A causa do aumento da taxa de mortalidade infantil no Brasil

O golpe político judiciário, continua fazendo suas vítimas. As mais recentes, são os filhos dos trabalhadores e do povo pobre do Brasil.

Dados apresentados pelo Ministério da Saúde, demonstram um aumento da taxa de mortalidade (número de óbitos por mil habitantes nascidos vivos) em crianças de 0 a 5 anos de idade, vítimas de uma política que privilegia o capital em detrimento das políticas sociais, impostas pelo ilegítimo governo Temer.

A redução média anual em torno de 4,9% que vinha ocorrendo desde 1990 na taxa de mortalidade infantil (a média mundial estimada é redução de 3,2 %), foi interrompida em 2016, e os dados divulgados mostram um aumento de 5% em relação a 2015, ou seja,14 óbitos infantis por mil habitantes nascidos vivos.

Foram 36.350 mortes até 5 anos de idade, sendo 19.025 nos primeiros 7 dias de vida.

É a primeira vez que, desde 1990, há um aumento da taxa de mortalidade. O Ministério da Saúde responsabiliza a epidemia da Zika e a crise econômica, como os vilões do aumento das mortes.

A Zika (queda de nascimento e a morte por malformações), influência no cálculo da taxa de mortalidade. E uma das principais razões foi o desmonte das políticas de combate às endemias causadas pelo mosquito Aedes aegypti promovidas pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa).

Mas é a crise econômica o fator principal do aumento. A crise tem impacto na nutrição das pessoas (alimentação), nas condições sanitárias das famílias e dos bairros onde vivem (incapacidade dos municípios investirem em saneamento) e mesmo no déficit de acesso à saúde pública. Tratam-se de mortes que poderiam ser evitadas, se as famílias tivessem emprego (renda), e se o governo não promovesse cortes brutais em programas sociais e na saúde pública.

A taxa de mortalidade que era 30,1 no ano 2000 passou para 26,1 em 2003, e chegou a 14,3 em 2015, o menor índice desde 1990, coincidentemente, quando o PT assumiu o governo do Brasil com Lula (2003-2011) e Dilma (2011-2016) e a volta do aumento em 2016, com o governo ilegítimo de Temer, como mostra o gráfico abaixo da taxa de mortalidade infantil.

grafico mortalidade infantil

E a tendência é o aumento no número de mortes das crianças de 0 a 5 anos de idade em 2017 (dados ainda não divulgados), e prevista no mínimo em 13,6 e nos anos próximos 20 anos, se continuar o congelamento dos investimentos na saúde.

Osvaldo Martinez D´Andrade, médico, com especialização em Pediatria e Saúde Pública.