Encontramos vários manifestantes. Eles expressam uma posição que ainda é minoritária na sociedade israelense, mas suas vozes fazem um eco muito forte com as manifestações contra o genocídio que estão ocorrendo em todo o mundo. Nós lhes demos a palavra.</p>



<p>Com nossos correspondentes na Palestina</p>



<p><strong><em>Ronit Tsitiat, uma militante judia antissionista, explica sua presença na manifestação:</em></strong> “Neste ponto do genocídio e da fome, depois de quase dois anos, essas palavras não foram pronunciadas durante as manifestações. Não é mais suficiente dizer &#8216;pare&#8217;. Precisamos reconhecer o contexto mais amplo, ou seja, que o genocídio é o resultado do regime racista sionista e que sua manifestação atual é a continuação da limpeza étnica dos palestinos, que é inerente ao sionismo. Precisamos desmantelar a nação racista e trabalhar pela descolonização, dessionização e libertação. Somente quando o apartheid acabar, o genocídio terá fim”.</p>



<p><strong><em>Zohar Weiss</em></strong>: “Participei da manifestação de hoje porque não posso fechar os olhos para a fome, o cerco e a máquina de matar que continuam sem parar em Gaza, bem como para o abandono de reféns israelenses nos últimos dois anos.</p>



<p>Como judia, neta de sobreviventes do Holocausto, como um ser humano que não faz distinção entre sangue e sangue, eu me oponho claramente aos crimes de guerra cometidos por Israel e à sua política criminosa, que há décadas vem destruindo qualquer chance de paz e segurança para os habitantes deste país, tanto israelenses quanto palestinos.</p>


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<figure class="alignright size-full is-resized"><img decoding="async" width="510" height="771" src="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2025/09/Ato-TelAviv2.jpeg" alt="" class="wp-image-20905" style="width:266px;height:auto" srcset="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2025/09/Ato-TelAviv2.jpeg 510w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2025/09/Ato-TelAviv2-198x300.jpeg 198w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2025/09/Ato-TelAviv2-99x150.jpeg 99w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2025/09/Ato-TelAviv2-278x420.jpeg 278w" sizes="(max-width: 510px) 100vw, 510px" /></figure>
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<p>Trabalho para a associação Yad BeYad como organizadora comunitária em Haifa, uma comunidade de pais que, há 14 anos, vem criando um sistema de educação bilíngue para crianças judias e árabes em Israel, juntamente com outras seis comunidades em todo o país.</p>



<p>Todos os dias, optamos por ver o outro como um ser humano que tem direito à liberdade, à segurança e à igualdade, e acreditamos que o futuro que estamos construindo para nossos filhos é o futuro justo e desejável para nosso país manchado de sangue&#8230;”.</p>



<p><strong><em>Alexandra KleinFranke</em></strong>: “Sempre fui uma militante social e política, especialmente no campo israelense-palestino. Eu dirigia um sistema educacional judeu-árabe em Jerusalém e participo ativamente de várias organizações que ajudam palestinos dos territórios ocupados a ir a hospitais israelenses para tratamento médico. Participo de muitas manifestações contra a guerra e, mais ainda recentemente, quando ouvimos falar diariamente da fome em Gaza.</p>



<p>Portanto, era óbvio para mim que não havia outro lugar para estar a não ser na manifestação conjunta dos judeus e árabes contra a guerra e a fome em Gaza. A manifestação judaico-árabe é um farol de esperança.</p>



<p>Somente a cooperação entre judeus e árabes nesta terra cheia de dor pode trazer esperança de vida – em geral, e uma vida melhor – aqui, para judeus e árabes. A aliança dos dois povos é nossa única chance de criar um Estado que respeite todos os seus cidadãos e residentes, que mantenha uma sociedade de paz, igualdade e justiça.</p>



<p>Juntos, judeus e árabes, vamos gritar alto e forte: basta de destruição em Gaza, basta de fome e massacres de dezenas de milhares de mulheres, crianças e idosos em Gaza. Somos irmãos e irmãs, somos todos filhos de Deus”.</p>



<p><strong><em>Shai Rimon</em></strong> <strong><em>é militante de longa data da organização Ta&#8217;ayush, que combate o racismo e defende ações coletivas não violentas entre judeus e árabes</em></strong>: “Sou contra o genocídio em Gaza e participo de todas as manifestações de todos aqueles que não estão sob o controle da segurança militar israelense, a Aman. Eles não me representam. As manifestações em que árabes e judeus estão juntos são muito importantes para mim, e é por isso que também fui a uma manifestação em Umm al Fahm há algumas semanas. Também estive em Nazaré e Sakhnin”.</p>



<p><strong><em>Rachel Beit Arieh</em></strong><em>, <strong>ex-diretora geral da organização Zochrot (Lembrar), que documenta a história palestina antes e depois da criação do Estado de Israel e organiza visitas às ruínas das aldeias palestinas destruídas durante a Nakba</strong></em>: “Sou uma judia antissionista, estou aqui porque há um genocídio em Gaza e é nosso dever fundamental protestar contra ele, tentar se opor a ele e tentar acabar com ele por todos os meios. Esta manifestação, em particular, é resultado de um apelo do Comitê de Monitoramento e de organizações palestinas dentro da Linha Verde, (<em>Estado de Israel, Ndt</em>) e acho que também é nosso dever, como judeus, estar ao lado deles, apoiá-los e tentar acabar com o genocídio por todos os meios, em especial nesta manifestação aqui, no coração de Tel Aviv, no coração do establishment sionista, para fazer ouvir nossa voz contra o deserto, contra os sequestros de palestinos, contra as ameaças, contra o extermínio”.</p>


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<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" width="623" height="438" src="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2025/09/Ato-TelAviv3.jpeg" alt="" class="wp-image-20906" srcset="https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2025/09/Ato-TelAviv3.jpeg 623w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2025/09/Ato-TelAviv3-300x211.jpeg 300w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2025/09/Ato-TelAviv3-150x105.jpeg 150w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2025/09/Ato-TelAviv3-597x420.jpeg 597w, https://otrabalho.org.br/wp-content/uploads/2025/09/Ato-TelAviv3-100x70.jpeg 100w" sizes="(max-width: 623px) 100vw, 623px" /></figure>
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<p><strong><em>Majeed Asady, palestino do interior, explica por que está participando da manifestação</em></strong>: “Estar aqui, nesta manifestação, é uma oportunidade pessoal e histórica de participar da luta e da campanha mais justa que existe para pôr fim aos crimes de guerra, aos assassinatos e à fome infligidos a Gaza. Não podemos ficar parados observando, não podemos esperar que uma posição isolada nos proteja da morte e do massacre. Qualquer intenção de mudança e qualquer ação necessária contra o genocídio começa por fazer ouvir nossa voz e continuar a fazer ressoar nosso grito”.</p>



<p><em>Madjed segura um cartaz no qual escreveu</em>: “Continuarei a ver o mundo pelos olhos de Gaza; continuarei a ouvir o mundo pelo pulso de Gaza; continuarei a levar Gaza em minha língua e não me esquecerei; continuarei a escrever mesmo que as palavras percam seu significado e valor”. <em>Ele continua</em>: “Gaza é o espelho que nos mostra quem realmente somos e moldará nossa existência e o ser humano que somos na história contemporânea e futura”.</p>



<p><strong><em>Por fim, pouco antes de a manifestação ser dissolvida pela polícia, que prendeu violentamente vários de seus participantes, encontramos Ruti Lavi, membro do Ta&#8217;ayush</em></strong>: “Esta manifestação é particularmente importante para mim, porque é uma manifestação da liderança palestina e, portanto, é ainda mais importante estar ao lado deles e permitir que se expressem, porque há tentativas de silenciá-los, eliminá-los e expulsá-los em todos os lugares.</p>



<p>Em Gaza é pior, mas também acontece em Tel Aviv e em todos os territórios. Somente permanecendo unidos e dando-lhes voz e permitindo que gritem contra aqueles que os oprimem é que alcançaremos nosso objetivo principal e, então, obteremos liberdade e igualdade para o povo palestino”.</p>



<p><strong><em>Após a manifestação, ouvimos de Haviva Ner-David</em></strong>: “Sou rabino, escritor e militante. Participo ativamente das organizações Standing Together e Rabbis for Human Rights. Fui à manifestação de ontem porque acho que precisamos pôr fim a essa guerra, trazer de volta os reféns, parar os massacres em Gaza, tentar acabar com a crise humanitária no local e, esperamos, começar a trabalhar para encontrar uma solução diplomática para o conflito em geral. Acredito sinceramente que podemos viver juntos em paz nesta terra (&#8230;)</p>



<p>A única solução viável é compartilharmos a terra. Como nós, os militantes pela parceria, costumamos dizer, nenhum de nós está indo embora. As duas nações estão aqui para ficar. Portanto, temos que encontrar uma maneira de viver aqui juntos e em paz. Caso contrário, todos nós morreremos juntos. (&#8230;)</p>



<p>Também foi muito importante para mim estar aqui, porque é importante participar de todos os eventos que dizem respeito à solidariedade entre árabes e judeus. Acredito sinceramente que essa é nossa única esperança nesta terra, portanto, sempre que posso apoiar esse trabalho e fazer com que essa voz seja ouvida, eu o faço (&#8230;).</p>



<p>A grande manifestação de domingo em Tel Aviv também foi um sinal disso no movimento de protesto judaico, para aqueles que querem acabar com a guerra e trazer os reféns de volta. O fato de essa manifestação árabe-judaica ter ocorrido seis dias depois mostra que tudo isso faz parte do mesmo fenômeno.</p>



<p>Mas também mostra um despertar específico dentro da comunidade palestina israelense, um sinal de que as pessoas percebem que, se não se manifestarem, as coisas só vão piorar. O silêncio não é uma opção. E a esquerda judaica e a comunidade árabe não podem agir separadamente. Precisamos uns dos outros”. </p>



<p><strong>(tradução  Adaias Muniz)</strong></p>
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		<title>Israel: o jogo acabou?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 Aug 2025 16:50:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
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<p>Há mais de vinte anos eu clamei em alto e bom som pelo trágico fim do sionismo. Já naquela época, a democracia em Israel agonizava nas colinas dos territórios ocupados e a alma do país já estava infectada por uma doença fatal. Escrevi:</p>



<p>“<em>Depois de deixarmos de nos preocupar com as crianças palestinas, não devemos nos surpreender quando elas retornarem, cheias de ódio, para se explodirem em nossos centros urbanos escapistas. Elas entregam suas vidas a Deus no meio de nossas áreas de lazer, porque suas vidas são cheias de sofrimento. Eles derramam seu sangue em nossos restaurantes para estragar nosso apetite, porque têm filhos e pais famintos e humilhados em casa</em>.”</p>



<p>A realidade em Gaza é insuportável: crianças mortas, famílias famintas, bairros inteiros varridos do mapa. Lugares sagrados reduzidos a escombros, comunidades antigas dizimadas. E, mais uma vez, multidões de refugiados, muitos pela segunda ou terceira vez, encontram-se desabrigados na Faixa de Gaza sitiada. Desta vez, não há um opressor externo para culpar.</p>



<p>Nós somos os carrascos de Gaza. Consciente e propositalmente. E como se isso não bastasse, nossos crimes são agravados por uma indiferença assustadora. A maioria dos israelenses continua insensível e indiferente. A destruição de Gaza é uma condenação irrefutável da falência moral de Israel. E precisamos encarar a verdade: sem fundamento ético, Israel não tem razão de existir.</p>



<p>A resposta inicial de Israel ao 7 de outubro foi rápida e feroz. Foi o resultado de uma histeria coletiva que se espalhou por todos, desde o primeiro-ministro até o último cidadão. Mas a histeria rapidamente deu lugar a algo mais sombrio: uma campanha fria e calculada de vingança impulsionada por uma sede de sangue implacável.</p>



<p>E agora entramos em uma terceira fase. O governo israelense, com uma frieza arrepiante, está implementando um plano que há muito tempo vem fermentando na consciência nacional: apagar a existência dos palestinos de todas as áreas sob controle de Israel.</p>



<p>Perguntar se o projeto israelense fracassou é uma tentativa sincera de colocar palavras no abismo que separa a visão da realidade. Uma voz interior me diz: um Estado que nega sistematicamente os direitos de milhões de pessoas, que justifica massacres como uma estratégia de segurança e que eleva a supremacia judaica e a desigualdade ao nível de ideologia, esse Estado não pode mais reivindicar legitimidade moral. Provavelmente Israel, que se afastou de seus valores fundamentais e hoje desafia as próprias normas internacionais que o criaram, tenha perdido o direito de existir.</p>



<p>Não há uma resposta fácil. Não busco a destruição. Rejeito o desespero. Mas meus olhos estão bem abertos. E sei que chegamos a um abismo do qual só há um caminho para sair: um contrato social diferente. Não um contrato baseado no nacionalismo tribal, mas na humanidade comum e na igualdade dos cidadãos. Uma aliança na qual judeus e árabes vivam juntos. Não como inimigos, não como dominantes e dominados, mas como colaboradores para além do trauma. Que jurem a si mesmos e uns aos outros: “Nunca mais isto”.&nbsp;</p>



<p>Juntos, devemos empreender um novo caminho, diferente de todas as tentativas anteriores. Pois se não pudermos redirecionar o curso da história, então devemos admitir que acabou. Realmente acabou. E talvez com toda a razão.</p>



<p>Publicado no jornal francês Informations ouvrières (Tradução Adais Munis) </p>



<p>*Parlamento israelense</p>
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