Um 8 de março por democracia, direitos e pela vida das mulheres

O Dia Internacional de Luta da Mulher Trabalhadora de 8 de março no Brasil ganhou ainda maior importância dada a escalada autoritária de Bolsonaro, chamando seus apoiadores às ruas em 15 de março.

Os atos de 8 de março iniciam uma agenda unitária da CUT, demais centrais e Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, pela democracia e pelos direitos.

O mote adotado pelo PT de “Mulheres Contra Bolsonaro: a democracia não será silenciada!” estará presente nos atos unificados, enfatizando, é claro, as bandeiras próprias das mulheres.

Dentre elas, a denúncia contra a violência de gênero (doméstica, sexual, feminicídio), uma verdadeira epidemia no país, incentivada pelas atitudes de Bolsonaro. Segundo dados do Ministério da Saúde, uma mulher é agredida a cada quatro minutos, enquanto o governo federal não gastou um único centavo com o programa de combate à violência contra a mulher.

A Casa da Mulher Brasileira, criada no governo Dilma, com o objetivo de construir unidades de atendimento integrado para aquelas que sofrem com agressões físicas e psicológicas, foi zerada desde o início do governo Bolsonaro.

Assim, o orçamento executado da Secretaria Nacional de Políticas para as Mulheres caiu, desde 2015, já sob uma política de ajuste fiscal, mas ainda no governo Dilma, de R$ 119 milhões para insignificantes R$ 5,2 milhões no primeiro ano do atual governo, segundo “O Estado de São Paulo”.

As verbas federais gastas em 2019, primeiro ano de governo Bolsonaro, com o atendimento a mulheres em situação de violência foi de R$ 197 mil, o mesmo que nada!

Esse problema toma contornos locais. Em Juiz de Fora (MG), por exemplo, o PT lançou para o 8 de março um panfleto que denuncia a situação da única Delegacia da Mulher da cidade, que só atende poucas horas por dia, de segunda a sexta. As mulheres petistas exigem que a delegacia funcione 24h.

Mulheres petistas em ato em Juiz de Fora
Mulheres petistas em ato em Juiz de Fora

Mulheres ganham 22% menos que os homens
Segundo o DIEESE, as mulheres lideram as taxas de desemprego no Brasil, ganham menos e passam mais tempo em tarefas domésticas. No quarto trimestre de 2019, o rendimento mensal médio delas foi R$ 1.958,00 por mês, contra R$ 2.495,00 dos homens.

As mulheres trabalhadoras também são prejudicadas pela falta de creches públicas. Entre as que que tinham filhos em creche, 67% tinham trabalho remunerado; entre as que não conseguiram matrícula, só 41% trabalhavam.

Não faltam reivindicações e denúncias para massificar os atos de 8 de março. A grave crise que vivemos recai nas costas da classe trabalhadora, e de forma ainda mais perversa sobre as mulheres. Todas e todos às ruas no dia de luta da mulher trabalhadora!

Priscilla Chandretti

Artigo anteriorProtegido: Jornal O Trabalho n°861
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