PT, a volta por cima

Dia 10 de fevereiro o PT comemorou seu aniversário de fundação em alto astral. As perseguições feitas ao partido, a Lula e outros dirigentes estão sendo rechaçadas.

O juiz Moro é amplamente reconhecido pela suspeição, o inominável presidente tem dificuldade de tripudiar como era hábito, e a degradação das condições de vida leva o povo trabalhador a querer mudar. O jogo não está ganho, mas o “jogador” PT do time popular está na ofensiva.

Semanas antes, a última pesquisa do Data Folha registrou 28% de intenções de voto no PT, o melhor índice desde 2013. Ainda mais que os demais partidos são terra arrasada na pesquisa: PSDB e MDB aparecem empatados com 2% cada (o eleitor pode reconhecer políticos locais dessas agremiações, mas não os liga a partidos). Esses partidos, na verdade, estão empatados dentro da margem de erro com o PDT e PSOL que tem 1% cada na pesquisa. Triste, o PSB e o PCdoB não chegam nem a pontuar. Mas se vê na imprensa como falam grosso em exigências para uma “federação”, uma chantagem inaceitável!

Fala de Lula
O evento de aniversário transmitido na TVPT teve Haddad, Dilma, Gleisi, entre outros, e Lula. Ninguém lembrou de falar de federação.

Abrindo com a galeria de líderes e intelectuais fundadores, Lula fez uma deferência à “figura extraordinária do ‘trotskista’ Mario Pedrosa”, filiado nº 1 do PT, que foi delegado da América Latina ao congresso de fundação da 4ª Internacional (1938). Após descrever as origens classistas do PT, Lula, lendo então um texto, defendeu o “amor” em oposição aos “bens materiais”, uma marca da doutrina oficial do Vaticano, nem sequer da Teologia da Libertação. “A ganancia destrói o planeta”. Perguntou “Jesus Cristo, por que não amamos uns aos outros?”, e dá-lhe “desigualdade” e “ganância” de novo. Não havia Estados, mercado ou classes nesta fala.

Lula disse coisas muito certas e denunciou o “racismo estrutural” no país.

Mas nós estamos entre os que, marxistas ou não, entendem que banqueiro é ganancioso porque é banqueiro, e não o contrário, e doações sociais não mudam o fato. O industrial é explorador porque tira seu lucro da força de trabalho alheia, não é por uma atitude exploradora que vira industrial.

Sim, é preciso erradicar a ganância e a exploração, mas é um processo mais ou menos complexo, é o objetivo da revolução ao tirar o poder de Estado dos grandes proprietários, acabar com isso. Não precisamos anunciá-lo todos os dias, mas não podemos reduzir a desigualdade a uma questão moral, temos que avançar socialmente sobre a grande propriedade privada. A história mostra que não há outro caminho, para reformistas ou para revolucionários (que não é o tema aqui).

Qual era o objetivo deste discurso de Lula, aparecer amplo o suficiente para um “consenso” nacional, ou agradar à Opus Dei (direita da igreja) de Geraldo Alckmin? Não sabemos.

Mensagem de Melénchon
De todo modo, o PT e Lula receberam muitas mensagens que estão no vídeo.

No bloco de vídeos internacionais de congratulação, entre o SPD alemão e o presidente Fernandez da Argentina, se destaca a calorosa mensagem de Jean Luc Melénchon, candidato presidencial da França Insubmissa. Ele referiu que com Lula “somos dois candidatos de ruptura”, e denunciou, acho que foi o único, a perseguição do judiciário brasileiro a Lula, conforme ao seu próprio programa presidencial que propõe uma Constituinte Soberana, e com o fato de ter sido o único líder francês que visitou Lula na prisão em Curitiba.

Markus Sokol

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