Um dia do estudante limitado

A UNE decidiu em seu último CONEG realizar atos em defesa da democracia e por eleições livres no 11 de agosto, o dia do estudante. A iniciativa era justa frente às manobras golpistas de Bolsonaro e seus generais contra o voto popular num cenário onde Lula é o favorito nas eleições presidenciais. A presença de estudantes, no entanto, foi bastante limitada.

A cobertura da rede Globo destacou a presença da UNE nos atos de leitura da carta aos brasileiros, celebrando a união de amplos setores. Mas os estudantes que foram às ruas também levantaram cartazes contra os cortes orçamentários, com impactos nas bolsas e nos RU’s, dentre outras pautas, que são reflexo da política do governo atual apoiada pelas instituições e por empresários.

Em São Paulo, foi lida a carta intitulada “Em defesa da democracia e da justiça”, assinada pela UNE junto com FIESP e Febraban, que ao defender eleições livres alega que as instituições políticas com quem Bolsonaro hoje se choca “continuam garantindo o avanço civilizatório da sociedade brasileira”. Que avanço?

A juventude está sendo chutada para fora das salas de aula; 17 universidades comunicam risco de fechamento por falta de verba; a violência da polícia contra os jovens negros aumentou, bem como a fome e a miséria.

A luta em defesa do voto popular merece e precisa de todos os aliados. Mas cabe a UNE assinar um texto defendendo aqueles que pariram Bolsonaro e colocam a juventude no sufoco?

A situação da juventude no governo Bolsonaro é alarmante. Foi o que expressou a jovem Cárita Luísa no ato em Mato Grosso: “Somos a fila dos ossinhos no estado do agronegócio, a população sem comida e sem emprego.

Chega disso! Queremos a recomposição das verbas da educação, o passe livre e bolsas estudantis”. É isso mesmo. O respeito ao voto popular é para abrir caminho para mudanças radicais no país, onde a juventude possa ter um futuro digno. Sobretudo nesse momento é hora de levantar essas pautas para ajudar a encher as ruas.

No ato em Brasília que passou pela Esplanada dos Ministérios, a estudante Maria Clara do Centro Acadêmico de Letras da UNB afirmou: “Presidente ameaça golpe e as instituições não fazem nada. Elas que mantiveram ele lá e o ajudaram a passar a boiada. Só o povo salva o povo, por isso estamos nas ruas. Queremos Lula para reconstruir e transformar o país”.

Prosseguir lutando!
A 45 dias das urnas, é hora da mobilização ao redor da campanha Lula. Se a presença nos atos convocados pela UNE foi fraca, a capacidade de mobilização da campanha Lula, que lidera com 51% na juventude segundo a última pesquisa, por outro lado, tem o potencial de atrair uma onda de jovens nas ruas defendendo seus direitos e o voto popular. Os mais de cinco mil estudantes presentes na USP atestam o fato. Demandas essenciais como a recomposição das verbas e a instituição do passe livre estudantil em escala nacional, ligadas a medidas mais profundas como a revogação do Teto de Gastos, devem ser o objeto de discussão com cada vez mais jovens para ajudar a criar a força necessária para derrotar Bolsonaro e os generais e fechar esse capítulo trágico que se abriu.

Foi o que defendeu a Juventude Revolução do PT em panfleto distribuído nos atos de 11 de agosto: “A luta dos estudantes é do lado dos que querem reconstruir e transformar o país. Esse deve ser o lado da UNE. Com os que estão aí não dá mais”.

O caminho é seguir organizando a luta, nessa fase com panfletagens, reuniões, eventos culturais e etc., na defesa do voto popular e dos direitos da juventude, até a vitória de Lula nas urnas.

Katrina

Artigo anteriorLula e Haddad reúnem mais de cinco mil na USP
Próximo artigo11 de agosto: Bolsonaro ainda sem resposta