África do Sul (Azânia): “É hora da classe trabalhadora retaliar!”

24 de fevereiro: greve geral convocada pela Federação Sul-Africana de Sindicatos (Saftu).

Assim que se concluiu a convocação para a greve geral lançada pela Saftu, com 800.000 membros, as manifestações ocorreram em 24 de fevereiro nas principais cidades do país: Joanesburgo, Cidade do Cabo (onde a polícia interveio e prisões foram feitas), Port Elizabeth…

Em sua chamada à greve, a Saftu enfatiza: “A pandemia de Covid-19 colocou a nu as desigualdades da África do Sul, em um momento em que nosso país já estava em processo de desmoronamento (…). No que já se tornava o desigual do mundo, os ricos capitalistas enriqueceram, enquanto que a classe trabalhadora está agora muito mais pobre (…). Nós devemos liderar a batalha por nossos empregos, nossos meios de subsistência e nossos direitos democráticos nas ruas.”

O resultado é que “a Covid-19 destruiu 2,2 milhões de empregos e mais de cinco milhões entre nós foram reduzidos ao desespero total, agora definidos como ‘economicamente inativos’. A pobreza e a fome se espalharam.”

A Saftu reivindica uma moratória sobre todas as perdas de empregos e um salário mínimo de 12.500 rands (700 euros). Ela reivindica também a nacionalização dos setores estratégicos como Arcelor Mittal, energia, bancos, saúde, assim como colocar em prática um seguro nacional de saúde. Reivindica uma educação pública gratuita, descolonizada e de qualidade. Reivindica ainda o fim das expulsões de terras ocupadas e expropriações sem compensação das terras ocupadas por colonos brancos.

A Saftu enfatiza que “o capitalismo está abandonando a classe trabalhadora e o pobre, não por fracasso, mas por projeto. Ele floresce quando há um exército de reserva de trabalhadores desempregados, quando há discordância e desunião entre a classe trabalhadora e os pobres, e quando o Estado toma partido do capital para aumentar a exploração e minar as liberdades civis.”

A Saftu quer também “construir a mais ampla unidade possível com as entidades de trabalhadores, sabendo muito bem que os sindicatos lutando sozinhos não vencerão!”. Ela convocou uma “cúpula da classe trabalhadora”.

O Black Consciousness Movement United (Movimento Unificado da Consciência Negra) respondeu a esse chamado. Nós publicamos sua declaração abaixo.

Jacques Diriclet


Declaração do Movimento Unificado da Consciência Negra (BCMU)
Apoio às reivindicações da Saftu e à greve geral de 24 de fevereiro de 2021

O Movimento unificado da consciência negra (BCMU) é solidário à convocação da federação sindical Saftu à greve geral de trabalhadores de 24 de fevereiro de 2021. Nos chamamos todos nossos membros em todo o país a organizar ativamente o apoio à greve geral.

Durante vinte e cinco anos de democracia, o governo da África do Sul mostrou seu engajamento a respeitar a política econômica prescrita pelas instituições de Bretton Woods.

Estabeleceu a política econômica do país de acordo com os ditados do FMI e do Banco Mundial. Reduziu os gastos sociais e aumentou os impostos dos trabalhadores. A submissão do governo ao FMI e ao Banco Mundial conduziu ao aumento das desigualdades, da pobreza, do desemprego e a impedir a redistribuição de terras e a concessão de liberdade real à população negra.

Nós rejeitamos firmemente a política econômica e orçamentária da África do Sul baseada nos planos de ajuste estrutural do FMI e do Banco Mundial, porque ela contraria a vontade da maioria e deteriora as condições gerais de vida da maioria negra.

Reiteramos o apelo da Saftu à independência dos sindicatos contra a empresa capitalista e seus planos que visam tornar os sindicatos seus parceiros menores da tomada de decisões econômicas concernentes aos trabalhadores. Aprovamos plenamente a necessidade de os trabalhadores se organizarem com toda a independência em relação ao patronato e organizações das elites políticas.

A Covid-19 mostrou de forma aguda a incapacidade do sistema capitalista de salvar a humanidade. Os trabalhadores são forçados a utilizar meios de transporte lotados, arriscando suas vidas, em nome da busca do lucro do patronato. Chegou o momento da classe trabalhadora negra se opor às políticas e ao sistema que coloca o lucro à frente das pessoas.

Thami HUKWE,
Secretário geral do BCMU
23 de fevereiro de 2021

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