Trabalhadores cobram testagem e EPIs

Numa campanha que cobra EPIs, testagem e melhores condições de trabalho, a Federação dos Trabalhadores nas Indústrias da Alimentação do Rio Grande do Sul (FTIA-RS), a CUT-RS e entidades nacionais do ramo lançaram a campanha ‘A carne mais barata do frigorífico é a do trabalhador’.

Os sindicatos denunciam que as empresas investem na testagem de carcaças e embalagens, fazem doações de respiradores e ambulâncias, mas resistem em proteger a vida dos seus próprios trabalhadores.

Por operarem em locais fechados, úmidos e com grandes aglomerações,  os frigoríficos se tornaram focos da Covid-19 nas regiões em que estão instalados. O que poderia ter sido evitado se medidas como a testagem dos trabalhadores e afastamento dos contaminados fossem efetuadas sem demora.

Setor se expande, trabalhador se ferra
Se outros ramos da economia viram desabar os negócios, este setor tem se expandido. A JBS, por exemplo, tem uma receita de R$ 200 bilhões e mesmo assim busca economizar em EPIs e raciona máscaras no local de trabalho.

É o que mostra a reportagem do The Intercept a partir dos relatórios da fiscalização do Ministério Público do Trabalho e de relatos de trabalhadores, os quais são orientados a guardar máscaras molhadas em sacos plásticos, deixá-las nos armários individuais e reutilizá-las no dia seguinte.

A própria JBS admitiu em 20 de julho, em ofício aos auditores-fiscais do Trabalho de Santa Catarina, que a troca de máscaras ocorre apenas uma vez por semana.

A “economia” na segurança nos frigoríficos tem uma razão, segundo as entidades que lançaram a campanha: “O trabalhador é tratado como mercadoria, de fácil substituição, um insumo com importância menor do que os produtos para exportação”. Dessa forma, o produto brasileiro leva uma vantagem competitiva no internacionalizado mercado da proteína animal.

Marcelo Carlini

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