Ato reuniu milhares pela liberdade de imprensa em São Paulo

Um grande sucesso: o Ato em Defesa da Liberdade de Imprensa, do Jornalismo e da Democracia reuniu cerca de 1.200 pessoas no Salão Nobre da Faculdade de Direito da USP, em 9 de setembro, uma segunda-feira à noite, para expressar o repúdio às ameaças e agressões do governo Bolsonaro a jornalistas e a órgãos de imprensa.

Convocado pelo Sindicato dos Jornalistas de SP, Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Instituto Vladimir Herzog e Ordem dos Advogados do Brasil, além dos centros acadêmicos XI de Agosto (Direito USP), Lupe Cotrim (ECA-USP) e Vladimir Herzog (Cásper Líbero), o ato teve a participação do jornalista Glenn Greenwald, que havia sido diretamente ameaçado por Bolsonaro. Greenwald e a redação do The Intercept Brasil publicam reportagens, desde junho, que evidenciam a ação criminosa da Operação Lava-Jato contra alvos políticos e econômicos, particularmente para tirar Lula da disputa eleitoral de 2018, sem falar da destruição econômica de grandes proporções em diversos setores (petróleo, construção civil, estaleiros navais).

Falaram no ato mais de 20 oradores, incluindo juristas renomados, como Dalmo de Abreu Dallari, jornalistas, artistas, como a cineasta Laís Bodanski, a UNE, a CUT, além de representantes das entidades organizadoras. Compareceram representantes de vários partidos, como Fernando Haddad, Aloízio Mercadante e Eduardo Suplicy, do PT.

Lula livre ecoou com força
No plenário do Salão Nobre, totalmente lotado, faixas e palavras-de- -ordem clamavam por Lula Livre.

Natural que isso ocorresse, visto que o material publicado pelo Intercept mostra conversas entre os procuradores, incluindo referências ao ex-juiz e atual ministro Sérgio Moro, combinando, por exemplo, vazamentos ilegais de grampos telefônicos para impedir Lula de tomar posse como ministro de Dilma, no início de 2016, numa ação articulada com fins explicitamente políticos. Outras conversas mostram o juiz orientando aos procuradores os procedimentos indicados para condenar Lula.

São ações totalmente fora da lei, cuja revelação expõe a nulidade do julgamento,e, por conseguinte, explicita também a fraude eleitoral que levou Bolsonaro à presidência. Por isso, o trabalho jornalístico do Intercept atinge diretamente o Palácio do Planalto.

O presidente do Sindicato dos Jornalistas de SP e vice da Federação Nacional dos Jornalistas, Paulo Zocchi, informou que, há mais de três anos, o sindicato critica a Lava-Jato por violar direitos democráticos. Elogiou o trabalho do Intercept por trazer provas indiscutíveis disso, e destacou a importância do ato, por agrupar amplos setores democráticos num momento de resistência. Em sua fala, destacou:

“Respeitando as diferentes opiniões que se somam nesta sala – registro que (…) a nossa federação decidiu somar-se aos movimentos pela libertação imediata do ex-presidente Lula e pelo fim o quanto antes do atual governo, cuja permanência produz no Brasil, a cada dia, mais retrocesso de direitos trabalhistas e sociais, e mais destruição do patrimônio nacional.

No todo, por cerca de três horas, reuniu-se um ato memorável, que reforça a coesão de entidades sindicais, estudantis e democráticas para construir uma ação comum sobre pontos concretos, como a defesa da liberdade de imprensa, contra a os ataques e a destruição promovidos pelo governo Bolsonaro.

Pedro Lopes