A crise em João Pessoa

O PT de João Pessoa (PB) passa por uma crise cuja responsabilidade cabe, em primeiro lugar, à direção nacional.

Recapitulando. O DM-JP, por orientação da presidência e do responsável pelo GTE construiu uma candidatura própria do PT à prefeitura. Por unanimidade foi definido nome de Anísio Maia, com o PCdoB de vice. Em 15 de setembro em reunião do DN-PT foi colocada a discussão da necessidade de buscar um acordo com o PSB que, naquele momento, apresentava o nome de uma deputada estadual como candidata à prefeitura. A discussão construiu um acordo: propor ao PT-JP buscar construir uma aliança com o PSB oferecendo a vice. No próprio dia 15 houve uma reunião das Executivas Nacional e Municipal e a proposta foi acatada. No dia seguinte houve uma reviravolta. Ricardo Coutinho (ex-governador da PB) apresentou-se, a poucas horas da instalação da convenção do PT local, como candidato do PSB a prefeito. A maioria do DN-PT (votação por zap) decidiu que o PT deveria retirar a candidatura e apoiar Coutinho. A convenção do PT-JP reafirmou a candidatura própria.

É fato que Ricardo Coutinho representa os setores populares, no caso do PSB, mencionados na resolução de aliança do 7º Congresso. No governo, foi contra o impeachment de Dilma, defendeu Lula indo visita-lo na cadeia. Na perseguição judicial (Operação Calvário) que é vítima, Coutinho conta com o apoio do PT. Apoiá-lo como candidato a prefeito era admissível. Mas não como foi feito. Na undécima hora e depois da construção feita, por orientação da nacional, da candidatura própria!

O atropelo abriu a crise
A Executiva Municipal de João Pessoa, erradamente decidiu judicializar o caso e a Justiça Eleitoral decidiu pela habilitação da candidatura do PT. Agora está posto para o DN-PT discutir a intervenção no PT-JP, proposta pela maioria da Executiva, com a abstenção do Diálogo e Ação Petista.

Como diz Fernando Cunha, do DAP local e dirigente do PT, que foi voto solitário na Executiva Municipal contra levar o caso à Justiça: “o estrago está feito. Foi errado judicializar, mas o atropelo da nacional é que abriu a crise”.
Correspondente