Trabalhadores sofrem com brutal piora na renda

O Ministério da Economia divulgou em 27 de maio dados que revelam o esmagamento das condições de vida dos trabalhadores. De acordo com os dados, só nos meses de março e abril 9,2 milhões de trabalhadores formais tiveram seus salários reduzidos ou foram mandatos embora. 1,1 milhão foram demitidos e 8,1 milhões foram empurrados para o Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda criado pela Medida Provisória 936/20, que permite a suspensão do contrato de trabalho e a redução de salário e jornada.

Demissões
De acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), desses 1,1 milhão de novos desempregados a maioria vem do setor de Serviços, 458,7 mil. Na sequência, os setores que mais reduziram vagas de emprego formal foram: Comércio -296 mil, Indústria -223,5 mil, Construção -79,9 mil e Agricultura – 9,6 mil. De acordo com o Caged de janeiro até a primeira quinzena de maio, foram 2.841.451 de pedidos de seguro-desemprego no país, o que representa uma alta de 9,6% frente ao mesmo período do ano passado.

A taxa de desemprego, com isso, subiu para 12,2% no primeiro trimestre do ano, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Agora são 12,9 milhões de pessoas desempregadas no país, um aumento de 1,3% em relação ao final de 2019.

Corte de salários
O Ministério da Economia comemorou o sucesso do programa divulgando dados os quais mostram que, dos trabalhadores prejudicados pela medida, 54,4% tiveram seus contratos suspensos, ou seja, 4,4 milhões. Outros 991 mil trabalhadores tiveram redução de salário de 70%, 1,4 milhão redução de 50% e 1,1 milhão redução de 25%.

Ampla queda de renda
Porém, o número de trabalhadores formais que tiveram sua renda reduzida é ainda maior. Os dados acima não contam o mês de maio. De acordo com o próprio governo, até o dia 26, ao todo 1,2 milhão de empresas notificaram o Ministério para informar a suspensão de contratos ou redução de salários. Ou seja, 13,5% do total de empresas do país, excluindo as microempresas individuais.

Isso tudo é só parte do problema. Há ainda o corte de horas-extra e gratificações, benefícios associados aos salários com somas importantes em muitas categorias. É o que ajuda a explicar que algumas pesquisas apontam a possibilidade da redução de renda dos trabalhadores ser ainda mais ampla. De acordo com a pesquisa de uma agência financeira com 410 mil pessoas, 54% dos trabalhadores com carteira assinada tiveram redução de renda no mês de abril. Pior, há uma queda média de renda para esses trabalhadores de 31%. Entre os trabalhadores informais, 61% afirmam que tiveram sua renda diminuída em abril -esses perderam em média 37% de sua renda, de acordo com essa pesquisa.

Inadimplência
A diminuição da renda dos trabalhadores, como é esperado, leva à inadimplência. Segundo dados de uma empresa de monitoramento de crédito, a inadimplência de pessoas físicas no Brasil aumentou 5,8% em abril, frente a março desse ano. Já o índice de pessoas que não conseguem pagar suas contas de energia elétrica subiu para 10,16% de todos os consumidores no mês passado – no mesmo período de 2019, era 2,4%. Ao mesmo tempo, a taxa de inadimplência em faculdades privadas alcançou 26,3% no país, um aumento de 72,4% em comparação com o ano passado, informa a 2ª edição da Pesquisa Cenário Econômico Atual das IES Privadas.

Cristiano Junta

Artigo anteriorBolsonaro sente o baque e avança escalada
Próximo artigoItália: greve na ArcelorMittal defende empregos