Defender a democracia: Lula Livre!

O Judiciário, com seus ministros supremos de altíssimo salário, reajustado de R$33.000,00 para R$39.000, não dá trégua. Finda as eleições uma metralhadora giratória foi aberta contra o PT.

Na primeira semana após o segundo turno, o prefeito petista de Araraquara (SP), Edinho Silva, foi surpreendido em sua casa com a busca e apreensão da Polícia Federal, sob pretexto de supostas irregularidades na campanha de Dilma em 2014, da qual foi tesoureiro e cujas contas já foram aprovadas.

Em 27 de novembro, sem nenhuma razão plausível, foram cassados os mandatos de dois deputados federais do PT. Quaquá do Rio de Janeiro, recém-eleito e Luis Caetano da Bahia, reeleito.

O Judiciário opera, inclusive com a tutela militar, na busca do objetivo que anos de perseguição não foram capazes de realizar que é varrer o PT do cenário político brasileiro. Afinal, vassalos que são dos interesses do capital financeiro, sabem que o partido segue sendo o principal ponto de apoio para fazer frente ao governo entreguista e autoritário que se anuncia.

Ultrapassando todos os limites

Em 23 de novembro, o juiz Vallis­ney de Souza Oliveira, do DF, tornou réus, entre outros dirigentes e ex­-dirigentes do PT, Lula e Dilma.

Em seu parecer escreve que os acusados “na qualidade de membros do Partido dos Trabalhadores – PT, com vontade livre e consciente, de forma estável, profissionalizada, preordenada, com estrutura definida e com repartição de tarefas, constituíram, integraram e estruturaram uma organização criminosa, com atuação durante o período em que os dois primeiros denunciados sucessivamente titularizaram a Presidência da República, para cometimento de uma miríade de delitos, em especial contra a administração pública em geral”. Sem prova, sem ouvir os acusados o juiz de Brasília sabe que tem costas quentes nas instituições para agir fora da lei.

Em 26 de novembro os Procuradores de uma autointitulada “Lava Jato São Paulo” abrem denúncia contra Lula por tráfico de influência junto ao governo da Guiné Equatorial, em troca de benefício para o Instituto Lula. Segundo sua defesa é “mais um capítulo do ‘lawfare’ que vem sendo imposto a Lula desde 2016”. “A denúncia pretendeu, de forma absurda e injurídica, transformar uma doação recebida de uma empresa privada pelo Instituto Lula, devidamente contabilizada e declarada às autoridades, em tráfico internacional de influência”

Lula preso, senha para prosseguir

Em 14 de novembro Lula prestou depoimento em Curitiba à juíza Gabriela Hardt, substituta de Sérgio Moro, premiado com o superministério no governo Bolsonaro. O depoimento foi uma prova, se mais fossem necessárias, da manipulação fraudulenta contra o ex-presidente. A juíza Gabriela, agora investida como autoridade da Lava Jato, conduziu todo depoimento para provar que Lula é culpado no processo sobre o sítio de Atibaia. Não era um depoimento para que o réu pudesse exercer seu direito à defesa, mas para incriminá-lo. Destemperada, a juíza ameaçava e cortava a fala de Lula. Desrespeitado em seu direito de defesa ele não se intimidou. Questionou todas as acusações e foi direto ao ponto: “Vocês até já conseguiram me tirar do processo eleitoral. Porque sabiam que se eu fosse candidato eu ganhava no primeiro turno as eleições”.

É verdade. Mas ter tirado Lula das eleições não basta. É preciso mantê-lo preso, acumulando novas condenações fraudulentas, para prosseguir a ofensiva, neste momento contra o PT, mas que pretende atingir todas as organizações que defendam os direitos e a democracia. A campanha Lula Livre deve ocupar um lugar maior na luta no próximo período. Em primeiro lugar na ação do PT, mas de todos que se reivindicam dos interesses do povo e da nação.

Misa Boito