No centro da situação a luta pela soberania

A ofensiva do imperialismo contra a Venezuela marca a situação no nosso continente. O governo venezuelano, em particular no período Chávez, está entre os que foram levados, a partir da luta do povo, a ir mais longe em medidas de confronto com os interesses imperialistas. É na Venezuela também que, nesse momento, o Departamento de Estado dos EUA vai mais longe na preparação de uma ingerência direta. De forma diferenciada, em todo continente, a palavra de ordem do imperialismo é “recuperar o terreno” pelos meios forem necessários. E no caso da Venezuela serve-se abertamente de grupos diretamente financiados e de porta-vozes internos e externos para colocar em questão um governo legitimamente eleito.

Se em todos os países a situação não é a mesma o objetivo é um só: o imperialismo em crise busca arrancar das massas as conquistas que impuseram com sua luta e aprofundar a pilhagem das nações.

Nessa semana chegou ao Brasil uma “missão” da agência de risco Standard & Poor’s. A que vem essa agência distribuidora de notas de confiabilidade dos países?

Os porta-vozes do capital financeiro, desde o Banco Central dos EUA alardeiam a fragilidade do país e prometem “acompanhar de perto”. Aí vem a agência de risco para imiscuir-se na situação interna e chantagear com notas que indicam aos especuladores o nível de confiança do país.

Cada situação é uma situação, mas coloca uma única questão: está em jogo a soberania das nações para que se possa avançar na satisfação das demandas das maiorias oprimidas.

Na Venezuela, a defesa do governo Maduro contra a ingerência dos EUA caminha junto à luta para que o governo avance uma linha de ruptura com o imperialismo.

Sob outra forma, no Brasil, a situação aberta em 2013 escancarou a necessidade de trilhar esse mesmo caminho: dinheiro para as demandas do povo e não para o capital especulativo. Ao cortar $44 bilhões do orçamento para engordar o superávit fiscal primário, exigência da especulação, o governo vai no sentido contrário.

É tempo de mudar a rota dos juros altos, das privatizações e superávit primário! Quanto mais concessões, mais o imperialismo vai exigir, e mais serão negadas as aspirações populares. E isso sim deixará o país em situação de fragilidade para enfrentar as investidas contra a nação e o povo.

Desde 2013 o país pede uma saída política diante do fosso entre as demandas populares e as atuais instituições.

Em sessão do Supremo o Tribunal Federal, o ministro Gilmar Mendes vangloriou-se que a Ação Penal 470 “foi um fortalecimento das instituições contra os desejos de “bolivarianismo à brasileira”. Pela boca de Gilmar Mendes falam as mesmas forças que na Venezuela questionam a legitimidade de um governo eleito.

Ora, “fortalecer” as atuais instituições do Brasil é bloquear a via para que a Assembleia Constituinte, colocada na ordem do dia pelas mobilizações, possa abrir caminho às profundas mudanças que estão por ser feitas para a conquista da soberania nacional e popular.

A campanha pelo Plebiscito Popular pela Constituinte para fazer a reforma política é um passo nessa direção, daí a importância do engajamento na construção dos comitês de base. As reuniões do agrupamento Diálogo Petista/Constituinte Por Terra, Trabalho e Soberania, que a Corrente O Trabalho integra, estão voltadas para ajudar a organizar esse combate.

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