De crise em crise

Uma nova crise se abriu com a declaração do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes.

No Brasil real já são mais de dois milhões de contaminados, chegando aos 80 mil mortos – números (pessoas) que não param de crescer, revelando que o povo brasileiro é um dos mais vulneráveis nesta pandemia. Isto não é obra da natureza e nem do acaso. Tem nome e endereço: o governo Bolsonaro e o Palácio do Planalto (a bem da verdade, a Praça dos Três Poderes).

Com a permanência deste governo, cada vez mais vulnerável ficará o povo trabalhador.

Haverá mais vítimas da pandemia, do desemprego e da perda de direitos. Mais vulnerável ficará a nação, com as privatizações, entrega das riquezas e os crimes ambientais.

O governo se prepara, por exemplo, para acabar totalmente com o regime de partilha do Pré-sal para entregar a riqueza às multinacionais petrolíferas e o ministro Paulo Guedes anuncia novo ataque ao que restou da Previdência, com a retomada da capitalização individual.

As medidas tomadas pelo governo durante a pandemia –como o veto criminoso à proteção aos povos indígenas – e as que se anunciam para o pós-pandemia levam à calamidade.

E os militares, garantidores desta tragédia, ficam ofendidos quando um ministro do STF fala que o “Exército está se associando a esse genocídio”?

É sempre bom lembrar: o STF teve e tem culpa em cartório pelo governo que está aí, pois ele foi engendrado com a perseguição ao PT, a Lula e o impeachment de Dilma. Há dois anos repousa nas gavetas do STF o pedido da defesa de Lula pela anulação do julgamento parcial e fraudulento –o que se comprova a cada novo fato revelado–, conduzido por Sérgio Moro a serviço do imperialismo estadunidense que comanda os artífices deste governo genocida. E no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) o julgamento da reclamação da defesa de Lula contra o Deltan Dallagnol já foi adiado por 40 vezes!

Agora são 48 pedidos de impeachment protocolados e Rodrigo Maia continua fazendo cara de paisagem.

Enquanto segue o jogo institucional por cima, por baixo, ainda que de forma localizada, o povo trabalhador vai à luta.

Na zona sul da capital paulista centenas se manifestaram contra a entrega do Hospital do Campo Limpo à Organização Social do Hospital Albert Einstein. O pré-candidato a prefeito pelo PT, Jilmar Tatto, ali declarou: “se terceirizar, vamos assumir compromisso com vocês, nós vamos reverter, a saúde não é para dar lucro, saúde deve ser pública, gratuita e universal”. Sim, lutar para impedir a privatização e reunir forças para reverter, se ela for feita na marra. A luta em defesa deste hospital coloca uma questão de interesse de todo povo brasileiro: a defesa e ampliação dos serviços públicos, com a reversão das privatizações feitas. Para isso, vai chegar o momento de colocar de forma contundente a necessidade de instituições que sustentem os interesses do povo.

Na campanha eleitoral que se avizinha é aí que o PT deve estar.

Enquanto prossegue a tentativa de apaziguamento entre as instituições (Gilmar e Pazuello, o general plantado no Ministério da Saúde, sinalizam “voltar às boas”), para preservar a política do governo contra os trabalhadores e a nação, o PT deve estar onde o povo está: em cada luta, construindo a força para colocar um ponto final neste conluio que está dizimando a força de trabalho que constrói a riqueza da nação.