Que lições a greve dos Correios deixa?

Depois de mais de um mês de greve nacional, os trabalhadores dos Correios voltaram ao trabalho no dia 22 de setembro. Uma greve vigorosa em defesa dos salários, dos direitos conquistados e da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), que o governo quer privatizar. Mas a greve não conseguiu derrotar o brutal ataque.

Um elemento central: apesar de tocar em questões que interessam a todos trabalhadores (salários, direitos) e a toda nação (defesa da ECT), num enfrentamento direto com os generais do governo, a greve ficou isolada. Não entre os trabalhadores dos Correios, que aderiram amplamente.

A primeira lição que fica: faltou a solidariedade ativa das organizações construídas pelos trabalhadores.

A começar pela CUT, através de suas instâncias estaduais deveriam chamar a mobilização dos sindicatos filiados de outras categorias, em solidariedade ativa ao movimento. E também faltou ao PT colocar em marcha seus diretórios municipais e parlamentares com ações concretas que expressassem que os trabalhadores dos Correios não estavam sozinhos na sua luta. É com base em lutas assim que se pode construir a unidade capaz de fazer frente ao governo.

Segunda lição: o governo não está de brincadeira, mas sim disposto a ir fundo, com o aval dos generais, como o Floriano Peixoto, presidente da ECT, nomeado com a missão de acabar com a empresa. A permanência deste governo coloca em risco todos os direitos, os empregos, as empresas estatais, a fauna, a flora, a vida.

Terceira lição: a luta pelo fim do governo poderia ter sido fortalecida com a solidariedade ativa nesta greve. Construir um combate consistente nessa direção, apoiando-se na resistência dos trabalhadores, é urgente. Não há outro ponto de apoio melhor na luta pelo fim do governo, pois não será deste Congresso que virá uma saída.

Os trabalhadores têm problemas imediatos que pedem respostas imediatas. Respostas para garantia de emprego, de proteção contra a pandemia, de salário, de voltar a ter comida na mesa, dos filhos poderem voltar às aulas em condições seguras. Enfim, o que possa garantir sua sobrevivência aqui e agora.

A luta direta da classe vai prosseguir.  E ali onde ela se manifestar é aí que as organizações da classe têm de estar.

No mesmo dia 21 em que três mil trabalhadores dos Correios de todo o país foram a Brasília para exigir a garantia dos direitos, o PT lançou seu “Programa de Reconstrução e Transformação do Brasil” (ver pag. 4).Do programa lançado pelo PT, é preciso extrair as necessárias medidas pelas quais lutar aqui e agora em sintonia com as lutas parciais e para abreviar, o quanto antes melhor, a permanência desta máquina destruidora que foi instalada no Palácio do Planalto.

As eleições municipais devem ser um momento para o PT fazer de cada uma de suas candidaturas às Câmaras Municipais e Prefeituras porta-vozes, nos bairros e locais de trabalho, propostas que permitam avançar a luta para tirar o povo do sufoco e expulsar o governo Bolsonaro do Planalto. Os grandes problemas nacionais não serão resolvidos em cada município. Mas a campanha do PT, além de buscar as vitórias locais com propostas concretas, como a recuperação e ampliação dos serviços públicos, deve ser a grande arrancada para avançar a luta para barrar o processo de destruição em curso, contra o qual os trabalhadores dos Correios sustentaram a mais longa greve da categoria.

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