Eleições: sindicatos de um lado, patrões de outro

 

Abusando do poder econômico no local de trabalho, empresários estão realizando reuniões com os trabalhadores para ameaçá-los de demissão e coagi-los a votar em Bolsonaro.

No primeiro turno, circulou um vídeo do dono da rede de lojas Havan, Luciano Hang (o mesmo acusado pela Folha de S. Paulo de pagar o caixa 2 das fakenews do PSL), que além de coagir seus funcionários, os constrangeu com imagens onde são forçados a usar camisetas do candidato.

No dia 19 de outubro, o Tribunal Regional do Trabalho de Minas condenou a mineradora Flapa, que tinha afixado nos murais um comunicado: “a empresa avisa que se no 1º de janeiro de 2019 o sr. Jair Messias Bolsonaro não estiver sentado na cadeira presidencial, a empresa fecha.”

A empresa Móveis Kappesgerg, no RS, a maior do setor no Brasil, com 1800 empregados e filiais em várias cidades, adotou tom parecido. “Muitas empresas já saíram do Brasil, e se o PT voltar ao poder, é certo que a grande maioria das empresas que ainda persistem, irão se bandear para outros países”, diz um e-mail enviado aos funcionários. Mas a ação movida pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), após denúncias da assessoria jurídica da CUT/RS, levou a Justiça do Trabalho a determinar que a Kappesberg “abstenha-se de adotar quaisquer condutas que, por meio de assédio moral, discriminação, violação da intimidade ou abuso de poder diretivo, intentem coagir ou influenciar o voto”.

O mesmo ocorreu na cidade de Carazinho (RS), às vésperas do 1o turno, na Construtora Mânica JJR Ltda (foto)., onde o MPT obteve uma liminar contra o patrão.

O MPT já recebeu 199 denúncias em 14 estados – número inédito. É provável que haja ainda mais casos que não tenham sido denunciados. O maior número é em Santa Catarina. Lá, na empresa Komeco, um e-mail chamava os funcionários a uma palestra, evento de trabalho, que virou 40 minutos de palanque eleitoral, com o prefeito bolsonarista de Palhoça (PSD).